Adaptation
5 Troubles (M)
Notas iniciais
As vadias malditas tinham me feito sentar ao lado delas na maldita cerimônia de abertura. Elas conversavam sobre as unhas postiças de uma delas ou algo assim e eu estava num tédio tão grande, que nem falar mal disso parecia me entreter. Então elas começaram a falar sobre garotos, porque elas são piranhas, e de mau gosto ainda por cima. É CLARO que eu tinha notado os garotos, até porque esse colégio é mais famoso pelos garotos lindos do que por qualquer outra coisa, e é ainda mais claro que os garotos tinham me notado. No momento, elas estavam discutindo sobre um menino da fileira ao lado. Olhei-o e ele parecia um dinossauro babando de tédio.
– É horrível — comentei.
– Ah, nem é — uma das duas fez biquinho.
Na época eu não sabia diferenciar as duas. Até hoje não sei direito, então não sei dizer qual.
– Ele parece um dinossauro – disse e elas começaram a rir e a olhar pra ele.
Olhei-o também. Ele sorria em nossa, ou melhor, na direção delas. Ele tinha, realmente, um rosto bonito, um sorriso lindo. Comecei a encarar o chão, porque com certeza iria corar se continuasse encarando-o desse jeito. Olhei-o mais uma vez, de relance. Ele sorriu pra mim, ele era... O que?
Foi nesse dia, o primeiro dia que o vi, que conheci o primeiro sorriso de Jong. Todos os seus sorrisos eram lindos, mesmo sendo diferentes. Eles desviavam toda a atenção para seu rosto, exibindo aqueles dentes perfeitos.. Eu me arrependi de ter desviado o olhar, algo que eu definitivamente não faria se soubesse que foi a única vez que o vi sorrindo pra mim de tal maneira, e foi por tão pouco tempo... Sério, o dino DO NADA parou de me olhar e começou a prestar atenção no que o diretor falava. Moleque estranho.
O meu outro sorriso favorito dele foi o que ele fez quando estendeu a mão dizendo “Meu nome é Kim JongHyun” ou algo assim. Soou tão bem na voz dele essa frase e combinou com o sorriso que ele fez. Parecia que ele estava se dedicando a me deixar corado. E eu escapei de corar nessas duas situações, mas em momentos como agora, eu não conseguia.
Ele sempre parecia tão sereno em seus sonhos que dava certa pena de acordá-lo. Eu gostava de ficar admirando seu semblante dormindo, assim como uma mãe aprecia o seu filho. Não me importaria de ficar uma eternidade olhando-o nessa posição, sério. Esse é um dos motivos para eu sempre enrolar um pouco antes de acordá-lo. Eu sempre arranjava algo pra fazer antes e acabava por acordá-lo quando já estava completamente pronto, mesmo essa não sendo a intenção.
Mas hoje eu não podia enrolar. Decidi que não veria o Senhor Presidente do Conselho Estudantil até me decidir o que fazer. O fato é: eu gostaria de vê-lo, eu gostaria de fazer sexo com ele da mesma forma que disse que faríamos quando eu deveria ter voltado sábado. Mas eu não conseguiria encará-lo da mesma forma depois daquilo que JongHyun disse, mesmo Onew não tendo tanta consciência assim de que fizera mal a ele.
Deus, do que eu estou falando? Eu conhecia Onew há tão pouco tempo, não é possível afirmar algo assim.
Toquei no ombro de JongHyun para que ele acordasse.
…
Toquei de novo.
…
– BABACA! É hora de ir pra escola – gritei; não sou muito paciente de manhã. — ANDA LOGO OU ENTÃO VOCÊ VAI SE ATRASAR!
Ele se revirou na cama, ainda sonolento. Notei uma dobrinha um tanto quanto irregular no edredom.
Jong, você pode ainda não ter acordado, mas seu amiguinho já está de pé.
– Mas você ainda nem tá arrumado – ele respondeu, virando na cama e provando que a dobrinha era exatamente o que eu pensava.
– É que eu não vou à primeira aula hoje — revirei os olhos. — Levanta.
Ele se revirou na cama mais uma vez, voltando com a expressão fofa que ele tem enquanto dorme. Meus olhos se arregalaram, tirando completamente a expressão emburrada que eu normalmente tinha enquanto brigava com ele, dando-me o semblante de uma menininha do fundamental.
