Acordo Nupcial

5 Capítulo 5 - Em Família


Notas iniciais
Boa leitura ♥

A noite estava fria, era final de outono, mas o clima já lembrava mais o inverno do que qualquer outra estação, e apesar de tremer da cabeça aos pés, meu corpo pegava fogo.

Quando Edward se afastou e colocou fim ao nosso beijo, me vi completamente sem reação. Era como se eu tivesse desaprendido a andar, como se meu cérebro estivesse impossibilitado de fazer suas funções normalmente, impedindo-me de mover se quer o dedo mindinho.

Sentia cada célula do meu corpo ferver, enquanto me esforçava para sair daquele transe absurdo.

—Vamos? – Edward chamou ao empurrar o portão feito em grades de ferro verde.

Pisquei algumas vezes ao observar a plenitude de suas expressões. Era como se nada demais tivesse acontecido para ele, e aquilo me deixou irritada.

Que direito ele tinha de me beijar daquele jeito?

Maneei a cabeça e pigarrei tentando esquecer o que havia acontecido. Mais tarde eu lhe diria tudo o que estava entalado na minha garganta. Começando pela parte em que deixaria claro que atos íntimos não faziam parte do contrato que firmamos.

Ele deixou com que eu entrasse primeiro no pequeno jardim que estava a frente da casa retangular de tijolos a vista. Mantive meu foco na arquitetura clássica das janelas brancas com molduras retas, e na porta branca de entrada que era alta e larga, tudo para não me lembrar dos lábios dele unidos aos meus.

Uma curta passarela de pedras claras levava as três degraus que subimos até a porta, onde Edward pressionou a campainha duas vezes.

Engoli a seco assim que me dei conta do que estava prestes a acontecer: eu iria conhecer a família de Edward. A família que pensava que nós dois nos gostávamos e decidimos reatar aquele romance impossível depois de quinze anos.

Porque eu tinha sensação de que quase ninguém ali iria gostar daquela história?

A porta se abriu e o calor da casa veio de encontro ao meu corpo, fazendo como que finalmente percebesse o quanto estava frio na rua. Edward tomou a frente e me impediu de ver por completo a mulher alta e de curvas generosas que abrira a porta.

Os dois trocaram um rápido abraço e ela se colocou na ponta dos pés para beijar o rosto dele. Não precisei de mais de dois segundos para perceber todo o amor e carinho que haviam naqueles gestos.

—Está atrasado. – ela o repreendeu, a voz era tão elegante quanto o modo com que se movia.

—Desculpe, mãe. – respondeu ternamente.

Mãe.

Repeti mentalmente tentando não transparecer muita surpresa. Há quinze anos Edward era apenas um menino órfão..., Mas é claro que tudo tinha mudado.

—Essa é a Isabella. – ouvir meu nome fez com que eu limpasse minha mente e me obrigasse a ficar presente na situação. —Minha noiva. – completou com a voz livre de qualquer provocação. Ele sabia fingir bem.

—Isabella, essa é Esme. – apresentou deixando que ficássemos de uma de frente para a outa. —Minha mãe.

Os olhos de Esme saíram de Edward e se voltaram para mim. Mantive o sorriso no rosto mesmo percebendo certa dureza em seus orbes.

Esme era uma mulher muito bonita. O cabelo castanho deixava sua pele ainda mais alva, os olhos eram azuis piscina, emoldurados por cílios longos e sobrancelhas grossas, tão escuras quanto os fios cortados em long bob.

—É um prazer te conhecer, Isabella. – proferiu curvando os lábios cupido em um sorriso rápido

—O prazer é meu. – respondi tentando não me abalar pelo jeito reservado dela.

Ela foi gentil ao se oferecer para guardar nossos casacos e educadamente nos guiou até a sala de estar. A casa era espaçosa e muito bem decorada. Os tons pasteis dos móveis se uniam ao chão de carvalho escuro em um contraste lindo e aconchegante.

