Adão e Eva, e os filhos de Agarta. Primeira parte
2 Cap. 2. Os Deuses robôs
Notas iniciais
Na Península de Iucatã, em cujo lugar se levantava a cidade de Lemúria, o dia começava com o serviço organizado de todos os homens. Eles saíam cedo de Atlântida nos carros voadores, e se organizavam para o serviço do dia a dia. Engenheiros examinavam as obras, artistas reiniciavam as esculturas, pintores davam seu toque, mas, o trabalho pesado eram tarefas exclusivas dos robôs, cujo esforço permitia que nada faltasse aos construtores. Eles levantavam pedras gigantescas, ou, traziam da selva árvores colossais nas costas. Os robôs também passaram a cultivar frutos e verduras ao redor da cidade, entre as árvores nativas, com canteiros que serpenteavam entre o mato. Faziam as colheitas, moíam os grãos para fazer a farinhas e as bebidas, no interior de galpões, os quais se encontravam junto a essas lavouras.
E quem cuidava dos robôs eram os humanos.
A cada 120 dias eram desativados, deitados frente aos Raios “X” para exame geral, e nas suas veias artificiais era colocada uma injeção aquosa, que os alimentava por mais 120 dias. Tanto em Atlântida, quanto em Lemúria, os robôs trabalhavam com dedicação, e os homens vindos das estrelas cuidavam deles com o mesmo zelo.
O corpo dos robôs era modelado com músculos, de um material macio, e possuíam um esqueleto que lhes permitia os movimentos naturais. As veias os lubrificavam, alimentavam, e lhes davam energias para o trabalho físico e mental. Havia os robôs faxineiros, agricultores, cozinheiros, enfermeiros, pilotos, e os construtores.
Num começo “os maias”, nativos da Península de Iucatã, fugiam desses robôs, amedrontados pelo seu tamanho de 2 metros de altura. Mas, com o passar do tempo olhavam para eles incrédulos, por causa do lavrado ininterrupto. Quando Lemúria ficava sozinha durante as noites, os robôs continuavam trabalhando na construção da cidade, ou nos galpões moendo grãos, pois eles possuíam visão noturna. Como os robôs falavam o dialeto aborígine e respondiam com educação, os índios passaram a respeitá-los e venerá-los como homens sobre-humanos.
Com o passar do tempo, havia os indígenas que se ajoelhavam na frente deles, levando oferendas de comidas, bebidas e ouro, e teve também o fato engraçado de algumas índias terem tentado ter filhos deles. Uma noite, três índias rodearam um robô de cabelos loiros e olhos azuis, tiraram suas roupas, e ele, que adivinhava o pensamento humano, beijou-as, e com as mãos gigantes as fizeram sentir momentos deliciosos.
E depois dessa noite erótica, os robôs nunca mais tiveram sossego.
Durante o dia, ajudavam a levantar a cidade de Lemúria carregando vigas e montando os edifícios um a um, e depois do pôr do Sol, quando os homens voltavam para Atlântida, eles eram rodeados pelas índias, pois os próprios maridos as levavam aos “Deuses” para gerar filhos fortes e super-homens. Deuses que geravam filhos através das mãos. Era o que as mulheres falavam em roda de amigas.
O fato pouco a pouco foi descoberto, numa fofoca que correu as duas cidades como um raio. Adão e Abel nem sabiam o que fazer com essa ânsia dos índios de terem filhos loiros. E para tomar uma medida inteligente, realizou-se uma reunião em Atlântida com todos os homens.
Os médicos lemurianos falaram que inseminar as primitivas era fácil, bastava apanhar espermatozoides de um homem charmoso, e colocar no útero das mulheres. Mas, ninguém em Atlântida queria doar seu sêmen, e ver um filho crescer dentro de uma maloca imunda. Agora, mudar o DNA das índias era também uma alternativa possível. Uma injeção na coluna, com o código genético apropriado, mudaria a cor dos cabelos e dos olhos dos recém-nascidos.
E após longos debates, Adão aprovou essa cirurgia, e foi colocado um membro entre as pernas dos robôs. Pequeno. Instruíram todos os robôs nessa intervenção médica, pois a injeção com esse código genético deveria ser introduzida na coluna, na altura do pescoço, diretamente na medula.
E desta vez, os robôs se transformaram também nos melhores amantes do mundo. Em pé, atracavam as mulheres até desmaiarem. Davam-lhes muito prazer e assim que dormiam lhes faziam a cirurgia na coluna.
Depois de passados 9 meses, muitas índias geraram meninos de cabelos claros, olhos coloridos, formando a primeira tribo de homens brancos. Os maias, o povo que mais se beneficiou com a nova beleza humana, tornou-se famoso na América pela sua formosura.
E enquanto os índios de olhos translúcidos da América surgiam, em Atlântida, nasceram ao mesmo tempo, os primeiros filhos dos homens vindos do espaço. Abrolharam crianças de ambos os sexos, com os cabelos mais loucos. Havia os de cabelos brancos de tão loiros, e os cabelos castanhos, encaracolados, lisos, todos eles de pele branca como a neve.