– Ah, então não quero ir pra aula também – ele disse. – Por que você pode matar aula e eu não?
A menininha do fundamental se foi.
Suspirei e massageei minhas têmporas.
– Jjong, você é bonito, mas só isso. Não é rico, nem inteligente – expliquei. – Eu sou os três, logo eu não preciso ir, você sim.
Ele riu com a minha explicação, que pareceu ser o suficiente para convencê-lo, já que ele se sentou na cama e esfregou os olhos, para depois levantar-se.
– Não diz bom dia para os seus hyungs? – perguntei, fazendo biquinho.
– Eu sou seu hyung.
– BOM DIA!! – abracei-o; ele riu da minha mudança de humor repentina.
JongHyun logo se desvencilhou do abraço e foi para o banheiro. Ficou pronto para a aula em 15 minutos, faltando 10 para a aula começar. Despediu-se, dirigindo-se à porta do quarto com um ar ainda sonolento. Girou a maçaneta de cor bronze, esfregando os olhos. Saltou de susto quando se deparou com a silhueta de alguém do lado de fora da porta. Onew me procurou por cima de Jong, aquele baixinho maldito. Pude ouvir os dois se cumprimentarem enquanto encarava meus pés, pensando no que dizer.
Todas as opções pareceram sumir de minha mente e eu parecia só um idiota com um pijama do Bob Esponja olhando pros próprios pés!
Levantei o olhar. JongHyun ainda estava parado na porta e o ar parecia estar mais pesado de tanta tensão que havia naquele lugar.
Ele saiu do quarto e fechou a porta. Filho da puta.
– Não vai à aula não? – ele disfarçou o clima com um sorriso descontraído.
Não respondi.
– Onde você esteve o fim de semana inteiro? Por que não me ligou? Por que não atendeu as ligações? – pude sentir o tom da sua voz aumentando e seu cheiro ficando mais forte, indicando proximidade.
– Com JongHyun. Aliás, Onew... – respondi, cruzando os braços. – Jong me contou sobre quando vocês dois viajaram.
Onew mordeu o lábio, encarando o chão, contendo um sorriso e quem sabe, até uma risada.
Eu não acreditei nisso, tampouco no que ele disse depois:
– Você está com ciúmes.
Não foi uma pergunta, e sim, uma afirmação. Como ele ousou chegar a conclusões tão precipitadas sobre o Todo Poderoso Key?
Eu? Com ciúmes dele? Não, não tão fácil assim. Eu sou bem ciumento, mas não a esse ponto, foi algo que aconteceu há muito tempo atrás.
– O que?! – exclamei. – É-É lógico que não!
Ele riu e me abraçou.
Eu não sei se o matava ou se ria da cara dele. Apenas fiquei parado, sem reação, não conseguindo acreditar no quão idiota um pivete pervertido e viciado em frango poderia ser.
– Você mentiu pra mim, não pode me tocar – disse, tentando me desvencilhar.
– Eu não menti – ele riu – Isso foi antes de te conhecer. E foram só alguns beijos, nada demais.
– NADA DEMAIS?! VOCÊ SÓ QUASE ESTUPROU A CRIANÇA! – gritei. – Ele ficou confuso e você não fez nada. – Como você pôde...
– Nós só nos beijamos e foi ele que pegou na minha cintura e me pôs no colo dele, apesar de, se fosse hoje, eu não seria uke dele – ele disse, com um sorriso malicioso. – Depois daquilo, ele não quis mais ficar sozinho comigo. Até hoje evita isso, se for observar, e sempre que DongHae entrava no assunto, ele fugia da conversa.
– Isso não muda o fato de você ter mentido pra mim! – exclamei. — Você sempre disse que o Jjong era um mulherengo, que ele iria me usar, mas você que o usou!
– Eu não tive tempo de usá-lo, sequer, ele fugiu. – ele disse
Ficamos parados por alguns momentos, eu lançava-o o meu olhar de reprovação
O sorriso dele se esvaiu. Ele ficou calado por um tempo. Essa era a parte que ele deveria dizer que eu tenho razão.
– É porque... Eu tinha medo que isso acontecesse – ele disse, encarando o chão. – Eu sempre pensei que tivesse mais chances de você se apaixonar por ele do que por mim.
Eu ri.
– Isso é ridículo – eu disse debochadamente.
– Você está com ciúmes
Isso é ainda mais ridículo.
– Eu já disse q...
– Não de mim, dele – Onew me interrompeu.
