Adaptation
1 Roommate
Notas iniciais
(Sunny e Jessica do SNSD aparecem na fanfic porque eu precisava de duas garotas loiras, provavelmente elas ficaram ooc, desculpe)
Era o meu penúltimo ano na escola. Não era como se eu estivesse feliz com isso, — claro — pois ainda restavam dois anos letivos naquele inferno em que meus pais me botaram. Mas também não era como se eu estivesse triste. Não havia muitas expectativas para aquele ano, no máximo, uma pequena esperança de que entrassem muitas meninas bonitas (ou que pelo menos fossem do meu tipo), juntamente com a pequena esperança de me dar bem nas matérias, como eu disse, nada demais.
Se fosse acrescentar uma expectativa da qual realmente me importasse, acho que seria quanto ao meu companheiro de quarto.
Ano passado fui obrigado a ficar no mesmo quarto de um pivete que eu odiava. Mais ou menos no meio do ano, de tanto brigarmos ele acabou pedindo transferência e tive que dividir o quarto com um menino mais novo, algo que eu realmente não me importaria de fazer se o menino não pertencesse a uma ceita de ocultismo que incluía rituais com música e esquartejamento de hello kittys às 3 da madrugada. Uma vez eu me irritei e gritei "SERÁ QUE DÁ PRA VOCÊ PELO MENOS FAZER ISSO CALADO?" no dia seguinte eu sentiuma diarreia pior que a morte.
Tudo que eu queria esse ano era um companheiro de quarto normal, isso realmente era pedir demais?
O primeiro dia de aula servia somente para mostrar para os alunos novos o colégio e sua metodologia e, como eu ja era um aluno antigo, não tinha muita necessidade de ir. Mesmo assim, eu fui. Você sabe, para olhar a galera. E parece que a sorte estava sorrindo pra mim porque entraram meninas muito, muito gostosas. Duas delas da minha sala — uma possuía um colar prateado com um pingente onde se lia "Sunny" e outra possuía um idêntico, mas escrito "Jessica". Supus que esses deveriam ser seus nomes — e o melhor, elas eram do meu tipo. Meu tipo? Gosto de loiras, apesar de preferir as naturais gosto também das de cabelo descolorido. Gosto também das que tem um sorriso bonito e peitos grandes, é, eu gosto muito de peitos grandes.
Durante a cerimônia de abertura, a única coisa que me impediu de dormir e/ou morrer de tédio foi o fato de eu ter sentado a apenas três cadeiras de Sunny e Jessica, e em certos momentos pude notar elas sorrindo pra mim. Encurvei-me um pouco e acenei para elas com um sorriso.
Foi nesse momento que vi uma terceira garota com elas, o que fez meu sorriso se abrir ainda mais. Uma menina com traços finos e extremamente delicados, um olhar felino e profundo, mas no momento, tímido. Parecia ser alta, da minha altura ou, se bobear, maior, mas eu não me importava com isso. Ela tinha cabelos loiros, sem um único fio fora do lugar e pequenos brincos prateados.
Eu definitivamente precisava descobrir o nome dessa garota.
Olhei para o pescoço dela, procurando uma identificação, assim como as das meninas ao seu lado, notei um cordão prateado, fino e delicado, assim como ela, porém sem nenhum pingente. Foi nesse momento que percebi a ausência de algo importante.
Peitos, a garota não tinha peitos. Olhei mais uma vez e seu rosto e lá estava a explicação — não era uma garota.
Endireitei-me na cadeira, tentando me recuperar do choque. Como uma garota tão bonita poderia ser um garoto?! Isso não faz sentido.
Estava tentando ao máximo parar de pensar no assunto, mas o choque era grande demais. É impossível, isso nunca aconteceu comigo antes. Eu devo ter olhado errado, aquilo era uma garota, eu tenho certeza. Garotos não usam maquiagem.
Suspirei, tentando mais uma vez não pensar no assunto. Fechei os olhos aproveitando o ar condicionado e me concentrei no barulho exterior, a voz do diretor que ecoava pelos auto-falantes espalhados pela sala de cerimônias dominava o lugar, mas se eu me concentrasse conseguia ouvir alguns sussurros vindos do fundo do auditório. Sem perceber, quase cai no sono. Quase porque quando estava conseguindo um sinal tocou indicando o fim da cerimônia.
