Addicted To You - Klaroline
30 Capítulo 30 - Stay With Me
Notas iniciais
PDV CAROLINE
– Caroline, pare de chorar, é seu casamento, não seu velório! – grita Vick vindo até a mim com um copo de água.
Limpo minhas lágrimas com a manga de minha camisa. O apartamento de Mike era lindo e muito espaçoso. Ele ofereceu o apartamento para servir de salão de beleza no meu dia de noiva.
Mais lágrimas rolaram. Eu estaria casando. Com Niklaus Mikaelson.
– Oh, meu Deus, Caroline, controle-se! – mandou Anna enquanto colocava as caixas sobre a mesa de centro na sala.
Bebi a água que Vicky tinha trago-me e tentei me controlar.
– Vocês não têm ideia do que estou passando, por isso estão assim. – digo jogando minha cabeça para trás.
– Rebekah passou por isso faz uma semana, não me lembro de ter a visto assim. – diz Vicky revirando os olhos.
– Rebekah não estava grávida, okay?
Escuto a campainha tocar e Anna vai atender.
– Jay! – grita Anna se jogando nos braços de meu melhor amigo.
– Até que em fim chegou, Jason Yodson! – esbraveja Vicky e sorrio animada em ver Jay conosco. Atrás dele vinha duas mulheres.
– Não reclama Victoria, hoje é o dia mais importante para Caroline e meu humor está a mil! – exclama Jay, com animação – Meninas essas são: Donna e Lola. Elas irão nos ajudar a deixar Caroline esplêndida!
Foi preciso muito esforço para Jay e as garotas fazerem meu cabelo, nem um penteado me agravada e eu tive o arrependimento de deixar isso em cima da hora. Qualquer coisa me fazia chorar e o nervosismo por estar casando só piorava cada vez mais. Sentia que Clare estava incomodada com tanta agitação a sua volta e eu mal conseguia ficar de pé. De vez em quando sentia uma pequena cólica, mas nada anormal para os oito meses.
Vick e Anna não poderiam me ajudar já que também estavam se arrumando e fiquei imaginando no que Klaus poderia estar fazendo agora. Para ele era tão fácil quanto respirar. Não tinha maquiagem, vestido, cabelo, sapato, gravidez... Era só vestir o terno e ele já estaria lindo.
A cerimônia e a festa seriam no mesmo lugar, tudo já estava organizado graças a ajuda de Vick e Anna. Rebekah voltaria hoje de sua lua de mel e não perderia o casamento. Afinal ela é uma das madrinhas.
Estava tão ansiosa que mal podia respirar e sentia que as dores só estavam aumentando.
– Hey, pequena... – sussurrei para Clara – Você irá deixar a mamãe casar, não?
PDV NIKLAUS
– Por que tanto estresse, cara?
Era Kol, no meu apartamento. Ele olhava-se no espelho ajeitando seu cabelo cheio de gel. Kol já estava trajado como um dos padrinhos por minha parte. Caroline teria Vick com Mike, Jason com Anna e Rebekah com Matt. Como minha irmã foi para o lado de minha esposa eu não tive muitas opção: Kol e Alexia, Elijah e Hayley, Finn e Saige. Por mais estranho que fosse, foi um pedido de Caroline. Ela tinha na cabeça que estava havendo alguma coisa entre Elijah e Hayley, eu me diverti quando ela comentou aquilo. Elijah é sempre tão certinho e Hayley... bem é Hayley.
– Sabe do que você precisa? De uma bebida! – exclama Kol pegando uma garrafa de vodca.
– Não. – neguei incomodado e joguei minha cabeça para trás – Caroline me fez dar minha palavra de que eu não tomaria nada alcoólico hoje.
Kol riu:
– Ela sabe que você não consegue ficar bêbado desde seus 16 anos de idade?
– Sim, ela sabe, mas acha que é bom garantirmos. – explico revirando meus olhos.
– Meu irmão Niklaus se casando. – diz Kol, rindo incrédulo.
– Cale a boca, Kol.
– Isso é algo que não consigo acreditar, é serio! – ele diz bebendo a vodca da garrafa.
– Acho que em breve será você, irmãozinho. – digo, sarcástico e ele revira seus olhos – Vejo nos seus olhos o quanto está apaixonado por Alexia.
