Acordo Nupcial

15 Capítulo 15 - Você é a minha Felicidade


Notas iniciais
Oi, gente! Sumi por uns dias porque tive uns compromissos profissionais, mas já voltei! Espero que gostem do capítulo, boa leitura ♥

Cessei os passos antes de entrar no closet, parando a frente do cômodo amplo e de iluminação independente onde Edward se arrumava.

Ele prestava muita atenção no que fazia, tanto que nem percebeu minha presença. Recostei no batente de madeira branca observando atentamente seus movimentos rápidos. Pareceu um pouco indeciso sobre qual camisa vestir, mas não demorou a escolher uma blusa preta de mangas compridas.

Vê-lo vestir a peça era quase tão sexy do que vê-lo tirar.

Como esse homem não foi descoberto por alguma agencia de modelos? Ele era tão lindo que merecia ser admirado.

—Então você está me espionando agora? – ele se virou para me encarar com um sorrisinho brincando no canto dos lábios.

—É claro que não. – dei de ombros arrumando o corpo para caminhar em sua direção.

Edward correu os olhos por corpo enquanto vestia o casaco verde musgo. A cor intensa fez com que seu cabelo se destacasse ainda mais.

—Você está linda. – seu elogio sincero me fez aumentar ainda mais o sorriso, esse que não saía da minha boca desde que havíamos nos entendido.

Estar bem com Edward e saber que ele não havia desistido de nós me fez alcançar um estado de paz interior que até então não conhecia.

—Você também está lindo. – proferi assim que parei a sua frente. Não contive o suspiro quando ele enlaçou minha cintura com os braços fortes e me puxou para perto.

Ergui a cabeça e curvei os lábios em sua direção. Edward entendeu o recado rapidamente e deixou um beijo rápido sobre minha boca.

—Já está pronta?

—Sim. – respondi com um suspiro, aproveitando a sensação inebriante que seu perfume causava. —Tem certeza que é uma boa ideia eu ir nesse jantar? – já tinha feito aquela pergunta umas dez vezes, mas a insegurança ainda batia forte dentro de mim.

Edward entortou o sorriso quando assentiu com a cabeça, subiu uma das mãos até meu rosto e afagou minha bochecha com o polegar.

—O que te faz pensar que não seria uma boa ideia você ir no jantar de aniversário dos meus pais? – sua voz saiu terna e paciente.

Encarando-o respirei fundo algumas vezes pensando em como responderia à questão.

—Não sei. – dei de ombros espalmando as mãos em seu peito. —Acho que sua mãe não gosta muito de mim.

Na verdade, eu tinha praticamente certeza que Esme não ia muito com a minha cara. Os poucos encontros que tivemos eram prova suficiente.

—Isso não é verdade. – Edward rebateu. —Minha mãe não tem nada contra você, ela só tem o pé atrás por conta de tudo o que aconteceu. – explicou afagando meu rosto. —E vocês não se conhecem direito, tenho certeza que quando passarem mais tempo juntas vão se tornar grades amigas.

Ouvi suas palavras em silencio e tentei me agarrar a elas. Tudo o que eu mais queria era me dar bem com os pais de Edward.

—É acho que você tem razão. – minha resposta o fez sorrir grande novamente. Edward deixou um beijo em minha testa e com um suspiro longo me afastei para deixar que ele terminasse de se arrumar.

Queria muito me dar bem com a família dele, e sabia que teria que conquista-los para desfazer a imagem de menina mimada que rejeitou o filho deles há mais de uma década.

Se eles soubessem metade de toda a verdade...

A casa da família Cullen não ficava longe do apartamento, mas levamos o dobro do tempo necessário para chegar à rua sem saída que estava toda decorada por luzes de natal, tudo por causa da neve intensa que caía.

Foi impossível não me sentir nervosa quando saí do carro, já tinha um tempo que não ia até lá e não ficava muito à vontade... Pelo menos agora eu sabia que podia conquista-los e no futuro explicar toda a confusão que fora criada para me afastar de Edward.

Me encolhi dentro do casaco quando paramos a frente da porta de entrada, estava muito frio e sabia que as temperaturas cairiam ainda mais.

