Adeus
1 O Primeiro e Último
Notas iniciais
Honestamente, Sakura não sabia como eles conseguiam se meter em tantos problemas em tão pouco tempo. O senso aventureiro e, sinceramente, bisbilhoteiro de Naruto sempre atraía os piores tipos de problemas.
E desta vez, não era diferente.
Estavam em uma missão Classe S, apenas os dois. Com Sasuke sempre longe de Konoha, Kakashi atuando como Hokage e Sai fazendo outras missões para a vila restavam apenas Naruto e Sakura do time original. Não que houvesse qualquer reclamação a esse respeito, estar com Naruto, apesar de perigoso, era divertido.
Naruto lutava contra o inimigo ao longe enquanto Sakura se encarregava de curar o casal de crianças que tinha sido pego em fogo cruzado. Ela ouvia o tilintar de kunais e Naruto xingando ao vento e a cada segundo, sem poder ajudar ou olhar, sua preocupação apenas aumentava.
Mesmo que soubesse que Naruto era capaz de derrotar um exército inteiro, mesmo sabendo que ele era um dos ninjas mais fortes de todo o mundo. O simples pensamento de que sua vida corria o mínimo perigo que fosse já a assustava.
Assim que terminou de curar as crianças, as colocou em posição segura e partiu para onde o seu companheiro de equipe estava. O inimigo estava prestes a desferir outro golpe em Naruto quando ela entrou na frente. A espada dele enfiou em seu braço atravessando o membro e chegando a perfurar na área da costela, mas Sakura apenas esboçou um sorriso sádico e com o outro braço desferiu um soco no rosto do inimigo jogando-o para longe.
— Sakura-chan! – Naruto exclamou segurando a amiga em um gesto de amparo. Seu peito balançava incontrolavelmente e ela duvidou que conseguisse ficar em pé por muito mais tempo. O corte havia sido profundo, porém tinha valido a pena.
Sakura notou o desespero latente nos olhos azuis de Naruto e apenas sorriu levantando-se um pouco mais.
— Naruto... Não se preocupe. É só um pequeno corte. – Ela falou dando uma risada em seguida, sua voz era fraca, porém constante.
— Um pequeno corte? – Ele bradou em resposta olhando para o sangue que já parava de escorrer do corpo dela. – Você não precisava...
— Naruto! – Sakura o repreendeu antes que ele conseguisse dizer mais alguma palavra. – Apenas aceite e vamos embora. – Ela falou olhando para o corpo do inimigo que estava prostrado no chão. – Nós concluímos a missão.
Naruto pensou em dizer mais alguma coisa, mas calou-se imediatamente.
***
— O que? – Gritaram em uníssono apoiando-se no balcão da recepção do minúsculo hotel. Apesar da missão ter sido um sucesso, esperavam que terminassem mais rápido do que o imaginado. Nenhum dos dois tinha se preparado para mais um dia naquela pequena vila.
Àquela altura já deviam estar em Konoha. E agora, mais aquela bomba.
— Como assim não tem mais quartos sobrando? – Sakura perguntou descrente para a velha senhora atrás do balcão que olhava incrédula para os dois à sua frente.
— Bem, é como eu disse: todo o hotel está lotado. – A senhora respondeu ajeitando os óculos. – Temos apenas um quarto de casal sobrando...
Quem iria imaginar que uma cidade tão pequena quanto aquela recebia tantos visitantes?
Sakura olhou exasperada para o relógio de parede do hotel apenas para confirmar o que já sabia: era muito tarde da noite. O problema, no entanto, não era o horário e sim que tanto ela quanto Naruto estavam exaustos. Dificilmente conseguiriam chegar a Konoha no tempo esperado e mesmo que tentassem estavam debilitados demais para tal.
Ela olhou para o amigo que esboçava uma expressão não apenas de dúvida, mas alegria. De repente, ela não conseguia mais olhar para Naruto do mesmo jeito então desviou o olhar sem deixar que ele visse seu rosto corar.
— Sakura-chan... – Naruto chamou fazendo com que ela voltasse sua atenção a ele novamente, desta vez da maneira “adequada”. – O que devemos fazer? – Perguntou sussurrando enquanto colocava a mão atrás da nuca em sinal de embaraço.
Em tantas missões tinham dormido próximo, às vezes no mesmo hotel, às vezes no mesmo quarto. Porém, sempre envolvia outras pessoas. Nunca estiveram sozinhos, não naquelas circunstâncias. Não com aquele misto de emoções incompreensíveis.
Contudo, o cansaço falou mais alto.
