Adão e Eva, numa galáxia distante

2 Cap. 2. Encontro de Evita e Adão


Notas iniciais
E o tempo transcorreu, e enquanto Ana crescia no colo do papai, Evita cresceu nos braços de Adão. Eles passeavam nos parques dessa escola depois do almoço, num recreio de duas horas, beijavam-se sentados no meio dos jardins, cujos galhos os encobriam dos olhares dos outros colegas. Dentro das salas, estudavam rápido, eram os primeiros a terminar trabalhos, pesquisas, tarefas diárias, para sair correndo a namorar mais um pouquinho.

Encontro de Evita e Adão

A

primeira vez que Evita saiu de casa para a ir na “Escolinha infantil”, suas irmãs mais velhas já estavam no Ginasial. Nesse dia ela foi vestida com uma roupa branca até o chão, um laço cor de rosa na cintura, duas tranças encaracoladas sobre as orelhas, com outras fitas nos cabelos de forma artística, sandálias cor da pele enquanto suas bochechas ficavam coradas de emoção. Dina tomou-a no colo e entrou na garagem em busca do carro voador. Acenou para João com a mão, que estava no quintal da casa catando morangos com Aninha, e subiu lentamente no ar buscando uma vaga. Encontrou espaço aéreo a 45 metros de altura e começou a navegar olhando para os carros que cruzavam com ela, pois suas melhores amigas estavam saindo de casa pelos mesmos motivos. Acenou para várias delas e voou rumo ao mato fechado.

Enquanto Dina procurava esse novo edifício, recém-construído por Estagiários do “Planeta I do Sistema BETA”, outro se encostou nela. Evita olhou curiosa pela janela alongando o pescoço e depois falou para sua mãe:

— Esse guri está enviando-me beijos com a mão, mãe...

Imediatamente, Dina sorriu e fez contato telepático com o conquistador. Depois, falou para a mãe dele:

— Oi, amiga desconhecida... Seu filho está seduzindo minha menina... Como é que ele já sabe telepatia?

— Oi, Dina... Você não me conhece, mas eu sou uma grande admiradora sua... Você tem uma bela voz... Este aqui é meu filho Adão, o maior telepático de Atalanta. Imagine que fala com o cavalo dele desde que o bicho nasceu... E sua menina, é esperta em alguma coisa?

— Nem saberia dizer, amiga... Ela faz desaparecer tudo em casa, desde os três meses de idade... Sou a mulher que mais troca de pratos, garrafas, é uma calamidade geral...

— Então eu acho que esta dupla vai incomodar bastante esses professores...

— Também acho...

E ambas começaram a gargalhar. Depois continuaram a se falar:

— Me ligue, Dina, meu número de telepatia é 78. Eu gostaria muito fazer amizade com você e sua família...

— Vou ligar, pode crer... Também vou enviar-lhe nosso último disco musical...

— Eu vou adorar, obrigada, viu...

Depois se separaram, pois a escola apareceu na frente. Evita olhou para Adão mais uma vez e sorriu-lhe. Ele imediatamente enviou-lhe mais um beijo com a mão.

A grande “Escolinha infantil” erguia-se no centro de um bosque nativo exuberante.

Na entrada, um aeródromo de oito andares recebia os carros que pousavam lentamente. As crianças desciam numa plataforma gigante e embarcavam num carrinho pequeno bem colorido, conduzido por um robô vestido de bufão. Depois saíam desse aeródromo descendo em círculos até chegar à terra firme. O carrinho entrava então em meio a jardins encantados, onde havia jaulas com cobras gigantescas e coloridas, leões de juba vermelha e panteras de cinco cores diferentes. Todos esses animais selvagens viviam longe dos homens e eram trazidos para que os meninos os conhecessem nas aulas de zoologia.

Soltos em meio a tudo isso, perambulavam os bichos domesticados como cachorros, gatos, cavalos pequenos, tartarugas gigantes e o querido “fofolete”, um manso animal peludo, com uma tromba atrofiada, orelhas grandes que balançavam ao correr e que faziam a delícia da garotada. Nessa escola, havia uns 54 fofoletes entre machos, fêmeas e filhotes. Também se viam gambás fedorentos, macacos em galhos altos, serpentes enroscadas em árvores frondosas, ratos, gansos, avestruzes, galinhas de 6 cores, coelhinhos e milhares de passarinhos.