Fiquei sem palavras devido à tamanha idiotice de novo.
Eu gostava de Jong. Pensava nele como um amigo – um amigo daqueles que eu não me importaria de pegar –, mas só isso. Porém, mesmo que o considere um amigo, eu quase não falava com ele fora do dormitório. Ele normalmente andava com os amigos idiotas dele, que eram tão idiotas quanto ele. Enquanto eu andava com as vadias, que ando até chamando de “amigas”; Onew, e mais algumas garotas da sala, de vez em quando. Mesmo assim, eu não podia deixar de classificá-lo como um amigo. Ele sabia bastante sobre minha vida e eu sobre a dele, ríamos juntos e tínhamos até algumas internas um com o outro.
Eu não podia negar que sentia vontade de beijá-lo vez ou outra, mas isso é normal, afinal ele é homem e eu sou gay. Porém... Lembro-me de uma vez ter pensado que nunca beijaria alguém idiota assim. Ele se encaixava em todos os padrões que faziam alguém ser idiota pra mim. Mas consegue ser ainda mais fofo, por algum motivo. E sexy, não posso esquecer-me disso.
Em algum momento da história de nós dois, desde quando nos conhecemos até agora, eu deixei de odiá-lo e agora eu o trato como um amigo especial pra mim. Essa transformação, apesar de ser uma grande transformação, foi tão sutil que, se Onew não me dissesse agora, eu jamais notaria que gosto dele, mesmo sem ser do jeito que ele pensa.
Céus, quando me tornei tão distraído assim?! Ainda mais sobre os meus próprios sentimentos. Uma mudança tão drástica neles passou tão despercebida por mim, e o pior, só por mim. Talvez porque, se eu tivesse percebido, acho que não deixaria acontecer. Não gostos de me apegar às pessoas, mesmo gostando da companhia daquele maldito.
Estava prestes a dizer o quanto ele estava errado em tudo e eu certo, mas uma música começou a tocar, interrompendo os meus pensamentos:
Gee Gee Gee Gee Baby Baby.
Peguei o meu celular, olhando as horas.
– Tenho que tomar banho e me arrumar. Tchau – disse, indo em direção ao banheiro.
Ele me seguiu, me abraçando por trás na porta. Desvencilhei-me.
– Nem pense – disse, fechando a porta do banheiro.
POV JONG! YAY!
Key não precisou me falar nada para eu entender que ele não queria ir pra aula porque não queria ver Onew. Eu já os vi juntos, várias vezes, mas Jinki é do tipo que fala com todo mundo.
Mal passava pela minha cabeça que os dois pudessem ser amigos, mas ao vê-los juntos, ficou claro que os dois se comiam. Na certa, Key foi falar com Onew sobre o que falei no fim de semana.
Entrei na sala e pus minha mochila ao lado da de Jessica. Cumprimentei-a.
– Você sabe se há algo entre Onew e Key? – perguntei
– Se já aconteceu, eu não sei. Ele não me contou, mas é óbvia a tensão sexual entre os dois.
– Está a fim de assistir a essa aula? – perguntei, saindo completamente do assunto.
– Nem um pouco. E você?
– Também não.
Saímos da sala e passeamos pelo colégio, nos escondendo na antiga sala de vídeo. Ela se sentou na mesa do professor e eu agarrei sua cintura. Beijei-a. Seus dedos fecharam-se em minha camisa, me puxando pra mais perto. Os seus dedos percorreram meu peito, descendo até o meu abdômen e adentraram minha calça. Ela começou a investir no local até ouvirmos o barulho do sinal. A vadia se despediu e saiu correndo, me deixando na mão. Literalmente.
Resolvi meu “problema” e fui para a sala em que haveria aula no segundo horário – biologia, uma aula que eu só assisto porque minha professora é gostosa — e encontrei Key na porta da sala. Ele me lançou um olhar tipo “morra”.
– O que foi? – perguntei
– Não é porque as duas são vadias que você tem que pegar as duas – ele respondeu num tom claramente irritado
Eu sorri arrogantemente
– SEU BABACA! – Key gritou. — VOCÊ TEM ALGUMA IDEIA SOBRE AS CONSEQUÊNCIAS QUE SEUS ATOS TERÃO?! AGORA ELAS VÃO BRIGAR E VÃO PERTURBAR QUEM? VOCÊ? EU! E SE VOCÊ SAIR SEM ARRUMAR A CAMA ANTES DE NOVO, EU VOU TE CASTRAR, SEU INÚTIL!
