Adeus às Armas

1 Introdução: O Crepúsculo dos Deuses.


Notas iniciais
Bom, eu desenvolvo esta Fic já tem algum tempo e no Ragnarok eu tenho um personagem com o nome do protagonista desta fic. Espero que vocês gostem do que vão ler =) ! A seguir, a Introdução!

"Neste mundo sem Sol e sem Lua, os homens começaram a ser varridos pelas tempestades e a serem arrasados pelas inundações, pelo frio, pelos terremotos... Foi o Ragnarok – O fim do primeiro mundo.” (RAGACHE, Gilles & LAVERDET, Marcel, “Os Vikings, Mitos e Lendas”, Tradução de Ana Maria Machado, Ed. Atica, 2ª Edição, São Paulo, 1995).
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Mais um dia amanhece. Em sua pequena casa, Albert acorda para mais um dia de trabalho, que consistia em colher frutas silvestres para a venda de doces na quitanda de sua esposa. O trabalho não era muito rentável, mas garantia a subsistência de sua família, já que se não conseguisse fazer boas vendas, poderiam se alimentar do que colhiam. E tudo era aproveitável, desde ervas verdes a cogumelos silvestres. Como as vendas de costume eram muito ruins, já que Hugel mal era conhecida pelo mundo que o cercava, Albert não tinha maiores ambições. Ele realmente conhecia um pouco sobre as terras ricas à Oeste, terras estas habitadas por monstros fenomenais e grandes guerreiros. Pra ele isso não fazia muita diferença. A paz circundante e a natureza era algo inestimável, e se sentia muito grato por poder viver com a esposa que ama e por criar seu filho neste ambiente um tanto quanto monótono. Isso não quer dizer que ele ficava ocioso:

– Acorde Ikariam! Já são 7:30 da manhã! Vamos trabalhar...

– Puxa papai, deixe-me dormir só mais um pouquinho, esta um dia muito frio, eu juro que te ajudarei no que for mais tarde...

Albert já havia se acostumado com as queixas matinais de seu filho, de 10 anos de idade. Ikariam sempre dizia que seu sonho era ser um aventureiro e depois que viu um caçador de passagem pela cidade, passou a querer um arco e uma aljave de flechas. Seu pai admirara o sonho de seu filho mas ainda assim o obrigava a fazer pequenos serviços pela manhã, pois pensava ser necessária a importância do trabalho caso um dia ele saísse de sua cidade natal.

– Vamos meu filho, todo caçador disciplinado acorda cedo para manter seu sustento e sua fama.

Como se houvesse tomado uma poção de fúria selvagem, seu filho levantou rapidamente e se aprontou. Empolgado com os dizeres de seu pai, perguntou:

– Papai, você realmente pensou em minha vontade? Pensei que não fosse deixar sair de Hugel.

– Meu filho, o que eu mais quero é que você seja feliz. Sua mãe e eu acreditamos em seus ideais e, no dia que chegar a hora, o apoiaremos no que precisar. Mas você ainda e novo e preciso lhe ensinar alguns valores caso queira adentrar em suas aventuras.

– Te amo papai! – E Ikariam saiu cantarolando, indo ao banheiro escovar seus dentes.

De fato, Albert também pensava em uma vida de aventuras quando mais jovem. Chegou até a se tornar mercador, em uma das únicas oportunidades em que conheceu a parte ocidental do mundo conhecido, pertencente ao reino de Rune Midgard. Mais precisamente ele esteve em Alberta, onde obteve sua licença para vendas, e uma única vez esteve em Prontera, onde conheceu Clarice, sua esposa, também mercadora. Ainda assim, seu dom não se encaixava na liderança ou no apoio e, na época de seu casamento, tanto ele quanto a sua esposa optou por viver em um ambiente de conforto e segurança.

Após arrumar seu carrinho para guardar os alimentos em uma nova caçada, ele percebeu parte da queixa de seu filho. Realmente estava mais frio que o normal. Que Hugel fica localizado em um ambiente frio entre as montanhas, isso ele já estava cansado de saber, mas a sensação térmica estava mais baixa que o normal.

Clarice já havia levantado:

– Meu amor, se não quiser trabalhar hoje tudo bem. Nosso armazém na kafra já esta bem abastecida de uvas, cogumelos, mastelas e ervas. Vamos ficar juntinhos neste frio e dar um descanso pro nosso filhinho hoje?

– Desculpe-me Clarice. Fiquei tão empolgado quanto o Ikariam quando escutei que ele quer ser um caçador. Tentarei ensinar-lhe algumas noções de vida pra fora desta aldeia, e iremos caminhar um pouco mais alem do que vamos de costume. Não se preocupe, voltaremos mais cedo e aproveitaremos à tarde enquanto Ikariam estiver brincando com seus amiguinhos.

– Tal pai, tal filho! Também fiquei admirada com o nosso filho. Ver um garotinho tomando uma decisão madura, mesmo tendo 10 anos, encheu meus olhos de lágrima. Se eu pudesse contribuir com algum exercício...

