Aconteceu Você...

14 Pedido oficial: Meu coração é seu!


Notas iniciais
O tão esperado pedido oficial aconteceu! E aí, qual foi a reação dos pais da Mônica? Confiram!
Boa leitura!!! *-*

Meus pais chegaram por volta das 19:00 horas; eu já estava arrumada, com um vestido azul que a minha avó tinha me dado no meu aniversário e que eu ainda não tinha achado uma ocasião para usar(Look:http://www.polyvore.com/cgi/set?id=71100292&.locale=pt-br ). Eles me olharam de cima a baixo e se entreolharam, rindo em seguida.

_ Vai sair hoje, filhinha?

_ Na verdade não, vou ficar em casa. _ Falei nervosa, minhas mãos estavam suando e minha mãe riu.

_ Esse vestido ficou lindo em você, mas tem alguma ocasião especial que nós tenhamos esquecido? Seu aniversário é hoje?_ Eles gargalharam._ Vamos receber alguma visita ilustre ou algo assim?

_ Ér... É que... _ Falei desajeitada enquanto passava as mãos no vestido na tentativa de secá-las._ Eu... chamei um... amigo_ Olhei pra baixo, isso era mais difícil do que eu esperava._ Pra jantar com a gente.

_ Ah, filha! Que ótimo! Vamos pedir alguma coisa no japonês, hoje eu passei o dia inteiro pensando naquele frango xadrez que a gente comeu no meu aniversário._ Mamãe falou, percebendo o meu desconforto, percebi que eles trocaram um olhar enquanto meu pai tirava os sapatos. _ Seu amigo come comida japonesa?

_ Tenho certeza que sim. _ Sorri pensando na coincidência.

_ Você marcou que horas?

_ Oito.

_ Ótimo! É bom que dá tempo de nós tomarmos banho, enquanto isso você pede a comida._ Mamãe falou, encaminhando-se para a escada. _ E filhinha, tenta parar de tremer! _ Piscou e papai a acompanhou gargalhando. Eu procurei um buraco no chão pra enfiar a minha cara, mas não achei, que pena!

Eles foram tomar banho e eu liguei pro restaurante, bebi uma água na tentativa de me tranquilizar e retoquei o batom. Me olhei no espelho um milhão de vezes e sentei no sofá, esperando o DC chegar. Logo os meus pais voltaram para a sala, ambos visivelmente segurando o riso, estranhei o comportamento deles, mas resolvi não questionar. Para a minha surpresa o DC chegou pontualmente às 20 horas, aliás, ele sempre estava me surpreendendo. Apertou a campainha e eu levantei para abrir o portão, estava tão nervosa que acabei tropeçando no tapete e quase cai de cara no chão, meus pais riram da minha situação e se acomodaram no sofá numa posição bem formal como se já soubessem do que se tratava esse jantar. Saí para receber o DC e aproveitei para respirar o ar fresco da noite, tentando controlar a minha ansiedade. Quando abri o portão ele estava andando de um lado pro outro, coçando a nuca como fazia quando estava nervoso ou constrangido e esfregando uma mão na outra.

_ Nervoso, meu príncipe? _ Perguntei, abraçando-o.

_ Bastante._ Ele riu nervosamente._ Você está linda. Como sempre. _ Me deu um beijo rápido.

_ E você está muito sedutor. Tem namorada, gatinho?_ Pisquei. Ele estava usando calça jeans, camisa pólo cinza e azul marinho, e sapatênis.

_ Tenho, e sou muitíssimo fiel a ela. Ela é a garota mais linda, mais inteligente, mais encantadora, mais charmosa e mais gostosa do mundo. _ Corei e ele riu._ Bom, é melhor a gente entrar. Seus pais vão estranhar a demora. Você falou pra eles que eu vinha?

_ Falei, mas não falei que era você. Eles estão muito estranhos, fazendo piadinhas e rindo da minha cara o tempo todo. Parece que eles já sabem!

_ Enquanto eles tiverem rindo e fazendo piadas tá ótimo pra mim. Continuo vivo!_ Piscou e me puxou pela mão entrando na garagem.

Fechei o portão e segurei firme a mão dele. Respirei fundo e entrei, meus pais continuavam na sala sentados formalmente e já dava pra ouvir as risadinhas deles. Quando entramos na sala senti o DC ficar tenso ao meu lado. Soltamos as mãos. Meus pais sorriram e levantaram para cumprimentar o meu “amigo”.

_ Boa noite Seu Sousa, boa noite Dona Luísa. _ Ele falou visivelmente nervoso. Apertou a mão do meu pai e deu um beijo no rosto da minha mãe.