Sorri vendo sua expressão sem jeito. Ele bebeu mais um gole e respirou fundo.
– Seria cedo de mais se eu a pedisse... ahn... você sabe.
Kol tinha pavor a casamento desde seus 18 anos. Hoje com 23 ainda tinha seus receios, imagino que Alexia já possa estar tirando isso de sua cabeça. Ele parecia encabulado com a pergunta. Ri surpreso. Kol estava literalmente apaixonado. E não era para menos, Alexia é uma mulher incrível e conseguia fazer com que Kol se animasse por não sair numa sexta a noite: eles ficavam até tarde conversando por telefone e somente aquilo já deixava meu irmão mais novo em êxtase.
– Veja só... – digo surpreso – Kol Mikaelson querendo por as algemas.
– Esquece. Foi um erro perguntar isso a você. Acho que Elijah é melhor conselheiro. – ele resmungou se jogando na poltrona a minha frente. Kol fez uma careta – Elijah está apaixonado pela mãe do sobrinho dele! Acho melhor eu pedir conselhos a Finn.
– Ou a Rebekah. – digo dando de ombros e Kol faz outra careta – Acha mesmo que Elijah e Hayley...? – fico incrédulo e ele revira os olhos.
– Está na cara. – respondeu tranquilo – Mas Elijah é certinho de mais, entende? Hayley é a mãe de seu filho.
Olhei no relógio mais uma vez. Só tinha passado dez minutos desde as 17h15. Bufei frustrado.
– Elijah precisa deixar de ser tão certinho, por Deus! Hayley e eu mal somos amigos, a única coisa que nos mantém próximos é esta criança! Agora o casamento, porque foi uma decisão da doida da Caroline.
Kol ri divertido e toma mais um pouco da vodca. Era difícil ver um Mikaelson bêbado, nós sabíamos nosso limite – que é bem grande!
– Acho que vou conversar com Elijah depois do casamento. – digo, aflito. Casamento. O meu casamento. Droga, essa hora não passava!
– Se for dar uma dura não se esqueça do irmãozinho aqui. – ele diz sorrindo. Kol olha no relógio – Acho que já está na hora de você se arrumar, Klaus.
Eu suspiro pesado, e Kol se levanta dizendo:
– Vou ter que te deixar sozinho, cara, você se importa? – ele pergunta, preocupado – Preciso buscar Lexi. – se explica.
– Vai lá, eu to bem. – minto descaradamente, mas Kol acredita.
– Te vejo no casamento!
Kol sai de meu apartamento rindo e não entendo porque ele está tão alegre assim. Claro, porque não é ele que está nervoso para o casamento.
Fui tomar um banho demorado, pensando no quanto Caroline estaria nervosa. Ela estava assim há uma semana e hoje eu tenho a certeza de que ela está pior do que imagino.
Pensar em Caroline não me deixou mais calmo naquele dia, ao contrário. Estava aflito não pelo casamento – a cerimônia e a festa – estava aflito pelo o que aconteceria depois. E se eu decepcionasse Caroline mais uma vez? E se ela se arrependesse de tudo?
Mesmo que eu vivesse por toda minha vida com Caroline, parece que nunca seria o suficiente. E por isso eu tinha um medo enorme de perdê-la.
Meu celular sobre minha cama alertava uma mensagem. Eu abri e fiquei preocupado por ser de Caroline, logo, quando terminei de ler, sorri embasbacado.
Está tão nervoso quanto eu? Acho que vou cair antes de chegar até você, Clare e eu estamos muito ansiosas! Te amo!
Sorri e fui respondê-la.
PDV CAROLINE
Abri a mensagem de Klaus enquanto Donna fazia em fim um penteado que me agradou.
Estou mega tranquilo, por que estaria nervoso? Só porque em breve me casarei contigo? Está muito metida, não acha, swet? Aposto que Clare só está ansiosa pois sabe que em breve seremos finalmente uma família. I Love You, sweetheart.
Uma lágrima escorreu e um riso escapou. Era incrível que mesmo por mensagem de texto Klaus conseguia me deixar mais calma. Eu tinha a certeza de que ele estava nervoso, nem por mensagem ele conseguia me enganar.
