Adam Mustang
1 Capítulo 1
Adam Mustang
O General Roy Mustang tinha voltado a duas semanas da missão que tivera em Cristálidas e matava as saudades de sua esposa.
-- Eu não agüento mais todas essas suas missões, Roy – Liza reclamou, aborrecida, encarando o marido debruçado sobre ela.
-- Nem eu também – Roy tornou a beijá-la e sentiu os braços da esposa envolvendo com força sua cintura.
-- Eu quase não agüento de tanta saudade e só de ver as crianças, parte meu coração como elas ficam tristinhas sem você aqui.
-- Eu sei, mas com toda essa reestruturação do Estado, passar todo o controle das mãos do Exército para um Parlamento vai ser um processo mais lento que eficaz.
Liza afagou os cabelos do marido, não gostava da intervenção que o exército tinha dentro de sua casa e odiava quando esse assunto invadia sua cama. Roy voltou a beijá-la avidamente. Os longos períodos separados tentavam ser compensados com grande paixão quando ele voltava.
-- Acho que sonhei com você todas as noites naquela cidade – ele sussurrou ao ouvido da esposa, enquanto beijava-lhe o pescoço, fazendo-a sorrir de felicidade e prazer.
Liza abraçou com mais força o marido. Com filhos pequenos, os momentos de intimidade do casal eram raros. E eles gostavam de aproveitar pra trocar carícias, beijos...
Eram forçados a ficarem tanto tempo longe um do outro que as últimas semanas tinham sido aproveitadas com voracidade e não diferente era aquela noite. Os dois agradeciam que não tinham sido interrompidos pelos filhos ou pelo cachorro e se amavam de forma intensa e apaixonada.
Os dois adormeceram abraçados como sentiam tanta falta de fazer. Roy envolvia o corpo da mulher em seus braços e ela, debruçada sobre o peito do marido, deslizava carinhosamente a mão sobre o braço protetor dele.
De manhã, ela desceu a cozinha pra preparar o café, enquanto ele foi acordar os filhos. Roy desceu carregando Alicia no colo e segurando um sonolento Edward pela mão. As duas crianças foram dar um beijo de bom dia na mãe e todo se sentaram para o café.
-- Tenho até medo de ir pro quartel, parece que cada vez que entro naquele lugar eu saio de lá com uma nova missão pra me tirar de casa mais uma vez.
-- Eu que o diga – Liza reclamou e ele sorriu.
Roy percebeu que o apetite da esposa estava diferente naquela manhã e logo lhe veio à mente a idéia de uma nova gravidez. Ele queria muito mais filhos, mas, não se lembrava de vê-la enjoada ao acordar, então descartou a possibilidade e se concentrou em ler o jornal que Black Hayate lhe trouxera.
Os dois levaram os filhos para a escola e foram juntos para o Quartel General, onde passavam o dia inteiro inundados de burocracias e pouca ação. O país começava a encontrar a paz e a calma depois de tantas guerras, por isso, não tinha muito a ser feito.
Apesar de descartar uma nova gravidez de Liza, Roy não deixava passar que ela estava se alimentando muito bem e que, de noite, na cama, ela parecia muito mais cheia de energia e desejo. Mas ele se lembrava muito bem que, nas gravidezes de Edward e Alicia, Liza sentia-se muito enjoada e tinha desejos muito fora de hora desde o primeiro mês. Então, passou a atribuir o imenso apetite à falta de preocupação, com o marido de volta e todo o desejo que ela sentia na cama, à saudade que os dois sentiram.
Quando acabou o segundo mês da volta de Roy, os dois passaram a conversar mais vezes sobre uma possível missão que se aproximava. O respeito ao General Mustang era evidente, como também era a confiança que tinham nele. Com o desaparecimento do Marechal King Bradley, boatos correram de que Mustang quase morrera para protegê-lo. E, apesar do poder não ser mais atribuído ao exército, o parlamento procurava muitas vezes a opinião de Mustang nas principais decisões.
-- Está chegando o aniversário da Alicia – ele comentou, quando Liza preparava o jantar.
-- Ela já lhe disse o que quer de presente?
-- Aquela casinha de bonecas... Nossa pequenininha está crescendo, Liz!
-- É verdade. Daqui a pouco, Eddy vai pra faculdade e a gente nem viu.
-- Sabe o que eu acho?
-- O quê?
-- Que já está na hora de você me dar mais filhos.
Liza sorriu e suas bochechas coraram levemente.
-- Eu estou tão feliz de tê-lo em casa, meu amor.
Roy se aproximou, abraçou a cintura da esposa e lhe deu um beijo no rosto. Liza virou-se nos braços dele, envolveu o pescoço do marido e os dois se beijaram. Ela continuava a procurá-lo todas as noites cheia de paixão, com o mesmo desejo de ter mais um filho.
