Aconteceu Você...
24 Noite da turma clássica
Notas iniciais
Espero que gostem dessa mudança que eu fiz na história! :)
Boa leitura.
OBS's:
> Esse capítulo é bem grandinho;
> Palavras em caps lock, simbolizam obviamente que a Mônica está gritando;
> A onomatopéia inicial refere-se aos murros que a Mô está dando na porta.
BAM BAM BAM BAM (Onomatopéia tosca, sorry!)
_ ABRE ESSA PORTA, MAGALI!!!
BAM BAM BAM BAM
_ Vai embora! Já disse que não quero falar com ninguém!
_ Se você não abrir em cinco segundos eu vou arrombar! Já tem dois dias que você não sai desse quarto e não atende minhas ligações!
_ Me deixa, Mô! Eu preciso ficar sozinha.
_ Então é assim, né? Você não vai abrir? Pois bem, despeça-se da porta do seu quarto, vou entrar aí por bem ou por mal e vou ficar aí de luto com você até que você tome vergonha na sua cara e me conte o que aconteceu!
Ouvi um suspiro pesado e o som da sua sandália arrastando até a porta do quarto. Ela levou alguns segundos até destrancar a porta, mas não a abriu. Dona Lina me lançou um olhar agradecido e desceu as escadas, nos conferindo privacidade para a longa conversa que iria se seguir. Tudo o que eu sabia era que ela e o Quim haviam terminado, mas eles nunca passaram mais de dois dias brigados e de qualquer forma ela nunca se trancou no quarto e se isolou do mundo dessa maneira; alguma coisa de muito errada havia acontecido e era isso que eu ia descobrir. Quando abri a porta e entrei no quarto me assustei; estava tudo escuro, abafado, as cortinas estavam fechadas e a Magá estava deitada na cama, de pijama e com o rosto enfiado no travesseiro. Senti um aperto no peito ao ver a minha melhor amiga naquele estado, justo ela que sempre foi meu porto seguro, a pessoa mais alegre que eu conhecia, aquela que sempre levantava meu astral... Fui em sua direção e a abracei, ela continuou chorando por longos e dolorosos minutos até se acalmar e me olhar. Seu rosto estava péssimo, vermelho e muito inchado, os cabelos despenteados e havia um pote de sorvete jogado ao lado da cama; além de duas caixas de chocolate vazias, uns três pacotes de biscoito recheado, várias latas de coca cola, uma embalagem vazia de pizza tamanho família, outra caixa de chocolate onde restavam apenas dois, e uma embalagem vazia de Cheetos jogada no tapete; revirei os olhos. Típico da Magali! Bem, pelo menos não eram drogas, os seus pulsos estavam intactos e ela não tinha tido um surto, cortado os cabelos e tatuado o rosto com um símbolo nazista.
_ O que aconteceu, amiga?_ Perguntei, fazendo ela deitar com a cabeça em meu colo.
_ Ai Mô, foi tão horrível... Eu nunca esperei uma coisa dessas do Joaquim... Não sei o que estou sentindo!_ Ela falou entre soluços e começou a me contar a história.
Eu fiquei horrorizada, realmente não esperava que o Quim fosse capaz de aprontar uma dessas com a Magá, ele sempre pareceu gostar tanto dela! Ela me contou que o relacionamento deles estava estranho há alguns meses, mas nada que a deixasse muito preocupada, afinal ela namorava ele desde criança e nunca imaginou que isso fosse mudar, já estava de certa forma acomodada a esse namoro. Eles andavam brigando muito e na terça feira, o dia em que nós fomos ao shopping, eles tiveram uma briga feia quando ela chegou e terminaram o namoro. Na quarta, depois de chegar do hospital onde foi visitar a prima ela resolveu procura-lo para tentar reatar o namoro. Ele não estava na padaria, o que era estranho por causa do horário, mas ela não desconfiou de nada; foi para a casa dele e chegando lá teve a grande surpresa! Flagrou o Quim na cama com uma funcionária nova da padaria, uma menina que não tinha nem quinze dias trabalhando com ele. Ela saiu de lá correndo e arrasada, não sem antes dar um tapa na cara dele (Ai que orgulho!!!); o Quim ligou várias vezes pro celular dela, mas ela não atendeu. Aí ela voltou pra casa e se trancou no quarto, afogou as mágoas num pote de sorvete e rasgou todas as fotos dele.
