Sentada numa poltrona na biblioteca do Dr. Cornelius eu mergulhava na história que tinha em mãos. Estava recheada de magia e heroísmo. Tinha desde um guarda-roupa como portal a batalhas emocionantes. Não percebi nem quando fiquei sozinha. Cornelius terminara de guardar os livros e saíra sem avisar; deve ter percebido tamanha concentração que eu estava tendo com o livro. Virava cada página com o máximo cuidado, como me pediu, e degustava-me com cada linha escrita com a tinta antiga. Alguns trechos eu ficava tão interessada que os lia em voz alta.

- E empunhando sua espada, Pedro recitou os dizeres da lâmina: \" Pelos dentes de Aslam, o inverno sumirá...

- ...e pela sua juba, a primavera voltará\".[n/a: acho que é assim]

Parei imediatamente a leitura e me virei para encarar quem tinha finalizado a minha frase. Caspian estava encostado no batente da porta, me fitando com os olhos serenos e um sorriso que era impossíve não retribuir. Sua barba estava feita e os cabelos cortados, o que não consegui reparar quando invadi, sem querer, uma reunião que estava tendo. Estava trajado elegantemente, suas vestes eram azul marinho com o brasão telmarino no peito. Nunca o vi vestido desse jeito. Agora ele tinha a imponência do soberano que ele era. Fiquei admirada e também... intimidada.

- E... eu não sabia que estava aí. — disse eu.

- Acabei de chegar. Cornelius disse que estava aqui e cheguei a tempo de ouvi-la.

- Eu decobri esse meu costume. Ler... em voz alta.

- Lembro-me que lia esses livros escondido. Meu tio proibia qualquer um de contar as lendas antigas. Mas Cornelius me instruiu bem.

- São histórias magníficas.

Caspian se aproximou e ajoelhou-se ao emu lado.

- Sobre aquilo... — comecei.

- Não foi nada de mais.

- Eu o envergonhei.

- Não fale isso! Você não me envergonha Estela. Você só me dá orgulho.

Ficamos em silêncio por alguns instantes. Caspian estendeu a mão e acariciou o meu rosto, fechei os olhos e senti o seu toque.

- Está tão linda. — ele disse. — És linda de qualquer jeito.

- Você acha?

- Tenho certeza.

Ele foi se aproximando do meu rosto, mas o interrompi.

- Me sinto estranha.

- Como? — perguntou Caspian com a testa franzida.

- Parece que algum dos lordes vai entrar aqui e nos condenar.

- Por nos amarmos? Duvido muito.

- Mas mesmo assim que não me sinto confortável.

- Eu sei de um lugar.

- Que lugar?

- Em que nada possa nos atrapalhar.

Caspian segurou a minha mão e praticamente me arrastou pelos corredores e escadas o castelo. Pareciamos mais dois fugitivos tomando cuidado que que ninguém nos visse. Subimos numa torre na ala Oeste de Cair Paravel. O topo era um terraço de ponto estratégico, dando vista do mar e da terra.

- Uau.

Como era bem mais alto, dava para se ver muito mais do que da janela do quarto.

- Aqui é uma das torres de observação, mas ainda não foi usada.

- Somos os primeiros a vir aqui?

- Para utiliza-la sim.

- Então, o que vamos observar? — disse brincando.

Caspian se aproximou de mim e enlaçou a minha cintura com as mãos, puxando-me para si. Quando nossos corpos se tocaram e pudermos sentir a respiração um do outro, foi a vez dos nossos lábios se chocarem.

Notas finais
quero reviews gente!
bjooooooooooooooooooooooo