Adeus Amor!

2 Chuva de isopor


Notas iniciais
Espero que gostem!

Ares abriu os olhos sonolento e se levantou da cama. O Sol já tinha nascido no horizonte, o que mostrava que era hora do Deus da guerra começar a andar por aí arrumando algumas brigas. Ele foi até o armário e pegou sua jaqueta de couro com taxinhas favorita, seus óculos escuros, e calçou suas botas pretas.

Com um bocejo ele andou até a porta de seu templo, pois ouviu alguém o chamar.

- Deve ser a Afrodite. — Pensou ele com um sorriso torto. Seu cabelo cutro e preto ainda estava bagunçado, mas ele preferia atender a porta antes de ajeitar isso. Assim que a abriu, o seu sorriso desapareceu. Não era Afrodite, e sim Hermes.

- Ah, é você. — Resmungou Ares desapontado.

- Esperava quem? Uma namorada? — Perguntou Hermes rindo — Sinto muito desapontar. Isso é para você.

- Tanto faz. — Ares revirou os olhos e pegou uma caixa da mão de Hermes. O Deus dos ladrões foi embora, e Ares fechou a porta e entrou novamente em seu quarto para ver o que era aquela encomenda.

- Por que não era a Afrodite? Pensa, Ares... Acho que você sabe a resposta... Pensa... Ah, é! Ela foi embora ontem. Tsc. Uma hora ela volta. Ela sempre volta. — Ares riu um pouco e abriu o pacote, mas ao olhar o que tinha dentro, seu riso sumiu.

“Para: Ares, o Deus da guerra. De: Anônimo.” Era o que estava escrito no envelope que estava dentro da caixa, em meio de vários pedaços de isopor. Ares sabia muito bem que Afrodite é que enviara a carta. Quem mais escreveria com caneta rosa e marcaria o envelope com um beijo de batom vermelho? Sim, ninguém.

- “Ares, estou cansada de ser ignorada pelos outros Deuses e por você. Por causa disso eu resolvi que não vou mais tolerar a pouco importância com a que me tratam.” Tsc. Rainha do drama... — Murmurou Ares revirando os olhos — “Após pensar muito nisso...” Duvido. Você nunca pensa. Sempre age por impulso e emoção. “... Resolvi deixar o Olimpo para trás, para mostrar a vocês o que a minha ausência pode causar. Espero que vejam que o amor tem mais poder do que pensam. Se realmente acham que podem viver sem mim, ótimo. Eu não vou voltar. Agora, se ficarem desesperados para me trazer de volta... Sinto muito. Vão ter que me procurar e implorar por perdão. Beijos charmosos-mas-mesmo-assim-irritados... Afrodite.” Ela esqueceu o negócio do anônimo.

Então ela tinha realmente falado sério na última noite? Ares riu ao ver o que a carta estava dizendo. Afrodite ir embora? Até parece! Ela devia estar escondida em algum lugar do Olimpo, e Ares não dava nem dois dias até que ela voltasse correndo para ele e para os outros.

Ele estava prestes a jogar a carta dentro da caixa e sair do quarto, quando leu a última parte que não tinha notado antes.

- “PS: Peguei sua moto, amor. Adeus.” — Leu ele. Ares arregalou os olhos para o papel — O que?! A minha moto?!

Ele sabia muito bem que Afrodite não tomava nem um pouco de cuidado com nenhum tipo de veículo, por isso rangeu os dentes de raiva.

- Implorar por perdão?! Implore você pelo meu perdão! — Exclamou Ares com raiva jogando a carta dentro da caixa novamente. Em um acesso de raiva, ele chutou o pacote, mas esqueceu que ele estava cheio de isopor. Pedacinhos brancos voaram pelos ares, e cairam pelo quarto como flocos de neve.

- Ei! Está nevando! — Sorriu Apolo entrando no quarto de Ares. O Deus da guerra lançou um olhar de ódio para ele, e Apolo recuou um passo — Ei, calma aí. Eu só vim dizer um oi.

- Já disse. Agora se manda! — Exclamou ele.

- Agressivo logo de manhã. Isso faz mal para a saúde, sabia? — Falo Apolo olhando o pacote jogado no chão. Seus olhos brilharam ao ver a carta — Wow, o que é isso?! Uma carta de amor para você?

- O que? Não! Caí fora! — Exclamou Ares tentando acertar Apolo, mas o Deus correu, pulo encima da cama e foi para o chão pegar o envelope. Assim que ele leu as palavras “De: Anônimo” Apolo sorriu torto para Ares.

- Uhm... Anônimo, é? Seu malandrinho! — Riu ele. Ares deu um tapa na testa e olhou para Apolo.

- É da Afrodite, sua anta. Ela fugiu do Olimpo e queria avisar isso na carta. — Contou Ares revirando os olhos. Apolo segurou o riso e olhou para Ares.

