Acontece sob a Lua
6 Capitulo 6 - O alfa dos alfas
Notas iniciais

POV: Jacob
Eu estava com muita raiva. Aquele garoto era um imbecil. Eu não fazia a menor ideia do porquê eles tinham terminado, mas tinha certeza de que a culpa era daquele idiota. Afinal, para mim, Renesmee era a garota perfeita, aquela que qualquer um queria para si… e somente para si.
Vê-lo ali, se jogando para cima dela, e ela dando corda para aquele panaca me deixou cego de ódio. Não consegui pensar direito; a raiva me dominou rápido demais para que eu parasse.
Senti Quil me puxar para trás, fazendo-me parar e encará-lo.
— Jake, deixa pra lá — Quil disse.
Puxei meu braço com força.
— Me solta e não se mete, senão vai sobrar pra você — rosnei de forma ameaçadora, fazendo-o recuar. Esse lance de alfa pelo menos ajudava quando eu não queria ninguém se metendo na minha vida.
Fechei a distância entre mim e o casalzinho feliz, parando atrás de Oliver. Os olhos de Renesmee passaram dele para mim, e sua expressão se fechou na mesma hora. Soltei um risinho cínico.
— Jacob… — Renesmee chamou, a voz engasgada.
Oliver se virou para mim com um sorriso estampado no rosto, como se tivesse vencido alguma coisa.
— Ah, oi, Black — ele sorriu como um demente. — Algum problema? — provocou.
— Sim. Você é o meu problema — respondi entre dentes, empurrando-o com força. Eu era muito mais forte, mas ainda assim não usei tudo o que tinha. Ele cambaleou para trás.
— Jacob! — Renesmee me repreendeu, mas eu a ignorei.
— Deixa ele, Nessie — Oliver sorriu de canto.
Trinquei os dentes e o empurrei novamente.
— Eu só vou dizer uma vez, seu idiota — apontei o dedo para o rosto dele. — Fica longe dela.
Ele soltou uma risada.
— Até parece. Se liga, moleque… ela passou a noite comigo.
Abriu os braços, debochado. Meus olhos se estreitaram imediatamente, e me virei para Renesmee, que desviou o olhar.
— É verdade? — questionei.
Ela não respondeu.
Trinquei os dentes com força. Voltei-me para Oliver e lhe acertei um soco em cheio no nariz. O som do osso quebrando ecoou alto. Minha mão não sentiu absolutamente nada.
Virei as costas para ir embora.
— É só isso que você tem, sua bicha? — Oliver provocou.
Fechei os punhos, sorrindo de canto.
Me virei e o derrubei no chão. Ouvi Renesmee gritar alguma coisa, mas não dei muita atenção. Estava concentrado demais em socar a cara daquele panaca.
Minha respiração acelerou, o coração martelava forte, mas consegui me controlar. Ele tentava revidar, sem sucesso. Eu era claramente mais forte.
Senti alguém me puxar de cima dele. Era Quil. Minhas mãos estavam cobertas de sangue — não o meu, mas o dele. Puxei os braços, fazendo Quil me soltar.
— Tá ficando maluco? — Renesmee me empurrou, furiosa.
A fitei com o cenho franzido.
— Renesmee, eu…
— Não! — ela negou, passando por mim como um tufão.
Fiquei olhando Oliver estirado no chão, se esvaindo em sangue. Não vou mentir: não me senti culpado. Na verdade, me senti muito bem.
Isso não era do meu feitio. Eu não era violento nem sentia prazer na dor alheia. Mas havia dois motivos claros:
Primeiro: eu era um lobisomem, e por alguma razão tinha vontade de matar qualquer um que me tirasse do sério.
Segundo: aquele idiota mereceu.
Eu poderia ter parado antes. Poderia até tê-lo matado.
A verdade era que eu imaginei Renesmee passando a noite com ele. As imagens invadiram minha mente tão rápido quanto meus punhos se fecharam. Imaginei suas mãos no corpo dela, seus lábios a beijando.
Logo várias pessoas se aproximaram, ajudando Oliver a se levantar. Mesmo espancado, ele ainda ostentava aquele sorriso maldito.
Contorci o rosto em uma careta. Eu nem sabia mais o que sentia: raiva, desprezo… talvez tudo misturado.
— Vou atrás dela — resmunguei para Quil.