Avaliei meu reflexo no espelho, Donna estava séria e concentrada no seu trabalho. Estava ficando bom, não queria um penteado chamativo e não queria meu cabelo completamente solto. Precisava de algo mais simples.
Nunca imaginei que um dia chegaria onde estou, sempre imaginei que meu fim fosse sozinha. Uma ex-prostituta abandonada na miséria. Vi Vick rindo com Jay enquanto ajeitava os últimos detalhes no seu cabelo. Minha amiga estava tão linda. Jamais imaginei que nós duas chegaríamos onde estamos hoje.
Vick sempre me acompanhou no que precisei e sempre esteve comigo nos melhores e piores momentos. Já tinha levado uma surra quando certa vez me defendeu de Chad e eu já levei inúmeras surras para que Chad não machucasse minha amiga ou a forçasse se deitar com homens enquanto ela estava doente. Nós duas tínhamos passado por maus bocados e agora estamos juntas no dia do meu casamento com Klaus.
Lembrar de Klaus me dava um anseio enorme. Eu o via todas as noites na boate, mas ele nunca se aproximava. Ele me atropelou quando eu basicamente me joguei na frente de seu carro e ele ainda cuidou de mim. Quando descobriu quem era realmente a Line, Klaus não se afastou de mim e ainda por cima tentou me incentivar para eu abandonar aquele emprego. Talvez desde a primeira noite dele na boate, nossos destinos já estivessem cruzados.
Apoiei minha mão na barriga quando senti uma cólica mais forte do que as outras. Suspirei pesado, ninguém tinha visto minha careta. Foi sorte, Vick e Jay ficariam loucos e logo me levariam para um hospital – mesmo eu vestida de noiva no dia do meu casamento.
A cólica foi um pouco contínua, mas pude suportá-la. Quando finalmente passou – eu ainda sentia vestígios da dor – Donna terminou o meu cabelo e agora precisaríamos de Lola para fazer a maquiagem.
Lola é irmã mais nova de Jay e era tão linda quanto ele. Jay é um gay assumido e não tem nenhuma vergonha em dizer isso. Ainda assim muitas mulheres babavam com a beleza dele, Jay era tão homem que não aparentava ser gay.
Depois da maquiagem finalmente estar pronta, pude vestir o vestido com a ajuda de Jay.
– Meu trabalho sempre foi te vestir, né, Care? – diz Jay, com alegria – Quem diria que depois de tantos biquínis sensuais viria um vestido de noiva.
Nós dois rimos e vi o quanto meu melhor amigo estava feliz. Foi um pouco complicado colocar o vestido já que minha barriga quase impedia. Foi sorte ter escutado os conselhos de Rebekah e ter aumentado o busto na ultima vez em que fui experimentar o vestido.
– A limousine já chegou! – gritou Anna da sala. Anna já estava arrumada assim como todos, com exceção de mim. Ainda falta calçar os sapatos e fechar o vestido.
– Você está atrasada, Caroline! – grita Vick do lado de fora do quarto.
– Victoria, você é tão inconveniente. – diz Jay, irritado e finalmente fecha o vestido. Sinto-me confortada e respiro fundo.
Jay retira a grinalda da caixa ao lado e consegue sozinho colocá-la no meu cabelo. Calço os sapatos em silêncio, já sentia que outra cólica estava a caminho.
– Eu preciso sentar. – digo, incomodada e no mesmo instante me sento sobre a cama de Mike.
– Você está bem, minha diva? – ele perguntou, preocupado. Afirmei com a cabeça e tive a impressão de que... minha filha estivesse nascendo.
– Clare, você não pode nascer agora, está bem? – digo, frustrada e com medo. O oitavo mês era o mês mais arriscado de um parto ocorrer – Clare, você tem que esperar só mais três semanas, meu amor... Só mais... AH!
– Oh, meu Deus, Caroline! Essa menina vai nascer é agora! – grita Jay, apavorado.
Coloquei minha mão na barriga e outra cólica.
– O que está acontecendo, gente? – pergunta uma voz nova do outro lado. Rebekah.
A porta se abre e traz uma Rebekah linda, mas não pude ver nenhum detalhe seu para descrever, senti outra cólica.
– Caroline está sentindo dores! – exclama Jay, ele se abaixa a minha frente e apoia suas mãos nas minhas pernas.
