Adeus!?
1 Fugir nem sempre é covardia.
Notas iniciais
O amor realmente pode machucar. Mas não culpe o sentimento, as vezes a culpa é sua, da outra pessoa, de terceiros que isso não deu certo, pelo menos é o que eu acredito e mesmo assim meus olhos inchados e vermelhos mostram o quanto eu chorei em apenas uma noite. Levantar para olhar-me ao espelho foi difícil, sem forças em meu corpo para pequenas ações de um rotina padronizada, e devo deixar claro o quanto minha aparência estava acabada, cabelos sujos e embaraçados, parecia um tanto quanto mais pálida e os olhos já citados pareceram marejar novamente.
Tudo isso deve ao fato de ter visto algo que não queria, que quebrou meu coração em migalhas, assistir a pessoa que eu amava beijando a pessoa que ele amava aconteceu em câmera lenta, como se minha própria visão estivesse a me torturar. Sem poder me mexer eu assisti tudo, a felicitação da guilda por eles, o anuncio do namoro, o tempo todo no mesmo lugar sem esboçar reações e quando eu finalmente o consegui fazer foi sorrir, dar os parabéns também para logo depois correr até em casa como se não houvesse um amanhã. Então eu realmente tinha alimentado um sentimento com alguns atos que pra ele eram pura brincadeira de amizade? Por favor, alguém me diga que não.
Volto a me deitar, encarar o teto e refletir era o que eu conseguia fazer, refletir sobre o que fazer agora, fingir que estava tudo bem era fora de cogitação, também não sabia se estava preparada para uma missão sem meu grupo de sempre, ir pro mundo celestial e ficar lá uns dias era tentador. Sem pensar muito bem me levanto e rumo ao meu armário o qual eu começo a revirar, não sabia bem o que estava esperando encontrar mas roupas, acessórios, tudo ia voando para longe, sendo arrancados sem dó das prateleiras e gavetas, foi quando eu vi no fundo da prateleira, atrás de um amontoado de roupas que quase nunca eram usadas, uma baú do tamanho de uma caixa de sapato, não lembrava o que exatamente tinha ali, mas sentia que era algo importante. Ao abrir surpresa era o que senti, dentro do baú havia joias de minha mãe, e ao notar isso me lembro que a caixa foi dada a mim pouco tempo depois da morte dela, pelo luto eu nunca tive a coragem de abrir e ela caiu no meu esquecimento, chorei e abracei o baú como se fosse minha própria mãe.
A noite chegou depressa, a sopa borbulhava na panela e eu sentada com todas as joias em minha frente para que pudesse admirar, a maioria eu nunca havia visto o que eu conclui que mamãe nunca as tivesse usado, pelo o que eu lembro ela não gostava de usar muitas joias, ainda mais as grandes, a única que mexeu comigo era uma correntinha fina de ouro com um pequeno pingente azul brilhante no formato de uma bolinha enquanto um anel o circulava, que no final parecia um planetinha, lembro dos passeios em família que Layla usava, ou em casa quando não havia visitas e nem festas. Coloquei o colar e decidi vender o resto, já sabia qual era o rumo que tomaria, com o dinheiro das joias vendidas eu viajaria, sem destino, apenas indo e indo sem data de volta, conversaria com Makarov primeiro e então partiria pro seu novo futuro.
Muita coisa nos machucas mas é você que decide se vai ficar parada sofrendo ou vai passar por cima daquela dor.
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