Notas iniciais
Quando Jesus e Paulo começaram seus estudos de veterinária, entraram com curiosidade na mata para estudar os “sons” da bicharada. Ficaram tão empolgados, que pegaram um gravador do Lixeiro, e principiaram a catalogar os sons. Gravavam, comparavam, e escreviam com escalas musicais em cadernos. Cada nota era diferente entre uma espécie e outra. Em visita na casa de Dina, avaliaram os sons dos sereios. Eram bem parecidos com o som dos golfinhos marinhos. Examinaram suas cordas vocais, e Malaqui, namorada de Jesus, tentou ensinar-lhes a falar a letra “O”.

Quando Amon-rá fez doze anos de idade, numa festa de aniversário gigantesca, Nestor lhe trouxe de presente um casal de pôneis. Haviam chegado à Lua, congelados numa cápsula espacial, quase mortos de fome, de um mundo em extinção. Ele se abraçou no cavalinho, e depois chorou tanto, mais tanto, que Nestor não entendia mais nada.

— O que foi, sobrinho? Eles estão magrinhos, mas eu vou cuidar para que fiquem bem fortes...

— Ele é meu pônei! Eu o abandonei na Terra depois do terremoto de Atlântida! E o coitadinho ficou me procurando, tio...

— Nossa! Então pare de chorar, vamos colocá-lo na mesa, ao seu lado, está bem? Vamos, tem que apagar as velas e cortar o bolo...

— Tio, eu nunca vou sabe o que fazer para lhe agradecer...

— Estude bastante, só isso. Pode ser veterinário e cuidar de manadas de cavalinhos, de cavalos e de unicórnios...

Depois desse dia, Amon-rá voltava da Escola correndo a cavalo pelo mato para ver seus pôneis. Como Adão lhes construiu uma estalagem especial, eles dormiam a maior parte do tempo. Amon-rá beijava-os, passava pentes para ter pelos sadios, dava-lhes de comer na boca, e lhes contava que estava apaixonado da guria mais linda de “Z”. Era tão linda, mas tão linda, que tinha medo de se declarar e ser desprezado.

Um dia, o cavalo finalmente respondeu-lhe, telepaticamente:

— Convida-a para conhecer a gruta das borboletas! Era para lá que teu pai levava tua mãe quando voltavam da Escola...

E Adão teve que fazer um mapa, para um pirralho que jurava morrer de amor se a Noemi se apaixonasse por outro guri.

Durante as aulas do dia seguinte, Amon-rá mostrava para Noemi um mapa, onde o céu da caverna era azul brilhante, e o chão vermelho. Dizia que a cor era porque havia tantas borboletas, que voavam iluminando tudo com suas cores brilhantes.

No fim das aulas, cada um no seu cavalo, eles se distanciaram da turma, e chegavam ao lugar. Milhões de borboletinhas encantadas, como fadinhas pequeninas, voavam em redor deles, pousando no rosto, no corpo, numa caverna que possuía águas termais e areias douradas em redor, e uma luz natural que entrava de bocas abertas nas rochas. Noemi deu-lhe um beijo no rosto, sorrindo. A seguir, ele deu-lhe outro, rindo juntos. Depois grudaram as bocas, no primeiro beijo da vida deles. Sem falar nada, pois os corações deles batiam tanto que dava para ouvir. Com a garganta trancada pela paixão, ele falou:

— Quer ser minha esposa, nesta vida, e em todas as futuras encarnações que vamos viver?

— Quero, mas ainda somos muito jovens...

—Mas agora vai ser minha noiva. E nenhum, escutou bem, nenhum rapaz pode sequer chegar a um metro de você!

— E você? Eu vi uma loira olhando para você hoje...

— Mas que loira? A única que conheço é minha irmãzinha Diana...

— Sua irmã? Mas você é moreno...

— E o Peter? Ele também é meu irmão e tem cabelos quase brancos...

— Quantos irmãos você tem?

— Doze! E você?

— Apenas um, e ele está apaixonado pela Nohiki...

— Mas ela é ainda um bebezinho...