– Oh meu deus! Isso não pode acontecer agora! – exclama Rebekah vindo até a mim – Caroline você está tendo essas dores em quanto em quanto tempo?
– Começou... – tentei dizer ainda sentindo a dor – Começou de horas em horas... – suspirei lentamente – Depois ficou de minutos em minutos... Agora parece que... está contínua!
Gritei novamente de dor e desta vez Vick e Anna entraram ao mesmo tempo no quarto.
– Olha... Kol me deixou preparada para qualquer coisa que viesse acontecer com Hayley e o bebê... – Rebekah começa a dizer, nervosa – Você está tendo contrações, Caroline. Se elas permanecessem de horas em horas seria completamente normal. Mas... como estão diminuindo... Clare irá nascer agora!
Neguei em pânico. Minha gestação era de apenas oito meses, não era bom Clare nascer agora. Tudo podia dar errado e eu acabar perdendo-a. Agarrei o tecido do vestido e gemi quando senti outra contração mais violenta.
– Rebekah, você está com seu carro? Nós precisamos levá-la para o hospital agora! – diz Jay autoritário. Nunca tinha o visto tão sério como agora e quis rir, mas as circunstâncias não me permitiram.
– Matt quem me deixou aqui, estou sem meu carro nós iríamos de limousine, certo?
– A limousine! – Anna gritou alvorada.
– Anna tem razão. – diz Vick – Não dá tempo de chamar um táxi ou uma ambulância.
Outra contração e mordi meu lábio com força. Queria Niklaus comigo, somente ele. Queria que Clare tivesse só mais um pouco de calma. Queria que tudo desse certo.
– K-Klaus. – digo, trêmula.
Jay puxa meu braço para envolver seu ombro e diz:
– Querida, não temos tempo de esperar Klaus. – ele me segura em seus braços – Agora vamos para limousine.
– Alguém precisa ir avisar Klaus. – diz Vick acompanhando Jay.
– Eu aviso, não se preocupem. – diz Rebekah respirando fundo – Matt ainda deve estar por perto, vou ligar para ele vir me buscar.
– Rebekah... – eu a chamei – Obrigada.
A loira sorriu para mim e veio na minha direção. Ela me deu um beijo no rosto e afagou minha barriga.
– Vai ficar tudo bem, Car! – prometeu e sorriu.
Só queria acreditar em suas palavras e crer que minha filha ficaria bem.
PDV KLAUS
– As noivas costumam se atrasar mesmo. – diz Alexia, sorridente ao meu lado junto com Kol.
Vejo Finn chegando junto com Saige. Eles estavam com seus filhos Isaac e Derek. Isaac tem 11 anos e é mais velho que Derek por dois anos. Os dois eram duas pestes e não sabiam ficar quieto num canto. Eles chegaram no jardim onde a cerimônia ocorreria, os dois pirralhos já estavam discutindo algo claramente inútil.
Elijah voltou no jardim com um copo com água para Hayley. A mesma estava sentada se abanando do calor que sentia naquele fim de tarde. Hayley decidiu vestir um vestido lilás com detalhes pretos. Comprido e realçava sua gravidez. Estava com seus cabelos presos e uma maquiagem fraca.
– Você está bem mesmo? – pergunto me direcionando a Hayley. Ela me olha concordando com a cabeça e toma a água que Elijah lhe entregou.
– Só estou com um pouco de calor. – ela explicou.
Por sorte o jardim era coberto já estava frio lá fora e a neve já estava se despedindo de Chicago. Olhei para Hayley mais uma vez, agora ela sorria grata para Elijah. Este tinha um brilho diferente nos olhos. Kol e eu nos olhamos, nós dois sabíamos o que o outro estava pensando. Elijah precisava tomar uma atitude.
Quanto mais eu tentava me manter calmo, mais irritado eu ficava. Muitas pessoas estavam aqui, pessoas que trabalhavam comigo na empresa e algum conhecidos de Caroline – amigas que trabalharam com ela por muito tempo.
Marcel tinha saído de Nova Orleans para participar de meu casamento e não pude deixar de agradecer sua presença. Mesmo depois de muitos anos sem nos vermos ele é um grande amigo que eu jamais esqueceria. Marcel estava acompanhado por sua noiva Sophie e eles pareciam felizes. Fiquei curioso quando os olhos de Marcel correram pelo altar, provavelmente na procura de alguém, mas ignorei aquilo e não deixei de olhar para entrada.
