Acontece sob a Lua
15 capitulo 15 - Entre Sangue, Perda e Destinos Quebrados
Notas iniciais

POV: Renesmee
Manter meu coração batendo em um ritmo instável, onde eu pudesse convencer Piter — e a mim mesma — de que eu conseguia fazer aquilo, era quase impossível. Minha respiração precisava permanecer controlada para que ele acreditasse que eu não tinha medo… e para que eu mesma acreditasse nisso. Fingir algo que estava estampado em meu rosto era difícil demais.
Meus olhos insistiam em se desviar do lobisomem aterrador à minha frente e buscar Jacob, que, mesmo fora do alcance de Piter, estava caído no chão tentando se recuperar. Ainda assim, estava gravemente ferido.
Controlar todos aqueles sentimentos e, ao mesmo tempo, reunir forças para dominar a criatura diante de mim era algo esmagador. Mas eu não podia fraquejar. Não por mim — que queria provar que não era apenas uma garota frágil — e muito menos por Jake, que precisava de mim naquele momento. Eu sabia que, sem minha ajuda, Piter poderia matá-lo… e eu jamais conseguiria viver com isso.
O lobisomem à minha frente rosnava ferozmente. Suas garras brilhavam, cobertas de sangue que escorria livremente e pingava no chão. O cheiro de morte que exalava dele me causava arrepios. Seus olhos negros estavam cravados nos meus, e por um instante pensei que seria impossível fazê-lo me obedecer. Ele parecia cruel demais, obstinado demais, como se nada pudesse dominá-lo.
— Se afaste de mim… — minha voz saiu fraca e trêmula. Eu jamais convenceria alguém daquele jeito.
Como se tivesse entendido o oposto, Piter mostrou os dentes e avançou mais um passo. O rosnado que rasgou o silêncio fez meu peito tremer.
A marca em forma de lua crescente em meu pescoço ardeu de forma insuportável. Gemi de dor, levando a mão até ela, tentando conter aquela sensação. Mas então entendi: aquilo era um sinal. Um chamado. Estava no meu sangue.
Meus olhos voltaram para Jacob, que, mesmo em forma de lobisomem, parecia sentir uma dor absurda.
Voltei a encarar Piter, que se aproximava ainda mais. A raiva tomou meu corpo — raiva por ele sempre conseguir o que queria, por machucar pessoas e sair impune… raiva por ferir quem eu amava.
— SE AFASTE DE MIM! — ordenei, em alto e bom som.
O lobisomem obedeceu de imediato. Recuou vários passos, encolhendo-se.
— Você não vai machucar mais ninguém. Não comigo aqui. — falei, firme, encarando seus olhos que agora desviavam dos meus.
Vi Jacob se levantar com o resto de força que tinha. Meu coração se encheu de esperança. Eu queria vê-lo acabar com aquele monstro.
— Você está morto, Piter. Só está respirando por hábito. — declarei quando vi Jake avançar ameaçadoramente. — Mas agora… não mais.
Os dentes de Jacob cravaram-se nos ombros de Piter. Corri para longe. Quando me virei novamente, os dois estavam presos em uma luta brutal. Piter já estava morrendo. Jacob o dilacerava.
Mas, mesmo caído e semiconsciente, Piter enfiou as garras na barriga de Jake.
Meu mundo parou.
Minha mente ficou vazia. Eu não conseguia respirar, pensar ou me mover. Apenas assistir. Era como um dos meus pesadelos… aqueles em que havia sangue, criaturas sobrenaturais… e Jake morria.
Piter caiu morto, retomando a forma humana no instante em que seus olhos se fecharam. Jacob deu alguns passos antes de cair também. Seu corpo voltou à forma humana, mas havia um ferimento horrível em seu abdômen. Ele se afogava no próprio sangue.
— JAKE! — gritei, correndo até ele.
Me ajoelhei ao seu lado. Meus joelhos tocaram o sangue quente, e meu corpo inteiro tremeu.
— Ne-Nessie… — chamou, fraco.
— Eu estou aqui… — respondi, chorando, tocando seu rosto.
— Es… está bem? — perguntou com dificuldade.
— Isso está igual aos meus sonhos… aqueles em que você… Jake, você vai se curar, não vai? Fala pra mim que vai ficar tudo bem… — implorei, soluçando.
— Vai ficar tudo bem… — sua voz soou serena. Ele secou minhas lágrimas. — Eu te amo, Ness.
Segurei sua mão e a beijei. Quil e Oliver se aproximaram lentamente.
— O que está acontecendo com ele? Por que não está se curando? — perguntei, desesperada.
— Foi um alfa que o feriu… — Quil respondeu, engolindo em seco.
— Jake… fica comigo… — pedi.
— Anjo… eu te amo… — repetiu.
Seus olhos perderam o foco.
Meu mundo desabou.
— Não faz isso comigo… eu te amo… — murmurei, apoiando a cabeça em seu peito.
Não havia mais batimentos.
Chorei como nunca. Meu corpo convulsionava com a força do choro.
— Ele está morto, Nessie… — Quil disse, como se tentasse acreditar nisso.
— Não pode estar… — gritei.
A dor era insuportável. Eu não conseguia imaginar um mundo sem ele.
Depois“O mais terrível massacre já ocorrido.”
Era isso que os jornais diziam.
O “Baile Sangrento”.
Ninguém jamais entenderia o que realmente aconteceu naquela noite.
Agora eu estava ali, diante do caixão fechado, sob o sol do fim de tarde. Minha garganta ardia por conter o choro. Coloquei uma rosa vermelha sobre o caixão.
— Por que você teve que me deixar… eu te amo, Jake…
Quando me virei, dei de cara com um homem mais velho, extremamente parecido com ele.
— Sou Billy Black. Pai do Jacob.
Ele me contou sobre os e-mails. Sobre o amor do filho por mim.
— Mesmo com tudo o que ele era… tornou-se um herói.
Mais tarde, encontrei Oliver.
— Nada importa… nada além do fato de que o amor da minha vida está debaixo da terra… — gritei.
Fugi.
Chorei.
Dias depois, voltei ao colégio. Beth e Mike vieram se despedir. Descobri que Jacob os havia afastado naquela noite.
E então vi alguém que fez meu coração falhar uma batida.
— Jason Black.
O irmão gêmeo de Jacob.
Quando ele estendeu a mão e disse:
— A namorada do Jake…
Eu não consegui suportar.
Virei as costas e corri.
Como se o próprio inferno estivesse atrás de mim.
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