Acoustic Couple
3 Carta
Querido e amado amigo,
Sudações. Faz muito tempo que não escrevo uma carta e esta bem provavelmente é a primeira que escrevo para ti.
Não pude deixar de escrever quando escutei uma nova música ontem ao fim da noite, o que me fez instantaneamente me lembrar de você. O nome dela era “Best Friend” de Jason Mraz. Só depois de ouvir atentamente a emoção que o cantor passava – exatamente como você me ensinou – fui procurar a tradução e então realmente me identifiquei.
A letra é uma espécie de agradecimento por tudo que o amigo, ou amiga do cantor havia feito por ele, e por um instante eu queria que tivesse sido eu a compositora daquela música, e ainda exigiria que ao final seu nome fosse citado.
O estranho é que foi a letra em si o que me fez gostar tanto da melodia, pois ao procurar outros trabalhos do Mraz não consegui apreciar tanto quanto o último.
Contudo, não deve ser novidade para você que eu me lembro de ti sempre que escuto algo relacionado à felicidade ou gratidão. Até mesmo o antes irritante som do meu despertador do celular pôde me trazer um pouco mais de motivação para levantar.
Imagino se existem pessoas como nós, e rio da ideia. Não consigo imaginar nossa relação sendo a de outras pessoas. Um tanto egoísta, eu admito. Mas o egoísmo não pode ser tirado de mim quando se trata de você. Quero-te só para mim, guarde isto.
Também andei pensando muito no conceito “dor”. O que essa curta palavra representa para você?
Tenho quase certeza de que você me responderia algo como “um sentimento”. Conheço-te bem, e me lembro de quase todas as respostas irônicas que já me deu.
Imagino que isto possa representar duas coisas: Existem as dores físicas e as abstratas, que por sua vez é dividida por várias outras categorias. Você pode até fingir que não entende o que digo, porém a mentira é certa. Quantas vezes eu não corri atrás de você dizendo ter dor?
Odeio a dor física. Quando alguém me bate por alguma razão e eu devo ficar quieta por ser mais fraca, me sinto reprimida. Porém na pele as coisas se cicatrizam. Diferentemente da dor abstrata.
Agora imagino seus olhos encarando o chão, perdido em algum lugar como se uma formiga caminhando perto de seus pés fosse mais interessante que nossa conversa. Sei como é difícil para você ouvir essas coisas, depois de tudo aquilo que você passou. Todavia após tudo que você me ajudou a contornar, também quero fazer algo.
Como sua melhor amiga; já percebi que você é o tipo que gosta de ajudar, mas não gosta de ser ajudado. Sei que você guarda as coisas pessoais apenas para si mesmo, mas ao contrário do que pensa, sei de tudo que se aloja dentro de seu coração.
Só para arrancar um sorriso seu, imagino que agora eu diria que ele – seu coração – é grande. Bondoso como a de uma criança e que palpita como um pássaro.
E essa é a diferença entre esses dois conceitos para a palavra que menos gosto. Creio que a segunda opção é a menos desejada para nós dois.
Ah, acabo de manchar o papel... Espero que não faça diferença.
A noite se aproxima, e quero te fazer um convite: Vamos decorar a posição das estrelas? Que nem fazíamos antes. Quero deitar no teu abraço e fingir que “dor” nunca existiu no dicionário.
Com muito amor,
Sua amiga.
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