A espera de Caroline parecia eterna e a chegada de meus pais causou uma grande surpresa para mim. Eles vieram até o altar, Mikael tinha um olhar distraído, enquanto Esther parecia incomodada.
– O que vocês fazem aqui? – eu sussurro tendo a certeza de que apenas eles tinham escutado.
– É o casamento de nosso filho, acha mesmo que perderíamos isso, Niklaus? – diz minha mãe, ela segura minha mão – Você sabe que não é isso que queremos para você, meu filho.
Suspirei cansado. Eles tinham todo direito de não gostarem de Caroline, mas não tinham o direito de querer estragar meu casamento, principalmente com palavras que entrariam por um ouvido e sairiam pelo outro.
– Só viemos fazer nosso papel de pai. – diz Mikael, ele dá duas leves batidas em meu ombro esquerdo – Você sabe tão bem quanto eu que esse casamento não dará certo. – ele sorriu sarcástico, queria fazer o papel de bom pai que aconselhava o filho no dia do casamento – Você e Caroline são de mundos diferentes. Você não conseguirá fazê-la feliz, a gravidez de Hayley é uma prova disso. Você é um garoto, Niklaus. E está patético a sua atuação de pai de família.
Mikael sorri novamente e sai com minha mãe para um dos lugares vagos no recinto. Vejo Elijah e Kol me olhando cuidadosos. Observo à entrada a espera de Caroline.
Parecia que o ar não conseguia sair e nem entrar nos meus pulmões e eu começava a me sentir sufocado. Afrouxei só um pouco mais a gravata. Não era ela quem me deixava assim.
Minhas mãos suavam e parecia que tudo estava em silêncio a minha volta, mas eu via as pessoas conversando e a banda no fim do jardim tocando ao vivo. Eu não estava os ouvindo e as palavras de Mikael me surravam. Apertei minhas mãos atrás de meu corpo.
Eu amava tanto Caroline, mas Mikael tinha razão. Éramos de mundos opostos e não conseguirei fazê-la feliz. Quais eram as chances de um cara como eu fazer da vida de Caroline um conto de fadas? E quanto a Clare? Como elas seriam felizes ao meu lado? O que eu tinha para proporcionar a elas?
Rebekah entrou afoita, em seguida de Matt. Ela segurava seu vestido para correr na minha direção. Sua expressão me deixou com medo. Rebekah deveria estar com Caroline.
– O que aconteceu, Rebekah? – pergunto dando um passo até ela, que já estava bem mais perto depois de correr todo o tapete dourado.
Ela respirou fundo, tomando um ar.
– Caroline foi para o hospital, Clare está nascendo. – Rebekah diz, querendo soar com uma voz solene.
– O que você está dizendo? – minha voz sai mais alta e não me importo se todos no lugar olham para nós – Ainda faltam três semanas, Rebekah.
– Mas Clare não sabe disso, Nik! Ela está nascendo! – Rebekah diz, irritada.
Eu olhei perplexo para minha irmã. Sua expressão irritada me deixou com medo. O que eu precisava fazer? Rir e gritar que minha filha está nascendo? Sentar e esperar até que Caroline volte para o nosso casamento – com Clare no colo ao invés de estar nos ventres? O que eu precisava fazer? Onde está Caroline nessas horas para me ajudar?
Claro, idiota, ela está parindo sua filha!
– Elas foram para qual hospital? – pergunta Kol. Ele estava agora ao meu lado e sua mão apoiava em meu ombro direito. Estava tão absorto que não sentia sua mão no meu ombro. Acho que eu não sentia todo meu corpo.
– San Vincenzo! Onde você trabalha, Kol. – diz Rebekah. Ela estava mais calma. Por que ela está calma?
– Niklaus, nós precisamos ir agora! – diz Kol, ele aperta meu ombro e finalmente sinto meu corpo por inteiro – Elijah, por favor, faça o anuncio, você sabe melhor falar em público e acho que Niklaus está muito nervoso para...
Afasto-me de Kol e saio em disparada para a saída. Caroline estava tendo nossa filha. Caroline estava tendo nossa filha e eu não estou ao seu lado. Eu não estou segurando sua mão como prometi. Eu não estou com ela.