Edward pressionou a campainha e Emmet abriu a porta, sua presença ali não me surpreendia, já que ele era um dos melhores amigos de Edward e rolava boatos de estava se envolvendo com Alice.

—Boa noite casal. – nos cumprimentou com uma piscadela enquanto tomava um gole do vinho da taça que segurava.

—Boa noite, Emmet. – sorri aceitando a ajuda de Edward para tirar o casaco. A casa aquecida me fez estremecer de prazer, era muito bom sentir algum calor depois daqueles segundos congelantes do lado de fora.

—Mas você já está aqui? – Edward perguntou em tom de provocação. —Sabia que é inconveniente chegar muito cedo aos compromissos, não é?

Emmet rolou os olhos e bufou alto antes de devolver a brincadeira.

—Inconveniente é chegar atrasado porque ficou tempo demais arrumando o cabelo de herói.

—Cabelo de herói? – me virei para encará-lo enquanto seguíamos pelo corredor.

—Sim, olhe só esse topete de “super homem”. – Emmet pareceu bem feliz ao me explicar. Desviei os olhos dele e fitei o cabelo de Edward completamente arrumado, foi impossível deixar de rir.

—É, realmente...

—Você deveria ficar do meu lado, sabia? – Edward soou um pouco inconformado, mas seus olhos verdes deixaram evidente que não havia sinal de mágoas. —E você deveria se comportar melhor, já que está quase namorando a minha irmã caçula. Sem contar que sou o seu chefe...

—Na verdade a minha chefe agora é a Bella. – Emmet deu de ombros. —E o “quase” não existe mais. Alice finalmente se rendeu aos meus encantos.

Ele fingiu se gabar arqueando o queixo e sorrindo vitorioso. Edward bufou alto.

—Minha irmã, tão inocente, tem um gosto péssimo para homens...

—Estão falando de mim? – a voz de Alice preencheu o ambiente, seguindo os acordes suaves de sua fala, a encontrei parada no alto da escada.

Sorrindo como sempre, Alice desceu os degraus com desenvoltura, o vestido lilás se movia junto com seu corpo em uma dança delicada.

—Sim, Bella e eu estamos chocados com seu gosto questionável para namorados. – Edward respondeu forçando uma cara de nojo.

Alice rolou os olhos antes de abraça-lo.

—Bella você tem algum problema de vista? – Emmet se virou para me olhar tomando o resto do vinho que havia em sua taça.

—Sim, alguns... Uso óculos para leitura e estou sempre de lente. – expliquei rapidamente, mas sem conseguir entender o que ele queria dizer com aquilo. —Porque?

—Nada, só queria entender o porquê se casou com Edward.

—Ai, meu Deus! – exclamei rindo de sua resposta.

—Não ligue para eles, Bella. Se provocam o tempo todo..., Mas se amam. – Alice proferiu se aproximando de mim.

—Posso me acostumar com isso. – ela sorriu antes de me abraçar.

—Como você está? – seus olhos cor de mel demonstraram um pouco de preocupação.

—Estou bem, completamente recuperada do susto. – respondi com um sorriso.

Alice intercalou os olhos entre o irmão e eu, e rapidamente entendi o que ela queria dizer.

—Estamos bem. – repeti a resposta abrindo um pouco mais o sorriso.

—Sabia que isso iria acontecer! – surrou vibrante e me abraçou novamente. Correspondi ao gesto com todo meu coração, sabia que Edward e eu não teríamos dado o braço a torcer tão cedo sem a ajuda de Alice.

A casa dos Cullen era extremamente aconchegante e estar lá me trazia sentimentos reconfortantes. Por mais luxuosa que tivesse sido minha infância, sempre senti falta de algo, e agora, sabia exatamente o que era: amor de uma família.

Carlisle e Esme vieram nos cumprimentar, e nem mesmo o receio que Esme sentia em relação a mim, fez com que eu me sentisse menos confortável. Entendia que precisava conversar com ela e iria fazer aquilo.

—Quem montou a árvore de natal? – Edward perguntou me entregando a taça com vinho tinto.

—Eu. E não foi só a árvore, todos os enfeites que estão pendurados foram colocados por mim. – Carlisle respondeu observando a esposa de soslaio.