– Minha linda, você e Ikariam são as pessoas mais importantes na minha vida. E, você, é a mamãe mais linda e responsável de todo o reino!

Acostumada às palavras carinhosas de Albert, os dois se beijaram. Ikariam apareceu à porta e...

– CAHAM!

– Filhinho, já esta de pé? – Clarice olhava um pouco desorientada, tentando disfarçar o rubor em seu rosto.

– Não se preocupem, é que eu queria abraçar vocês! – Disse o garoto em sua ingenuidade, comum em qualquer infância.

E os três se abraçaram. Clarice virou para os dois e avisou:

– Se agasalhem, não quero ver nenhum dos meus dois heróis com gripe por causa deste frio repentino.

E assim, após tomarem o café da manha e depois de vestirem seus casacos, Albert e Ikariam saíram, sem antes dar um breve tchau a Clarice.
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– Papai, o tempo está esquisito hoje né?

– Sim Ikariam, realmente o tempo mudou muito...

Tinha algo incomum no ar. Até o dia anterior o céu estava límpido e o ambiente, aquecido. Agora o céu estava escuro e o ar, gelado. Ao longe, grandes estrondos de trovoes podiam ser ouvidos, mas distantes de representar uma ameaça a eles.

Olhando para o ambiente, Albert teve a sensação de que ocorreu uma imensa mudança. As ervas verdes estavam murchas, os caramelos e os holdens estavam escondidos em suas tocas, e os porings estavam desorientados. Embora seus pressentimentos o alertassem, tratou de continuar o trajeto almejado com o seu filho e partiram um pouco mais a Oeste.

– Pra onde estamos indo papai?

– Bom Ikariam, achei que hoje não fosse um bom dia para trabalhar, já que nos esforçamos muito e estamos com a kafra cheia de alimentos. Então, eu gostaria de ensinar-lhe a perceber a natureza e lhe apontar o caminho para o seu futuro.

Os olhos do menino brilharam. E Albert começou a lhe ensinar o pouco eu sabia sobre o grande reino de Rune-Midgard e outros reinos menores. Vendo que já havia informado tudo que já sabia, terminou:

– Meu filhinho, quero que saiba que um dia será necessário você decidir seu destino, e por isso tentei lhe apontar o caminho.

– Entendi tudo papai...

De repente, um rugido monstruoso ecoou entre as montanhas, e ambos viram uma visão que até então eram as únicas de sua vida cotidiana em Hugel.

Estavam boquiabertos. Um Templário estava se digladiando com um Dragão Mutante, lutando desesperadamente pela sua vida. Ambos se esconderam enquanto a terra tremia.

Em um derradeiro ato, escutaram o tilintar de uma espada, seguido de um ultimo berro:

– CRUX DIVINUM!

E após o cruzar deste golpe, o Dragão Mutante desaba em quatro pedaços, soltando assim um piroxênio, que carregava consigo.

Albert e Ikariam aproximaram-se do Templário, e este delirava em convulsão e dor:

– Balian... Constance... Aninha... Não... Desculp... eu precis...!

Deu um suspiro e desmaiou. Albert quebrou uma poção vermelha em cima do Templário, e amenizou o sangramento em seu peito. O guerreiro estava entre a vida e a morte, com o braço quebrado, um corte profundo em seu peito e com ferimentos na cabeça.

– Papai, temos que ajudar este moço!

– Tem razão, ajude-me aqui! – Colocaram o Templário em cima do carrinho, junto com sua espada quebrada e o Piroxênio.
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O tempo mudou radicalmente e começou a cair uma leve neve, algo raramente visto em Hugel apesar do clima ameno. Chegando a casa, Clarice se apressou em ajudar. Conhecedora de certa noção de primeiros socorros, algo aprendido nos tempos que era aprendiz, acomodou o Templário ferido em uma cama. Ele tremia em espasmos e estava febril.

– Como o encontraram?

– Ele estava lutando contra um enorme dragão, e acho que devemos nossas vidas a ele, embora ele nem tenha nos visto. Como ele esta? – Disse apreensivo Albert.

– Eu não sei, ele esta muito mal... Vou trazer o noviço da vila pra ajudar a gente...

Olhou pra fora e viu uma imensa tempestade se armando. Clarice colocou sua roupa de inverno, mas ventava muito forte.

– Impossível sair de casa...

– Vamos ajudá-lo com nossas provisões. – Completou Albert.

– De acordo...

Enquanto Albert e Clarice pensavam sobre o que fazer, Ikariam fazia companhia ao Templário, como se o conhecesse a muito tempo atrás, embora nunca o tivesse visto.

E a mortalha da escuridão abraçou Hugel, tal como nunca havia ocorrido, e a neve junto com um assustador eclipse solar mergulharam a vila em uma hibernação gelada por alguns meses. Por sorte, a vila encontrava-se relativamente bem abastecida para este crepúsculo.

(Continua...)