“- Nik me prometa que estará comigo quando Clare nascer?”
Lembrei de Caroline implorando-me naquela noite de Natal.
“Ela estava linda naquele vestido enquanto voltávamos para meu apartamento.
– É claro que sim, sweet! – eu respondo, automaticamente – Eu não perderia por nada na minha vida o nascimento de nossa little princess.”
Agora eu estava aqui, na festa do casamento e não ao lado de Caroline. Se eu perdesse um minuto que fosse de seu nascimento, jamais me sentiria um bom pai para Clare.
– Klaus! Entra aí, cara! – grita Matt, de dentro de seu carro.
Não espero por nada e entro no seu carro. Vejo Rebekah e Kol também entrando e não me pergunto a quanto tempo eles estão me seguindo. Matt dá partida no carro e tento me controlar para não socá-lo por dirigir tão lento. Eu só queria estar com Caroline e Clare.
Não sei quanto tempo mais ficamos no carro até chegarmos no hospital. Fui o primeiro a descer e logo já estava na recepção. Jason estava alí, escrevendo algo e falando com uma das recepcionistas.
– Como está Caroline? – pergunto em desespero e Jason vira-se na minha direção no mesmo momento. Ele suspira aliviado.
– Até que em fim você chegou, Caroline está entrando em trabalho de parto. – responde Jason, aflito. Não mais aflito do que eu.
– O doutor Maxon está aí? – escuto Kol perguntar atrás de mim.
– Ele está cuidando de tudo com a paciente. – responde a recepcionista.
Kol me dá um toque e indica para pegarmos o elevador. Infelizmente foi preciso subirmos 4 andares para entrarmos no andar onde Caroline estaria. Fomos para ala de recepção. Anna estava lá, aflita e roendo as unhas.
– Klaus! – ela correu até a mim e me abraçou. Fiquei surpreso com isso mas logo ela me soltou – Levaram Caroline para uma sala, a criança nascerá em breve.
Vi Kol indo até onde outras recepcionistas trabalhavam e resolvi ter calma. Calma por Caroline. Por Clare.
– Klaus, esse é o doutor Maxon. – diz Kol – Ele é o obstetra de plantão.
– Onde está a doutora Sue? – pergunto incomodado. Ela era a obstetra de Caroline.
– Infelizmente ela não está na cidade e ninguém consegue entrar em contato com ela. – diz o tal doutor Maxon – Mas eu cuidarei de Caroline muito bem assim como ela.
– Maxon, esse é meu irmão. – diz Kol, já conhecido do obstetra – Ahn... Marido de Caroline.
– Ah, o noivo. – ele sorriu brincando – Ótima hora em que essa criança resolveu nascer, não acham?
– Não tinha hora melhor. – brincou Kol também enquanto pedia algumas coisas para a recepcionista.
– Niklaus Mikaelson, certo? – o médico me chamou e assenti ansioso – Como vocês sabem, Caroline está com a gestação agravada pela pressão alta e esse parto será um parto de emergência.
– Caroline corre algum risco? E Clare? – pergunto no desespero de ter logo as duas comigo.
– Faremos o possível para nada se agravar durante o parto, senhor Mikaelson. O senhor pode acompanhar o parto se quiser.
PDV CAROLINE
Tentava me concentrar na luz branca sobre minha cabeça. Enquanto ouvi o caminhar e o entra e sai das pessoas a minha volta. O doutor Maxon me pediu para eu não me mexer, como se eu conseguisse.
Meu corpo estava imóvel e coberto por um lençol azul. Já fazia alguns minutos desde que tinham tirado meu vestido para fazer alguns exames rápidos. Era como se fosse fazer um exame para saber se meu bebê estava realmente nascendo.
Vick estava segurando minha mão o tempo todo, tinha pedido para apenas ela ficar comigo enquanto Klaus não chegasse.
As contrações estavam apenas piorando desde quando levei aquela injeção na minha espinha. Eu tentava ao máximo me concentrar em qualquer coisa que me distraísse para eu não pensar na dor.
A dor era por uma causa boa, mas não era suportável. A qualquer momento eu sentia que perderia todas minhas energias, mas eu estava sendo firme só pela vontade de ter Clare nos meus braços.