Finalmente, chegava-se ao Aquário-piscina, que era tão grande, mas tão grande, que mais parecia um lago no meio do bosque. Entre as jaulas e a piscina, estava a Escola, de um andar, com salas de música, dança, teatro, pintura, modelagem, costura, tecelagem, que eram as matérias principais. Em seguida, estavam os laboratórios de química, de mecânica, de botânica, física, todas de vidro transparente. No centro de tudo isso, havia o refeitório, para as crianças comerem quatro vezes ao dia.

Os horários para estudar eram muito flexíveis.

Os meninos eram convidados para os laboratórios de pesquisas com argumentos interessantes, mas o rapaz entrava se o fizesse por vontade própria. As crianças que não mostravam interesse pelo conhecimento, sabedoria e sapiência, eram incentivadas para as aulas artísticas, artesanais e para as práticas de esportes. Quem não gostava de estudar nada, era convidado para fazer passeios, escalar montanhas, acampar no mato, enfim. Poder-se-ia dizer que nesse mundo todas as crianças eram levadas a Escolinha para estudar, mas aprenderiam o que elas quisessem.

Quem decidiu o destino e o futuro de Evita foi Adão.

Ela entrou nessa Escola com Adão sentado ao seu lado, falando-lhe sem parar. Em pouco tempo, ela conhecia os nomes de toda sua família, o que Adão mais gostava de comer e de fazer, o nome de seu cavalo branco e sabia também que ele nunca se havia interessado por nenhuma outra guria.

Quando desceram do carrinho, um professor chegou a dar-lhes as boas-vindas e convidá-los a conhecer o laboratório de idiomas. Eva entrou no recinto olhando para um mural de 5 metros, maravilhoso, com cenas de crianças, anjinhos e bichinhos. Adão olhou junto e sorriu-lhe, enquanto colocava seu braço na cintura dela com delicadeza. Depois caminharam atrás dos novos amigos, sempre abraçados, para conhecer outro mestre, que os recebeu falando em grego, o idioma mais difícil daquela escola.

Mas, Adão e Evita não entraram nas salas naquele dia.

Eles foram interrompidos no meio do caminho e convidados a conhecer o Diretor Geral da Escolinha. Eles coraram de vergonha imediatamente, enquanto o resto da gurizada zombava sem pena, todos pensando que iam receber uma bronca por causa da paquera de Adão.

Na grande sala, o Diretor abraçou-os emocionado.

Fê-los sentar e lhes disse que a telepatia só era ensinada em Atalanta na Universidade, mas, que desta vez iriam fazer uma exceção. Depois lhes disse que em Atalanta, um “gênio” nascia a cada 100.000 homens, e que cada vez que eles apareciam, essa Escola era honrada pelo acontecimento. Acrescentou dizendo que um gênio tinha grandes responsabilidades frente à vida, portanto iriam às aulas com os amigos durante o período da manhã e nas tardes para aulas especiais, onde desenvolveriam suas aptidões.

E o tormento de Evita começou.

Adão dominava a telepatia em 10 ondas diferentes, enquanto ela tentava aprender a primeira onda, com dificuldades, frente a um mestre que falava com os dois, com o Diretor dessa Escola e com o Grande Sacerdote Estelar de Atalanta, ao mesmo tempo, como um mágico das vozes ocultas.

Após 10 dias de exercícios diários, Evita escutou um barulho por cima da orelha direita como o zumbido de um mosquito. Lentamente, concentrou a mente na sua mãe Dina, na onda 3, em cuja frequência os pais falavam com seus filhos e depois Evita pensou em seu pai. Adão, chateado com a invasão familiar na cabeça de sua amada, esperou com paciência que eles sumissem do cérebro dela, e quando isso aconteceu, imediatamente pediu-a para namorar. Evita, corada de vergonha, pois ambos estavam frente ao professor, que ouvia falar até as moscas de Atalanta, ficou sem discurso, tanto oral e muito mais da cabeça. O mestre sorrindo disse-lhe:

—Diga sim, meu anjo... Eu preciso que ele estude e você o perturba demais...

Adão sorriu para ela, e depois do “sim” se levantou para dar-lhe o primeiro beijo dessa vida. O mestre lhes deu folga, pois Adão perdera imediatamente todos os poderes mentais, e caminhando de mãos dadas foram passear perto das jaulas onde estavam as onças.