- Tá brincando! Ela fugiu mesmo? Por que dissemos que ela era fútil?! — Perguntou Apolo sem acreditar. Ares assentiu e os dois riram um pouco — Ela exagera demais ás vezes.

- Pode crer. — Murmurou Ares revirando os olhos.

- Mas esquece isso. Ela volta uma hora ou outra. — Disse Apolo dando de ombros e largando a carta — Quer apostar uma corrida? Perguntei para Hermes, mas ele está ocupado.

- Eu não posso. — Ares rangeu os dentes ao lembrar da parte do “PS” — Afrodite fugiu com a minha moto.

Apolo começou a rir da cara de Ares, e o Deus da guerra o expulsou de seu quarto. Afrodite podia até ser linda, mas aquilo não ia fazer ele esquecer o lance da moto. Ares foi para a porta do templo e saiu. Para a sua surpresa, Apolo estava encostado á porta dele.

- Ah, ótimo. Você continua aqui. — Resmungou ele em sarcasmo — Não tem nada melhor para fazer, não?

- Não. — Respondeu Apolo dando de ombros. Os dois andaram juntos pelo Olimpo, de modo distraido, e foi aí que Apolo resolveu puxar assunto — Mas você deve estar mal por causa disso, né? O lance da Afrodite fugir.

- É. Ela levou a minha moto. — Resmungou Ares irritado.

- Eu estava falando, porque você gosta dela, mas se a moto é mais importanten para você... Ok. — Comentou Apolo assentindo — Relaxa. Ela realmente vai voltar. E também... O que de pior pode acontecer com ela longe daqui?

- Ela disse que nós não viveríamos sem ela. — Comentou Ares pensando no assunto — Mas o que ela quis dizer com isso?

- Sei lá. Por exemplo... Dionísio. Ele não vai nem se importar se ela não estiver aqui. — Comentou Apolo — Tudo bem, eu não tenho nada contra ela. Mas não vai acontecer uma catástrofe ou coisa parecida. Acho que se Zeus fosse embora, seria terrível. Mas Afrodite...

- O que conta é que ela vai voltar. — Comentou Ares — Uma hora ou outra ela vai aparecer e dizer “Vou dar mais uma chance a vocês”.

Apolo riu, pois era exatamente isso que ela sempre fazia. Ares também riu, mas Apolo parou de repente.

- Espera... O que Hefesto vai dizer disso? — Perguntou Apolo.

- Tsc. Você não está falando sério, não é? — Riu Ares — Se ele notar que ela fugiu, já vai ser chocante para mim.

Apolo começou a rir. Hefesto nem mesmo sentiria a falta de Afrodite, pois ele sempre passava o tempo todo trancado mexendo com seus robôs e automatos. Apolo e Ares continuaram andando, até que encontraram Hermes, sentado á um banco de mármore com uma cara de tédio.

- O que você está fazendo aí? Sem movimento hoje? — Perguntou Apolo.

- Só tive umas duas entregas. Nada de importante. — Respondeu Hermes desapontado. Ele gostava de ter muito trabalho para poder sair correndo de um lado para o outro o tempo todo. O Deus dos ladrões e mensageiros estava sem nada para fazer, o que o incomodava — E vocês?

- Nada. — Respondeu Ares dando de ombros — Como sempre. Isso já está ficando chato para mim.

- Vai arrumar a terceira guerra mundial porque está entediado? — Brincou Hermes com seu sorriso maroto — É sério. Foi assim com a guerra fria, e nós todos sabemos que não deu em nada.

- Você me mata de rir. — Rebateu Ares em um resmungo. Apolo sorriu para o horizonte e depois para os dois.

- Eu tenho o que fazer. — Comentou ele. Apolo tinha um sorriso um tanto malicioso no rosto, por isso Hermes e Ares já adivinharam do que se tratava — Tem uma ninfa por aqui que está saindo comigo. Uma hora ela aparece. Está caidinha por mim.

- Claro. Todo mundo está. — Comentou Hermes revirando os olhos. A humildade de Apolo era algo impressionante.

Apolo estava confirmando a história, quando uma garota que aparentava ter uns 20 anos chegou. Seus cabelos com cachos largos balançava a cada passo que ela dava. Apolo sorriu e sussurrou “É ela” para os dois Deuses.

- Amor... — Apolo pensou que ela fosse lhe dar um beijo, mas ao invés disso ele levou um belo tapa na cara. O rosto de Apolo virou para a direita com toda a força, e o Deus do Sol virou-se novamente para olhar a ninfa — O que eu fiz?

- Acabou, Apolo! — Exclamou ela com raiva, e foi embora. Todos ficaram em quietos por alguns minutos, até que Ares quebrou o silêncio com uma risada abafada e curta.