— Vamos ficar com o quarto. – Sakura respondeu de maneira impetuosa para logo depois soltar um longo e exasperado suspiro. O coração batia contra seu peito de maneira descontrolável, mas como mal conseguia se manter em pé aquela altura decidiu que uma noite no pequeno hotel não faria a mínima diferença.
Seu rosto alvo esboçava uma leve vermelhidão e ela não pôde deixar de notar que até mesmo o amigo estava corado. Mesmo depois de tudo que os dois tivessem passado, aquela situação não deixava de ser peculiar.
— Bom, muito bom. – A senhora da recepção disse alargando o sorriso e pegando a chave do quarto embaixo do balcão. Apesar de muito adorável, a expressão da velha mulher era praticamente pervertida o que fez com que os dois ficassem ainda mais desconfortáveis.
O quarto não era muito grande, porém considerando o tamanho do hotel não dava para esperar o maior dos luxos. No entanto, era agradável. Era coberto em tons amadeirados e claros e contava com uma escrivaninha antiga e um guarda-roupas no mesmo estilo. Havia uma porta desbotada que dava para o banheiro e, claro, a “gigantesca” cama de casal no centro do local.
Naruto jogou a pequena mala no chão e olhou ao redor, de repente começou a rir fazendo Sakura arquear as sobrancelhas.
— Se precisarem de qualquer coisa, basta me chamar na recepção. – A senhora voltou a falar entregando a chave do quarto para Sakura. – O quarto é bem simples, mas um casal jovem como vocês sabe encontrar diversão. – Complementou com o sorriso divertido e pervertido nos lábios.
— Não somos um casal... – Naruto começou a falar gesticulando ferozmente com as mãos e a rosada apenas lhe deu um cutucão para que ele não falasse. Afinal, por mais que a mulher parecesse apoiar as “travessuras” de um casal, talvez ela não levasse tão bem o fato de que eles eram amigos.
— Boa noite. – Sakura disse sorrindo e acenando para que a mulher saísse. Assim que ela fechou a porta, um silêncio mortal se instaurou no quarto. Sakura sequer conseguia olhar para Naruto naquele momento, e nada era mais atípico do que aquilo.
A tensão estava tão presente no ambiente que talvez fosse capaz de se transformar em matéria, até que Naruto falou:
— Acho que vou tomar banho.
Sem esperar ele pegou o roupão branco e partiu em direção ao banheiro. Quando Sakura ouviu o ressoar da água caindo do chuveiro soltou um suspiro de alívio sentando-se na cama cobertas por lençóis brancos.
Lentamente tirou as botas e tentou acalmar o coração e secar as mãos que suavam mais do que tudo. Nunca tinha se sentindo daquela maneira. A verdade é que depois da Guerra, depois do retorno e do sumiço de Sasuke nenhum dos dois tinha conversado sobre isso.
Sim, Sasuke estava de volta e aparentemente disposto a mudar sua postura, ser tanto um ninja quanto pessoa melhor. Contudo, por alguma razão, Sakura não conseguia sentir nada além de raiva em relação a ele.
Por anos, ela e Naruto tinham se desdobrado para achá-lo, trazê-lo de volta para Konoha e quem sabe começar do zero. E por todo esse tempo, a rosada tinha perseguido o Uchiha com uma obsessão quase doentia com a desculpa que fazia por amor.
Com o fim da Guerra, no entanto, ela não pôde deixar de reparar que talvez as coisas não fossem tão “preto no branco” quanto soavam. De fato, ela tinha amado, ou o que quer que fosse aquele sentimento, Sasuke desde sua infância. Tinha lutado contra ele e por ele e com o fim daquela tempestade ela percebeu que não poderia simplesmente perdoá-lo.
Iria demorar um bom tempo até que ela conseguisse fazer aquilo. E ela não sabia se Naruto pensava da mesma forma, acreditava que não.
A rosada levantou-se da cama e olhou através da cortina para a noite fria. Uma chuva torrencial caía do lado de fora e ela sequer tinha percebido de tão absorta que estava em seus pensamentos.
Naruto saiu do banheiro de maneira relaxada apenas com o roupão branco do hotel enquanto secava os cabelos dourados com outra toalha. Sakura se viu mordendo o lábio inferior com tanta força que logo sentiu o gosto ferroso de sangue na boca.
— Sakura-chan! – Ele falou voltando a agir como o seu eu normal. – Você tem que testar esse chuveiro! Ele é maravilhoso! – Disse alargando o seu sorriso tão costumeiro.
