Adeus, Mundo.

1 Capítulo 1


Não sei. É como se eu fosse, tipo assim, um nada. É, é exatamente assim como me sinto. Eu odeio isso, mas não consigo me sentir de outro jeito. E lembrar que só tenho 15 anos. Eu deveria ficar com meus amigos e tentar ser feliz. Ah, é, esqueci. Não tenho amigos.

Saio chorando da sala e entro no meu quarto, batendo a porta e trancando-a. O que eu fiz de errado dessa vez? Eu acho que nada, mas para meus pais, parece que ajudar meu irmão a andar de skate é errado.

Para eles, eu o empurrei. Eu tentei segurá-lo, para ele não despencar ladeira abaixo, mas o idiota pulou do skate na hora que meus pais estavam vindo nos buscar.

Brigamos da pista até em casa e, obviamente, meus pais me colocaram de castigo mais uma vez por um julgamento errado que eles fizeram.

- Luna, abra essa porta agora! — Meu pai gritou.

- Não! — digo, com a voz trêmula.

- Quer ficar mais uma semana de castigo?

- Foda-se!

Me afasto da porta e ligo o rádio no volume máximo. O cd é o da Lady Gaga. Tiro-o e coloco um do Avenged Sevenfold.

Provavelmente, os vizinhos estam escutando, mas não ligo.

Meu quarto é grande, de forma que tenho minha cama e um colchão de ar. Deito neste, tentando parar de chorar. Parece uma tarefa impossível. Me irrito e desligo o rádio. Tenho certeza de que meu pai já saiu de perto.

A maçaneta da porta gira e alguém tenta abrir a porta.

- O que é? — grito, entre um soluço e outro.

- Luna, sabe o que o Homer Simp... — diz meu irmão, entre risos, mas o interrompo:

- Não quero saber, sai daqui!

Dou um chute na porta, tentando sinalizar que a culpa de eu estar zangada é dele, o que é verdade. Deito na minha cama, me cubro, abraço minha almofada, enterro minha cabeça no travesseiro e choro.

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Acabei dando um cochilo e passaram-se duas horas, agora são oito da noite e a casa está silenciosa. Entro no meu banheiro e me olho no espelho. Meus olhos não estão vermelhos, mas dá para perceber que estava chorando. Está na hora de me divertir um pouco.

Coloco uma saia preta, uma blusa vermelha tomara-que-caia vermelha, sapatos de salto pretos. Me maqueio e arrumo o cabelo. Estou parecendo uma menina forte e decidida, que não passou a noite chorando. Até bonitnha eu estou.

Pego uma bolsa pequena e coloco meu celular e minha carteira ali dentro. Caso meus pais percebam que saí de casa sem permissão, digo que machuquei o braço e fui a uma emergência. Isso, claro, depois de ficar longe do barulho da boate.

Desligo a luz do quarto, abro a porta, mas não a fecho. Vou silenciosamente até a porta da frente do apartamento. Abro-a, saio, e a fecho bem devagar. Chamo o elevador e vou até a portaria. Saio do prédio e chamo um táxi, que chega em vinte minutos.

Chego na boate e entro. Imediatamente, esqueço todos os meus problemas.

Danço, bebo alguns refrigerantes — não gosto de álcool — e fico com alguns caras.

- Que horas são? — pergunto ao último.

Ele verifica o relógio e diz:

- Meia-noite e dois.

Ele olha para mim, ele é da minha turma da escola. É loiro de olhos verdes.

- Ah, desculpa. Tenho que ir.

- A gente se vê na escola, Luna?

- Claro.

Ele sorri e me dá um último beijo antes de eu sair.

Verifico meu celular. Nenhuma chamada perdida.

Uma buzina me para. Olho para o lado e vejo um carro vindo em minha direção. Ele freia, mas ainda assim bate em mim e caio no chão, sem vida.

Notas finais
Gostaram?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!