Acontece sob a Lua
23 Capitulo 23 - Herança de Sangue e Amor
Notas iniciais

POV: Renesmee
— Senhora Black. — a diretora sorriu simpática, apertando minha mão.
Sentei-me um pouco incomodada na cadeira à sua frente. Era a terceira vez que a escola me ligava no mês.
— Então… — incentivei.
Ela suspirou, cansada, cruzando as mãos sobre a mesa e me encarando seriamente.
— Bom, o seu marido não pode vir novamente? — questionou.
— Ele queria muito vir, mas, como a senhora sabe, Jacob é dono de uma grande empresa e, como tem muitas filiais pelo país, precisou viajar inesperadamente. — expliquei, massageando as têmporas.
— Ah, sim. Sinto muito tirá-la dos seus afazeres também, mas não a incomodaria se o assunto não fosse sério. — disse.
— Eu entendo, mas vamos direto ao assunto. O que o Kaylee fez desta vez? — questionei.
— É a terceira vez que ele agride, sem nenhum motivo, um colega de classe. Ele não consegue se controlar. Qualquer provocação já parte para a violência. Não podemos mais tolerar esse tipo de comportamento. Afinal, o que a senhora está ensinando ao seu filho, senhora Black? — ela perguntou severa.
Essas mulheres mais velhas me irritam profundamente. Acham que, só porque sou mais nova, não sei criar meu filho.
— O que a senhora pensa? Que eu ensino ele a bater nos outros pirralhos? — elevei o tom de voz.
— N-não… só acho que ele deve ter algum problema para se controlar. A senhora deveria levá-lo a um médico. — sugeriu.
Girei os olhos. Eu poderia muito bem explicar que ele era filho de um lobisomem com uma bruxa, mas resolvi deixar pra lá.
— O meu filho não tem nenhum problema! Talvez o ensino fraco da sua escola esteja afetando o cérebro dele e o deixando louco de raiva para espancar os colegas. — bradei.
— Ora, o seu filho é baderneiro, encrenqueiro e não respeita as regras desta escola. Estamos o expulsando! — ela bateu na mesa.
— Mas é um favor que você me faz. Assim não preciso mais gastar dinheiro com essa porcaria. E você vai se arrepender de ter expulsado um Black dessa bosta que chama de escola. — retruquei, levantando-me.
Ela me olhou com os olhos arregalados.
Abri a porta com toda a força que tinha, encontrando meu filho rebelde de oito anos me esperando com cara de tédio. Eu via uma versão em miniatura do Jake bem ali.
Bati a porta, e ele deu um sobressalto.
Segurei-o pelo pulso, arrastando-o para fora daquela escola.
Entramos no carro e acelerei, enquanto ele colocava o cinto.
— Mãe, você tá com cara de assassina… — comentou.
— Ah, é mesmo?! E você sabe por quê, não sabe? — lancei um olhar de canto.
— Porque eu briguei de novo… mas foi sem… —
— Kay, estou cansada de ouvir que foi sem querer. Apesar de saber que você nasceu com os genes do seu pai e não tem culpa, quantas vezes já conversamos sobre aprender a se controlar? — questionei.
— Às vezes, quando eu vejo, já fiz… Mas como assim? O pai brigava também? — franziu o cenho.
Suspirei fundo.
— Sim, seu pai também tem o gênio forte.
— Então… quantos dias de suspensão eu ganhei? — perguntou casualmente.
— Você tem muita cara de pau de perguntar isso! — rosnei.
— Bom… você foi expulso da escola.
Ele ficou pálido.
— O pai vai me matar!
— Ah, vai mesmo. — ri.
— Mãe!!!
— Relaxa, seu pai é um boboca. Não consegue te bater… — pausei. — Pelo menos antes de você ser expulso.
— Obrigado, mãe… — murmurou em desespero.
Ri novamente.
Chegamos em casa. Ele se jogou no sofá e tentou ligar o videogame.
— Negativo. — tirei o controle de sua mão. — Castigo.
— Mãe!!!
— Sem mãe.
— Olá. — ouvi a voz grave de Jake.
Levantei os olhos e sorri.
Ele largou a mala, afrouxou a gravata.
Andei até ele, abracei sua nuca e lhe dei um selinho demorado. Ele sorriu, alisando minha cintura.
— O que você faz em casa a essa hora, filho? — perguntou, olhando para Kay.
— E-eu…
— Kay brigou de novo e foi expulso. — expliquei.
— Expulso da escola, Kaylee?! — Jacob bradou.
— Jake, nós sabemos que nem sempre é culpa dele… — toquei seu braço.
Ele suspirou fundo.
— Kay, vá para o quarto.
O menino saiu correndo.
Jacob sentou-se no sofá e me puxou para o colo.
— Precisamos voltar para Forks. — disse.
— Concordo. Kay precisa entender quem ele é.
— Ah… eu xinguei a diretora. — confessei.
Jake gargalhou.
— Isso não é novidade nenhuma.
Sorri.
— E tenho outra notícia. Fui ao médico… estou grávida de cinco semanas e meia.
O sorriso dele foi imediato.
— Amor… isso é incrível!
Beijou-me com força.
— Tomara que venha uma mini Nessie. — brincou.
Mais tarde – ForksClaire, Quil, Oliver… todos nos receberam com alegria.
A casa cheia de memórias.
Jake sem camisa, arrumando lâmpadas, me fez suspirar.
— Meu marido é multitarefas. — murmurei.
Ele sorriu maliciosamente.
Depois do jantar, caminhamos pela floresta.
Kay estava animado.
— Pai, posso acampar aqui um dia?
— Quem sabe. — Jake sorriu.
— No seu aniversário. — sugeri.
Kay pulou de felicidade.
No penhasco, sentamos juntos.
— Gostou? — Jake perguntou.
— É incrível.
Respirei fundo.
— Temos duas coisas para te contar. A primeira: você vai ganhar um irmão ou irmã.
— Sério?! — ele vibrou.
— A segunda… é uma história sobre dois jovens bem diferentes. — olhei para Jake.
— Sobre eu e sua mãe. — ele completou.
Sorri.
Chegou a hora.
Chegou a hora de Kaylee Black conhecer a verdade.
A história de uma garota que se apaixonou por um lobisomem.
E do futuro alfa mais poderoso que já existiu.
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