Addiction
1 Vício
_ ADAM!
Voltei á realidade com o grito que recebi de minha irmã. As vezes me pergunto como minha audição ainda existe (não tão perfeita como deveria estar para um rapaz de 19 anos) com uma irmã dessas.
_ O que foi Alice?- Resolvo responder, antes que ela me grite mais uma vez.
_ O que foi? O QUE FOI? Eu estou te gritando a mais de uma hora, tentando te trazer de volta pra terra, e você ainda me pergunta o que foi?
_ ... — Não respondo nada, esperando que ela entenda pela minha expressão facial que eu não estou bem para aturar suas infantilidades.
_ Não me diga que você estava pensando no canalha do seu ex?? – Ela pergunta com uma voz irritada.
Meu ex. Suspiro saudoso e me jogo dobre a cama com o braço sobre o olho. Como não pensar em uma coisa quando ela se torna simplesmente TUDO para você??
_ Nem comece Adan. Você sabe muito bem que o canalha do Evan não merece nenhum dos seus sentimentos. Você sabe muito bem que todos os momentos de vocês dois...
E de repente, a voz de Alice não era nada mais do que um zumbido distante.
Como em um passe de mágica, minha mente viajou para dois anos atrás (os anos mais felizes de minha vida, devo acrescentar), diretamente para o dia em que o conheci.
~~Flashback~~
E mais uma vez, por culpa da insuportável da Alice, eu perdi minha aula de física. Mais que droga!! Quando será que aquela menina vai aprender a cumprir com...
_ PORRA!!- Meus pensamentos são bruscamente interrompidos por um grito. Assustado, reparo que estou no chão, com um menino sob mim. Como isso...? – Será que você poderia sair de cima de mim?- Sinto minhas bochechas arderem ao perceber que enquanto minha mente tentava entender como eu havia parado ali, eu continuava imóvel. No chão. Em cima de um desconhecido.
_ M-me d-desculpe! Eu estava distraído e...
_ Tudo bem cara, relaxa! Isso acontece direto comigo também!- O desconhecido me interrompeu, com o sorriso mais lindo e simpático que eu já havia visto._ A propósito, meu nome é Evan!
_ Adam. — Respondi depois de certo tempo, quando consegui parar de admirar seu lindo sorriso. _ Você é novo por aqui? Eu nunca te vi antes... – Disso eu tinha certeza, porque eu me lembraria perfeitamente bem, de ter visto um sorriso como aquele.
_ É, hoje é meu primeiro dia de aula, mas acabei chegando atrasado e dei de cara com a sala fechada. O jeito é esperar pelo segundo período.
_ Eu também perdi a hora! Bom, na verdade eu nunca perco a hora, a irresponsável da minha irmã que sempre demora pra se arrumar e me faz esperá-la. – E ao lembrar de que tinha perdido minha primeira aula por causa da Alice, fiz uma careta de raiva involuntária.
Evan deu risada. _ Ah cara!! Sei bem como é! Minha irmã também é dessas que esquece do mundo e da vida em frente ao espelho.
Acabei dando uma risada.
_ Mas então, já que a gente perdeu a primeira aula mesmo, o que você acha de irmos á cantina tomar um café?
Pensei por um minuto. Eu nunca fui o tipo de menino que anda cheio de amigos por ai, ao contrário do que Evan parecia ser: simpático e com um sorriso desses, tenho certeza que deve ter muitos amigos. Ponderei por mais um tempo e acabei aceitando. Que mal faria um café?
~~Flashback~~
Idiota! Se naquele dia eu soubesse que aquele sorriso apenas me traria sofrimento, com certeza não teria ido tomar aquele café.
Depois daquele dia, eu e Evan nos aproximamos e nos tornamos amigos, e não muito tempo depois, me descobri apaixonado. Até ai tudo bem, seria uma coisa completamente normal. Se ele não tivesse descoberto, e dito corresponder.
Lembro-me que no dia em que Evan se disse também apaixonado por mim, me senti a pessoa mais sortuda deste mundo. Nunca pensei que essa alegria seria hoje, substituída pelo vazio que há no meu peito.
Após as declarações, começamos a namorar. No começo, Evan era o namorado perfeito: atencioso, carinhoso, divertido, etc. O problema foi quando completamos um ano de namoro, e eu descobri as traições.
O pior de tudo foi o fato de Evan não negar, e ainda por cima falar que eu não passava de uma transa para ele. Sim, isso, com certeza, foi o pior.
_ ADAAAAAAAM!!
Abri os olhos assustado com o grito estridente de Alice.
_ SERÁ QUE VOCÊ PELO MENOS PODERIA FINGIR QUE PRESTA ATENÇÃO NO QUE EU FALO??? Ahhh, quer saber? Não me importa, não vou me estressar com você. Eu vim aqui porque a mãe mandou você ir no aeroporto buscar a vovó.- E do mesmo jeito que ela entrou, saiu.
Suspirei. Hoje minha vó vem nos visitar. Não me levem á mal, amo minha vó, apenas não estou com humor para fingir sorrisos.
Levantei de minha cama e calcei os sapatos. Peguei as chaves do carro e desci.
_ Mãe, fui!
Ao sair na rua, me deparei com o carro perto tão conhecido por mim no outro lado da calçada. Meu coração disparou.
Não pelo carro em si, mas por seu dono, que estava escorado displicentemente em uma das portas, com aquele sorriso nos lábios.
Como um imã me dirigi até ele, que ampliou ainda mais seu sorriso ao ver minha total subordinação á ele.
E mais uma vez você vem e me faz quebrar todas as promessas de não me deixar levar por você novamente, mais uma vez eu repito que é a ultima, e como todas as outras, rezo para que não seja.
Porque, por mais que eu tente negar, você é meu vício, meu único, e incurável vício.
Notas finais
Se por um acaso alguém ler isso, deixem um review pra mim saber que alguém leu e gostou (ou não)!
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