Eu tive a sorte de pegar o mesmo quarto que ano passado, a segunda porta a esquerda do corredor principal do segundo andar do alojamento, onde estavam pendurados os números 2, 0 e 3, exatamente nessa ordem. Dirigi-me ao alojamento, subi de escadas por ser apenas um andar e a fila do elevador estar grande, pûs minha mão no corrimão e notei a garota-garoto vindo logo em direção as escadas. Seu andar demonstrava decisão, ele andava por aqueles corredores como se o pertencessem, porém seu olhar era tímido. Desviei o olhar imediatamente quando meus lábios tentaram moldar um sorriso contra a minha vontade, simplesmente me virei para subir em direção ao meu quarto.
Comecei a me sentir incomodado ao ouvir os passos do garoto-garota logo após os meus, em velocidade que de tão maior, logo me passou.
Quando cheguei no segundo andar ele já estava se dirigindo a segunda porta a esquerda do corredor principal do andar.
Peguei a folha onde estava impresso meu nome e quarto:
Alojamento B / Quarto 203 — Kim JongHyun e Kim Kibum.
Corri para alcançar a bicha e perguntei olhando para o papel:
– Você é... Kim Kibum?
Ele me olhou com um tanto de desgosto por algum motivo que eu não entendi.
– Sim, eu sou. Você também está nesse quarto? — sua voz, diferentemente de sua aparência, deixava claro que ele é um garoto.
– Estou. Meu nome é JongHyun. — Estendi a mão sorrindo,afinal ele é meu companheiro de quarto, tenho que fazer amizade com ele, pelo menos por hora. Mesmo ele sendo uma bicha.
Ele revirou os olhos e entrou no quarto, me deixando no vácuo.
POV KEY
Eu estava com pena do meu companheiro de quarto. Eu simplesmente não estava tendo um bom dia, então, sem querer descontei um pouco nele.
Ok, para começar, quando eu acordei, fui ajeitar o cabelo e vi que meu laquê acabou, logo meu cabelo está horrível e ainda tive que parar no caminho e comprar outro. Resultado: acabei chegando depois do horário.
Quando cheguei todos estavam entrando no auditório e eu ainda tinha que deixar minhas coisas no quarto. Um garoto, que disse ser presidente do conselho estudantil, me ajudou então eu consegui chegar na cerimônia instantes antes dela começar. O garoto me disse seu nome, mas como ele não era bonito, eu não prestei atenção.
Na sala de cerimônias encontrei duas putas da minha antiga escola que RESOLVERAM que nós éramos melhores amigos desde ano passado.
– O que é isso, piranhas? — disse, segurando o pedaço de bijuteria barata que não merecia ser chamada de colar com um pingente escrito "Jessica" que uma delas usava. A outra tinha um igual, mas escrito "Sunny" — todos sabem que você é uma cachorra, não precisa de coleira.
– AH KEY, SENTIMOS TANTO SUA FALTA! — Elas disseram juntas. Revirei os olhos.
Blábláblá, cerimõnia chata, blábláblá, fui pro meu quarto, blábláblá aqui estou eu.
O quarto era consideravelmente grande, com duas camas e dois armários, ambos de madeira um de frente para o outro encostados na parede branca. Na cama havia uma roupa de cama com o símbolo do colégio, mas a malha era barata. Eu já esperava isso, logo trouxe a minha própria roupa de cama. A janela dava para o pátio do colégio e logo ao lado dela havia o banheiro. Em cima de uma das camas havia uma mala, deveria ser do meu companheiro de quarto, JongHyun. Ele é bonito, logo gravei o nome dele.
–Vejo que preferiu esta cama – Disse-lhe.
–Sim, era essa a cama que eu usava no ano passado — Ele disse, sentando-se nela. — Ou você iria preferí-la? Se sim, eu não me importo.
– E se eu quisesse ficar na mesma cama que você, você se importaria? — Debrucei-me na cama onde ele estava sentado, aproximando nossos rostos, e pisquei. Depois me afastei e voltei a explorar o quarto.
–...
– E quanto as toalhas? — Perguntei — As empregadas passam pra limpar o quarto de manhã, eu sei, mas onde eu deixo até lá?
–...
– E os uniformes sujos? — Perguntei — Onde eu levo pra lavar?
–...
Dei um peteleco na testa dele, que estava sem expressão, para que voltasse ao normal.
– BABACA! SERÁ QUE DÁ PRA ME RESPONDER? — pus as mãos no quadril.
– Então você é mesmo gay — Ele começou a encarar um ponto aleatório na parede. Sem expressão de novo.
