Adeus, Madeline.

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Dia produtivo, pois é.

Me olho no espelho. Agora todo sorriso meu parece ser falso, meu olhar está cansado e sem vida, manchado pelas olheiras profundas, eu já não me reconheço mais. Uma dor forte toma conta de meu coração, suspiros são soltos em vão, levados pelo vento me deixam vazia — mais do que nunca fui—, as lágrimas se recusam a descer — elas secaram, apesar de tudo.

Solto meu cabelo de um tom avermelhado e entro debaixo do chuveiro, deixo assim que a água tome conta do meu corpo e espírito. "Eu sou como a água" — penso olhando para o chão — "sendo apenas levada pela correnteza" — a vejo desaparecer pelo ralo — "eu sou como a água".

A primeira gota escarlate escorre pelo meu braço, logo após de uma doce e fria lamina me perfurar, e as gotas se sucedem levando consigo o aperto que eu sentira e deixando em seu lugar uma leve dor de alivio. O chão já havia se tornado carmim quando resolvi sair, e me olhando no espelho mais uma vez percebo que nada mudou, minha boca está em linha reta e meu olhar continua vazio, sem vida. Eu estou sem vida. Ergo minha mão manchada de sangue e a passo sobre o vidro gélido do espelho formando um sorriso fúnebre, o ultimo sorriso.

Caminho até meu quarto em silêncio, ao adentrar no mesmo me deparo com um lugar vazio — assim como eu mesma—, nele havia apenas uma cama velha num marrom puxado pro vinho, fazendo par com o guarda-roupa e a escrivaninha, o restante estava encaixotado. Coloco um vestido azul simples que batia na altura de meus joelhos, visto também uma jaqueta preta, escondendo meus ferimentos — pelo menos a maioria deles. Sento-me em frente a escrivaninha pego um papel e uma caneta de tinta preta e lá escrevo...

"É difícil fazer o que vou fazer, é difícil fazê-lo sem se importar com nada — eu me importo -, mas eu preciso fazer isso. Porém, eu não consigo sem antes, ao menos, me deixar dizer Adeus.

Não sei ao certo o que devo ou o que quero escrever, talvez eu deva me desculpar, me desculpar por estar prestes a fazer o que vou fazer, me desculpar com todos, mas especial com você, Madeline.

Então, peço que me perdoe, mas não mais posso aguentar o que se sucede comigo (com você). Resolvi então sumir, talvez não se importe com isso, mas mesmo assim, desculpe-me.

Adeus, Madeline."

... uma carta para mim mesma, uma carta sem remetente e junto a varias outras a escondo no fundo da escrivaninha...

Notas finais
:)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!