— Ah... Sim. – A rosada respondeu ainda desconcertada com o atual estado de seu companheiro de time. – Eu vou tomar banho e você espera a comida chegar, certo? – Ela falou referindo-se a refeição que tinham pedido a velha pervertida antes de entrarem no quarto.
— Okay! – Respondeu com uma alegria e empolgação genuína e Sakura apenas riu em resposta entrando no banheiro.
Realmente, o chuveiro era maravilhoso, todavia não poderia ficar ali para sempre. Mesmo que quisesse evitar Naruto para sempre, não poderia. Então fez o mesmo que o rapaz, colocou o roupão branco e saiu do banheiro da maneira mais descontraída possível.
Assim que saiu, sentiu o cheiro delicioso da comida e se sentiu mal por pensar de maneira tão leviana quanto a senhora da recepção que tinha se dado ao trabalho de preparar aquele banquete àquela hora da noite.
— Sugoi! – Sakura falou repentinamente em um ato involuntário ao olhar a comida. Tinham colocado aos pés da cama na pequena mesa.
A rosada sentou-se a frente de Naruto que tinha os olhos brilhando ávidos pela comida e instantaneamente, ao olharem um para o outro, começaram a rir de toda aquela situação. Tinham agido de maneira tão estranha naquela última hora que sequer se reconheciam, mas um bom banho e boa comida limpavam tudo o que fosse “ruim”. As coisas pareciam ter voltado a sua normalidade.
— Itadakimasu! – Os dois falaram em uníssono enquanto repartiam os hashis ao meio.
— Eu tenho que admitir... – Naruto começou a falar com a boca cheia. – Aquela vovó se superou ao fazer essa comida.
— Verdade. – Sakura respondeu colocando mais um pouco de comida na boca. Não queria que as coisas ficassem novamente estranhas entre eles, então voltou a falar em seguida. – Isso me lembra aquela missão que fizemos no País do Relâmpago onde a gente ficou naquele hotel super caro.
— Verdade! Foi uma boa missão. – Naruto concordou e logo em seguida fechou o semblante. – Eu queria que os outros estivessem aqui.
Disse com certo pesar. E, realmente, mesmo que os dois fossem suficientes um sentimento de vazio e perda sempre pairava no ar com a falta de dois outros membros. O time não estando completo lhe remetia também a uma determinada melancolia.
— Sakura... – Naruto chamou, ainda mais sério, o que fez com que ela tivesse que desviar sua atenção da comida para ele. – Por que você entrou na frente daquela espada mais cedo? – Perguntou referindo-se a atitude inconsequente dela ao final da missão.
— Porque eu não ia deixar ele machucar você. – Falou como se fosse uma resposta completamente óbvia, embora ela soubesse a que ele se referia. Apesar do ferimento já estar curado, a rosada tinha plena consciência que sua atitude tinha sido errônea.
Em primeiro lugar, ninjas médicos deviam manter-se em segurança caso seus companheiros se ferissem. Mas mais do que isso, Naruto podia muito bem levar aquele ferimento que curaria tão rápido quanto fora aberto. Contudo, ao ouvir o tilintar do metal, ao vê-lo em perigo no campo de batalha... Ela simplesmente se colocou na frente.
— Mas você sabe...
— Naruto! – Sakura o interrompeu largando os hashis na mesa. – Não fica pensando muito nisso. O que passou não vai mudar agora! – Falou soando mais irritada do que pretendia e logo se arrependeu ao olhar a expressão dele. – Desculpa. Eu ando muito estressada ultimamente.
— Quando nunca? – Ele falou baixinho fazendo com que ela risse e desse um soco de brincadeira em seu ombro, que doeu mais do que deveria.
Sakura ficou grata pela atitude do loiro. Ele sempre conseguia fazê-la rir mesmo quando não deveria.
— É estranho quando somos só nós dois. – A rosada disse, tentando se retratar, com um meio sorriso na boca enquanto comia mais um pouco.
— Okay! – Ele bradou repentinamente com uma pose confiante. – Na próxima missão nós vamos trazer o Sasuke! E vai ser quase como antigamente.
Apesar de Sakura saber que as intenções dele eram as melhores, não pôde deixar de sentir uma pontada de irritação flutuando por seu coração simplesmente porque ela sabia as implicações daquilo e não queria ter que enfrenta-las.
— Acho que essa não é a melhor das ideias. – Ela respondeu imediatamente sem encará-lo.
— Como assim?