Depois de aprovarem essas aulas de telepatia, Adão e Evita tiveram preparação em níveis diferenciados, conforme o talento de cada um. Enquanto Evita era levada para o estudo avançado das artes em todas suas formas, cujas matérias eram Tecelagem, Cerâmica, Pintura, Trabalhos em Metal, Crochê e Tricô, Adão estudou idiomas e dialetos de todos os Mundos civilizados de “A” até “Z” do Sistema BETA. Também inventou escrituras para alguns dialetos com símbolos simples, e foi um exímio matemático, biólogo e veterinário, especializando-se em parto de feras selvagens.

Quando Adão atendeu seu primeiro parto, chamou Evita com telepatia imediatamente. Ela saiu do ateliê de Cerâmica correndo, cruzou os jardins, e encontrou Adão dentro da jaula das panteras negras. Adão hipnotizou a pantera fêmea com um toque na testa, enquanto Evita entrava sem fazer barulho e sentava ao seu lado com o coração palpitando de emoção. Adão, suando muito, enfiou a mão entre as pernas do bicho, abriu caminho lentamente e pegou as pernas do filhote com firmeza. Puxou-o lentamente, desintegrou-lhe a placenta com um piscar de olhos e o colocou nos braços de Evita, que olhava tudo com lágrimas nos olhos e uma toalha úmida para limpar o recém-nascido. Depois enfiou novamente o braço para puxar o outro filhote, tão negro quanto a mãe dele, e ele mesmo fez a limpeza, e ajudou-o a ficar em pé.

Dali em diante, Evita passava mais tempo fazendo carinho às duas panteras que estudando Arte. Todas as tardes, Adão hipnotizava a mãe deles, abria a jaula, colocavam-lhes duas coleiras e saíam pelos jardins a passear com os filhotes. Sentavam no meio do mato e brincavam com os bichos tardes inteiras.

Quando todas as panteras foram devolvidas para a floresta, João falou telepaticamente para o Diretor dessa Escola. Explicou que ele tinha em casa uma jaula pronta para levar os dois filhotes, pois Evita havia chorado a noite toda pensando nos bichos. O Diretor riu com ele e falou-lhe que as panteras não precisavam nada disso, pois estavam completamente domesticadas e podia levá-las quando quisesse.

Em casa, Evita dormia com os filhotes deitados numa almofada dentro de seu quarto, e de manhã saía com elas a correr, rindo, até que Dina a chamava aos berros para subir no carro aéreo. Suas panteras foram também a sensação de todas as festas em família. Ela as fazia sentar e dar a mão para as visitas, dar cambalhotas no chão e grunhir com música clássica. Evita falava que elas estavam cantando, é claro.

E o tempo transcorreu, e enquanto Ana crescia no colo do papai, Evita cresceu nos braços de Adão. Eles passeavam nos parques dessa escola depois do almoço, num recreio de duas horas, beijavam-se sentados no meio dos jardins, cujos galhos os encobriam dos olhares dos outros colegas. Dentro das salas, estudavam rápido, eram os primeiros a terminar trabalhos, pesquisas, tarefas diárias, para sair correndo a namorar mais um pouquinho.

Dina, João e os pais de Adão terminaram fazendo uma grande amizade, visitando-se aos fins de semana, para permitir que os meninos ficassem juntos, pois eles geralmente estudavam e liam livros volumosos. Evita tinha em casa uma coleção de livros de arte, e Adão de todo um pouco, dicionários, em 50 línguas diferentes, livros de História Universal, pois era fanático em histórias de povos não civilizados.

Depois de cinco anos, Evita e Adão se formaram naquela Escola Infantil.

Adão ganhou medalha de ouro em Idiomas, Biologia e Partos em feras selvagens. Evita ganhou medalhas de ouro em Pintura, Escultura e Artes Culinárias. Depois da cerimônia de formatura, João convidou toda a família de Adão para uma festa improvisada na sua casa.

Notas finais
Quando as almas gêmeas se encontram, não é necessário apresentação. As lembranças de vidas anteriores brota na alma e na mente, e o amor reascende como chama ardente. E a união eterna se realiza de novo, e de novo, vida após vida, pelo infinito da existência.