No curto caminho que fizemos até a sala aquecida pela lareira, pude notar a presença de vários porta-retratos. A curiosidade inflou em mim quando não consegui prestar atenção em nenhuma das pessoas presentes nas fotos.

Nós nos sentamos no sofá e tentei não prestar muita atenção no quanto meu corpo estava próximo do de Edward, aquilo só serviria para prejudicar minha sanidade mental.

—Que tal um vinho? – Esme sugeriu intercalando os olhos entre Edward e eu, que juntos concordamos. —Fique à vontade, Isabella, eu já volto.

—Obrigada. – agradeci levemente incomodada com o modo formal com que ela me chamava. Odiava ser chamada pelo meu nome. Me sentia muito mais confortável com Bella.

—Pode relaxar, Esme não vai te morder. – Edward provocou assim que ficamos sozinhos na sala.

Rolei os olhos e me movi no sofá aumentando um pouquinho do micro espaço que separava nossos corpos.

—Quem mais vou conhecer essa noite? – indaguei curiosa olhando-o de soslaio.

—Pensei que tivesse feito o dever de casa e estudado sobre a minha família. – sua voz saiu mais baixa e levemente rouca.

—Não encontrei nada sobre eles na internet. – dei de ombros me lembrando das horas que passei a frente do macbook em busca de qualquer pista sobre a tal família Cullen.

Nada. Não havia fotos, ou se quer nomes. A única pessoa publicamente conhecida era Edward, que tinha todas suas redes sociais privadas.

—Uh. – assobiou sem demonstrar muita surpresa. —Podia ter me perguntado, eu teria te contado o que quisesse saber.

—É, mas não perguntei. – perceber que ele estava se divertindo com a minha falta de jeito estava me deixando ainda mais irritada. —Fale logo, Edward.

—Ok. Falta você conhecer meu pai, Carlisle, e a minha irmã...

Sua fala fora interrompida pelo som de saltos se chocando contra o chão de madeira. Desviei os olhos de Edward a tempo de ver a mulher entrando no cômodo.

—Minha irmã, Alice. – ele gesticulou antes de se levantar para abraça-la.

Irmã. Alice.

Repeti me certificando de gravar todos os nomes e graus de parentesco.

—Finalmente resolveu aparecer. – sua voz era doce, tão doce quanto seus olhos e o sorriso que mantinha nos lábios. —E finalmente trouxe a Bella para eu conhecer.

Soltei o ar pela boca mais aliviada quando Alice se dirigiu a mim. Diferente de Esme, ela se aproximou e me deu um rápido abraço.

—A famosa Isabella Swan. – proferiu segurando em minhas mãos. —Ouvi falar tanto de você.

Aquilo me surpreendeu tanto que não consegui evitar de olhar para Edward. Ele abaixou a cabeça por um instante e correu a mão pela nuca, visivelmente sem jeito.

—Alice. – repreendeu a irmã, que pareceu não se importar por ter dito algo a mais. —Ela sabe de tudo. Por isso ouviu muito sobre você. – explicou quando me encarou.

—Ah...

—Você é muito bonita. – elogiou interrompendo qualquer coisa que eu pretendia dizer.

—Obrigada. Você também é linda.

E além de intensa, era mesmo muito linda. Parecia uma boneca de tão perfeitos que eram os traços dos seu rosto. Tinha os olhos em um lindo tom de castanho esverdeado, o nariz fino e arrebitado, e um sorriso doce que não abandonava os lábios rosados.

—E então, quando é que vocês vão se casar? – perguntou ansiosa, como se o evento fosse verdadeiro, como se ela não soubesse os pormenores que haviam naquela situação.

—Casar? – as vozes de terceiros se fundiram diante a pergunta.

Naquele momento em que os pais de Edward estavam parados na entrada da sala, nos encarando com espanto, eu só quis que o sofá me engolisse.