_ Boa noite Do Contra! Como vai, querido?_ Mamãe perguntou, enquanto meu pai segurava o riso e ela dava uma leve cotovelada na barriga dele.

_ Muito bem, obrigada. E a senhora?

_ Também vou muito bem, que surpresa tê-lo aqui!_ Ela apontou pro sofá._ Sente-se, fique à vontade. E me chame de “você”, ok?

_ Vocês querem uma água? _ Papai perguntou com uma expressão gozadora._ Parecem nervosos... _ Ele e a mamãe riram, nós sentamos no sofá.

_ Pai, você não é ave Maria mas tá cheio de graça hoje, hein?_ Falei descontraindo o ambiente, o DC riu.

_ Bom, pedimos comida japonesa, mas agora nem preciso perguntar se você come, né?_ Meu pai falou com o DC._ Na sua casa deve rolar isso todo dia! _ Gargalhou.

_ Não é bem assim, lá em casa a cozinha é dos homens._ DC riu._ Minha mãe não gosta muito de cozinhar, aí depois que eu aprendi ela se livrou.

_ Você cozinha? _ Mamãe perguntou.

_ Sim. Desde os onze anos.

_ Tá vendo aí filha? Você bem que podia pedir umas aulas a ele!_ Meus pais riram e eu fiz bico.

_ Ah mãe! Minha comida não é tão ruim assim!

_ Concordo meu bem. Mas sua sopa é uma coisa, digamos, estranha!_ Papai gargalhou e o DC acompanhou.

_ É um complô contra mim, né? Vou embora dessa casa!

_ Não vá não, filhinha! A faxina fica como se você for?

_ É só pra isso que eu sirvo né? Adeus família ingrata._ Todos nós gargalhamos e eu senti que o DC estava mais descontraído.

A comida chegou e minha mãe foi atender a porta e pagar. Enquanto isso ficamos eu, o papai e o DC na sala, eles estavam falando sobre futebol. Quando a mamãe entrou ela colocou as coisas na cozinha e voltou à sala.

_ Gente, o jantar está na mesa. Estão com fome agora?

_ Ér... A gente poderia... Ter uma conversinha com você antes?_ DC perguntou, coçando a nuca e muito sem graça. Meus pais se entreolharam e sentaram novamente.

_ Claro._ Papai me olhou e deu um sorrisinho sarcástico. Eu gelei._ Vocês mataram alguém?

_ Como?_ Perguntei assustada, sem entender nada. Mamãe riu.

_ Mataram alguém, estão usando drogas, bateram um carro?_ Ele levantou a sobrancelha e o DC deu uma risadinha nervosa, passando a mão na nuca novamente.

_ Por que está perguntando isso?

_ Porque do jeito que vocês estão nervosos eu acho que o garoto vai ter um AVC a qualquer momento!

_ Deixa ele falar, meu amor!_ Mamãe deu um tapinha nele, segurando o riso._ Pode falar, querido.

_ Ah... É... Bem..._ Ele me olhou, buscando apoio. Eu sorri, encorajando-o._ Eu vim aqui pra..._ Meu pai riu, eu revirei os olhos._ Pedir a mão da Mônica em namoro._ Ele suspirou e abaixou a cabeça, fiz o mesmo e esperamos o sermão.

A reação dos meus pais foi completamente inesperada: eles explodiram em gargalhadas! Eu e o DC nos encaramos e eu pensei: “Que porra eles fumaram?”. Quando acabou a crise de riso, o meu pai respirou fundo e começou.

_ Fala sério, quantos anos você tem mesmo?

_ Dezessete.

Ele e a mamãe se olharam e falaram ao mesmo tempo, explodindo em gargalhadas em seguida: “PARECE QUE TEM CINQUENTA!”. Meu pai limpou as lágrimas que caiam de sues olhos de tanto rir e falou.

_ Você tem a minha total aprovação para namorar a minha filha, sempre gostei muito de você! _ O DC abriu um sorriso radiante e eu peguei a mão dele, entrelaçando nossos dedos._ Mas vou te dar uma dica: Seja menos careta, cara!_ Meus pais gargalharam._ Nem eu fui pedir a mão da Luísa em namoro com essa formalidade toda! E olhe que isso foi a mais de vinte anos!_ Eles gargalharam novamente.

_ É, quando o meu pai percebeu que estávamos namorando ele já estava deitado no sofá lá de casa, assistindo futebol e comendo pipoca._ Minha mãe deu risada._ Mas fico feliz que vocês estejam fazendo as coisas assim certinhas. _ Ela pausou._ Como no tempo da minha mãe._ Ela e o papai gargalharam novamente, quase rolando no chão de tanto rir!

_ Filha, eu não sabia que você era tão careta!