– Sim, eu sou. MAS NÃO FOI ISSO QUE EU TE PERGUNTEI, IDIOTA!
– Como você pode dizer isso na maior naturalidade?! Como se isso fosse algo normal? — Ele me olhou e depois que terminou de falar, voltou a encarar a parede.
– Mas isso não é um tanto quanto óbvio? — Revirei os olhos — E na verdade, é algo bem comum.
– Eu não quis dizer normal no sentido de "comum". — Dessa vez ele nem olhou pra mim. Ele deu um pequeno riso — Realmente, se eu fosse virgem poderia até te confundir com uma garota.
Eu corei um pouco, não sei se foi por vergonha ou de raiva, mesmo. Eu já não estava tendo um bom dia, Jong ainda fazia questão de piorá-lo. Mordi o lábio e contei até dez, encarando algum ponto na mesma parede que ele.
Quando voltei a olhá-lo vi que ele estava me olhando. Eu ia até dizer alguma coisa, ou não dizer nada e bater nele, mas o sinal tocou indicando que começaria outra cerimônia chata, dessa vez na sala de aula.
– Vai na frente, não quero ser visto com você — Ordenei — Depois discutimos sobre isso.
Ele não respondeu e saiu. Esperei uns minutos e sai também.
Assim que sai do quarto, meu coração começou a pesar de arrependimento. Não pela forma que eu tratei Jong, nem pelas coisas que eu disse, mas por deixá -lo sair primeiro! Ele é aluno antigo, ele conhecia a escola, eu não. Quando sai não tinha ninguém nos corredores, exceto o incrivelmente conveniente Senhor Presidente do Conselho Estudantil.
– Perdido e atrasado de novo, Sr. Kim Kibum? — Ele me disse sorrindo.
Meu coração voltou a pesar de arrependimento, desta vez por não lembrar do nome dele. Droga! Agora estou vendo, ele até que é bonito. Não tanto quanto a delícia que é meu companheiro de quarto mas também não é de se jogar fora.
– Já é a segunda vez que isso acontece e todos já estão na sala, exceto você, Presidente. Esse é o tipo de exemplo que o senhor quer passar para os alunos? — perguntei fingindo uma expressão brava — Aliás, não me chame mais de Kim Kibum.
Ele riu e mordeu de leve os lábios, Jesus, esse homem quer me matar.
– Eu gosto de ficar observando as pessoas passarem, além de querer garantir um tempo para que quando eu chegue, toda a situação esteja pronta. Sem nenhum novato perdido chegando atrasado. Só deixarei de te chamar de Kim Kibum se deixar de me chamar de presidente — Fodeu, qual é o nome dele?! – Do que eu deveria lhe chamar então?
Aproximei-me dele e segurei em seus ombros. De perto ele ficava ainda mais bonito, enquanto falava olhando em seus olhos. "Feito. De agora em diante, me chame de Todo Poderoso Key". Ele não conteve uma risada, e continuei: "Também atenderei por Diva Key, Deus Key, Lorde Key, Vossa Excelência Key e ocasionalmente só Key. Mas do que eu deveria lhe chamar?"
– Onew — Ele disse, mordendo o lábio outra vez, nunca tirando pelo menos um esboço de sorriso. Minhas mãos sentiram a textura macia das suas e logo após a textura de seus lábios pousando delicadamente sobre minha pele. — Você me daria a honra de me deixar levá-lo até a sua classe, Todo Poderoso Key?
– Seria um prazer.
POV JONG
Sunny e Jessica estavam na porta da sala conversando uma com a outra quando fui falar com elas. Riram. Não, não riram de algo que eu disse, até porque nem tive a oportunidade de dizer nada além de um "Oi", então simplesmente começaram a rir. Elas se desculparam, coraram um pouco. "É que nós estávamos falando de você quando você chegou." Uma disse, outra completou: "Você estava nos olhando durante a cerimõnia de abertura, não é?
Essa foi minha vez de corar, olhei para o chão e depois para elas novamente, não havia como negar. "Sim, eu estava" disse e me apresentei, elas fizeram o mesmo.
– Então... — Sunny se inclinou — de quem você gostou mais? A situação estava ficando cada vez pior pra mim.
– As duas são lindas, sinceramente. — respondi — e tem risadas lindas... namorar qualquer uma deixaria qualquer cara na escola com inveja. As duas fecharam a cara.
– Não. Qual de nós duas você gostou mais– Jessica disse, dando ênfase na ultima palavra.