— Não acha que isso já deu o que tinha que dar? — ele tentou me barrar.
— Cuida da sua vida e deixa a minha em paz — soletrei, passando por ele e seguindo para os fundos do colégio.
O sinal já havia batido, e muitos alunos estavam indo para as salas. Mas algo me dizia que Renesmee não estava em aula. Ela estava magoada… e com razão.
A vi sentada no gramado, abraçada aos joelhos.
Meu peito apertou quando percebi que ela chorava.
Caminhei até ela e me sentei ao seu lado. Ela virou o rosto.
— Vai embora — murmurou.
Respirei fundo.
— Eu não vou a lugar nenhum.
Ela me encarou seriamente.
— Você é um idiota, sabia?
Abaixei a cabeça, sorrindo de canto.
— Aquele garoto…
— Isso não tem mais nada a ver com o Oliver! — ela se levantou.
Levantei-me também.
— Claro que tem! Você passou a noite com ele!
— Você não sabe de nada! — ela rebateu, juntando as coisas.
— Eu sei que…
— Não, Jacob! Você não sabe de nada! — repetiu. — E não que seja da sua conta, mas eu não dormi com o Oliver.
Ela largou as coisas no chão, irritada.
— Não? Mas ele…
— Ontem à noite, quando você foi embora, ele apareceu lá em casa bêbado, falando um monte de coisas sem sentido. Eu deixei ele ficar lá. Só isso.
Não consegui segurar o sorriso.
— Tira esse sorriso da cara, ok? — ela brigou. — Por que diabos você bateu nele?
Encolhi os ombros.
— Porque eu estava com ciúmes de você — murmurei.
Ela me analisou por alguns segundos.
— Você me deixa confusa — disse, baixando a cabeça.
— Por quê?
— Às vezes parece que você gosta de mim… aí me afasta, diz que pode me machucar, e depois aparece dizendo que está com ciúmes.
Suspirei, enfiando as mãos nos bolsos.
— Me desculpa.
— Vai ter que comprar desculpas a granel — resmungou.
— Eu faço um monte de bobagens, tá bem? — dei de ombros. — Mas quando estou com você, não quero mais ser aquilo.
— O que você quer ser, Jacob?
— Alguém bom o bastante pra você.
Ela respirou fundo, a expressão suavizando.
— Devia ter pensado nisso ontem à noite…
Ela continuava falando. Girei os olhos e a beijei rapidamente. Quando me afastei, ela estava paralisada.
— Exceto isso — sussurrou. — Você não devia ter feito isso.
— Mas eu queria.
Ela pulou, enrolando os braços no meu pescoço. Abracei sua cintura. O beijo foi suave, intenso… perfeito.
Ela se afastou com um sorriso lindo, daqueles que desmontam qualquer um.
— Preciso ir pra aula.
— Eu já vou — respondi.
Observei enquanto ela se afastava… mas, ao invés de ir para as salas, seguiu em direção à floresta. Franzi o cenho.
Quando pensei em chamá-la, senti um cheiro forte de cachorro molhado. Não era Quil. Era diferente.
Novos lobisomens.
Virei-me lentamente e vi um garoto e uma garota me observando.
— Você é o Jacob? — o garoto perguntou.
— Sou.
— Mike Corfield. Essa é minha irmã, Beth.
— Vocês são…
— Sim — Beth sorriu.
— O que querem aqui?
— Um alfa — Mike respondeu.
— Não posso ajudar — tentei passar, mas eles me barraram.
— Você ficará mais forte com um bando.
— Não estou interessado.
— Então talvez devesse ir atrás da sua namoradinha — Beth apontou para a floresta.
Ouvi um grito.
— Nessie… — sussurrei, correndo.
Farejei o ar e a encontrei paralisada diante de um corpo mutilado. Uma garota… completamente destruída.
Segurei Renesmee pelos braços.
— Olha pra mim — pedi.
Ela se agarrou a mim, tremendo de medo.
— Parece que alguém fez um lanchinho — Beth comentou.
— Isso é mal — Mike disse sério.
— O que é mal?
— Piter está aqui.
— Quem é Piter?
— O alfa dos alfas. Ele hipnotiza pessoas… e esteve aqui.
Renesmee levantou o rosto, pálida.
— Ele quer matar você.
Engoli em seco.
Abracei Renesmee com mais força.
Eu não iria deixar nada acontecer com ela.
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