Eu ri.
– Desculpe. Não farei mais isso. Sobre a cama.
– Acho bom, porque eu falava sério sobre a parada de castrar.
Ficamos calados por um tempo, eu olhando para Key e ele para mim. Eu gostava de Key quando ele tava me perturbando, por mais estranho que isso possa soar. Meu pai sempre estava ocupado com o trabalho, mesmo sempre estando em casa, e minha mãe também. Então, mesmo que tivesse amigos, nenhum podia substituir o cuidar que meus pais deveriam ter por mim, que Key tinha. Ele é como a mãe que eu sempre quis ter.
Não pude deixar de sorrir com o último pensamento. Key corou um pouco – muito, como uma garotinha do fundamental – mesmo sem eu ter dito nada, o que me fez pensar na possibilidade dele ler pensamentos.
– AISH, SEU IDIOTA – ele me deu um tapa e saiu andando
Como eu não estava nem um pouco a fim de ir à aula, saí atrás dele.
– O que eu fiz? – ri.
Ele riu também.
– Nada. Você é um idiota, só isso
Aproximei-me dele.
– Quando você cora, como você fez agora pouco, você parece muito uma garota, sabia? – perguntei. – E fica muito bonita assim.
Ele corou de novo e eu ri.
– Vou passar a usar mais blush para te seduzir – falou. – E assim ganhar nossa aposta.
– A aposta foi anulada – disse.
– Não foi – ele disse. – Não até você me beijar
– Que mulher fácil, você é – disse e ele me fuzilou com o olhar. – Tudo bem, eu deixo você me beijar.
– Fáceis são essas vadias que você pega no pátio no colégio e que tiram sua roupa na sala de vídeo. – disse – E, não, eu não vou te beijar, você vai me beijar.
Fomos para o dormitório, completamente calados, pois Key não queria que nos beijássemos no corredor, pois era um lugar muito exposto (não entendi essa, era só um beijo). O caminho nunca pareceu tão longo. Eu estava um tanto quanto nervoso, mas tentei ao máximo não demonstrar isso. Ele iria pensar que eu estava cantando-o.
Entramos no quarto e ele trancou a porta, o que me deixou assustado.
– Só. Um. Beijo – falei.
Ele riu.
– Eu sei, é que eu não quero que ninguém me veja. Babo. – falou – Sabe como isso arruinaria a minha reputação?
Não era eu quem deveria dizer isso?
– Que seja, vai querer como? – indaguei.
– Dá pra você ser menos idiota, pelo menos agora? – ele revirou os olhos.
– Queria que eu fosse mais romântico? – disse de u uma maneira debochada.
– Qualquer coisa seria melhor – respondeu. – Vem logo.
Key encostou na porta e eu me aproximei, apoiando uma de minhas mãos na mesma. Levantei seu rosto com a outra enquanto aproximava o meu rosto do dele. Sua respiração estava pesada e ele parecia um tanto quanto nervoso. Encarei seu rosto por um tempo. Não posso negar o quanto fiquei fascinado com ele. Um rosto tão belo, tão fino e sem nenhum tipo de imperfeição. Devo ter passado alguns segundos admirando aquela boca tão bem desenhada, parecendo até uma obra de arte. Senti suas mãos em minha cintura em um toque delicado, como tudo que ele fazia.
Suas mãos contornarem minha cintura e apertaram minhas nádegas, o que me fez rir um pouco. Ele riu em silêncio também, a tensão totalmente desfeita. Suas mãos pousaram em minha nuca e eu me inclinei para tocar seus lábios. Ele abriu levemente a boca e esperou o meu toque e, de olhos fechados, nos beijamos.
Nossas línguas dançaram num ritmo lento, quase que romântico, e coreografado, como se estivessem ensaiando uma para a outra faz tempo, enquanto minhas mãos desceram segurando sua cintura fina. O beijo dele, apesar de calmo, não deixava de ser ousado. Fez questão de explorar cada canto da minha boca e eu fiz o mesmo com a dele, aos poucos, aumentamos o ritmo. Ele beijava bem, tinha que ser sincero. O beijo foi sexy, romântico... Tudo, diferente de qualquer beijo que eu já dera. Se ele fosse uma garota, com certeza me deixaria excitado só com aquele beijo.