– Com licença — Alguém disse. Virei-me. Era o presidente do Conselho Estudantil, notei que a bicha estava do seu lado, ela deve ter se perdido. Sussurrei um "desculpe", mesmo sabendo que ela não ouviria.
— Desculpe se interrompi algo, mas o sinal já tocou, vocês sabem como é – esclareceu o presidente.
Nunca amei tanto um homem quanto estava amando Onew agora.
Entramos na sala. Joguei minha mochila em qualquer lugar, Key sentou na quarta carteira da fileira do canto, Sunny do seu lado e Jessica atrás dele. Onew, o presidente, foi para a frente da sala e começou a falar.
...
...
...
– Já não acha que está na hora de acordar, JongHyun? — Uma voz indagou.
...Não
...
...
...
Esfreguei os olhos.
– Eu dormi? — Perguntei, esperando minha visão desembaçar.
– Qual é a ultima coisa que você se lembra?
Observei a sala, ainda com a visão meio turva, todas as carteiras estavam vazias, tendo apenas eu e a pessoa comigo lá.
– Acho que foi o discurso do presidente de classe – Respondi, ainda sonolento.
...
...
...
– Meu discurso acabou há uma hora — A voz respondeu.
– ONEW É VOCÊ?! — pulei da carteira imediatamente.
– Se é pra dormir, é melhor ficar no quarto — Ele disse e sorriu.
– Desculpe, cara — sorri pra ele também, por mais que ele pareça ser sério as vezes, quem o conhece sabe que ele não é.
– Tudo bem, agora é tempo livre. Vá para o seu quarto, lave o rosto e descanse, não quero te ver dormindo novamente.
Fiz o que ele mandou, entrei no quarto e fui direto para o banheiro lavar o rosto. Ouvi um barulho de porta se abrindo.
– Kibum é você? — Perguntei ainda no banheiro.
– Quem mais seria? — Seu tom era irritado, ouvi um suspiro — Não me chame de Kibum.
– Mas esse é o seu nome — Retruquei, confuso — É o nome que os seus pais escolheram pra você e devia se orgulhar dele.
– Exatamente, eles escolheram para mim e não eu -Disse-me, percebi que sua voz estava mais alta, como se estivesse mais perto — Eu quero que me chame de Key.
Olhei para a porta do banheiro e lá estava ele, sem o blazer nem a gravata do uniforme, segurando a porta entreaberta com suas mãos pequenas e femininas como uma garota na porta do vestiário masculino.
Minha mente começou a trabalhar em imagens de Key com o uniforme feminino espiando o vestiário masculino, tentei conter o riso e em vez dele acabou saindo um pequeno sorriso, que o olhar dele se desmanchou totalmente ao vê-lo.
Ele vai pensar que eu estou o cantando.
Desviei o olhar e voltei para o quarto, passando pela porta do banheiro como se ele não estivesse lá.
– Tudo bem, "Key"- Disse — Quanto tempo falta pra próxima cerimônia chata?
– Uma hora — Respondeu-me, seguindo-me de volta para o quarto — E meia se contarmos com o tempo do almoço.
– Almoço, estou com fome – Disse. Olhando para o chão, pude notar seus pés perto dos meus, evidenciando o fato dele estar de pé a minha frente.
– Você não vai arrumar as suas coisas no armário? — Perguntou-me.
– Eu já botei o principal antes da cerimônia. Só faltam, sei lá, cuecas — Percebi que o olhava e desviei o olhar imediatamente, buscando o chão. Senti uma mão em meu queixo, o puxando.
– Por que você evita olhar pra mim? — Ele disse, seus olhos penetrando os meus.
– É desconfortável — Fui sincero, ele me soltou e sentou-se na cama.
– Você realmente acha que se eu quisesse você, você ainda estaria vestido?! — Key revirou os olhos.
– É claro que sim! — Respondi, praticamente gritando, e me levantei da cama, irritado — Você acha que eu gosto de homens?
– Não, mas... — Ele sorriu malicioso — é bem óbvio que eu conseguiria te excitar.
Não pude conter uma cara de repulsa.
– Acho que não – Retruquei.
– Você verá — Ele disse.
– Não vou.
– Sim, você vai.
Ele se levantou e se debruçou sobre mim. Mordeu os lábios, pronto para atacar. Eu não estava o desafiando, mas não foi isso que ele entendeu, segurei seus ombros e o separei de mim, ainda com nojo. Ele continuava com o mesmo olhar malicioso "você vai ver".
Notas finais
Não se esqueça do meu review *chora*
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