_ Tá vendo aí, DC? Eu falei que não precisava! Meus pais nem ligam se eu for dormir na sua casa hoje._ Pisquei. Ele entendeu o recado. Meu pai parou subitamente de rir e sentou formalmente denovo.

_ Êpa! Dormir não! Também não é assim!_ Ele me olhou sério.

Eu e o DC nos encaramos e começamos a rir, assim como eles riram da gente.

_ Pai, eu não sabia que você era tão careta! _ Falei parafraseando ele e piscando em seguida.

Todos nós rimos e logo o DC já tinha voltado ao normal, completamente descontraído e com um sorriso lindo de satisfação.

_ Sem querer interromper o momento “pegadinhas da Mônica”, dava pra a gente jantar logo? Estou morrendo de fome!_ Meu pai falou, levantando.

_ Vamos. Mais uma vez, sinta-se à vontade meu genro._ Mamãe falou, rindo em seguida.

_ Ih mãe, não fala muito pra esse aí ficar à vontade não, viu? Daqui a pouco vai tá no sofá de cueca samba canção assistindo futebol e me pedindo pra fazer massagem nos pés!_ Todos riram. DC já estava com lágrimas nos olhos de tantas palhaçadas que nós estávamos fazendo.

_ Samba canção não, amor! Me respeite!_ Ele gargalhou e sentamos à mesa._ Mas a massagem é uma boa ideia._ Piscou._ Porém eu prefiro nas costas.

_ Sei... folgado!

Começamos a comer, o DC era ótimo com os hashis enquanto eu me batia pra conseguir pegar alguma coisa. Depois de um tempo comendo estávamos todos calados, aí o papai vem com essa pérola:

_ Do Contra, é verdade o que falam dos japoneses?

DC engasgou com a comida, começou a tossir e tentava beber água pra se recuperar. Eu estava perplexa e não sabia pra onde olhar. O meu pai só ria da situação, enquanto a minha mãe gargalhava com a mão na barriga. Quando o DC conseguiu voltar a respirar normalmente seus olhos estavam arregalados e ele ficou vermelho.

_ É... bem... Eu não..._ Papai o interrompeu antes que ele completasse.

_ Por que o assombro, rapaz? Eu só queria saber se é verdade o que falam sobre os japoneses comer com pauzinhos o tempo inteiro! _ Papai fez uma cara inocente.

_ Ah, minha mãe diz que nem sempre. Depende da ocasião e da comida. Lá em casa quando tem comida japonesa cada um come do jeito que achar melhor. Eu costumo comer assim, mas meu pai, por exemplo, não consegue e come com o garfo mesmo._ DC respondeu desajeitado, passando a mão na nuca.

_ Interessante._ Papai olhou pra mim._ Então... netinhos de olhos puxados, hein?_ Eu joguei o guardanapo nele, rindo.

_ Pare com isso! Ele vem me pedir em namoro e você já vem falar de filhos? Daqui a pouco ele entra em pânico e sai correndo de volta pra Itália.

_ Falando nisso._ DC levantou e pegou uma caixinha no bolso._ Para te garantir que eu não vou fugir coisa nenhuma, eu trouxe uma coisa pra você._ Ele pegou a minha mão e beijou, meus pais olhavam atentos e sorridentes._ Minha avó materna me deu isso quando eu era criança e disse que era pra entregar à dona do meu coração, mas só quando eu tivesse certeza disso. E hoje eu tenho essa certeza, você não só é a dona do meu coração como também é do resto do meu corpo._ Ele piscou e papai pigarreou, meus olhos se encheram de lágrimas._ Espero poder trocar esse anel em breve por uma aliança._ Ele riu e abriu a caixinha, o rosto iluminado por um sorriso irresistível._ Te amo.

Quando ele abriu a caixinha eu vi um lindo anel em ouro branco com vários brilhantes cravejados e um coração no centro, o mais belo anel que eu já havia visto. Na parte interna havia uma inscrição em japonês, ele beijou a minha mão novamente e colocou o anel, me beijando delicadamente em seguida.

Meus pais APLAUDIRAM! Sempre me surpreendendo. Alisei o maxilar do DC e o abracei. Sussurrei em seu ouvido:

_ Eu te amo! Como nunca pensei que seria possível amar alguém, obrigada!

_ Quem tem que agradecer sou eu, por você existir na minha vida!_ Ele deu um beijo na minha testa e nos afastamos. Minha mãe olhava emocionada, com o braço em volta da cintura do papai que sorria.

_ O que tem escrito?_ Perguntei mostrando o anel.

_Meu coração é seu._ Ele respondeu, os olhos brilhando.

_ Lindo, como tudo que vem de você!_ Lhe dei um selinho._ Obrigada por este presente.