— Naruto... – Ela falou levantando o tom e logo fez questão de voltar a sua voz normal. Sakura encarou o loiro por algum tempo antes que pudesse dizer alguma coisa. – A gente tem que aceitar que as coisas não vão ser como antigamente. Simplesmente não dá.
— Sakura-chan...Mas agora que o Sasuke voltou...
— Esquece o Sasuke! – Respondeu novamente mais alto e irritada do que pretendia. Não sabia o que acontecia com ela, mas naquelas horas era quase impossível controlar as emoções. – Ele traiu a gente!
— Eu não acredito que depois de tudo você está falando isso. – O loiro respondeu a altura também irritado. E ele tinha todo o direito porque se não fosse a estupida promessa que ele tinha feito a ela, se não fosse a insistência dela...
— Naruto... Você de todas pessoas tem todo o direito de ficar puto comigo. – Sakura voltou a falar agora levantando-se para tentar se acalmar nem que ligeiramente. – Parte do que aconteceu foi culpa minha, mas... Eu não consigo mais olhar para a cara do Sasuke sem querer dar um soco nela.
— Eu não entendo porque você está falando assim agora! – O Uzumaki disse também se levantando e ficando frente a frente de Sakura obrigando que os dois se encarassem por um certo tempo. Naruto era mais alto e isso obrigava a rosada a tombar a cabeça para olhá-lo.
Aqueles olhos azuis nunca tinham sido tão enigmáticos como naquele instante. Naruto sempre tinha sido um cara simples de se decifrar, não naquele momento. Havia algo desconhecido e poderoso ali.
— Só o que eu estou dizendo é que... Eu não acho que posso perdoá-lo tão cedo. – A Haruno respondeu quase que em um sussurro voltando a encarar o chão de madeira. Tentando conter aquelas estúpidas lágrimas que pareciam surgir no canto de seus olhos a cada palavra. – Não depois de todo o sofrimento.
— Mas eu achei que era isso que você queria. – Naruto disse ainda confuso, de alguma maneira tentando entender a situação.
— Sim, eu também achei que era o que eu queria. – Sakura voltou a falar encarando os olhos dele. – Mas acho que era o que eu precisava naquele momento... Com o fim da Guerra, as coisas ficaram mais claras e eu não posso simplesmente deixar que tudo volte ao “normal” quando aquele idiota...
Sakura fez uma pausa cruzando os braços conta o corpo deixando que as lágrimas caíssem por seus olhos como sempre o faziam. Odiava chorar, especialmente daquela maneira na frente de Naruto. Todavia, era a única maneira de aliviar toda aquela tensão que havia se instaurado em seu corpo.
— Não depois do que ele fez a mim... Não depois do que ele fez com você.
Durante todo esse tempo, Naruto apenas ouviu calado cada palavra que a Haruno proferia. E sem dizer nada a puxou para mais perto deixando que suas características lágrimas escorressem, abraçando-a como há muito desejara.
Havia naquela situação muito mais do que palavras e lágrimas pudessem expressar. Ali existia o peso do tempo e de todas as decisões que nele estavam implicados, prevalecia a cumplicidade. Os dois ficaram por instantes embalados pelo choro e a chuva.
Em um ato inesperado, Naruto se afastou ligeiramente de Sakura dando-lhe um beijo na testa. Aquele sinal que indicava que tudo ficaria bem. Por anos, os dois tinham lutado arduamente para trazê-lo de volta, para encontrar a centelha de algo bom no traumatizado Uchiha. E mesmo que ele estivesse “de volta”, Naruto entendia que, de fato, as coisas nunca voltariam a sua normalidade. Não poderiam. Quem sabe, nunca tenham sido normais.
Deixou que suas ações falassem por si só e atipicamente se manteve calado. Não havia realmente algo a se dizer.
— Obrigada. – Sakura falou recuperando-se e limpando as teimosas lágrimas. – Por tudo.
Ao lhe agradecer, contudo, não se afastou. Manteve-se próxima a ele naquele abraço caloroso e profundo.
Lenta e carinhosamente, Naruto passou os dedos por seu rosto a fim de secar os resquícios do choro. Talvez, nunca estiveram tão próximos quanto naquele momento. Um momento que apenas lhes pertencia.
Sakura não protestou e apenas manteve seus braços ao redor dele, encarando profundamente os orbes azulados. Os dois pareciam presos um ao outro, atraídos por um campo magnético extremamente forte.
Seu toque era cálido e lhe provocava arrepios. Não perceberam quando ou como, mas alguns instantes depois seus lábios tinham se encontrado; a princípio apenas tocando um ao outro e depois aprofundando-se. Os dois finalmente se entregando um ao outro, ao sentimento que nutriam um pelo outro.