Durante esse primeiro ano na Terra, os primeiros livros também começaram a brotar de mãos prodigiosas, colocados nas estantes da biblioteca, apontando dados importantes. Fernando acrescentou documentários de todas as tribos, que os homens viam através da televisão dentro de casa. Tanto nos livros quanto nos filmes se analisavam as migrações na terra junto às diferentes etnias. Existiam os povos nômades e os agricultores, as aldeias das neves, os silvícolas do mato, as tribos do deserto, enfim.
As tribos mais bárbaras do mundo estavam na Mongólia, outras no norte de Europa, e nas planícies Siberianas. Adão proibiu visitá-los. Já as tribos europeias, que moravam ao redor do Mar Mediterrâneo, começaram a receber a visita de homens e mulheres lindas, que os ensinaram a fazer cumbucas de argila, a semear a terra, construir casa em sistema de palafitas. Os aborígenes aprenderam também a defecar longe das moradias e dos cultivos, a utilizar o estrume dos bois como nutriente, a beber o leite das vacas, das cabras, a comer os ovos das aves, e a entrar na monogamia. E enquanto esse trabalho acontecia, Lemúria ficava pronta. Metade da cidade de Atlântida mudou-se para a superfície e instalou-se nos apartamentos em cujo lugar se podia ver o mato e escutar o som da mãe natureza.
Lemúria fora planejada em forma de uma enorme ave voando, com as asas abertas, como um albatroz que cruza os oceanos. No centro dela, no lugar do coração desse pássaro, foi levantado um ginásio esportivo de três andares. No lugar da cabeça, foi edificada a Biblioteca com 20.000 volumes escritos em Latim e Grego, e nas asas do pássaro foram erguidas as salas de Alfabetização, Tecelagem, Agricultura, Biologia, Escultura, Música, e Matemática. No corpo da ave, edificaram-se as casas onde os alunos viveriam durante todos os anos que estudariam nessa Escola, e na cauda ergueram-se os edifícios de 4 andares para os alienígenas que morariam neles.
Adão preferiu ficar em Atlântida. Ele saía apenas para reuniões com os professores que principiaram a ensinar a todas as crianças e adolescentes da América Central, que havia perdido o medo dos estranhos. As aulas de Alfabetização começaram em salas cujas janelas gigantes permitiam ver o mato através dos vidros. Os maias aprenderam a escrever seu próprio dialeto através de desenhos, como num jogo, desenhando com pincéis sobre couro, pintando no chão, nos morros, num divertimento que estava apenas começando. Com passar do tempo, eles escreviam biografias, ou lendas do passado, que haviam cruzado os milênios de boca em boca. Essas histórias foram acrescentadas às Bibliotecas da Escola, e esses escritos se transformaram em algo tão sagrado quanto a própria vida de todos os homens.
E foi no meio dessas tarefas, que Caim chegou a fazer uma visita a seu pai Adão, numa viagem surpresa, acompanhado de seu filho e sua esposa Délia. Eles aterrissaram na Lua, deixando a nave interespacial sobre a superfície branca e fria, e baixaram para a Terra num pequeno avião de passeio.
Caim foi abraçado por Eva, Adão, Amon-rá e Inês, ao mesmo tempo, formando um amontoado de gente emocionada e chorona. Depois, percorreram as ruas de Lemúria, rodeados de indígenas curiosos.
Tarde da noite, Adão os levou até Atlântida, para um convívio em família.
E foi essa a primeira vez também que Eva preparou um festão, como fazia sua mãe em Atalanta. Pediu ajuda à Mônica e à Isabela, esposa de Abel, para organizar o banquete. Eva preparou tortas de panquecas coloridas, enroladas, com um palito ao meio, Mônica fez sanduíches enfeitados com arte, Isabela fez saladas de azeitonas, ovos de codorna, cebolas, e um pouco de tudo que encontrou nos supermercados. Depositaram em pratos de porcelana, para degustar com a mão. Colocaram mesas no jardim do terraço, e receberam todos os amigos que conseguiram entrar nessa plataforma. Amon-rá e Inês levaram o sobrinho, filho de Caim, para conhecer suas suítes e brinquedos, enquanto Caim e sua esposa Délia conheciam os amigos de Adão. Caim cantou uma canção com uma voz de tenor alto. Amigas de Eva entoaram melodias mais românticas alegrando o encontro. Ao raiar do Sol, enquanto os amigos regressavam para casa, pai e filho falaram sobre assuntos mais sérios, deitados em cadeiras de repouso, na beira da piscina:
— Estou a caminho de “W de BETA”, pai... Devo selecionar crianças como Inês e levá-las num comboio para o mundo do tio Nestor. Algum conselho para a missão, pai?
— Vidro de Calcionita, filho... Com ele pode selecionar os moleques numa distância de mil metros de altura. Nem todos os meninos desse mundo são inocentes. Tem garotos que já matam com 8 anos...
— Estou arrepiado, pai! Está para cair tanta neve naquele mundo, que vão morrer todos os homens. Só vão sobrar os bichos do mar, e as árvores de raízes fortes... Aliás, vou chegar no começo do frio infernal... A temperatura vai descer pouco a pouco, até ficar tudo convertido numa Geleira gigante...