— E meu irmãozinho também é! E não fale nada para ninguém! Se não, já sabe, levam meu irmãozinho para a Lua para cortar os seus coquinhos...

— Mas que ideia maluca! Meus irmãos Caim e os trigêmeos foram levados para Lua, mas só fizeram um corte bem pequenino. Meu pai disse que é por causa da paternidade responsável! Meu pai também foi levado para Lua. Para engravidar minha mãe, pediu ao unicórnio que desse uma patada bem forte entre as pernas. Depois disso, minha mãe ficou prenhe e eles foram castigados, obrigados a casar, e a construir uma mansão...

— Engravidaram de propósito?

— Sim! E eu não entendo por quê...

— Eu também não! Para que a pressa? Podemos esperar casar para ter nossos filhos?

— Mas é claro! E depois de casados, vamos ter filhos quando muito velhos... Como meu irmão Caim... Ele disse que ser casado e viver sozinho no mato com a esposa é o maior prêmio que “00” pode dar ao homem...

Voltaram pelo bosque num mesmo cavalo, aos beijos, pois a vida deles seria só de beijos dentro e fora da Escolinha. Como ambos eram púberes, quase adolescentes, o namoro deles foi considerado normal. Portanto, Amon-rá jamais foi questionado pelos professores, e muito menos pelo seu pai.

Enquanto os anos se passavam e Amon-rá respeitava sua noiva, por causa da paternidade responsável, Inês e Rama perderam a virgindade boca com boca, com tanta afobação, como se o mundo fosse acabar. Rama, que nascera com um fogo ainda maior, entrou pelo caminho errado, e engravidou Inês imediatamente. Ela apenas menstruara uma única vez.

Eva viu a barriga de Inês crescendo, e ficou assombrada, pois Inês jamais falara que estava apaixonada por ninguém. Depois que Inês caiu chorando nos seus braços Eva nem sabia o que lhe falar. Inês soluçava, e gritava que iam ser castigados. Deixaria os estudos, Rama construiria uma casa, teriam que lavar fraldas, cozinhar, e cuidar do filho como mandava a paternidade responsável. Além disso, os pais de Rama deram-lhe castigo, pois estavam envergonhados, sem saber como ir falar com Adão, sobre a tamanha irresponsabilidade de seu filho.

Eva se lembrou dela mesma, e da bronca de Adônis sobre Adão. Começou a rir. Abraçou forte sua menina, pois ela era a mais parecida com ela mesma. Derretia-se de paixão pelo seu homem e fazia todas as bondades dele. Acariciou-a com doçura e falou-lhe:

— Mas, minha querida, ter filhos é uma bênção, não um castigo... Se acalme, que com certeza seu pai vai ajudar a fazer essa casa... E seus irmãozinhos também... Eles vão adorar saber que vão ser titios...

Na hora do jantar, Eva deu a notícia para todos, que seria avó cedo, mas ela ia ficar feliz com seu netinho. Inês, de olhos vermelhos de tanto chorar, levantou o rosto, como quem está para ser depreciada em frente de um júri. Imediatamente Nestor falou:

— Sobrinha, eu vou dar minha casa para você como presente de casamento! Com Ana vamos para umas Ilhas, com barraca, por uns cinco anos. Quando eu voltar, Adão nos empresta a suíte de Caim... Que tal?

Sílvio falou na hora:

— Puxa, tio, eu achava que era seu sobrinho predileto. Se eu soubesse, já teria casado com Areti... Ela já está sangrando faz um tempão...

Diana imediatamente falou:

— Mas que turma de vagabundos! Meu noivo Aruma já está colecionando pedras para meu castelo! Daqui a cinco anos, ele vai ser o primeiro castelo de pedra, e eu vou viver olhando para as copas das árvores...

Jesus perguntou:

— Como pretende subir as pedras uma acima da outra?

Amon-rá respondeu na hora:

— Isso é fácil! Constrói-se uma rampa longa, se puxa cada pedra com cordas, até chegar ao topo...

Jesus voltou a falar:

— Em construção não se ensina nada disso! Eles as sobem com guindastes, até uma altura máxima de três metros... No segundo andar se continua para cima com madeiras, ou tijolos...