—Ah, e eu não fiz nada? – Esme se virou para fita-lo retirando o cabelo do rosto. Ela estava muito bonita naquela noite, usava um vestido preto que favorecia seu corpo e deixava que o colar de pedras esverdeadas se destacasse no colo alvo.

—Claro que fez, deu as ordens como sempre. – as palavras de Carlisle fez um coro de risadas emergir na sala de estar, Esme também se rendeu, mas não conteve o rolar de olhos.

—Duvido que teria ficado tão bonito sem as minhas ordens. – arqueou o queixo bebericando o restante do vinho. —Estão ouvindo bem, meninas? O segredo para um casamento tão duradouro, é esse. – ela intercalou os olhos entre Alice e eu, nos lançando piscadelas divertidas.

Aceitei seu concelho observando-a ao lado do marido. Eles pareciam verdadeiramente apaixonados, mesmo depois de trinta anos de casados. Havia uma cumplicidade indescritível na troca de olhares, nos gestos, nas falas... Era como se um conseguisse prever o movimento do outro e agisse em plena sincronia.

Era lindo e inspirador observá-los.

—Certo, vou terminar de arrumar a mesa, com licença. – ela pediu educadamente antes de se levantar e seguir em direção a sala de jantar.

Mordisquei meu lábio inferior ponderando sobre a ideia de segui-la e tentar algum tipo de aproximação, e quem sabe uma conversa sincera.

Respirei fundo e tomei um gole grande do vinho tinto, enxergando o líquido alcóolico como uma dose de coragem.

—Vou ver se Esme precisa de ajuda. – informei aos presentes deixando minha taça sobre a mesa de centro. —Com licença.

Evitei o olhos curiosos de Edward para manter o foco naquele momento que já era bastante constrangedor para mim. Nas poucas vezes que havia me encontrado com ela, Esme havia sido muito gentil, apesar de distante, e queria quebrar aquele gelo que existia entre nós duas.

—Precisa de ajuda? – indaguei parando na entrada da sala de jantar.

Esme se virou para me olhar, um pouco surpresa pela minha aproximação, e sorriu ao negar com a cabeça.

—Obrigada, Bella. Está tudo pronto. – respondeu com cordialidade.

—Certo. – soltei o ar pela boca vendo-a ajeitar os guardanapos de linho sobre os pratos de porcelana. Estava tudo muito arrumado, seu grau de perfeccionismo era alto. —Esme, eu queria conversar um pouco com você... – minha voz vacilou um pouco entre as palavras e precisei pigarrear para me recompor.

Ela ergueu o corpo para me olhar, seus olhos eram acolhedores.

—Algum problema?

Respirei fundo e apoiei as mãos na cadeira de madeira clara ao negar com a cabeça. Sentia meu rosto pinicar e tinha certeza que estava corado.

—Na verdade... Como eu posso dizer? – desviei os olhos em plena incoerência. —Me perdoe se eu estiver errada, mas eu acho que...

—Que? – perguntou me incentivando a continuar.

—Que você não gosta muito de mim. – completei com a voz mais baixa. —E eu entendo sua posição, porque tudo o que aconteceu entre Edward e eu, deixou muitas marcas e você, sendo a mãe dele, obviamente vai querer defende-lo e protege-lo... Mas eu juro que não quero faze-lo sofrer de novo e que minhas intensões são as melhores...

—Bella, se acalme. – ela abriu um sorriso ao me interromper. —Sente-se, por favor. – pediu enquanto eu tentava recuperar meu fôlego, já que havia dito todo aquele discurso em apenas um pulmão de ar.

Puxei a cadeira com cuidado e me sentei, completamente envergonhada, a vi dar a volta na mesa para então se sentar ao meu lado.

De frente para mim, Esme manteve um distancia confortável e respirou fundo algumas vezes antes de romper aquele silencio constrangedor.

