Aconteceu Você...
19 Uma conversa importante. Enfim, pazes!
Notas iniciais
Beijos e boa leitura!
A aula foi normal. Contei sobre a nossa aventura na cozinha e de madrugada para a Magá, que rolou no chão de tanto rir na hora do intervalo. Ficamos naquele mesmo grude que estávamos na praia, parecia que eu nunca me cansava de estar com ele. Percebi uns olhares chateados do Cebola em nossa direção e me chateei com isso. Poxa, ele sempre foi meu amigo e sempre soube que eu gostava dele, mas ficava me enrolando. Quando eu consigo encontrar uma pessoa que me faz feliz ele faz uma coisa dessas? Eu não gostava da forma como estávamos nos tratando e gostava menos ainda de ver que ele estava se afastando de toda a turma por causa disso; ele teve sua chance e a jogou fora, agora ele resolveu se revoltar? E a Irene? Ele sempre deu tanto em cima dela e agora que a menina tá visivelmente apaixonada ele fica nessa? Eu sempre impliquei com ela porque tinha ciúmes dele e percebia que ele não perdia a oportunidade de ficar com ela, já comigo era o contrário, ele sempre enrolava. Mas agora que eu não sinto mais nada por ele percebo que ela até é uma garota legal, que sempre tentou se aproximar da turma, mas nunca conseguiu por minha causa. Na menor aproximação eu a enxotava e fazia um barraco básico. Até senti remorso por isso, decidi chamar ela pra conversar qualquer dia e pedir desculpas, não era do meu feitio tratar ninguém mal e eu não me sentia bem por ter feito isso. Mas quanto ao Cebola eu percebi que a nossa amizade estava gravemente estremecida por causa desse meu namoro com o DC e não era isso o que eu queria. Eu queria ficar feliz com o meu namorado, mas também queria ter o meu amigo de volta, afinal ele sempre foi muito importante pra mim e eu queria poder compartilhar a minha felicidade com ele. Passei a aula remoendo isso na minha cabeça e resolvi chama-lo para uma conversa definitiva, era agora ou nunca, não podia passar de hoje. Quando o sinal tocou indicando o fim das aulas eu levantei decidida a por um fim nessa situação, juntei os meus livros enquanto o DC me esperava parado ao meu lado e respirei fundo, tentando encontrar uma maneira de fazer isso. Nesse momento o Cebola me chamou.
_ Mônica, eu posso falar com você um instante?_ Levantei os olhos para encará-lo e sua expressão estava séria, porém amigável.
_ Claro. _ Me virei pro DC, que permanecia com a expressão tranquila._ Se importa de me esperar um pouquinho, amor? Vou falar com ele e daqui a pouco a gente vai pra casa, tá?
_ Tudo bem, vou deixar vocês à vontade. Qualquer coisa eu estou aqui fora._ Ele olhou pro Cebola por breves segundos e saiu.
Acompanhei seu andar até que ele saiu da sala e me virei para encarar o Cebola novamente. Estávamos sozinhos na sala e ele suspirou pesadamente, depois sentou na cadeira e largou a mochila no chão.
_ Senta aí, Mô. Prometo que não vou demorar._ Eu apenas assenti e sentei, colocando meus materiais na mesa denovo.
_ Tudo bem, eu estava mesmo pensando em te chamar pra conversar._ Ele me olhou com uma certa surpresa e sorriu discretamente.
_ É... Nem sei por onde começar, mas vamos lá! Eu sei que não tenho agido certo com você ultimamente e que tenho sido um verdadeiro idiota. Então eu queria pedir desculpas por tudo o que tenho feito, pelas coisas que eu tenho te dito..._ Ele abaixou a cabeça e eu sorri aliviada._ Você é a minha melhor amiga e eu não posso jogar isso fora.
_ É claro que eu te desculpo, Cê! Você é o meu melhor amigo e é muito importante pra mim, não quero ver nossa amizade jogada no lixo por motivos bestas! Eu fiquei sim muito magoada com você porque eu gostava de você e sentia que sua intenção comigo não era a mesma, mas agora eu coloquei as coisas no lugar e vi que é melhor que não tenha acontecido nada de mais entre a gente._ Ele levantou a cabeça e sorriu._ Além do mais eu tenho o DC e você tem a Irene, que é louca por ti. Não jogue o coração dela fora também! Ela merece ser feliz.