Beijamo-nos até onde nossa capacidade de ficar sem respirar alcançasse o limite. Ele mordeu o meu lábio quando separamos nossas bocas e abrimos os olhos, fitando um ao outro até recuperar a consciência. Eu cheguei a lamentar por esse ser nosso único beijo.
POV KEY
Eu havia me impressionado com o quanto que Jong beijava bem. Já beijei vários caras e nenhum beijava tão bem quanto ele.
Ele pode ter beijado minha boca, mas parece que o efeito surtia em todo o meu corpo. Meu coração começou a bater mais rápido, minha respiração ficou mais pesada e toda a minha razão desapareceu – ou melhor, ele se tornou minha razão. Por isso, foi bom.
Comecei a pensar seriamente se o que Onew dissera poderia ser verdade; eu estar “apaixonado” pelo Jong, por mais que essa ideia pudesse parecer absurda. Parecia que eu não conseguia recuperar a minha razão depois daquele beijo, porque toda hora eu pensava nele, em seu sorriso, sua risada, as coisas não idiotas que ele dizia, apesar de poucas.
Eu não conseguia pensar em outra coisa senão beijá-lo, toda vez que o via. O clima ficou estranho entre nós e Onew estava sem falar comigo desde que eu contei a ele. Aliás, sempre que eu falava algo para ele sobre JongHyun, ele já fechava a cara e falava algo como “Você só fala sobre ele” e quando eu falei que tinha beijado-o então... Parecia que eu só atraia babaca. Só me restariam as vadias, mas elas estavam brigadas e ficaram ainda mais irritantes. Esse babaca só atraia desgraça para a minha vida. Eu estava pensando em propor que nos beijássemos de novo, mas eu simplesmente não conseguia. Foi tipo:
– Hyung – digo.
– O que?
Vamos lá, Key, confiança, Kim Kibum! Foco! Se concentre e diga:
“Hyung, o que você acharia de me beijar de novo ou até fazer algo a mais?”
Não, não de uma maneira tão fácil.
Vamo,s Key, você é o “Super Poderoso Key”, você pode falar isso sem parecer uma menininha do fundamental, sem parecer um total babaca sem mais nenhuma opção a não ser beijar o seu colega de quarto heterossexual por quem você acha estar apaixonado. Vamos!
– Nada não.
Pois é, o máximo que eu consegui propor era que nós dois fôssemos ver Seun Hee no sábado e ele disse que estava com saudades. Idiota.
Aí ontem esse babaca veio me avisar que a mãe dele ia nos buscar aqui sexta para ficarmos sábado e domingo inteiros com Seun Hee, e então, segunda-feira, ela nos deixaria de volta como na última vez.
Eu vou passar a noite de sexta, sábado e domingo no quarto de Jong, me segurando para não estuprá-lo ali mesmo e o pior é que eu nem podia, graças àquela maldita aposta. Eu não posso mais ficar arranjando desculpas para tará-lo. Que lindo.
E adivinha que dia é hoje? Sexta feira e são cinco da tarde! Desespero, pra que?
Eu já tinha arrumado as minhas coisas e tava ajudando JongHyun a arrumar as dele, porque ele é um idiota e com certeza esqueceria de algo
– Key – chamou. – Por que você não gosta de ser chamado de Kim Kibum?
Mas que pergunta mais aleatória, pensei
– Tem tantos motivos – suspirei. – Para começar, é muito comum. Não gosto de ser confundido com os outros. Depois, é o nome que meu pai escolheu pra mim.
– E qual é o problema com o seu pai? – ele perguntou.
– Ele era bastante conservador, então ele nunca me aceitou muito e minha mãe e ele sempre brigavam bastante por isso. E quando Seun Hee nasceu... Ele fugiu por ela ter deficiência. E minha mãe tinha que trabalhar e eu cuidei de Seun Hee. Ano passado, ele voltou e minha mãe aceitou tudo. Então, ele mandou minha irmã para aquela clínica, porque ele simplesmente não queria conviver com ela. Ele disse... Que ter uma só aberração em casa já era o suficiente. Eu estou estudando aqui porque eu queria ficar o mais perto possível de Seun Hee – confessei.
– Ah – ele disse.