—Pai, essa é a Isabella. – Edward se levantou e me apresentou ao homem alto e loiro, que intercalava seus olhos claros entre o filho e eu. —Carlisle, meu pai. – completou gesticulando em direção a ele.

Sentia todo meu rosto queimar quando me levantei, e sabia que o sorriso em meus lábios demonstrava o quanto estava sem graça com aquela situação.

—É um prazer, Isabella. – proferiu cordialmente, deixando a garrafa de vinho e a taça que segurava sobre a mesa de centro para apertar minha mão. —Seja bem-vinda.

—Obrigada. – precisei pigarrear para limpar a voz. —E por favor, me chamem só de Bella. – pedi tentando conter os anseios da minha mente que me faziam questionar mais uma vez os motivos que me mantinham ali.

A contrariedade era visível na face de Esme, ela entregou uma taça para cada um de nós, e Carlisle nos serviu um vinho tinto extremamente perfumado, contudo, nenhuma bebida fora capaz de diluir aquele clima estranho que pairou no ar.

—Então vocês vão se casar? – ela perguntou se sentando ao lado do marido. A pergunta incluía Edward e eu, no entanto, seus olhos estavam fixos no filho.

—Sim. – Edward foi firme. —No fim de semana.

O complemento de sua frase me fez engasgar com o vinho que descia pela minha garganta. Cobri os lábios tentando conter a crise de tosse que me abateu, mas não obtive êxito.

—Me desculpem. – pedi sentindo meu rosto queimar, Alice soltou um risinho baixo, era a única que se divertia com aquela situação.

—Você está bem? – Edward me olhou rapidamente, me reservei a assentir com a cabeça.

—Não acham tudo isso muito precipitado? – dessa vez foi Carlisle quem perguntou, sua postura era muito mais leve que a da esposa.

—Aí, pai... Eles já perderam quinze anos! – Alice exclamou após tomar um gole do vinho.

—Vendo por esse lado... – Carlisle encolheu os ombros.

—Ainda me parece precipitado. – Esme completou arrumando o vestido preto sobre as pernas. —Muita coisa aconteceu nesse intervalo de tempo. Vocês mudaram muito... Não seria melhor irem com mais calma?

Acredite, Esme, por mim não iria com calma, nem com pressa... simplesmente não iria!

Me preservei no direito de ficar em silêncio apenas bebericando o vinho tinto, e deixando que Edward esclarecesse todas as dúvidas, afinal, fora ele quem nos colocara naquela situação.

—Mãe, como a Alice disse, nós já perdemos quinze anos. Não dá para ter calma quando se passa todo esse tempo longe da pessoa que a gente ama.

A resposta de Edward me pegou de surpresa. Ergui os olhos até seu rosto e não encontrei uma rusga de ironia ou sarcasmo.

Não dá para ter calma quando se passa todo esse tempo longe da pessoa que a gente ama.

Repassei as palavras sentindo as batidas do meu coração acelerarem. Ele pareceu tão sincero, que por um segundo, me esqueci que tudo aquilo era apenas uma armação.

Maneei a cabeça assim que a realidade voltou a me chocar. Eu era mesmo uma idiota... É claro que ele diria aquelas coisas para os outros, nossa missão era convencer a todos que nosso casamento era verídico. Edward só disse o que Esme queria ouvir.

—Está certo. – Esme concordou com um suspiro. —Se é assim, só nos resta apoiar, não é?

—Sim. – Carlisle assentiu rapidamente. —Pela pressa não vai ser algo grande...

—Não vai. – confirmei imediatamente e atraí a atenção dos três. —Não queremos nada chamativo.

—Ah... – Alice murchou no sofá, verdadeiramente decepcionada. —Pensei que seria um evento! – lamuriou com um biquinho nos lábios.

—Vai ser algo bem discreto. A Bella quer uma cerimônia mais intima, não é, amor? – ele desviou seus olhos para mim e estendeu a mão livre.

