Acquarius
10 Conversa
Notas iniciais
Quando Ricardo chegou em casa a primeira coisa que fez foi ligar para Sabrina, não o tinha feito enquanto ainda estava no parque para não dar mais bandeira de que estava engatinhando pela moça. Barbara não veria o seu ponto fraco, embora estivesse assumido uma trégua.
Porém esta não atendeu o celular e todas as suas chamadas foram parar na caixa de mensagem, onde ele gastou todo o seu credito deixando recados explicando-se sobre o acontecido.
A desculpa que arrumara fora que a mãe o obrigou a mostrar o caminho do parque para Barbara, embora achasse que Sabrina não fosse acreditar muito bem era a melhor que podia pensar no improviso.
Despindo-se ele deitou na cama apenas de cueca, embora estivesse um pouco frio e ameaçasse chover não queria arrastar-se até o guarda-roupa em busca de uma roupa mais confortável do que calça jeans para dormir.
Embrulhando-se com o cobertor tentou amenizar o frio, mas depois de alguns minutos desistiu e resolveu vestir alguma roupa para esquentar o corpo. Levantando-se da cama ele caminhou até o guarda-roupa e vestiu uma calça de moletom e uma camiseta mais quente.
Satisfeito caminhou de volta até a cama, mas então percebeu que a janela estava aberta e foi fechá-la. Foi quando viu que a luz do quarto de Barbara estava oscilando entre aceso e apagado e a porta estava escancarada.
Estranho, pensou.
Resolveu então descer para averiguar o que estava acontecendo. De fininho foi descendo os degraus da escada tentando não fazer barulho para não acordar seus pais ou o cachorro desnorteado da família que dormia perto da entrada da cozinha.
Já na porta abriu-a com cuidado e tentou fazer o menor barulho possível enquanto pegava uma pá de pedreiro para acertar qualquer bandido que pudesse estar no quarto de Barbara, mas quando ele começou a se aproximar do quartinho ouviu uma voz feminina diferente da voz da ruiva.
Ainda mais sorrateiramente ele se aproximou do quartinho e ficou parado perto da porta, onde podia ouvir a conversa das duas lá dentro.
_O seu tempo vai acabar, querida e você... ah , você sabe! – disse a mulher estranha com certa ironia.
_Eu sei...
_Não me parece que saiba! Você está desperdiçando tempo!
_Não é isso! Eu só não estou conseguindo...
_Não me venha com desculpas, você sabe que elas não vão querer saber o porquê de nada! – disse a estranha dando ênfase ao “elas”.
_Eu sei! – a voz de Barbara oscilou- Preciso de só mais algum tempo!
_Você tem mais um tempo, mas cuidado, a nossa paciência não vai durar para sempre!
_Eu sei, mas...
_Nem mais, nem menos!
_Tudo bem, irei empenhar-me mais ainda e...
_Não quero saber! Recado dado, até mais!
_Até...
Ricardo ouviu alguns passos em direção a porta e se escondeu na quina da parede atrás da casinha inutilizada do cachorro. Por uma pequena fresta pode ver uma mulher exuberante sair do quartinho de Barbara.
Com a parte acima da cintura despida os fartos seios da moça atraíram a atenção de Ricardo que parecia hipnotizado com a beleza da mesma. Esforçando-se para ficar oculto da visão das duas moças ali presente ele afundou-se mais ainda no chão ficando ainda mais escondido, porém ainda assim tentava encontrar algum meio de observar a moça parcialmente despida que conversava com Barbara.
Encontrou um pequeno buraco que o cachorro havia feito na casinha e por lá ficou olhando a moça até que ela se distanciou de sua casa, rebolando enquanto seus longos cabelos negros balançavam de um lado para o outro.
_E não se esqueça de que a Rayra gostosa aqui te avisou, hein! – gritou ela, para Barbara, antes de ir embora.
Barbara apenas suspirou a bateu a porta do quartinho ao entrar e Ricardo ouviu o som das molas da cama rangerem quando ela se deitou depois de apagar as luzes, que até aquele momento oscilava.
Ricardo voltou para o seu quarto e deitou-se na sua cama, mas não conseguia tirar da cabeça o que aquela conversa que tinha escutado poderia significar, talvez fosse mesmo perigoso confiar em Barbara...
Mas não sabia o que fazer! Essa era a verdade. Quem sabe se aproximar dela não fosse tão mal assim¿ Quem sabe fosse a pior coisa que ele poderia fazer¿ Ninguém poderia dar essa resposta a ele.
Depois de muito tempo pensando ele conseguiu dormir e só acordou no outro dia quando o despertador anunciou que era a hora de se arrumar para a escola.
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