Eva os interrompeu, pois, essas aleivosias não terminavam nunca.

— Hein, filhos, esqueceram que a conversa era sobre o casamento de Inês? Ah? Vamos ter que receber o noivo, para conhecê-lo, depois vamos receber a família do noivo, e vão ter que se comportar. Nada de piadas.

Amon-rá se sentiu ofendido:

— Nós somos malcomportados? Diz-me, pai, nós somos mal-educados?

— Não é isso, filho! É que neste mundo as pessoas são mais pacatas do que nós... Só de ver os unicórnios sentados perto de casa vai assustá-los...

Paulo ponderou:

— Vou ter que colocar o gambá para dormir fora de casa...

Depois foi tudo alegria.

Começaram a rir da Inês, que nunca fizera sequer um pão, e apostavam que como cozinheira, havia herdado o talento de Adão. Depois se lembravam do bolo de morangos, todo torto, com a massa pesada, dura, e gargalharam mais ainda.

Inês nunca mais foi para o Ginasial e Eva começou a ensiná-la a fazer pão, bolos, bolachas, sopas de verduras, costurar roupas para bebê, enquanto Rama fazia uma cama nova, com ajuda de seu pai, toda de madeiras entalhadas, e seis cadeiras de balanço, para tomar Sol na beira da piscina. Carregaram tudo na carruagem puxada com cavalos, e instalaram a cama na casinha pequena, e as cadeiras embaixo das parreiras. Também Inês trocou as cortinas da casa, e Eva deu-lhe uma toalha de mesa, toda tricotada a mão, um berço para bebê junto ao curral de bebê, muito útil, para que o menino não se perdesse fora de casa.

E a grande festa do casamento aconteceu.

Como Rama tinha uma família numerosa, a mansão lotou de gente. Os noivos assinaram os livros de casamento, frente ao Prefeito Alain, fizeram a promessa de fidelidade mútua, de cuidar dos filhos com responsabilidade até o dia que tivessem idade adulta, e se por algum motivo eles se arrependessem do casamento, só então eles podiam pedir a separação.

Rama e Inês se beijaram, dançaram, riram felizes, pois haviam nascido para serem um do outro, e mais nada. Inês queria ter um filho atrás do outro, pela eternidade. Nada de trabalho. Seria a terceira coelha da família, seguindo o exemplo da mãe e da avó Dina.

E foi naquela noite em que Zezé e Natália mostraram ao mundo como era realmente o ritmo dos tambores. As duas morenas, cabelos além da cintura, puxaram um som tão belo, cadencioso, que empolgou os convidados. Areti dançava mexendo o corpo, ensinando as mulheres a seguir o ritmo. E Sílvio, Alessandro e Miguel, só sabiam olhar para elas, admirando sua beleza, pois não existiam mulheres tão sensuais como aquelas. Principalmente de corpo. Natália era exuberante. Nádegas para cima, cintura mínima, e um par de peitos que enlouquecia um macho apaixonado. Zezé era ainda mais bela. Seu cabelo era encaracolado, seus cílios longos, e tinha um pescoço elegante. Areti, embora nascesse branca, repetira a sensualidade da vida anterior. Suas nádegas eram tão firmes e grandes quanto às da Natalia, seus cabelos ainda mais lindos do que Zezé, e os olhos lilases eram únicos. Não havia em “Z” outra mulher com esse olhar.

Inês, a noiva, com sua barriguinha, passava despercebida em meio dessa tremenda algazarra. Abraçada a Rama, preferiu ficar quietinha admirando a festa, beijando seu homem e esperando com paciência que todos fossem embora. Rama falava ao seu ouvido:

— Vamos gritar alguma coisa como incêndio na floresta! Acho que correm todos para casa...

Inês ria, beijava seu homem novamente, pois ninguém os olhava.