_ Que cachorro ordinário! Eu vou dar uma surra nesse filho da...
_ Calma Mô, deixa pra lá._ Ela fungou._ Pra falar a verdade eu nem sei o que eu estou sentindo, sabe? Eu estava acostumada a ter o Quim como namorado, mas...
_ Mas o quê? Esse sacana vai ter que se ver comigo! Vou quebrar todos os seus ossos, torcer o seu pescoço, já sei! Vou castrar aquele vagabundo!_ Falei cerrando os punhos e trincando os dentes._ Aquele imbecil vai ter o que ele merece! Ele vai ver! Filho da mãe!
_ Calma Mônica! Você está me assustando!_ Ela falou com um pequeno sorriso esboçando-se no rosto._ Controla a ira, amiga! Eu só preciso de um tempo pra botar a cabeça no lugar, vingança não leva ninguém a nada.
_ Mas vai fazer eu me sentir melhor!_ Cruzei os braços._ Ele não tem o direito de te fazer sofrer desse jeito! Se tem uma pessoa no mundo que merece ser feliz é você, minha irmã! Você é uma pessoa boa, a pessoa mais doce que eu conheço! Ele não podia te magoar!_ Respondi inconformada. Ela sorriu levemente e me abraçou.
_ Mô, obrigada por depositar tão alta conta em mim, mas nem sempre as coisas acontecem da forma que a gente quer. Eu vou ser feliz um dia, só não vai ser com a pessoa que eu sempre imaginei que seria. Eu estou meio que em estado de choque, tá doendo, mas eu sei que vou dar a volta por cima! Eu tenho minha família, tenho meus amigos e tenho você, que é mais que uma amiga, é minha irmã. Eu vou superar isso de uma forma ou de outra, eu sinto isso!
_ Era pra eu estar aqui te dizendo isso, mas olha só! É você que está me “consolando”! Você é incrível, e eu também tenho certeza que você vai superar isso. Você é forte, é otimista e é muito amada por todos que te conhecem, isso que importa!
_ Obrigada Mônica, já disse que você é a melhor amiga que alguém poderia ter?_ Ela falou me abraçando e com uma expressão bem melhor.
_ Já, mas se você quiser postar isso no meu facebook eu agradeço. Depois que acabaram com o Orkut e com aquela coisa de brigar pelo topo dos depoimentos tô me sentindo pouco amada!_ Fiz minha melhor cara de menina carente e consegui arrancar uma gargalhada da Magá.
_ Só você pra levantar o meu astral, hein Mô?_ Ela riu._ Mas mudando de assunto, cadê o DC? Melhorou da virose?
_ Melhorou... e como!_ Dei uma risada safada e ela pareceu entender.
_ NÃO ACREDITO!!!_ A louca gritou._ Não me diga! É o que eu tô pensando?
_ Tá bom! Se você não quiser, eu não digo!_ Gargalhei.
_ Sério?_ Ela começou a dar pulinhos na cama._ Conta TU-DO! Como? Quando? Onde? FALA LOGO! Você gostou? Ele... Ai Mô! Abre a boca, criatura!_ Ela falou eufórica, nem parecia a Magali de meia hora atrás.
_ Calma! Eu conto! Para de pular, tá me deixando tonta!_ Falei rindo._ Foi assim...
Quando terminei de contar tudo o que tinha acontecido ela começou a rir sem parar; a encarei sem entender o motivo. Minha primeira vez não tinha sido tão micada assim pra virar piada; atirei uma almofada nela.
_ Me conta a piada que eu também quero rir!
_ Eu estava certa!_ Gargalhou._ Eu e as meninas._ Riu por um tempão, como se alguém tivesse lhe fazendo cócegas._ O DC..._ Risos e mais risos, eu já estava incomodada. O que ela e as meninas andavam falando sobre o DC?_ O DC é..._ Mais risos, muuuitos risos._ Eu disse! Eu disse!
_ Disse o quê, ó criatura? O que você andaram falando do meu namorado?_ Ela ainda gargalhava muito, seus olhos já estavam cheios de lágrimas e ela estava com as mãos na barriga._ Fala!