Relutantemente aceitei entrelaçar meus dedos aos seus. Forcei o sorriso e consenti com a cabeça, tentando ignorar o formigamento que abrangeu meu corpo quando nos tocamos.

—Só para a família.

—E amigos próximos. – Edward completou minha fala. De soslaio o vi erguer a taça e tomar um pouco do vinho. Seus lábios húmidos pela bebida ficavam ainda mais sexy...

—É... – Esme soltou o ar pela boca ainda contrariada, mas ciente de que não poderia fazer nada para que mudássemos de ideia. —Vamos falar mais sobre isso depois, vou colocar o jantar na mesa...

—Quer ajuda? – ofereci quando ela se levantou.

—Não precisa, já está tudo encaminhado. – sorriu. —Já volto.

Respirei fundo pelo nariz antes de tomar mais um pouco do vinho. Como se já não bastasse toda aquela situação tensa, era claro que Esme não gostava muito de mim, e principalmente da ideia do casamento.

No entanto, eu não a culpava.... Nosso passado fora muito conturbado, e era óbvio que ela sabia de tudo.

Esme voltou para nos chamar para jantar poucos minutos depois que saíra, Edward não soltou minha mão durante o curto percurso que fizemos até a sala de jantar, e toda aquela intimidade estava começando a me deixar incomodada.

Tudo aquilo estava só no começo, mas já sabia do quanto teria de me esforçar para não misturar as coisas, para não confundir fingimento de sentimento.

O aroma da comida que Esme preparara era tão delicioso quanto o sabor. Entre tantos pratos feitos, meu preferido fora o assado de carne. Estava absolutamente divino.

—Seus pais já sabem do casamento, Bella? – Carlisle perguntou e dessa vez consegui engolir o vinho que tomava sem engasgar. Por pouco.

—Já. – limpei os lábios com o guardanapo de linho. —Contei hoje para eles. – forcei um sorriso no final.

—E eles estão de acordo? Porque antes eles não eram a favor do relacionamento de vocês. – Esme não trouxe nenhum tom acusatório em sua voz, mas suas palavras finais me deixaram verdadeiramente desconcertada.

Ficar lembrando do passado que tanto me esforcei para esquecer era absurdamente angustiante. Por mais que a maior lembrança de todo o ocorrido estivesse ao meu lado, queria tentar deixar o passado no passado... Independente do quanto aquilo parecesse e fosse confuso.

—Eu não sou mais uma menina para eles ditarem o que eu posso ou não fazer... – dei de ombros. —Mas sim, estão de acordo.

Se você soubesse o porquê...

—Porque nós não focamos no que realmente interessa, hein? – Alice atraiu as atenções. —Como e onde vai ser a cerimônia? – ela parecia verdadeiramente encantada com a ideia do casamento. —Bella se quiser posso te ajudar a planejar tudo!

—Já contratamos uma empresa para isso, Alice. – Edward respondeu rápido. —E a cerimônia vai ser lá em casa.

—Uh, chato! – ela rolou os olhos e bufou. —E o vestido, você já viu?

Neguei com um aceno enquanto mastigava um pedaço da batata assada. A cada pergunta feita mais incomoda eu me sentia. E só conseguia pensar em como seria quando Edward fosse na casa dos meus pais.

Será que iriamos conviver com aquele clima tenso durante todo aquele ano que estava por vir? Onde é que eu fui me enfiar, senhor?

—Já foi falar com os pais dela? – Carlisle questionou curiosamente ao filho que chacoalhou a cabeça em negação.

—Ainda não, acho que vamos passar lá depois que sairmos daqui...

Mais uma vez ele me pegou de surpresa. Precisei fazer uma força absurda para engolir a batata, que mais pareceu ser cacos de vidro.

—Nós vamos passar na casa dos meus pais hoje? – foi impossível conter a pergunta.