Quando as visitas partiram, os noivos iniciaram sua lua de mel, dentro de sua própria casinha, fechados, isolados do mundo, rindo felizes, pois eram os primeiros noivos que ganhavam uma casa com tudo dentro. Com seu fogo ardendo mais do que nunca, Rama caiu como um leão, afogando Inês com a boca, com beijos ardentes, dignos de um terráqueo primitivo da Terra. Quando decidiram dar as caras para almoçar com os irmãos, Inês estava com uma barriga gigante. Adão levou um susto. Examinou-a antes do que nada, mediu a circunferência do abdômen, colocou o ouvido na barriga, e falou-lhes:

— Vão ser gêmeos! Vão dar trabalho! Aproveitem para namorar bastante...

Mas antes da chegada dos netinhos, outras coisas inesperadas aconteceram.

Quando Jesus e Paulo começaram seus estudos de veterinária, entraram com curiosidade na mata para estudar os “sons” da bicharada. Ficaram tão empolgados, que pegaram um gravador do Lixeiro, e principiaram a catalogar os sons. Gravavam, comparavam, e escreviam com escalas musicais em cadernos. Cada nota era diferente entre uma espécie e outra.

Em visita na casa de Dina, avaliaram os sons dos sereios. Eram bem parecidos com o som dos golfinhos marinhos. Examinaram suas cordas vocais, e Malaqui, namorada de Jesus, tentou ensinar-lhes a falar a letra “O”.

Nos dias seguintes, percorreram 50 lagoas com sereios, ensinando a todos eles as 5 vogais. Sucesso completo. A teoria que eles podiam aprender a falar estava comprovada. Mostraram os sons gravados para os professores da Escola de Veterinária, os quais imediatamente trouxeram da Lua um Aquário com 30 sereios, para o início às pesquisas sobre a linguagem desses seres aquáticos.

Mas quem terminou instruindo os sereios fora Dina, que os conhecia desde que nasceram. Sentada ao lado deles, na beira da pequena lagoa de casa, lhes ensinou a escala musical: — dó-ré-mi-fá-sol-lá-si... João ajudava com uma flauta doce, enquanto Dina subia e descia os sons com eles. Cantou a escala com as vocais A, E, I, O, U, e nos dias seguintes tentaram sílabas. Má, mé, mi, mó, mu e outras.

No dia em que Jesus e Paulo apareceram com o gravador, Dina lhes tinha uma surpresa. Os sereios cantaram para eles: — A-ti-rei-um-pau-no-ga-to-to..., numa escala simples, repetindo várias vezes.

No dia seguinte, chegaram nessa casa médicos da Lua, professores da Escolinha Infantil, professores do Ginasial, da Escola de Veterinária, para assistir a escalas de sons, as sílabas, e a canção infantil: — Atirei o pau no gato... Dina teve que preparar também uma festa com guloseimas, pois havia gente em toda parte. Era o maior achado dos últimos tempos, e se discutia a melhor maneira de levar isso adiante.

Depois de um tempo, todos os sereios falavam, cantavam, e só faltava que os velhos sereios aprendessem iguais os seus filhos. Foi uma tarefa longa e difícil, mas os velhos sereios conseguiram fazer-se entender. E pela primeira vez, conseguiram contar sobre o passado de suas vidas. Eles se lembraram de seu mundo, de sua vida num mar gigantesco, e contavam para seus filhos que havia ainda colônias iguais a eles, em outro lugar do Universo.

Com ajuda de Espiões do planeta “E de ALPHA”, cientistas dessa Lua conseguiram encontrar o verdadeiro planeta deles, numa Galáxia que nem ficava tão longe assim. Poderiam encher tanques, em grandes naves especializadas, colocar todos os sereios nas bacias de vidro e devolvê-los ao seu habitat real. Os velhos sereios choravam emocionados, só de pensar que poderiam voltar para seu mundo.

O único problema era quem é que os levaria nessa longa viagem.

E pouco a pouco, o nome de Nestor foi sendo cogitado como o mais apropriado. Conhecia esses seres marinhos desde que nasceram, era o melhor veterinário de “Z”, não tinha filhos, portanto estava à disposição para realizar qualquer missão.

E um dia Nestor foi convidado para realizar essa viagem.