_ Ele não poderia ser de mais ninguém._ Acariciou meu cabelo.

_ O Nimbus também ganhou um desse? Ou foi exclusividade sua?

_ Ele é o mais velho, ganhou um anel diferente desses. O dele era com diamantes e esmeraldas, eu acho. Um pouco mais sofisticado e chamativo, mas ele vendeu quando tinha treze anos e torrou o dinheiro com besteira. Alegou que o coração dele não era de ninguém e que o corpo era de todas._ Nós rimos._ Na época ninguém acreditou.

_ Seus pais não brigaram?_ Minha mãe questionou.

_ Ele vendeu escondido numa viagem que fez à Irlanda. Quando ficaram sabendo não tinha mais jeito. Ele passou um tempão de castigo.

_ Maluco._ Meu pai balançou a cabeça. _ Bom gente, agora que a Mônica parou de chorar e o Do Contra parou de gaguejar, o que vocês acham de pegar uma praia nesse final de semana?

_ Por mim tudo ótimo, tô precisando pegar uma corzinha._ Mamãe falou, tirando os pratos da mesa.

_ Eu também._ Olhei pro DC._ Você vai, gatinho?

_ Tô dentro! Tem um tempão que eu não vou à praia._ Sorriu._ Que dia?

_ Tava pensando em sair no sábado de manhã e voltar no domingo à noite. A gente tem uma casa de praia num lugar bem legal.

_ Ah..._ Ele falou decepcionado._ Não sei se meus pais vão me deixar passar o final de semana todo fora de casa. Eles viajam na semana que vem.

_ Chame eles, querido! A gente aproveita e bota o papo em dia, a casa é bem grande e eu tenho certeza que eles vão gostar de lá._ Mamãe incentivou e o DC sorriu.

_ Tudo bem então, vou falar com eles._ Ele olhou o relógio da cozinha._ Nossa, o tempo passou e eu nem senti! Minha mãe falou pra eu não voltar muito tarde pra não ficar andando sozinho nesse horário._ Ele falou preocupado.

_ Ela está certa! O bairro é tranquilo, mas é bom não vacilar. Além do mais vocês tem aula cedo amanhã._ Meu pai pegou as chaves do carro._ Te levo lá, aí ela não vai reclamar.

_ Obrigado, Seu Sousa! Não precisa, eu ando rápido!

_ Que é isso, menino! Não custa nada levar o namorado da minha filha em casa e seus pais são grandes amigos meus, devo isso a eles. Só vou escovar os dentes e te levo lá._ Meu pai deu um tapinha no ombro dele.

_ Dona Luísa, obrigado por tudo, viu?_ Ele falou, dando um beijo no rosto da minha mãe._ A noite foi maravilhosa.

_ Eu é que agradeço pela sua companhia, meu genro!_ Eles riram._ Volte sempre e traga sua família pra jantar aqui antes dos seus pais viajarem. Tenha uma boa noite! Vou deixa-los a sós para que vocês possam se despedir direito._ Ela deu uma risadinha e subiu as escadas.

Ele virou-se para mim e pegou as minhas mãos, entrelaçando os nossos dedos.

_ Hoje é a noite mais feliz da minha vida._ Me deu um selinho._ Seus pais são o máximo!

Saímos andando abraçados até a varanda, onde aproveitamos a privacidade para nos beijar de uma forma mais intensa. Quando ouvimos os passos do meu pai se aproximando ele se afastou, com um gemido de protesto. Colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha e beijou a minha testa.

_ Até amanhã, meu amor! Sonhe comigo!_ Piscou, me dando um selinho em seguida.

_ Sempre sonho. Até amanhã, vê se não some novamente! Obrigada por hoje!

_ Então casal, já se despediram? Tem aula cedo amanhã! Não esqueçam.

_ Não esqueceremos._ Eu falei rindo._ Tô até meio ansiosa pro dia amanhecer logo!_ Pisquei.

_ Hum... Sei..._ Papai balançou a cabeça e virou pro DC._ Vamos?

_ Vamos! Tchau, meu amor! Até daqui a pouco!_ Beijou meu rosto e saiu andando com meu pai em direção ao carro. Me deu um tchauzinho e mandou um beijo com a mão enquanto abria a porta do carro e foi embora.

Entrei em casa me sentindo mais feliz do que nunca, mamãe já estava deitada em seu quarto quando entrei e eu fui escovar os dentes enquanto esperava meu pai voltar. Olhei para o anel em meu dedo e suspirei, pensando: “Meu coração também é seu. Hoje, amanhã e sempre!”

Notas finais
GOSTARAAAAAAM? *-*
Espero que sim, dei o meu melhor.
Beijos, até a próxima. O clima vai esquentar! ;)