Edward me encarou por um longo segundos antes de concordar com a cabeça. Seus olhos brilhavam intensamente e me senti verdadeiramente irritada por não conseguir traduzir aquilo.

—Vamos aproveitar a viagem.

Engoli a seco e precisei tomar um grande gole de vinho para lubrificar minha boca.

Será que tinha como aquela noite ficar pior?

Edward e sua família mantiveram o assunto ao redor do casamento, o que fez com que eu perdesse completamente a fome. Tudo aquilo estava me deixando completamente exausta, era tanta coisa para pensar que minha cabeça já estava doendo.

Nem mesmo quando nos levantamos para ir embora as coisas melhoraram para o meu lado... Preferiria passar mais duas horas ouvindo as perguntas desconfiadas de Esme, do que ir encontrar os meus pais.

Renée já havia percebido a “coincidência” no nome, e concretizaria suas dúvidas assim que colocasse os olhos em Edward. E não ter ideia de como ela reagiria me deixava em pânico... Contudo, nada estava me desesperando mais do que a reação de Charlie. Eu tinha certeza que ele iria surtar e aquilo não era nada bom para sua saúde.

Onde é que eu fui me meter?

—Você está bem? – Edward perguntou assim que entramos no carro. Esperei que ele ligasse o veículo para que eu pudesse aumentar o aquecedor. Todo o meu corpo tremia, sabia que não era frio, mas não custava tentar.

—Estou.

—Tem certeza? Você está pálida. – observou passando o cinto de segurança por seu corpo.

—Estou ótima. – rolei os olhos. —Porque não me avisou antes que iríamos na casa dos meus pais?

—Porque? – desviou a atenção das ruas para me fitar rapidamente. —Não posso querer ir rever meus sogros?

—Como você é idiota! – exclamei extremamente irritada. —E pensar que vou passar o próximo ano presa a você.

Edward soltou um riso baixo e de soslaio o vi manear a cabeça, contudo, não me respondeu. Respirei fundo tentando apaziguar aqueles sentimentos de fúria que queriam me consumir. Precisava tentar manter a última gota de paciência que ainda tinha para que a noite não terminasse de forma ainda mais trágica.

Quando o carro parou a frente da casa dos meus pais, minha única vontade era sair correndo e não voltar nunca mais.

Deveria ter feito como Edward e dado aquela desculpa de ainda sermos apaixonados, assim as coisas já estariam mais adiantas e já saberia como meus pais reagiriam.

—Se não se acalmar vai acabar desmaiando. – Edward observou debilmente.

Rolei os olhos me soltando do cinto de segurança com uma força desnecessária, mas se não descontasse toda aquela ira nos objetos iria acabar mirando acidentalmente no rosto do meu futuro marido.

—Você está adorando isso, não é?

A diversão estava nítida em sua face, seus olhos brilhavam e seus lábios estavam inclinados em um sorriso torto.

—Adorando o que? – se fez de desentendido. —O fato de eu voltar na casa de onde fui expulso, sendo a única solução para os problemas? – seus olhos desafiaram os meus. —Não. – respondeu a própria pergunta com ar de desdém. —Não estou adorando, não.

—Você é tão ridículo, Edward. – minha voz saiu mais baixa, destilando raiva. —Como um dia eu pude me apaixonar por você?

Aquela pergunta pareceu tocar em alguma ferida sua, tanto que fez sua expressão e postura mudar drasticamente.

—Me faço a mesma pergunta quando eu te olho. – praticamente cuspiu as palavras.

—Babaca! – bufei alto antes de sair do carro.

Porque eu tinha aceitado aquela merda? A falência agora nem me parecia uma ideia tão ruim.

Tomei fôlego pela boca criando coragem para caminhar até a porta. Minhas pernas pareciam pesar uma tonelada, e cada passo que dei exigiu um esforço sobre-humano.

—Meu pai não sabe do contrato. – proferi baixo a Edward assim que paramos a frente da porta de entrada. —E ele está doente, então por favor...

