Acquarius

3 A vida continua


Notas iniciais
O que estão achando da fic, galera? Diz aê!!

Uma semana após o enterro Ricardo teve que voltar a escola, não podia mais perder aulas, pois estava se atrasando cada dia mais nas matérias. Levantou da cama cedo e nem se preocupou em tomar café da manhã, vestiu o uniforme amarrotado e uma calça jeans e passou na casa de Lucas para irem juntos como sempre faziam.

Mas, Dona Luiza, mãe do amigo, lhe disse que ele já tinha ido. Provavelmente não esperava que Ricardo já estivesse bom o bastante para ir à aula e não se preocupou em esperá-lo. Ricardo se despediu de Dona Luiza e foi sozinho para a escola.

Na escola, incomodado com os cochichos das pessoas quando o via passar, foi direto para a sala de aula. Lucas estava lá, fazendo provavelmente algum dever que se esquecera de fazer em casa. Ricardo chamou seu nome e o amigo levantou a cabeça por uns instantes, mas logo voltou ao dever. Ricardo ficou preocupado com o que podia estar acontecendo:

_Ei, não vai falar comigo não?

_Ri... Ricardo? – Lucas parecia confuso, balançava a cabeça como se quisesse apagar o que via ou pensasse que era uma alucinação – É você?

Em outra circunstancias Ricardo responderia o amigo de forma irônica, mas como não tinha animo para isso apenas assentiu com a cabeça e sorriu brevemente.

_Oh! – o amigo fechou o caderno e indicou a cadeira da frente para Ricardo sentar-se – Eu não esperava vê-lo aqui tão cedo!

_A vida continua! – foi à única coisa que Ricardo pôde falar, mas em sua mente ele também não se conformava em estar ali se o irmão não podia estar.

_Vai passar! – Lucas sussurrava.

_Eu não quero que passe – sussurrou de volta e ao ver a cara de duvida de Lucas continuou – E se eu esquecê-lo quando passar?

_Você não vai esquecê-lo, tenho certeza!

_Mas eu não!

O professor entrou na sala e junto os outros alunos que estavam nos corredores da escola. A sala que antes estava quase vazia se encheu e enquanto os alunos iam acomodando-se na cadeira Ricardo percebeu que muitos olhares de compaixão se dirigiam a ele, abriu o caderno e tentou esconder o rosto ali, mas o professor pediu para que ele prestasse atenção no quadro e ele teve que fazê-lo.

A aula de matemática pareceu se arrastar, cada vez que ele olhava o relógio em cima do quadro branco a hora parecia ainda ser a mesma e aquilo o estava incomodando, impaciente ele tamborilava o dedo na mesa e suspirava a cada minuto.

Quando o sinal soou estridente em seu ouvido ele foi o primeiro a sair da sala, sem nem mesmo se preocupar em esperar Lucas como sempre fazia. Sentia-se claustrofóbico ali, incomodado com os olhares de compaixão e os cochichos a seu respeito.

Na sala de português sentou-se na ultima carteira e esperou que outros alunos sentassem ao seu redor para escondê-lo ali, queria ser invisível naquele momento, mas enquanto não podia fazê-lo apenas afundou-se na cadeira e fechou os olhos.

Foi assim até o final do dia, ia se escondendo como podia e esperava que ninguém além de Lucas viesse falar com ele. Quando o último sinal tocou os dois saíram quase correndo da escola.

_Vai querer meu caderno emprestado? – Lucas perguntou abrindo a mochila.

_Sim, claro!

_Pegue – Lucas entregou a ele o caderno e fechou a mochila – Desculpe se tiver sendo inconveniente, mas você vem à lanchonete hoje?

Era quarta-feira e como em todas as quartas os amigos se reuniam na lanchonete do pai de Lucas e papeavam até altas horas da noite enquanto jogavam dominó.

_Eu não sei, vou pensar! Se for eu te telefono, deixe o celular ligado e vê se não se esquece de carregá-lo!

_Bateria cheia! – Lucas tirou o celular do bolso e mostrou para Ricardo que a bateria estava totalmente carregada.

_Bem, até mais então!

Os dois já estavam na esquina da rua onde Lucas morava, ele entrou em casa e Ricardo continuou a andar. Sua casa era apenas algumas ruas dali e ele esperava chegar logo para almoçar, seu estomago roncava de fome.

Da porta já podia sentir o cheiro da comida da mãe, que voltara há cozinhar dois dias antes e refugiava-se no fogão para esquecer a morte do filho.

Na sala jogou a mochila no sofá e correu para a cozinha. A mãe já terminava de fazer o almoço e ele serviu-se. Foi para a sala e comeu o mais rápido que pode, queria ir para o quarto e ocupar-se com os deveres atrasados pelo resto da tarde.

Enquanto a mãe ainda comia Ricardo jogou o prato na pia e foi subir para o quarto, mas alguém bateu a porta e ele foi atender.

Levou um susto ao ver a ruiva que estava no velório do irmão encostada no portal. Os cabelos soltos brilhando a luz do sol e os olhos verdes como a água ainda mais brilhantes ainda.

Notas finais
Se quiser que eu acompanhe sua fic é só pedir!!