Quando finalmente Klaus entrou naquela sala eu me senti melhor. Não fisicamente, mas foi como se com ele toda aquela dor estaria sendo sentida com seu apoio e sua promessa de que tudo ficaria bem. E foi isso que ele prometeu.
O doutor Maxon garantiu que Clare nasceria hoje, mas não garantiu que horas. Então tive mais algumas horas naquele quarto de hospital com dor e com Klaus. Ele estava nervoso e as vezes não dizia coisa com coisa. Tinha vontade de rir, mas novamente as circunstâncias não me permitiram.
– E então, futura mamãe, acho que essa pequena aí já pode nascer. – diz o doutor Maxon. Kol está ao seu lado, vestido com camisa social branca por debaixo da roupa hospitalar.
– Eu não vejo a hora. – digo, cansada. Aperto mais a mão de Klaus, que está nervoso ao meu lado. Ele me olha e sorri.
– Dará tudo certo. – sussurra ao meu ouvido e me dá um beijo nos lábios demoradamente.
Depois daquilo Klaus me acompanhou até a sala onde o parto ocorreria. Na sala havia bastante médicos. Kol cuidaria para que não houvesse um aumento da minha pressão, nem muito menos a queda. Eu confiava muito em Kol e pedir a ele que estivesse em meu parto foi a primeira coisa que fiz quando tive a oportunidade.
– Está doendo muito, não querida? – pergunta uma médica com um olhar tão meigo que minha vontade de ser grossa passou no mesmo instante – Logo, logo você já terá seu bebê nos braços.
Ela estava me distraindo enquanto alguns enfermeiros de plantão cobriam minha barriga elevada e outros montavam uma barreira sobre meu peito impedindo minha visão do parto.
Kol amarrou um equipamento de respirar em meu rosto, comunicando que eu talvez poderia sentir falta de ar durante o processo do nascimento de minha filha.
– Batimentos cardíacos? – Kol perguntou.
– Regular. – respondeu alguém. Olhei a minha volta e Klaus estava aflito ao meu lado. Suspirei pesado e olhei para a luz a cima de mim.
Quanto mais eu tentava não ficar nervosa, mais dores eu sentia e me controlava para não gritar ou espernear. Estava suando e sentia cada gota do suor escorrer pelo meu rosto. Minhas mãos tremiam e a direita apertava com força a mão de Klaus.
Os médicos viraram meu corpo e recebi outra injeção na espinha, quando meu corpo voltou a posição atual, senti que a injeção estivesse fazendo efeito: as dores diminuíam e já quase não sentia meu corpo da cintura para baixo.
A cirurgia começou e sinto meu coração ter umas batidas mais rápidas. Aperto minha mão com a de Klaus e sinto seus lábios tocando a face de minha mão. Tentei sorrir, mas estava com medo e sentia falta do oxigênio.
Eu estava ficando zonza e meus olhos se fechavam sozinhos. Queria permanecer acordada. Queria ver minha filha soltar eu primeiro suspiro, mas eu estava cansada.
– Doutor Mikaelson... Os batimentos dela. – alguém diz. Minha mão começa a soltar a mão de Klaus, mas o sinto contraindo cada vez mais seu pulso.
– Precisamos fazer o parto rápido! – anuncia alguém. Era o doutor Maxon.
– Caroline. – era Kol. Vejo seu rosto sobre o meu – Caroline, fique conosco, está bem? Fique calma.
– O que está havendo, Kol? – era Klaus. Ele estava desesperado e suas duas mãos apertavam a minha mão tão frágil.
Meus olhos começaram a fechar novamente.
– A pressão dela está subindo. – era Kol novamente, ele estava aflito e já não estava mais no meu campo de visão.
Meu peito infla, eu precisava urgente do ar e tento tirar aquele aparelho inútil do meu rosto. Alguém me impede e me pede calma. Eu não conseguia mais respirar e um barulho me irritava. Pi pi pi pi pi.
Eles ficavam cada vez mais alto e mais forte.
– K-K-Klaus.. – tento dizer atrás do aparelho. Viro meu rosto e vejo seus olhos cobertos com lágrimas. Ele tenta sorrir quando vê que eu o olho.
– Shii, sweet, ficará tudo bem. – Nik não sabia mentir. Tentei sorrir e minha outra mão alcançou seu rosto.