—Não vou fazer nenhum mal aos seus pais. – me interrompeu com o timbre calmo. —Pode ficar tranquila.

Engoli a seco olhando-o de soslaio, ele pareceu verdadeiro o suficiente para me tranquilizar um pouco. Muito pouco.

A porta da frente se abriu e Linda nos recebeu com a mesma simpatia de sempre, mas não escondeu a surpresa ao ver Edward. Dava para ver em seu semblante pasmo que ela havia o reconhecido.

Já não conseguia sentir meu coração batendo no peito, e precisei entreabrir os lábios para respirar, tamanho meu nervosismo. Nada havia me preparado para aquele momento.

—Onde estão meus pais? – gaguejei ao perguntar.

—Lendo, na biblioteca. – Linda disse tentando disfarçar a feição de surpresa.

Maneei a cabeça em consentimento e precisei me esforçar para lembrar o caminho até a sala. Minhas pernas tremiam tanto que me agarrei no corrimão para garantir um pouco mais de segurança enquanto subia as escadas.

—Incrível como nada aqui mudou. – Edward assobiou do meu lado.

Não consegui responde-lo, a proximidade da biblioteca me deixou completamente anestesiada. Fora impossível conter minha mente e traiçoeira como era, me fez relembrar o dia fatídico em que apresentei Edward aos meus pais pela primeira vez.

Quinze anos separavam aquele momento. Nós já não éramos jovens inocentes, e todo aquele sentimento bonito e intenso que sentimos, fora substituído por rancor e raiva.

Como se estivesse tendo um Déjà vu, vi a porta da biblioteca se abrir, exatamente como na primeira vez, e Renée apareceu antes mesmo que pudesse me preparar.

Seu rosto empalideceu na mesma hora em que colocou os olhos em Edward, e o sorriso foi sumindo em seus lábios conforme nos aproximávamos.

—Oi, mãe. – sussurrei sentindo o clima pesar. —Esse é o... – gaguejei sem saber o que dizer. —Eu vim apresentar... – corri a mão pelo rosto desejando que o chão se abrisse e me engolisse. —Nós...

—Como vai, Renée? – Edward tomou a frente diante minha total demência, estendeu a mão em direção a minha mãe e sorriu com o canto dos lábios.

Renée piscou algumas vezes, acho que não acreditava no que estava vendo, provavelmente quase tão abalada quanto eu.

—Bem. E você? – após manear a cabeça, ela finalmente aceitou o cumprimento de Edward.

—Estou ótimo. – respondeu abrindo o sorriso.

E ele estava. Sabia que aquele momento era de puro prazer para Edward. E no fundo, não podia recrimina-lo. Mesmo que eu quisesse com todas as minhas forças.

—Então é ele. – Renée voltou seus olhos para mim. —O Edward. – completou ainda perplexa.

—Uhum. – me limitei a confirmar com a cabeça rapidamente enquanto tentava controlar minha respiração, a espera de que aquele taquicardia passasse.

Nós três caímos em um silêncio mais pesado que qualquer palavra, tão pesado quanto as lembranças que fervilhavam minha cabeça.

—Renée, o que é que está acontecendo... – a voz de Charlie foi morrendo aos poucos assim que a cadeira de rodas atravessou as portas da biblioteca. Seus olhos escuros passaram rapidamente por mim e então se fixaram em Edward.

Contive o ar nos pulmões enquanto tentava me preparar para a tragédia.

Mais uma vez, a ideia de declarar falência e desistir de tudo, não me pareceu tão ruim!

Notas finais
Eita! E aí, como acham que vai ser a reação do Charlie? E a família do Edward, o que acharam? Só digo uma coisa: no próximo eles vão se casar e vai ter aquele hot maravilhoso que eu sei que vocês amam hahahaha Mas só semana que vem... enquanto isso, me façam feliz e comentem muito! Beijinhos ♥