Eu estava esperando que ele deixasse por aí ou no máximo se desculpasse. Mas ele me abraçou. Contornei o seu corpo com os meus braços para que eu pudesse sentir seu cheiro. Eu já falei sobre o cheiro dele? Era um perfume bom e penetrante, como o de café, mas era doce, como de alguma fruta, e suave como o de uma flor. Eu já vi a marca do perfume dele e era o mesmo do de Onew, mas os cheiros dos dois eram completamente diferentes.
Ele me distraiu dos meus pensamentos para me dar um selinho. Eu corei feito um pimentão.
– Você não disse que seria só uma vez? – perguntei.
– Você está se comportando bem, merece outro – ele sorriu.
Viado.
O fim de semana foi normal. Eu estava acostumado a dormir com ele toda a noite, por isso não foi tão estranho. Além do mais, Seun Hee nos fazia correr pra lá e pra cá, então nos cansávamos, mas eu estava completamente desesperado. Precisava daqueles lábios nos meus, não importava o que custasse.
– JongHyun hyung – chamei.
Era segunda-feira de manhã e estávamos nos arrumando para ir à aula.
– O que?
– Eu me comportei bem esse fim de semana? – perguntei.
Ele riu e eu soube que ele entendeu o que eu quis dizer
– Quer tanto assim que eu te beije?
Eu fechei a cara, eu ainda tinha algum orgulho. Babaca.
Ele riu e se aproximou me dando outro selinho.
– Não assim – disse de maneira manhosa. – Um de verdade.
Ele riu de novo, mas não de uma maneira debochada dessa vez, e sim da maneira que se ri quando um filhote faz algo fofo.
– Por quê? – perguntou, mordendo o lábio em seguida.
Eu corei instantaneamente.
– Porque eu quero, anda logo.
– Isso não é resposta.
Revirei os olhos.
– JongHyun, e-eu... Quero te beijar, porque... – comecei, encarando o chão, talvez procurando meu orgulho lá. – Eu acho que eu gosto de você.
Os meus olhos se arregalaram com a confissão — eu não tinha planejado dizer isso. Era agora que eu nunca mais teria coragem de olhar na cara daquele babaca mesmo, sério. Eu esperava que o quarto dele fosse preenchido pelo som da sua risada mais debochada perante a minha humilhação, mas nenhum som ecoou no quarto. Ele permaneceu calado e o seu silêncio penetrou minha alma, fazendo-me desejar que ele falasse qualquer coisa exceto nada.
A mãe dele abriu a porta do quarto avisando que já estava pronta e que nós deveríamos ir, quebrando o silêncio.
Ele vai simplesmente fingir que nada aconteceu?, pensei.
E foi isso que ele fez.
Os minutos naquele carro e os minutos até a sala foram os mais torturantes da minha vida. Eu tinha vontade de dizer qualquer coisa, de pedir para ele ser menos babaca, para ele esquecer tudo, para ele me dizer o que sentia, para ele fazer qualquer coisa. Mas eu sabia que se olhasse-o, foderia tudo. Eu ia chorar, eu ia esquecer todos os xingamentos que eu havia reservado para ele.
Eu passei a aula inteira pensando nele e segurando aquelas merdas de lágrimas que insistiam em forçar saída. Eu merecia um prêmio, porque eu não deixei nenhuma gota cair. Mas que droga! Eu não queria ser tão... Submisso, tão dele, mas eu acabei sendo. Eu não queria amar alguém incondicionalmente, ainda mais alguém tão idiota. Desejei nunca tê-lo conhecido, desejei nunca ter feito aquela maldita aposta, que se voltou contra mim. Desejei privar-me de todas as sensações boas que já tive com ele para me libertar da dor que estava sentindo naquele momento.
Passava uma hora, duas, três e a dor não saía. Iríamos entrar em semana de provas agora e todos da turma começaram a estudar. Eu também tentei fazer isso, para, quem sabe, distrair minha mente, mas no dia que eu decidi fazer isso, Onew me abraçou por trás na biblioteca.
– Desculpe – ele sussurrou em meu ouvido.
Virei-me para ele, encarando o seu rosto. Apoiei meu rosto no seu ombro e deixei as lágrimas, que tanto segurei, por tanto tempo, escorrerem pelos meus olhos e mancharem sua camisa. Chorei em silêncio, assim como sofri em silêncio, segurando toda a minha vontade de gritar. Ele acariciou meu cabelo e sussurrou algumas palavras de apoio tentando parar meus soluços.
– Eu me senti tão sozinho, não deixe eu me sentir assim de novo, por favor – supliquei.