—Bom, quero começar dizendo que eu não desgosto de você, como pensa. – começou com a voz suave. —Fiquei sim, com o pé atrás, quando Edward me contou que reataram. Muita coisa aconteceu entre vocês e gerou um sofrimento imenso... Então fiquei com medo de que a história se repetisse. – explicou pacientemente. Mordendo meu lábio inferior eu tentava não desviar os olhos dos seus, mas estava tão nervosa e envergonhada que era difícil não cessar o contato visual. —Quando você for mãe vai entender esse instinto protetor que nós temos. Não tem nada no mundo que me deixe pior do que ver os meus filhos sofrerem. – assenti com a cabeça rapidamente para deixar claro que eu a entendia, em partes, mas entendia. —Contudo, hoje quando eu vi meu filho, notei que havia uma coisa diferente. Não sei explicar exatamente o que, mas o senti mais leve, vi o quanto aqueles olhos lindo estão brilhando, que ele não para de sorrir... – ela fez uma pausa para poder respirar fundo. —Eu o senti feliz de um jeito que jamais esteve nos últimos anos. E eu sei que o motivo disso é você.

Foi impossível conter o sorriso com suas palavras. Na verdade, foi impossível conter a emoção. Ouvir aquilo me deixou em um estado de plenitude indescritível, e com o peito inflado de alegria e satisfação, senti as lágrimas enxercarem meus olhos.

—Não consigo me lembrar da última vez que o vi tão feliz, e nada deixa uma mãe tão satisfeita do que ver o filho desse jeito. – continuou com a voz calma. —Então como eu posso não gostar da pessoa que trouxe a vida de volta para o meu filho?

Nem mesmo se eu quisesse teria conseguido responder aquela pergunta. A fala sincera de Esme me desmontou por completa. Realmente não estava preparada para ouvir aquilo.

—Eu nem sei o que dizer... – minha voz saiu tremula e com a ponta dos dedos limpei os resquícios das lágrimas que queriam escorrer por meu rosto. —Só que... Eu o amo muito.

—Ah, e ele também te ama. Dá para ver a milhas de distância! – sua brincadeira me fez rir. —Me desculpe se passei a impressão de que não gostava de você, não tenho algo contra sua pessoa... Era só medo de ver o Edward sofrer de novo.

—Não precisa se desculpar, está tudo bem. – mais do que bem, na verdade.

Esme abriu um sorriso grande e me abraçou. Fechei os olhos ao retribuir seu gesto de carinho me sentindo completamente feliz.

—Interrompo? – o personagem principal da nossa conversa perguntou assim que nos afastamos. Limpei o rosto com as pontas dos dedos antes de olhá-lo e negar com a cabeça.

Edward estreitou os olhos ao notar que lágrimas desceram por minhas bochechas. O que ele não sabia era que elas eram motivadas por felicidade.

—Claro que não. – Esme respondeu e se levantou da cadeira. —Bella e eu estávamos conversando, mas já está tudo bem. – ela me olhou por cima do ombro e sorriu, rapidamente retribui. —Se vocês me dão licença, vou tirar o assado do forno antes que queime.

Sabia que aquilo era apenas um motivo para que Edward e eu ficássemos a sós. Assim que Esme deixou a sala, ele correu para se sentar na cadeira que antes estava ocupada pela mãe.

—Porque você está chorando? – sua voz saiu tão preocupada quanto seus olhos estavam.

Maneei a cabeça em negação aproveitando aqueles segundos para admirá-lo. Ele era tão lindo que era difícil acreditar que havia me esperado por todos aqueles anos.

Toquei seu rosto com a mão acariciando-o, sua barba pinicou meus dedos e meu coração se inflou ainda mais de contentamento. Poder tocá-lo e senti-lo com tanta intimidade era indescritível. Chegava a ser surreal se considerasse que há dois meses ele era apenas alguém que eu lutava para esquecer e manter enterrado no passado.

—Não é nada. – dei de ombros tomando fôlego pela boca. —Eu te amo, sabia? – dizer aquilo era extremamente prazeroso. —Eu te amo muito.

Vi o brilho voltar para os olhos esverdeados e os lábios rosados se curvarem em um sorriso grande. Meu coração batia tão rápido dentro do peito, que nem o sentia mais. E as borboletas que haviam no meu estômago me deixaram sem ar.

—Eu também te amo. – proferiu baixo para toda minha euforia.

Meu sorriso estava tão grande que minhas bochechas chegavam a doer. Reclinei o corpo e puxei seu rosto em direção ao meu para que pudesse beijá-lo.