— Pois aqui já houve várias Glaciações, filho... Descobriram-se civilizações soterradas, em toda parte... Mas os homens sempre escaparam de alguma maneira... Imagine, filho, que tem um povo que vive no Polo Norte, acredite... Eles resistem fazendo buracos no gelo grosso, para pescar. E as casas, filho, são todas construídas com blocos de geada. Eu nunca imaginei tamanha inteligência para sobreviver...
— Deve ser o instinto do macaco, pai...
— Também acho...
Nos dias seguintes, Caim ficou ao lado de Adão, percorrendo a cidade de Lemúria, centímetro a centímetro. Como havia poucos alunos, as salas de esportes ainda estavam vazias e nos laboratórios só havia robôs, ao lado de pesquisadores, em frente aos microscópios estudando a bicharada miúda. Caim examinou o sismógrafo subterrâneo, que estudava as camadas mais instáveis da Terra e teve um arrepio! Nas profundezas, as placas tectônicas mexiam a todo instante.
— Este lugar pode sumir a qualquer momento, pai!
— Sabemos disso, filho! Aliás, todo este continente é cheio de problemas. Há terremotos, maremotos, erupções de vulcão, e no resto do mundo é bem parecido. Abel tem em mente construir 8 cidades subterrâneas em cujo lugar os índios vão viver protegidos. Se falharmos na superfície, a cultura sobreviverá embaixo da Terra. O que acha?
— Excelente, pai!
— Agora que estou aqui, vejo que tudo vai dar certo, filho! No futuro deste mundo, haverá 5 mil anos de mortes, guerras, fome e pestes, mas a coragem dos homens bons um dia triunfará... E eu vou estar aqui para ver isso em pessoa...
—Você não vai viver esse tempo todo, pai... Neste planeta se morre jovem. Máximo uns 1.200 anos.
—Mas, vamos reencarnar... Também pedi para Abel cabines de hibernação na Estação Lunar. De tempos em tempos, sua mãe e eu vamos dormir uns 500 anos, para acompanhar a evolução dos homens.
—Minha mãe já sabe disso?
—Sabe! A menos que “00” nos envie para outro lugar, vamos ver a chegada do sexto milênio desta terra.
— O que acha de eu ficar com Nestor no planeta “V de BETA”, pai? Poderia fazer alguma coisa parecida com as crianças de “W”. Construir uma Escola como esta, educá-los, e um dia morrer velho, como um primitivo.
—Ótimo. Em ALPHA, você vai atrás do papai, para nascer novamente como meu primogênito...
—Vamos para onde, pai?
—Conhecendo “00” como o conheço, acho que vamos reencarnar no mundo mais primitivo daquele Sistema. Pode crer, filho.
—Isso dá ser gênio!
Caim ficou longo tempo na Terra com Adão, viajando em carro de passeio, olhando para as montanhas do Himalaia, para as quebradas da América, as selvas da África, e um dia desceram na tribo do Koisans para conhecer os homens mais antigos da terra. Adão falava que os Reis dos Koisans eram seus verdadeiros pais da Pré-história. Era nessa tribo que uma vez ele nascera pela primeira vez como um homem, se apaixonara por Eva, e tiveram 10 filhos. Caim se emocionou. Imaginou-se um guri nu, entre esse mato selvagem, saindo para caçar ao lado do pai. Adão falou-lhe:
— Éramos vegetarianos, filho. A caça é recente. Faz pouco tempo que os homens se apaixonaram pela carne. Isso deve ter começado durante a última glaciação.
— É que isto aqui é o paraíso da bicharada. Dá para sobreviver até comendo baratas...
— E eles ainda comem. Há lesmas que os índios tiram de troncos e as comem ainda vivas...
— Nossa!
E começaram a gargalhar.
Assim que saíram da nave, os homens os rodearam, e caminharam atropeladamente para a tribo. Assim chegando, Delia entrou numa dança com Eva e Inês, rebolando e rindo quais crianças, em meio de um mundaréu de nativas, que levantavam pó em redor.
E o tempo rolou sempre igual.
A festa de despedida de Caim aconteceu no Ginásio esportivo de Lemúria, onde comeram, beberam, dançaram e cantaram durante toda a noite. Mônica filmou essa festa do começo ao fim, Adão e Eva falaram frente às câmaras uma mensagem para Nestor, e Amon-rá falou outro discurso para seus primos. Também Noemi, que nascera em esse planeta, falou para as pessoas que a vieram nascer. Afinal, ela já não era mais um bebezinho. Era uma pequena guria cheia de encantos.
Quando a luz do Sol começou a raiar no horizonte, Caim subiu na sua nave e partiu.
Ficaram na terra Adão e Eva, emocionados, pois haviam reencontrado o primeiro filho, mas que as encarnações em outros mundos os separaram durante milênios. Caim era alienígena de outro planeta distante nesta vida. Nascera no mundo de Abel. Era um lemuriano reencontrado por Adão ao acaso, durante essa missão.
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