– Eu te amo. – consegui dizer sem erro e uma lágrima escorreu no rosto tão rude de Klaus. Ele segurou minha mão em seu rosto e a beijou também – Me prometa que cuidará de Clare? – vi os olhos verdes ficando fulos – Prometa, Nik?
– Vai... vai ficar tudo bem, nós iremos cuidar de Clare, love. – ele diz, querendo ser confiante mais para si mesmo – Vai ficar tudo bem, eu juro.
Uma lágrima também escorre pelo meu rosto. Tento respirar novamente mas o ar foge de meus pulmões. Seguro mais forte a mão de Nik e só quero que ele me jure. Clare era o que mais importava naquele momento.
– Os batimentos dela estão normalizando. – escuto alguém dizer. Era Kol.
O oxigênio parece mais leve, entretanto custa a ir para meus pulmões.
– Vamos lá, Care, falta só um pouquinho. – era Kol novamente.
Ouvia barulhos de metais e plástico. Não quis fechar meus olhos, mesmo que meu corpo pedisse. Eu estava cansada, mas precisava ver minha filha.
Pensei que horas haviam se passado, talvez realmente horas se passaram, até o momento em que ouvi o doutor Maxon sussurrando que já estava com o bebê em mãos.
Imaginei inúmeros de bebês, para ter uma ideia de como poderia ser Clare. Eu estava tão ansiosa que já tinha me esquecido da dor e ela foi esquecida totalmente quando escuto algo que contrai meu coração.
Era um choro tão baixo que tive de forçar muito minha audição para ter a certeza. O choro teve um segundo de silêncio e meu coração parou naquele mesmo momento, mas logo toda aquela sala foi invadida por um choro tão alto que me fez sorrir.
– É uma garota muito linda! – exclama uma mulher.
Não era uma garota, era minha garota. Minha princesinha. Ela finalmente estava dando seu ar da graça para mim e para qualquer um presente. Escuto Kol rir alto de alegria. Era minha pequena Clare.
– Deu muito trabalho mas chegou! – exclama Maxon, rindo contente.
Olho ao lado a procura de Klaus e o encontro com seus olhos cheios de lágrimas novamente. Ele erguia suas sobrancelhas, não sabia se ria ou se chorava. Era engraçado vê-lo assim e eu quis beijá-lo e dizer que finalmente nossa princesinha tinha chegado ao mundo.
– Eu quero vê-la! – digo arrancando aquele equipamento de meu rosto.
Sou ignorada enquanto já trazem minha pequena na minha direção. Pude ver um bebê pequeno enrolado numa manta branca. Não tinham limpado ainda seu corpinho, mas só de vê-la foi o suficiente.
– Aqui está sua chorona. – diz a enfermeira e coloca a criança sobre meu peito. Ela a mantém em suas mãos grandes e sinto todo meu mundo parar.
Eu não podia pegá-la – estava completamente deitada e se eu me mexesse seria nada bom – mas minha mão tocou em seu rostinho coberto de sangue, como todo seu pequeno corpo. Ela era tão pequena que deveria ter uns 20 centímetros. Ela não abria os olhos e estava tremendo.
Eu sentia que todo o mundo poderia se acabar naquele momento, contanto que eu tivesse Clare comigo alí, nada mais era importante.
Sinto uma dor no meu peito e quero ignorá-la, só queria ficar mais um tempo com minha filha, mas a dor aumenta e tento inspirar o oxigênio. Ele não me entra por nenhum lado. Meu peito doí novamente e escuto alguém gritar:
– Os batimentos dela estão acelerados!
Vejo Clare sendo arrastada para longe de mim e não me sinto melhor com o vazio.
– Caroline... – era Klaus, desesperado – Por favor, fique.
Alguém coloca novamente aquele aparelho no meu rosto e tento sugar o oxigênio com força, é parcialmente impossível. O irritante pi pi pi torna-se cada vez mais rápido e irritante.
A dor em meu peito só tende a piorar e escuto rápidas movimentações. Klaus aperta minha mão e me implora para ficar. Ao tempo em que sinto a dor diminuindo o irritante pi pi pi torna-se mais lento e meus olhos vão se fechando até que eu não consigo mais abri-los.

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