Edward abraçou minha cintura e me puxou para seu colo. Suspirei em seus lábios me sentindo extremamente leve. Era como se eu estivesse tocado o céu com os pés bem fixos no chão.

Por mais que eu quisesse e gostasse muito de estar com a família de Edward, o que mais queria naquela noite era poder ir embora e ficar sozinha com ele. Era uma tortura estar tão perto e não o tocar como queria, não o beijar a todo segundo, não ficar repetindo e repetindo o quanto o amava.

Naquela noite sentia que a antiga Isabella, a adolescente de dezesseis anos, estava mais viva do que nunca. E junto com ela, todo aquele amor inocente e livre de questões que Edward e eu havíamos vivido anos atrás. Naquela noite até mesmo o sexo foi diferente. Foi amor.

—Queria saber uma coisa. – Edward murmurou correndo os dedos pela minha coluna.

Suspirei me aconchegando ainda mais em seus braços.

—O que? – minha voz saiu em um sussurro. De olhos fechados deixei alguns beijos em seu pescoço perfumado, aproveitando aquele momento tão gostoso e único.

—Porque chorou quando estava conversando com a minha mãe? Ela disse alguma coisa que te magoou? – a preocupação em sua voz não era um sentimento bem-vindo naquele momento.

Só queria sentimentos bons dentro daquele quarto.

—Não, pelo contrário. – apoiei o cotovelo no travesseiro e ergui o corpo para encará-lo.

O quarto estava iluminado por luzes indiretas, o que deixava o clima ainda mais confortante e íntimo.

—Ela me disse coisas boas, e eu fiquei emocionada. – expliquei correndo o indicador por seu queixo.

—Que coisas boas? – perguntou mais uma vez em plena curiosidade.

Rolei os olhos e me abaixei rapidamente para beijar seu maxilar.

—Você anda muito curioso para o meu gosto. – ele soltou um risinho com a minha fala. —Ela me disse que ficou receosa quando você contou que tínhamos reatado, mas que isso passou quando percebeu o quanto você está feliz. – resumi a conversa naquelas palavras. —E que o motivo de toda sua felicidade sou eu. – completei abrindo um sorriso grandioso.

Jamais ia me esquecer daquela conversa e de tudo o que senti com ela.

—Ah, ela disse isso? – Edward soou um pouco surpreso.

—Uhum. – balancei a cabeça em concordância. —Porque? Não é verdade?

Edward soltou um riso rápido e rouco que fez seu peito vibrar a baixo de mim. Em um movimento ligeiro, ele nos virou na cama para que ficasse deitado sobre mim.

—É claro que é verdade. – murmurou com os olhos fixos nos meus. —Você é a minha felicidade. E eu não sei como passei tanto tempo longe de você. – declarou me fazendo suspirar de emoção. —Você é a mulher da minha vida. Eu te amo.

—Eu te amo. – respondi passando os braços por seu pescoço e puxando-o para beijá-lo.

Aquelas três palavras eram muito pequenas para definir tudo o que eu sentia por ele. Sentia que nem mesmo se eu usasse todo o dicionário conseguiria descrever meu sentimento.

A segunda-feira amanheceu fria, a neve caía constante e mesmo não gostando muito do inverno, aquela era a manhã mais linda da minha vida.

—Então você não vai para a Gamovies hoje? – indaguei enquanto tomámos o café da manhã.

Edward negou com a cabeça terminando de tomar o café da sua xícara.

—Não, hoje tenho uma reunião em Milwaukee. — fiz um careta com sua resposta, e ele soltou uma risadinha. —O que foi?

—Não acho que o clima esteja favorável para viajar hoje. – dei de ombros tentando não dar vozes as minhas inseguranças e medos.

—Nós vamos de carro, não há perigo. – me assegurou, mas não conseguiu me convencer.

A distancia não era nada absurda, a viagem duraria pouco mais de uma hora e meia, mas sabia que o clima de nevasca não era o mais propício para pegar estrada.

—Nós? – obviamente aquele detalhe não passaria em branco.

—Sim. Garret, Tanya e eu. – respondeu antes de limpar os lábios com o guardanapo. —Não vai me dizer que ainda tem alguma cisma com Tanya, vai?

