Acorrentados
1 Tons de preto
Aquela era minha quinta xícara de café. Meu rosto estava pálido e meus olhos lacrimejavam.
Near... Porque ele me parece tão familiar?
Desde que L morrera, as coisas se desfocaram no QG. Ser chamado de "Segundo L" era para mim algo irônico, já que para as unidades de policia e investigação eu era o próprio L, o que significava que eu surripiara a identidade do maior detetive do século. Esse era meu triunfo, tudo estava exatamente como eu planejei.
Mas ao mesmo tempo, meu pai, Mogi, Aizawa, Matsuda, Ide.. Todos da Central de Investigação estavam desmotivados. Até Misa Amane estava menos elétrica do que de costume. Mesmo facilitando para meu lado, isso me irritava. Eu pareceria suspeito se não fizesse o mínimo de esforço para motivá-los a continuar com a investigação.
Mas esse Near era algo que realmente me preocupava. Ele descobrira que eu era o "Segundo L" e o verdadeiro já estava morto. Ele tem um grupo de investigação só dele, a SPK, e a julgar pela forma como ele deduziu a existência de um L falso, eu poderia dizer que estou correndo riscos.
Mas eu não posso mentir para mim mesmo. Quando falei com Near no telefone pela primeira vez, era como se L estivesse do outro lado da linha, e não ele.
Seria possível?
Não, eu estive em seu velório, isso estava fora de questão.
Passos apressados atrás de mim me fizeram fechar os olhos e pressionar as têmporas. Por Deus, Misa, porque sempre as piores horas?
– Raito! — Ela gritou com sua voz aguda.
Virei-me para encara-la. Como sempre, ela vestia uma roupa exageradamente curta. Um vestido de renda acompanhado com uma meia arrastão e luvas pretas. Vestida assim, ela não tinha outra intenção a não ser me provocar.
– Pois não, Misa. — Fiz uma pausa longa e forçei um sorriso — Algum problema?
– Queria ver se você está bem — Ela se jogou em meus braços e agarrou meu pescoço — Você não fala mais comigo, só vive trancado entre quatro paredes e nem se quer me dá bom dia! — Afirmou ela com uma voz chorosa.
Se ela não tivesse os olhos de Shinigami, me sentiria livre para pôr um fim nela.
– Desculpe querida, estou muito ocupado ultimamente.
– Mas eu sou Misa Amane! Qualquer um teria tempo para mim, porque você não? — ela parecia uma criança mimada, balançando os braços no ar.
Misa era tão idiota, que uma hora com ela me fazia quase implorar para que L estivesse vivo. Afinal de contas, ele era o único com quem eu podia ter um conversa à nível. Brigar com Misa era como uma guerra de chocalhos.
– Preciso trabalhar, Misa.
Ela se levantou subitamente, o rosto vermelho e os punhos fechados. Se ela não fosse tão obcecada por mim, poderia jurar que ela me daria um soco.
– Durma comigo esta noite! — Aquilo parecia uma ordem — Só desta vez!
Levantei uma sombrancelha, encarando-a com espanto. Aquilo era sério?
Seus olhos estavam vermelhos, o que fez me perguntar se ela não escreveria meu nome no Death Note caso eu negasse. Não, eu sei que ela não seria capaz disso. Tive que conter um riso irônico.
Quando eu estava prestes a discursar uma desculpa esfarrapada, Matsuda apareceu. Ele arregalou os olhos ao ver nossa situação, e percebi claramente que ele se sentia um intruso.
– Ah — Ele recuou alguns passos com um sorriso amarelado — Eu volto mais tarde...
– O que foi, Matsuda? — Agradeci por Matsuda ter aparecido. Finalmente ele fizera algo relevante, já estava começando a achar que ele não passava de um peso morto.
– Matsu! — Misa gritou, sorrindo novamente.
– A-Ah, parece que chegou algo para você hoje de manhã Raito.
Algo para mim? O que seria? Minha mãe mandara mudas de roupas para mim e meu pai recentemente, se não são roupas o que mais poderia ser?
–Hmmm — Levantei-me, caminhando lentamente para a Central de Investigação, Misa me seguiu como uma sombra.
Quando cheguei, Aizawa estava no computador. Ele sempre levou a investigação muito a sério, então provavelmente estaria pesquisando algo relevante. Ide estava sentado ao seu lado, mas não parecia se interessar pelo o que ele estava fazendo. Meu pai e Mogi estavam sentados no sofá e ambos me cumprimentaram quando cheguei.
Matsuda pegou uma caixa de tamanho médio e entregou em minhas mãos.
Definitivamente não eram roupas; Minha mãe sempre entrega em sacolas, nunca em caixas, ainda mais em uma caixa lacrada como aquela. Quem poderia ter enviado aquilo? Sayu?
Near?
Abri a caixa lentamente. Vi algo reluzir dentro dela, algo prateado. Prendi a respiração. Não pode ser... Impossível!
– Isso... só pode... ser... brincadeira!
A caixa caiu de minha mão e as correntes escorregaram para fora dela. Senti a sensação estranha de que ela nunca foi retirada de meu pulso esquerdo.
Notas finais
Espero que gostem!
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