Cruzaria o espaço numa nave espacial, ao cargo de pilotos experientes de “V de ALPHA”. Seriam assistidos por médicos, nutricionistas, robôs, e ele só teria que cuidar da saúde dos sereios. Apenas isso. Nestor só fez um apelo a seu favor. Iria depois que seus sobrinhos trigêmeos casassem. Apenas isso.

Mas nos dias seguintes Ana começou a chorar e Nestor entrou em depressão. E Adão não se conteve mais. Num jantar, contou que seu irmão iria nessa viagem, e estava com desânimo por causa da separação da família. Amon-rá falou:

— Coitado do tio, vai se sentir tão sozinho!

Sílvio falou na hora:

— Eu iria com ele! Areti também ia adorar! Nossa! A gente casava, e fazia a Lua de mel no espaço... O que acha, pai?

— Podem ir, não tem nada que impeça... Se inscreva como voluntário, pois você também é Veterinário...

Alessandro perguntou:

— Porque é que o tio não teve filhos, pai?

— Ele teve, sim! Mas seus filhos nasceram de outra pessoa. Nestor e eu fomos esterilizados quando crianças, iguais a vocês, pois éramos uma ameaça para as meninas... Precoces. Os filhos dele, na vida anterior, partiram para uma guerra interestelar, foram lutadores muito importantes e decorados com honra... Nunca saberemos por que vieram para cá... Eles deveriam ter nascido em “A de ALPHA”, como anjos.

Miguel perguntou:

— Fomos nós? Você contou que frequentamos uma guerra...

— São vocês, sim! Areti é minha filha. Ela nasceu de outra mulher, para não dar incesto... E Diana também estava nessa guerra...

— Eu, pai? Eu fui guerreira? E o meu Aruma?

— Também, e teve três guerreiros não convidados que foram atrás de vocês. Filhos de Diana e Areti.

Sílvio ficou branco. Perguntou para Adão:

— O que vamos fazer? Eu não quero perder meus filhos para outro homem...

— Casem, e durante essa viagem Nestor lhe faz cirurgia de reversão! Com certeza os meninos os seguem...

— O pai pode fazer isso?

— Não, mas quem é que vai saber? Eu estou estéril mais uma vez, e garanto que a cirurgia dele é muito boa...

Depois disso, os trigêmeos esperaram a chegada de Nestor, ansiosos. Quando ele entrou nessa casa, rindo para todos, Sílvio caiu no choro, pois ele o adorava. Eram iguais em tudo. Alessandro e Miguel se abraçaram a eles, formando um grupo comovido, pois os três estavam mais do que decididos em casar, e viajar junto com ele.

Não houve festa de casamento.

Sílvio, Alessandro e Miguel levaram as noivas na Prefeitura, assinaram os livros de casamento, fizeram os juramentos de fidelidade mútua e de paternidade responsável, prometendo que teriam filhos só depois do regresso dessa viagem, logo após que construíssem uma casa confortável para os meninos, e só quando os médicos da Lua autorizassem a cirurgia de reversão.

Os sereios partiram chorando, as pessoas que os criaram ficaram arrasadas, e Nestor, parado no centro da cidade, prometeu que essa seria uma turnê tranquila. Na volta, traria fotos do mundo aquático, dessa viagem, e um filme para televisão. Após o discurso, uma luz branca, de uma nave gigantesca, levitou Nestor e seus garotos como folhas ao vento. Depois, ela desapareceu na imensidão.

Adão ficou olhando para o céu, com coração apertado. Mais uma vez, seu irmão partia primeiro do que ele, para algum lugar.

Notas finais
- Ele teve, sim! Mas seus filhos nasceram de outra pessoa. Nestor e eu fomos esterilizados quando crianças, iguais a vocês, pois éramos uma ameaça para as meninas... Precoces. Os filhos dele, na vida anterior, partiram para uma guerra interestelar, foram lutadores muito importantes e decorados com honra... Nunca saberemos por que vieram para cá... Eles deveriam ter nascido em “A de ALPHA”, como anjos. Miguel perguntou: — Fomos nós? Você contou que frequentamos uma guerra... — São vocês, sim! Areti é minha filha. Ela nasceu de outra mulher, para não dar incesto... E Diana também estava nessa guerra...