—Não. – rolei os olhos. —Mas não morro de amores por ela. – aquilo era um fato incontestável, provavelmente era um ciúme sem sentido. —Só fico preocupada por causa do tempo. Está nevando muito.

—Prometo que vamos bem devagar. – ele estendeu a mão e segurou a minha. —Não precisa se preocupar.

—Eu me preocupo e muito. – Edward riu da minha resposta e voltei a rolar os olhos. —Que horas vocês voltam?

—Não sei, princesa. Tudo depende de como vai decorrer a reunião, esse investidor é um pouco difícil, por isso preciso ir. Se fosse um caso mais simples, Tanya poderia me substituir...

—Hum... – respirei fundo resignada. —Tenta voltar antes das cinco, antes que escureça e o tempo piore, ok?

—Ok. – me lançou uma piscadela e beijou as costas da minha mão antes de abrir um sorriso lindo. Tentei retribuí-lo, mas a preocupação me deixou mais contida.

Só ficaria tranquila quando ele voltasse para casa, sã e salvo.

Depois daquele fim de semana tão esclarecedor e perfeito, era difícil voltar para a realidade, para o trabalho e a rotina. Se pudesse escolher, viveria dentro daquele apartamento só tentando recuperar o tempo perdido com Edward.

Mas infelizmente nós dois precisávamos trabalhar. Não dá para viver de amor!

—Bom dia! – Ângela e Alice me cumprimentaram em um coro quando saí do elevador.

—Bom dia, meninas. – sorri em suas direções puxando a echarpe do pescoço. O aquecedor do prédio estava mais forte do que nunca, e a breve caminhada do estacionamento até minha sala me deixou suando.

Ângela se prontificou a buscar meu café e Alice me seguiu para dentro do meu escritório. Podia ver a curiosidade em seu rosto, mas ela só me fizera perguntar pessoais após me mostrar a conclusão do projeto de marketing.

—Então vocês estão bem?

—Muito bem. – suspirei recostando na cadeira giratória. —Nem nos meus melhores sonhos pensei que fosse ficar assim com ele de novo!

Os olhos de Alice brilharam e o sorriso cresceu em seus lábios.

—Fico tão feliz de ouvir isso! – estendeu as mãos em minha direção e rapidamente segurei seus dedos. —Vocês merecem toda a felicidade do mundo!

—Obrigada, Alice. Tenho certeza que não teríamos nos entendido sem sua ajuda. – minha gratidão seria eterna.

—Não precisa me agradecer... Seria burrice minha ver vocês brigarem por algo tão absurdo e não fazer nada. – senti meu rosto aquecer diante sua resposta.

—Eu fui uma idiota por pensar que ele e Tanya...

—Perdoe minha sinceridade, Bella, mas você não foi uma idiota. Você foi manipulada. – Alice disse com cuidado. —Quem te contou isso queria te por contra o Edward.

Respirei fundo ao concordar com a cabeça. Ela tinha razão e confirmar aquilo me deixava ainda mais irritada.

Como minha mãe podia ser tão cobra?

—Foi maldade, Alice. Desde sempre, foi por maldade. – ela abaixou os olhos ao entender o que eu queria dizer. —Mas dessa vez eu não vou deixar passar.

—O que vai fazer?

—Vou colocar essas pessoas em seus devidos lugares.

Estava determinada a conversar com Renée e deixar claro que sabia de tudo. Só precisava despejar tudo o que estava sentindo após montar o quebra-cabeça e perceber que os culpados de todo o meu sofrimento eram os meus próprios pais.

Era difícil conter a ansiedade para aquele embate. Já tinha aguardado longos quinze anos, mas aquele expediente na empresa pareceu mais torturante do que a década e meia.

Desviei os olhos do computador quando meu celular vibrou sobre a mesa. Sorri ao ver que era Edward que me ligava.

—Oi, amor. – ele disse assim que aceitei a chamada e suspirei profundamente. Era tão bom ouvi-lo me chamar daquele jeito.

—Oi, já está vindo? – sua risada rouca ecoou pela chamada.

—Sim, já vamos sair daqui. – respirei aliviada com sua resposta e com o tempo. A neve caía, mas bem fraca, e não eram nem quatro da tarde. —Tudo bem por aí?