_ Quem diria... Mônica defendendo Irene... Pensei que ia morrer sem ver esse dia chegar, esse japonês maluco te mudou mesmo, hein?_ Ele riu._ Eu parei pra pensar e vi que a minha raiva não tinha fundamento, era só um ciuminho besta de criança mesmo, sabe? Eu gosto muito de você Mô, mas acho que é de uma forma diferente. Eu te vejo como uma amiga muito querida, quase uma irmã._ Meus olhos estavam marejados, fiquei emocionada com aquilo._ Digo “quase” porque ainda acho você bem gostosinha, mas deixa isso em off ok? _ Eu fiquei mega vermelha e dei um tapa nele, mas foi fraco._ Não quero apanhar de nenhum karatê kid na saída!_ Nós gargalhamos e eu levantei, estendendo a mão em sua direção.
_ Amigos?
Ele levantou e apertou minha mão com firmeza, me abraçando em seguida.
_ Amigos!
Eu estava no céu! Agora eu tinha a amizade do Cê de volta e tinha um namorado maravilhoso me esperando do lado de fora. Peguei meus livros e saí da sala, abraçada ao Cê. Quando saímos eu vi o DC sentado num banco que ficava perto da quadra, com a cabeça baixa. Quando nos aproximamos ele levantou a cabeça e sua boca se apertou numa linha rígida.
_ Vamos pra casa, amorzinho? Eu e o Cê já acabamos a conversa._ Falei com um sorriso radiante no rosto, sua expressão se suavizou, mas ele continuava sério.
_ Tudo bem, vamos._ Ele levantou e pegou os livros que estavam na minha mão.
_ Olha cara, a Mô vai conversar melhor com você depois; mas agora eu queria te pedir desculpas pela minha atitude e fazer um acordo de paz. Eu percebi que estava sendo egoísta e que essa minha postura em relação a vocês não tinha cabimento, a Mô é uma amiga muito querida e eu não quero desperdiçar a nossa amizade por motivos mesquinhos.
O DC sorriu e assentiu com a cabeça.
_ Você pode até não acreditar, mas eu fico muito feliz por isso. Eu sei que vocês sempre foram muito amigos e sei que a felicidade da Mô não estaria completa se vocês não fizessem as pazes. E é claro que você não precisa me pedir desculpas, eu entendi a sua situação. Paz?
_ Paz!_ Cebola apertou a mão do DC._ Cuide bem da minha amiga, viu? Se você a fizer chorar, nem que seja só um pouquinho eu te caço lá na Itália, no Japão, no Iraque, seja lá onde você se esconder e te faço chorar o triplo, ok?_ Cebola falou brincando, com um tom ameaçador e todos nós rimos.
_ Olha que eu sei lutar kung fu e karatê, hein? Nem se arrisque._ DC falou, imitando um movimento de luta.
_ Fique nessa._ Ele olhou pros lados, como se procurasse alguém._ Bom gente, tenho que ir. Vou procurar a Irene pra ter uma conversinha também. É tanto pedido de desculpas num dia só que eu acho que se morrer hoje meu lugar no céu já tá garantido!
_ Esqueceu do bullying todo que você praticou contra mim na infância? Vai ter que trabalhar muito pra chegar ao céu!_ Falei rindo.
_ Esquece isso, pô! Daqui a pouco você começa a lembrar e daí o Sansão surge do nada e eu saiu daqui todo arrebentado. Águas passadas não movem moinhos, Mônica!
_ Hum... Venha com suas filosofias baratas pra cima de mim! Tô de olho, Cebolinha!
_ É Cebola, pare de sacanagem!_ Ele se fez de irritado._ E agora deixa eu correr antes que a Irene se bata com um japonês vindo do fim do mundo e me abandone também._ Ele piscou, brincalhão.
Nós gargalhamos e ele foi embora. Eu estava em êxtase e respirei aliviada, jogando meus braços em volta da cintura do DC e o abraçando, ele deu um beijo no topo da minha cabeça e colocou os dedos no meu queixo, levantando o meu rosto e me dando um beijo apaixonado e delicado.
_ Tudo está bem quando acaba bem._ Ele beijou minha testa e entrelaçou nossos dedos._ Gosto de te ver feliz assim.
_ É, você não sabe a falta que esse chato estava me fazendo. Agora parece que tá dando tudo certo na minha vida. Tenho um namorado lindo, amigos maravilhosos, pais incríveis e um cartão de crédito que aceita em qualquer lugar!
Nós gargalhamos e saímos da escola, de mãos dadas em direção à minha casa. Ficamos namorando pelo caminho e no portão da minha casa. Depois eu entrei e ele seguiu seu rumo, minha mãe estava em casa e eu aproveitei para contar a ela do acontecido. Ela ficou feliz por saber que eu tinha resolvido a minha situação com o Cê e o resto do dia correu perfeitamente bem.
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