– Não irei – ele respondeu num tom baixo, mas que eu pudesse ouvir.
Ele levantou meu rosto e passou a ponta dos dedos de maneira delicada debaixo de meus olhos inchados, limpando as lágrimas que lá havia. Depois, beijou meus lábios em um toque singelo.
– Vamos sair daqui, temos que conversar – ele disse.
Onew segurou minha mão e me guiou para fora da biblioteca sem o mínimo de pressa. Era raro um garoto não ter vergonha de andar comigo de mãos dadas em público. Isso era algo que eu tenho certeza que JongHyun e eu só faríamos em sonhos.
Ele entrou na primeira sala vazia que encontrou – a sala do Conselho Estudantil, que estaria trancada até a segunda próxima hora, se Onew não tivesse a chave – e trancou a porta; nenhum dos dois iria querer algum tipo de interrupção, ainda mais quando o irmão de JongHyun é um dos candidatos a chegar a qualquer momento na sala com razão e sem aviso prévio.
A sala do Conselho Estudantil era uma como qualquer outra sala de aula do colégio, porém, ao invés de carteiras espalhadas em fileiras pela sala, havia duas mesas: a maior, cuja extensão ocupava quase toda a sala, com diversas cadeiras ao seu redor, uma para cada membro do conselho estudantil; e outra do tamanho da mesa do professor em uma sala comum, apenas para o presidente.
Como ninguém havia entrado, as cortinas vermelhas ainda estavam fechadas. Como estas não possuíam black out, a sala não estava privada da luz do sol, apenas coberta pelo reflexo avermelhado que o sol emitia ao cair sobre elas.
Sentei-me em uma das mesas e Onew segurou minha coxa, afastando minhas pernas e se pondo entre elas. Beijou-me, devorando os meus lábios assim como eu fiz com os dele que tanto senti saudades.
Separamos nossos lábios e nos encaramos por um tempo, sem alterar nossas posições.
– Você tinha razão – confessei. – Eu estou apaixonado por JongHyun
– Eu não ligo – replicou, me beijando mais uma vez.
Abracei-o, suas mãos agarraram minha cintura, apertando-a por baixo do blazer do colégio, aproveitando para tirá-lo, logo depois. Ele me deitou na mesa, tirou minha gravata e desabotoou minha blusa, aproveitando para atacar meu pescoço ferozmente, mordiscando. Minha respiração ficou pesada e eu sabia o que aconteceria depois — era óbvio — mas não tinha certeza se queria ou não.
Onew pareceu ler meus pensamentos e parou o que fazia. Sentei-me mais uma vez na mesa, esperando que ele parasse de me tocar. Mas ao invés disso ele amarrou a minha gravata em meus olhos, cobrindo meu campo de visão e voltou a me beijar. Foi involuntário eu pensar em JongHyun quando me veio aquela escuridão e ainda mais involuntário os pensamentos pervertidos que me vieram quando ele terminou de desabotoar minha blusa e passou a mão pelo meu tórax.
Imaginei os lábios sedentos mordiscando meu pescoço, descendo até meu peito, não se importando de deixar algumas marcas. Comecei a sentir meu corpo todo se aquecer, especialmente a área entre minhas pernas. JongHyun agarrou minhas coxas, aumentando a proximidade entre nós e friccionando nossos membros. Soltei um gemido baixo, bastante excitado com o que estava acontecendo.
– Shhh – JongHyun sussurrou, com seu hálito batendo contra meu rosto
– Desculpe.
JongHyun voltou a beijar meu peito, dando atenção especial ao meu mamilo. Chupou-o, mordiscando às vezes, me arrancando gemidos abafados. Fez a mesma coisa com o outro.
Senti seus dedos no cós da minha calça e pude visualizar o sorriso malicioso que estaria se formando nos lábios de Jong. Ele abriu minha calça e abaixou meu zíper com uma mão, enquanto a outra apertava a parte interna da minha coxa, ansiosa. Ajudei-o a abaixar a minha calça, não totalmente, mas o suficiente para que pudesse visualizar meu membro.
A imagem que se formava em minha mente, de Jong completamente submisso a mim, foi o suficiente para me excitar ainda mais e deixar meu membro completamente enrijecido. Senti seus lábios tocarem minha glande por cima da cueca, fazendo o máximo de sucção que conseguia. Não pude conter um gemido alto e arrastado. Arqueei as costas, primeiramente, como reflexo de minha excitação, depois em uma tentativa desesperada de aumentar o contato.