_ O DC é..._ Gargalhou novamente. Vou bater nessa hiena!_ O DC é um safadoooo!_ Gargalhou escandalosamente, a ponto de a sua mãe aparecer na porta do quarto e sorrir pra mim, em agradecimento. Mal sabia ela qual era o motivo de tanto riso._ Eu sabia! Aquela carinha dele nunca me enganou! Ah Moniquinhaaa! Eu disse pras meninas! Marina duvidou, mas a Dê concordou plenamente comigo!_ Não aguentei e tive que rir com ela._ Tenha medo desses que tem carinha de bom moço! Sempre soube que o Do Contra era um pervertido sem vergonha, chegado numa baixaria! Safadinho! Bem que a Dê falou que os bateras tem pegada!
_ Eeei! Meu amor não é pervertido nada!_ Falei tentando controlar o riso. Ela me encarou arqueando a sobrancelha._ Tá! Só um pouquinho!_ Gargalhamos juntas.
O resto da tarde foi tranquilo, o humor da Magá melhorou sensivelmente e eu consegui convencê-la a sair do quarto e comer alguma coisa que prestasse. Ela contou o acontecido à mãe, mas conseguiu se manter calma. Ficamos no quarto dela fazendo as unhas e assistindo uma comédia besta. Até que eu tive uma ideia espetacular e que eu tinha certeza de que ia melhorar o astral dela de vez: Noite de cinema da turma clássica! Dei um pulo da cama quando pensei nisso e corri pra pegar meu celular, empurrei ela pro banheiro e nem contei o que tinha em mente, só a mandei fazer o que eu dizia. Um pouco relutante ela foi, e enquanto eu estava sozinha liguei pro Cê e pro Cas, expliquei por alto o que tinha acontecido e os convoquei para a O.I.E.R.M (Operação Intensiva e Emergencial de Resgate à Magali!). Eles toparam na hora, liguei pro DC e avisei a ele, que não se opôs; disse que ia ficar em casa jogando videogame. Sem dar muitas explicações pra Magali a arrumei, fiz uma maquiagem para disfarçar as olheiras e vesti uma roupa minha que já estava lá na casa dela. (Essa era a vantagem de sempre dormirmos uma na casa da outra, era como se fosse a minha segunda casa).
_ Mô, o que é que você está aprontando?_ Ela perguntou pela milésima vez quando terminei de me arrumar.
_ Nada demais. Só quero que você se divirta um pouco, já falei com sua mãe e ela deixou. Te garanto que você não vai se arrepender!
_ Você não vai me levar a nenhuma boate com stripers não, né? Aqueles gogo boys seminus rebolando, tirando tudo, com dinheiro na cueca...
_ Não seria uma má ideia, mas não! Sua mãe deixou, lembra? E eu já tenho o DC pra fazer strip tease pra mim na hora que eu quiser.
_ Humm... DC fazendo strip... Desculpa amiga, mas não dá pra evitar o comentário: Delíciiiia!
_ Êpa! Tira o olho que é só meu, ouviu?_ Falei atirando a toalha nela._ Agora anda, pega sua bolsa que eu vou ligar pra minha mãe pra avisar que nós vamos sair e que você me convidou pra dormir aqui.
_ Mas eu não te convidei!
_ Então é bom convidar logo, porque eu vou ficar!
_ Alguém já te disse que você não presta?_ Ela falou rindo e pegando a bolsa.
_ Huummm... Deixa eu pensar... Já!
Pegamos um táxi até o shopping, mesmo sendo perto resolvemos nos dar a esse luxo. Quando chegamos os meninos já estavam lá, a Magá ficou surpresa ao vê-los nos esperando na entrada, mas me lançou um sorriso de gratidão quando entendeu o plano. O combinado foi de ninguém tocar no assunto, afinal era uma noite de pura diversão, nada de sofrimento; eu e o Cebola tivemos uma “pequena” discussão sobre qual seria o filme a ser escolhido, mas por fim eu ganhei. Sabe como é, o Sansão queria dar uma volta, levei ele pro cinema, o resto da história nem preciso completar!
_ Eu ainda preferia assistir aquele filme novo do Armadura Dourada._ Falou o Cebola, ainda inconformado.
_ Ah! Ninguém aguenta mais esses filmes de super herói! E tá decidido! Vamos assistir ao filme daquele ator lindo que é o sonho de consumo de qualquer mortal!
_ Como assim? Fizeram um filme secreto sobre a minha vida?_ Ele falou bancando o palhaço, olhando para os lados._ Estão me filmando escondido há quanto tempo? Tem câmeras espalhadas aqui no shopping? Tem alguma cena minha tomando banho?