—Tirando o fato de que o dia está durando sessenta horas... – Edward voltou a rir com minha lamentação. —Estou com saudades. – curvei os lábios em um biquinho sentindo meu peito apertar.

—Eu também estou com saudades, princesa. O que acha de irmos jantar fora hoje?

—Hmm, não sei... Onde nós iriamos? – fiz charme ouvindo sua risada mais uma vez. Eu amava o som da sua risada.

—Não vou te contar, é uma surpresa.

—Que misterioso... Tudo bem, eu aceito ir jantar com você! – podia apostar que ele estava sorrindo. —Só não faça uma reserva muito cedo, porque vou sair daqui e passar na casa dos meus pais.

Edward respirou fundo e ficou alguns segundos em silencio.

—Vai passar lá?

—Sim. Preciso esclarecer as coisas com eles, Edward. Principalmente com a minha mãe. Não é justo deixar isso de lado, e ignorar tudo o que eles nos fizeram passar.

—Você acha que vale a pena? Não é melhor seguir em frente e esquecer?

—Não. – respondi com firmeza. —Jamais vou conseguir esquecer tudo o que aconteceu. E eu preciso disso para seguir em frente.

Ele voltou a respirar fundo e mordendo o lábio inferior esperei por sua resposta.

—Porque não me espera e vamos juntos? Sei que essa conversa vai te deixar abalada...

—Não, quero ter essa conversa com eles a sós. E não precisa se preocupar, o Frederick vai me levar.

—Tudo bem, se prefere assim... Só tome cuidado.

—Vou tomar. – concordei respirando fundo. —Eu te amo.

—Eu também te amo. Até mais tarde.

—Até.

Encerrei a ligação com o peito cheio de determinação. A única coisa que faltava para poder viver plenamente com Edward era resolver as coisas com Charlie e Renée. Depois que me acertasse com eles poderia finalmente deixar aquele assunto no passado!

Falar com Edward recarregou minhas energias e me deixou mais desperta na reunião sobre o lançamento do serviço de streaming. Era muito bom ver tudo caminhando para a prosperidade graças aquelas pessoas tão competentes, e claro, a Edward.

Se não fosse por ele, certamente já teríamos declarado falência e estaríamos na rua da amargura sem nada... E aquilo me deixava ainda mais irritada!

Como minha mãe podia ser tão cruel com a pessoa que estava devolvendo o luxo para sua vida?

Respirei fundo e chacoalhei a cabeça enquanto recolhia minhas coisas da sala de reunião. Esperava que ela respondesse a todas as minhas perguntas, nem que para isso a raiva e repulsa que sentia por ela aumentasse!

—Bella? – Emmet me chamou após deixar duas batidas na porta de vidro.

—Sim? – olhei-o rapidamente enquanto arrumava as coisas dentro da minha bolsa. Aproveitei para dar uma rápida averiguada no celular. Não havia nenhuma mensagem de Edward.

—Já está indo embora?

—Sim. – repeti a monossílaba colocando a bolsa no ombro. —Porque?

—É que aconteceu um probleminha....

—Probleminha? – estreitei os olhos observando sua postura tensa. —O que foi, Emmet? – um calafrio correu minha espinha e precisei me segurar na poltrona quando minhas pernas tremeram. —É alguma coisa com o Edward?

Fazer aquela pergunta exigiu de mim uma força descomunal.

—Primeiro eu preciso que você se acalme. – aquele era um jeito péssimo de começar a dar uma notícia ruim.

Puxei a cadeira e me sentei quando minhas pernas vacilaram. Um calafrio de horror correu meu corpo e tentei tomar fôlego pela boca, mas era como se meus pulmões tivessem desaprendido a fazer sua função.

—O que aconteceu? – perguntei em um sussurro.

—O carro derrapou na pista e colidiu em uma árvore.

Notas finais
Primeiramente eu quero saber: o que acharam do capítulo? Acho que a maioria aqui já sabe, mas não custa reforçar que a fic está acabando... E como é praxe sjá comecei a postar minha nova história, segue o link : https://fanfiction.com.br/historia/801686/Nos_Bracos_do_Inimigo/ Espero ver vocês lá, hein? Por enquanto é isso, comentem muuito pra eu voltar logo... Beijos ♥