O aniversário de Alicia se aproximava cada vez mais e Roy temia ser convocado para outra missão justo nessa data. Uma semana antes do dia 7 de abril, aniversário de sua princesinha, depois de terminado o expediente no quartel, Liza foi buscar os filhos na escola, enquanto Roy foi comprar o presente da filha.
Ele chegou em casa exausto e tratou de esconder o presente em cima do armário para que a esposa embrulhasse depois. As crianças corriam de um lado para o outro com Black Hayate no quintal e Roy encontrou Liza na cozinha.
-- O que está tomando? – ele perguntou, experimentando o líquido dourado no copo dela e fazendo uma careta. – Argh! O que é isso?
-- É suco de pêssego. Me deu uma vontade de tomar.
-- Que pêssego mais azedo! Gosta disso?
-- Não muito. É tão ruim assim?
-- Horrível!
-- Ah – ela disse sorrindo, surpresa. – Então, o bebê deve gostar – ela deu uma piscadela para o marido, que ficou atônito.
-- Be... Bê?
-- É, bebê – ela disse, acariciando a barriga.
-- Vo-você... Tem certeza? – ele perguntou, muito contente, ajoelhando-se diante dela e encostando o ouvido em sua barriga.
-- Tenho – ela segurou a cabeça dele junto ao corpo. – Estou grávida de dois meses.
-- Eu bem que suspeitava – ele se ergueu, segurou o rosto dela nas mãos e beijou com vontade sua boca, fazendo-a sorrir. – Mas eu não a vi enjoada, nem me acordando durante a noite com vontade de jabuticabas...
-- Acho que, como já é a terceira gravidez, já estou acostumada e os enjôos serão menos freqüentes. Eu ainda não tive nenhum desejo no meio da noite, mas tenho estado com uma fome...
-- Eu percebi – ele abraçou a esposa e sussurrou – como também percebi como você tem ido pra cama comigo...
As faces dela se ruborizaram.
-- Winry sempre me pergunta como eu consigo engravidar estando casada com um Alquimista Federal.
-- Há, há, há! Deixa só o Ed ficar sabendo! Se for menino então – ele acariciou a barriga de Liza – acho que ele vai até ficar doente! Há, há, há! Quem manda ser só meio homem, se fosse inteiro daria conta de seu serviço e de sua mulher!
-- Roy, não gosto quando você fala assim.
-- Ah, meu amor, você sabe que é brincadeira! – ele disse, lhe dando um beijo cheio de paixão. – Agora que eu não posso mesmo ser convocado pra outra missão, né?
-- Eu espero que não, General, quero que esteja aqui quando ele der o primeiro chute, quando der pra descobrir o sexo do bebê, quando eu tiver meu primeiro desejo maluco no meio da noite...
-- Ai – Roy gemeu preocupado. – Suas oscilações de humor...
-- Se eu já choro quando você viaja, imagina estando grávida?
-- Vamos torcer ara que eu esteja aqui.
-- Não deviam mandá-lo em missões quando sua esposa está grávida! Já não deviam mandá-lo tendo filhos pequenos...
-- O exército não entende muito de relacionamentos familiares...
Liza bufou, descontente.
-- Nunca imaginei que teria tanto ódio do exército!
-- Vamos manter o trato de que você escolherá o nome, se for outra menininha e eu escolho, se for menino? – ele desviou o assunto para afastar as preocupações da cabeça dela e a fez sorrir.
-- Está bem.
-- Que nome você escolherá, se for menina?
-- Eu gosto de Amélia, Júlia, Beatriz, Isabel, Katarina... Têm tantos. Mas eu me lembro que quando vi o rostinho da Alicia, sabia que era o único nome que combinava com ele! E você?
-- Eu? Deixa pensar... – Mustang segurou Liza com força em seus braços e um sorriso se abriu em seu rosto. – Gosto de Adam!
-- Você é sempre tão decidido! Nunca fica em dúvida entre um e outro, não é General?
-- É que combina com Mustang! – ele se abraçou a ela e lhe beijou a testa, depois, se ajoelhou e beijou sua barriga.
As crianças entraram correndo pela cozinha, atraídos pelo cheiro do jantar e se surpreenderam ao encontrar os pais daquele jeito. Alicia correu e pulou nos ombros do pai, perguntando:
-- Por que você ta beijando a barriga da mamãe, papai?
-- É porque ali dentro ta o seu novo irmãozinho!
-- É verdade? – Eddy se aproximou e encostou a mão na barriga da mãe, olhando-a interrogativo e al sorriu. – Que legal!
-- Que legal, né Eddy? – Roy pegou o filho. – Mais um amiguinho pra brincar! Mais um Mustang pra liderar o mundo!
Liza sorriu de toda algazarra, Alicia deu um beijo na barriga da mãe e puxou Black Hayate.
-- Diz oi pra meu irmãozinho, Black Hayate!
Fale com o autor