Não era certo quando começaram a sentir-se de tal maneira em reciprocidade, pelo menos. Todavia, aquela faísca sempre estivera presente, alimentando-se do tempo e do espaço.
Sakura passou suas mãos ao redor da cabeça de Naruto puxando o para mais perto enquanto ele a envolvia ainda mais profundamente em seus braços livrando-se da distância entre seus corpos.
O toque de seus lábios, os movimentos que faziam, a busca incessante um pelo outro. O beijo não durou nem mais do que alguns minutos, mas fora o suficiente. Seus corações estavam descompassados e acelerados em um movimento harmônico, ainda que não fosse.
Afastaram-se alguns milímetros, sem desviar os olhares. Tomando o fôlego e deixando que o coração voltasse a se acalmar, porém nenhum deles fez menção que iriam se desfazer do toque um do outro.
— Por que você parou? – Sakura perguntou sussurrando.
— Você tem certeza disso? – Foi a pergunta do loiro. A Haruno entendia sua preocupação, afinal por muito tempo a convicção de todos, e até mesmo dela, era de que seu amor era direcionado a Sasuke. Contudo, a situação tinha se modificado e naquele instante, naquele quarto junto ao Uzumaki, Sakura sabia o que realmente queria.
— Eu nunca tive tanta certeza em toda a minha vida. – Respondeu puxando-o para mais perto, voltando ao toque desenfreado de seu beijo. Permitindo suas carícias, seu toque e a libertação de seu desejo.
Ainda sem pressa, Naruto retirou a manga direita do roupão de Sakura mostrando seu ombro. Começou a beijar a região calma e docemente. A rosada, por outro lado, desamarrou o laço que prendia as vestes do Uzumaki que pareceu sequer notar. Ele estava compenetrado na tarefa de lhe desferir beijos, agora em seu pescoço.
Porém, ele parou um momento incerto se realmente deveria continuar. Como se lesse seus pensamentos, Sakura desamarrou o roupão que vestia deixando que caísse ao chão e revelasse sua figura nua.
De maneira calma, pousou as mãos nos ombros de Naruto auxiliando-o no mesmo processo. Ficaram se encarando por instantes absorvendo cada centímetro da figura um do outro. Reaproximaram-se novamente, voltando a se beijar cada vez mais freneticamente, mais descompassadamente.
Deitaram na cama desajeitadamente trocando carícias, seus corpos em um encontro elétrico deixando um conhecer ao outro, permitindo compartilhar o momento mais íntimo da experiência humana. Envoltos por beijos, toques, gemidos e prazer e acompanhados do anoitecer e da tempestade.
Havia mais do que simples prazer, os dois sabiam.
Se desvencilharam um do outro ofegantes e voltaram a encarar a imensidão do olhar de cada um. Desta vez riram absorvendo cada instante daquele singular momento.
Naruto gentilmente puxou as cobertas brancas da cama tampando seus corpos e aproximou-se de Sakura dando outro beijo na testa.
— Eu não quero estragar esse momento nem nada... – Falou sussurrando em um tom brincalhão. – Mas eu não acredito que isso acabou de acontecer. – Terminou fazendo com que a Haruno risse.
Ele tinha apoiado um dos braços na cama para que enquanto ela tivesse deitada, ele conseguisse encará-la. Gentilmente, pousou seus dedos nos lábios dela e depois em seu rosto angelical o que fez com que a rosada fechasse os olhos instantaneamente.
— Você sabe que... – Voltou a falar em sussurros e Sakura manteve os olhos fechados. – Eu sempre te amei.
Ela nada respondeu. Apenas abriu os olhos esmeraldinos colocando as mãos no rosto dele.
— Eu sei. – Disse balançando a cabeça positivamente. – Eu não sei exatamente o que estou sentindo agora, mas... Eu não pretendo me soltar de você tão cedo. – Complementou sorrindo e puxando-o para outro beijo.
De fato, ela não poderia dizer que o amava tão subitamente. Sabia o que sentia por Naruto era forte e profundo, mas talvez fosse muito precoce chamar de amor. Contudo, não perderia um momento sequer com ele. Tinha desperdiçado anos com uma pessoa que não estava emocionalmente disponível.
Dormiram os dois juntos, envoltos um pela essência do outro. A tempestade havia parado e era quase manhã.
Aquela noite tinha sido o adeus
O adeus para o seu passado e para aquele que um dia achou ter amado.
E assim com o primeiro raio de sol da manhã era o início de um novo dia.
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