Adaptação
30 Capítulo 30
- Acalme-se, Estela. — disse Caspian com um sussurro.
- Como posso me acalmar, Caspian? Com todos os absurdos que ouvi?
- Ersan pode estrapolar um pouco mas ainda é um bom conselheiro.
O tilintar dos talheres era quase insuportável no silêncio que se estabeleceu. Nenhuma palavra foi dita durante o almoço, nem mesmo entre os lordes. Às vezes, quando desviava minha atenção da refeição, encontrava olhares antipáticos pra cima de mim. Caspian nem percebeu o comportamento de seus conselheiros já que estava empenhado em se concentrar na comida, evitando olhar para todos, inclusive para mim.
Senti meu rosto queimar de vergonha e lágrimas brotarem dos meus olhos. Mas consegui segura-las até o fim do almoço, quando todos os presentes nos reverenciaram e saíram, os empregados para a cozinha e Caspian com os lordes para a câmara de reuniões. E então, quando estava completamente sozinha, naquela sala que agora me parecia melancólica e sombria, pude chorar em paz, sabendo que ninguém entraria alí sem minha permissão.
...
- Eu tenho duas maçãs, se eu dar uma de presente para Matia, — a gorotinha deu um sorriso enorme quando lhe entreguei a fruta — terei agora metade do que tinha quando comprei as maçãs. Ou seja, eu tenho...
- Um e meio?
- Muito bem, Lui.
- Eu nunca aprenderei frações! — disse um rapaz que estava sentado no canto da sala.
- É claro que vai! É apenas nosso primeira aula. Ainda vamos praticar muito.
- Majestade!
Um dos guardas pediu permissão para entrar na sala. Ao seu lado estava um fauno bem jovem, com meia dúzia de livros na mão e uma gaita pendurada no pescoço.
- O sr. Tamunis pediu uma audiência com Sua Majestade.
- Pode falar, meu querido.
- E... eu vim de umas das vilas narnianas mais próximas do castelo. Nosso professor está doente e incapaz de nos ensinar. Me escolheram para falar com a senhora e pedir para que... bem...
- Para que possa ensina-los?
- Sim, Majestade.
- Pois será uma grande honra.
- OH! Obrigado Majestade! Vou agora mesmo dar a notícia à vila!
- Por que não se junta a nós agora? Trouxe tantos livros. Gosta de ler?
- Sim, Majestade.
- Gostaria de compartilhar seus conhecimento conosco.
- Claro! Sobre o quê?
- Estamos estudando frações e passando por alguma dificuldade.
- Ficarei feliz em ajudar.
- Rui, querido, dê uma almofada para o sr. Tamunis. Aliás, qual é seu primeiro novo?
- Arn, senhora.
- Muito prazer, Arn.
Arn sentou-se timidamente ao lado de Rui. Ficou calado quase a tarde inteira. Talvez pelos olhares que alguns alunos lhe davam. Era o primeiro narniano primitivo na nossa classe, então não me espantei com a desconfiança das outras crianças. Só espero que com o tempo isso mude.
Notas finais
continuem lendo!!!
bjooo
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