– Hyung... – disse baixo, porém com a voz arrastada, em um tom que mais parecia um gemido. – Ande logo... Pare de brincar.
Ouvi um esboço de riso dotado de malícia logo após terminar essa frase. Ele abaixou minha cueca, libertando o meu membro e segurou-o pelo falo. Começou a botar meu membro todo em sua boca, fazendo bastante pressão, e então, movimentou sua cabeça para frente e para trás.
Naquele ritmo, eu chegaria ao clímax rápido. JongHyun parou o que fazia e abriu mais minhas pernas, senti seus dedos pressionados contra meus lábios entreabertos, segurei sua mão e lambi seus dedos,depois enfiando os três dedos na boca e chupando-os, fazendo questão de deixá-los bem molhados.
Jong tirou seus dedos da minha boca e me depositou um beijo urgente, repleto de luxúria. Separamo-nos e, depois de um certo tempo, pude sentir sua respiração pesada contra a minha pele, mostrando que eu não era o único a estar ofegante. Senti sua língua quente em meu membro mais uma vez e dois dedos seus pressionados contra a minha entrada. Ele enfiou os dois de uma vez e eu mordi o lábio para não gritar. Retirou totalmente os dedos e depois os enfiou mais uma vez, com mais força, repetindo o mesmo processo por um tempo. Enfiou o terceiro dedo e repetiu o mesmo processo, com um pouco mais de dificuldade, enquanto continuava a me chupar, subindo e descendo com sua língua em meu pênis, o que tornava a dor da penetração quase nula. Eu estava indo ao paraíso com tamanho prazer quando ele parou de fazer o que fazia, tanto com seus dedos quanto com sua boca.
Eu mordi os lábios, sabendo o que viria depois. Ouvi um gemido longo de prazer quando senti algo pressionar-se contra a minha entrada. Gemi de dor quando ele entrou em mim, me penetrando devagar e de maneira torturante. Suas duas mãos seguraram a minha cintura e ele começou a movimentar os quadris já em um ritmo elevado, tirando todo o seu membro de mim e colocando novamente, com mais força. Eu tive que tapar minha boca com as duas mãos para não gritar a cada estocada. Podia ouvir os gemidos dele, mesmo sem serem tão altos, eram igualmente estimulantes.
O prazer que era proporcionado a mim somente com a penetração, seria o suficiente para que eu gozasse, mas ele ainda agarrou meu membro e começou a me masturbar, me arrancando gemidos mais alto.
Eu cheguei ao clímax rápido e gozei sem avisar antes, ele começou me estocando até se satisfazer.
Ficamos um tempo parados, ofegantes, e ele me beijou. Sua língua se enroscou na minha em um beijo lento, carinhoso. Mas não o beijo que eu queria receber. Ele me puxou pela cintura me puxando para mais perto,como se quisesse que eu fizesse parte dele, que eu o pertencesse. E foi isso que ele pediu:
– Seja meu, Key. Eu não sou JongHyun, eu sei disso, mas... por favor. – suplicou
“Eu não sou JongHyun”
Isso ecoou na minha mente, me fazendo recuperar a consciência. Até há um tempo atrás isso seria tudo que eu poderia querer. Poderia? Sempre me assustou a ideia de relacionamento. Pensar em ficar com alguém, se dar totalmente a ele. Eu acho isso uma situação delicada e eu avalio muito antes de dar uma resposta – sendo essa, na maioria das vezes, não – porque eu não vou me jogar em algo que não daria certo. Mas eu não hesitei dessa vez:
Tirei a venda e encarei-o nos olhos, com uma expressão séria.
– No momento, isso é o que eu mais quero – disse
Isso não era mentira, estava longe de ser. Completei a frase antes que ele tivesse a chance de dizer qualquer coisa:
– Mas, eu não acho que isso seja possível, não agora. Eu lamento, mas...
– No início era pra ser só uma aposta, que se eu soubesse que iria me envolver, nem participaria. Desculpe ter omitido isso de você – ele me interrompeu, tirando as palavras da minha boca
Mas... como ele sabia?
– Mas – ele continuou – isso não significa que eu estou sendo sincero quando digo que gosto de você.
Pera, ele não estava falando de mim?
– Que aposta foi essa? – perguntei, completamente alheio a situação
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