- Ok. Eu absolutamente adoro quando isso acontece e eu estou por perto para ver. — Sorriu ele tentando não rir. Hermes por outro lado, caiu na gargalhada.

- Você deve ter feito algo bem ruim para ela! — Comentou Hermes rindo.

- Ai! — Exclamou Apolo de dor. Um pouco tarde, mas mesmo assim... Gritou — Não! Eu não fiz nada dessa vez! Estava só com ela!

- Mesmo? — Perguntou Hermes sem acreditar — Eu não engulo essa.

- Vcoês pensam sempre o pior de mim. — Apolo revirou os olhos — Mas é sério! Eu não sei o que deu nela.

Ares e Hermes riram de Apolo sem nem mesmo se importar em perguntar se ele estava bem, mas...

- Apolo, está doendo? — Perguntou uma voz feminia. Eles se viraram e viram Héstia. Seus cabelo ruivo cor de fogo, e seu vestido marrom simples faziam ela parecer muito delicada e frágil, mas olhar diretamente em seus olhos mostrava o quanto ela podia ter poder.

- Ainda bem que pelo menos uma pessoa aqui se importa comigo! — Exclamou ele lançando a indireta para Ares e Hermes, mas os dois continuaram a rir. Apolo olhou para Héstia — Eu levei um tapa por nada. Fui uma vítima. E está doendo sim.

Héstia revirou os olhos sorrindo e passou a mão no rosto de Apolo. O Deus gemeu de dor, e ela tirou a mão.

- Estranho. Você não fez nada mesmo? — Perguntou ela incrédula.

Hermes e Ares riram mais ainda.

- Por que ninguém acredita em mim?! — Exclamou Apolo incrédulo — Não! Eu não fiz nada!

Héstia assentiu parando de duvidar de Apolo e virou-se para Ares e Hermes.

- O que vocês estão fazendo? — Perguntou ela.

- Nada. Só rindo do Apolo. — Respondeu Ares apontando o dedão para o Deus do Sol. Apolo exclamou um “Ei!”, mas isso não mudou nada na expressão de Ares.

- Só isso mesmo? Que dia parado, hein? — Comentou ela sentando-se ao lado de Hermes no banco de mármore. O Deus dos ladrões concordou.

- A única coisa engraçada foi saber que Afrodite saiu do Olimpo revoltada com todos nós. — Comentou Hermes.

- Isso foi mesmo. — Concordou Apolo rindo um pouco, mas não muito para não doer a bochecha. Até Ares concordou, mas Héstia franziu o cenho. A Deusa olhou para Apolo.

- Parem de rir. Afrodite foi embora? Isso é sério! — Disse ela. Ninguém ligou.

- Tsc. Esquece. Não é nada demais. — Comentou Ares dando de ombros.

Héstia se levantou e apontou para Apolo. Os dois pararam e olharam para ela.

- Acham que isso não é nada demais? Foi por causa disso que Apolo levou um tapa. — Os três franziram o cenho sem entender.

- Por que? Ele teve traiu aquela ninfa com a Afrodite? — Perguntou Hermes de brincadeira. Ares avançou na direção dele, mas o Deus só riu — É brincadeira. Calma.

- Sh! Deixa ela explicar! Quero saber porque eu fui uma vítima! — Exclamou Apolo para os outros — Fala Héstia. É porque as pessoas me julgam errado, não é?

- Não! Vocês não estão vendo?! — Exclamou Héstia revirando os olhos. Os três negaram com a cabeça e ela explicou — Quando Afrodite foi embora do Olimpo... O amor foi também.

Os três pararam e franziram o cenho ao mesmo tempo.

- Espera... Isso quer dizer que agora todos vão sair por aí se dando tapas nos rosto?! — Exclamou Apolo chocado. Héstia revirou os olhos.

- É... É por aí, Apolo. — Comentou Héstia — Mas o que eu quero dizer é que com a Afrodite longe, o amor daqui vai ficar enfraquecido. Isso pode causar sérios problemas.

- Ela vai voltar logo. — Disse Hermes em um tom mais sério, e depois olhou para Ares — Não é mesmo, Ares?

- Como é que eu vou saber?! Sei lá. Ela não deve ficar muito tempo fora. — Disse ele dando de ombros.

- Ela disse quando voltava? — Perguntou Héstia.

- Ela... — Ares desviou o olhar, mas acabou completando a frase — Ela disse que não ia voltar mais, até que todos implorassem por perdão á ela.

Os quatro ficaram em silêncio.

- Pois é. Estamos encrencados. — Comentou Hermes quebrando o silêncio.

Notas finais
O que acharam?

Eles vão ficar cada vez mais encrencados agora...

Quero reviews, gente!

Beijos.