O Cas e a Magá só faltaram rolar no chão de tanto rir quando eu atirei a minha bolsa nele.
_ É claro que não, careca! Tá na cara que o astro principal desse filme sou eu! Ouviu ela falar “sonho de consumo de qualquer mortal”?
_ Nem se acha! É claro que esse cara sou eu!
_ Ih, começou!_ Magali falou rindo._ Vocês dois não tem espelho em casa, não? É claro que esse ator é o lindo, maravilhoso, gato, gostoso, tudo de bom... _ Suspirou com a mão no peito_ Robertisson Launtner!
_ Ah! Nem vem! O cara do filme de vampiro não!
_ Robertisson Launtner sim e ponto final!_ Falei ameaçando tirar o Sansão da bolsa.
_ Que seja!_ Cascão falou evitando a briga que eu e o Cê estávamos prestes a começar._ Vamos assistir a esse xaropão, mas depois é a nossa vez de escolher o que vamos fazer. E vocês não vão poder reclamar!
_ Oba! Robertisson Launtner, milk-shake e pipoca, tudo o que eu quero da vida!_ Magali falou dando pulinhos.
Assistimos ao filme em meio a gritinhos histéricos das mulheres e resmungos dos homens. No entanto foi muito divertido ver a minha turma reunida novamente, só nós quatro, naquela mesma confusão de sempre; o Cê e o Cas se preocuparam mais em criticar o filme e em contar os minutos que faltavam para terminar, enquanto eu e a Magá olhávamos vidradas para o Robertisson Launtner e suspirávamos com as cenas românticas.
_ Sobrevivemos, parceiro!_ Cebola falou, batendo na mão do Cascão assim que saímos da sala.
_ Foi por pouco! Pensei que íamos ficar grudados nos assentos depois de tanta melação, ou sei lá, de repente apareceriam pôneis e borboletas coloridas e nós pararíamos numa espécie de Nárnia cor de rosa, com coelhinhos e veadinhos saltitantes.
_ Parem com isso seus chatos! O filme foi legal, confessem!
_ Só pra vocês._ Cebola falou e logo seu rosto de iluminou com um sorriso perverso._ Mas agora..._ Esfregou as mãos._ É hora de nós escolhermos o que vamos fazer!
_ É isso aí!_ Cascão completou._ E não adianta reclamar!
_ Ai, tá bom! Falem logo o que vocês querem fazer, eu já estou ficando com medo!
_ Pois então preparem-se para a disputa do século! O dia em que eu finalmente vou derrotar a Mônica, o dia em que o mundo vai se curvar diante da minha supremacia, o dia em que eu vou fazer a Mônica ir correndo e chorando pros braços da mãe dela!_ Cebola falou com um ar meio “maníaco”._ A hora de vocês chegou! Muahahahaha!
_ Pare de drama, Cebolinha! Diga logo qual é o plano!
_ Cebolinha não! Pra você é Mister Cebola, o rei do boliche!_ Ele falou com uma pose extremamente convencida, o que fez eu e a Magá gargalharmos._ Que é? Tá rindo de quê?
_ Esse teatro todo só pra falar que vamos jogar boliche? Fala sério, Cê! Pensei que vocês seriam mais criativos!
_ Calma aí, Magá! Ninguém é páreo para mim e para o careca no boliche não! Pode ir se preparando pra perder feio!
_ Há-Há! Isso é o que nós vamos ver!_ Completei presunçosa.
Fomos para o boliche, depois de um enorme sacrifício para convencer a Magá a deixar o lanche pra depois. Estava lotado, até tivemos que esperar um pouco para conseguir pegar os sapatos, havia muitos jovens da nossa idade e também alguns adultos e crianças. Os meninos estavam “insuportáveis”! Começamos a jogar e o Cascão fez o primeiro strike, mas ele nem pode se gabar por muito tempo porque a Magá fez três strikes em jogadas consecutivas. Logo deu pra perceber que não seria nada fácil ganhar a Magá; eu e o Cê estávamos empatados com quatro pontos, o que o deixava completamente desesperado, o Cas estava com seis pontos e a Magá estava ganhando de lavada, com dez pontos.
_ Acho que todos nós já sabemos quem vai ganhar esse jogo, né?_ Uma voz rouca e sedutora falou ao meu ouvido na hora em que eu ia iniciar mais uma jogada.
_ Amor!_ Falei, virando-me imediatamente._ Que surpresa! Pensei que você ia ficar em casa.
Ele estava absurdamente lindo, num look um tanto clássico: camisa preta, calça camuflada e coturnos. Isso me surpreendeu e eu não pude conter o sorriso, joguei meus braços ao redor do seu pescoço e o beijei.
_ Eu planejei ficar, mas tava chato lá e o Toni me ligou chamando pra dar uma ajuda com uma coisa e aí resolvemos vir dar uma volta aqui.
_Algum problema com o Toni?
_ Na verdade não, depois te conto._ Ele piscou e me deu outro beijo._ Eu preciso da sua ajuda pra resolver o problema dele.
_ Fala DC! Ficou com saudades da dentuça?
_ Lembre que o Sansão veio, viu Cebolinha?
_ E daí? É a noite da turma clássica, tenho direito de agir classicamente!_ Ele falou rindo e dando os ombros.
_ Então também vou agir classicamente e te encher de coelhadas!
_ Devo agir classicamente e me mandar antes que sobre pra mim?_ Cascão falou se escondendo atrás da Magá.
DC gargalhou e me abraçou por trás, beijando o meu pescoço.
_ Eu sempre tenho saudades dela, vinte e quatro horas por dia, trezentos e sessenta e cinco dias do ano._ Ele falou, mordiscando a minha orelha e me fazendo arrepiar.
_ Parou a melação! Já basta aquele filme chato que ela me obrigou a assistir, se vocês começarem com o “mimimi” eu vou vomitar!
_ Quem acha que o Cê tá sendo classicamente chato levanta a mão!_ Falei e todos levantaram as mãos imediatamente.
_ Importam-se se eu me juntar à turminha feliz?_ Uma voz grossa e sedutora falou atrás de mim. Nem precisei me virar pra ver quem era, a cara de total desprazer do Cebola denunciava tudo.
_ Falaê, Toni!_ Cascão o cumprimentou com um soquinho “básico” no estômago.
_ Beleza, mano. E aí, Cebola? Chupou limão?_ Toni falou brincando e fazendo com que todos nós ríssemos e até o próprio Cê se desarmasse e o cumprimentasse rindo.
_ Força do hábito, vilãozinho.
_ Aff, já tem um tempão que eu tô andando certo, nem vem!_ Ele se defendeu._ Oi Mô._ Ele falou me dando um beijo na bochecha.
_ Oi Tonhão._ Pisquei.
_ “Tonhão?” _ Ele ergueu a sobrancelha.
_ Noite da turma clássica, baby.
_ Ih, já começamos mal então._ Todos nós rimos e ele se virou para a Magá, então senti uma tensão estranha na sua postura._ Er... Oi Magá._ Ele falou desajeitadamente, com um sorriso tímido, que obviamente não era comum a ele._ Tudo bem?
_ Digamos que está tudo entrando nos conformes._ Ela sorriu tristemente._ Mas logo vai melhorar! E você, tudo bem?
_ Melhor agora. Você tá... linda hoje.
Gente, eu JURO que vi o Toni corar! Logo o Toni! Isso é meio inacreditável, e nesse momento a minha ficha caiu e eu lancei um olhar sugestivo para o DC, que discretamente balançou a cabeça, confirmando a minha teoria.
_ Obrigada._ Ela respondeu com uma risadinha tímida.
_ Bem... é... vamos comer?_ Perguntei tentando quebrar o clima estranho que tinha acabado de se estabelecer na nossa conversa.
_ Já é!_ Cascão respondeu.
_ Os cavalheiros nos acompanham?_ Perguntei aos meninos.
_ Se não for atrapalhar a noite da turma clássica nós adoraríamos, bela dama._ DC respondeu com um ar galanteador.
Acabamos indo comer no Bob’s, já estava ficando tarde e o shopping fecharia em poucos minutos, não dava pra esperar nada mais elaborado. O Toni estava com o carro do pai, sorte nossa, é claro; e deixou todo mundo em casa. A começar pelo Cê, depois o Cas, eu e o DC ficamos na porta da minha casa para aproveitarmos um pouquinho o restinho da noite. Por último ele levou a Magá, que era quem morava mais próximo dele. É óbvio que nós ficamos conspirando sobre a situação deles e rindo pelas costas da Magá; se eu bem conhecia o Toni, a noite dela ia ser bem animadinha.
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