Acontece sob a Lua
2 Capitulo 2 - O Primeiro Laço
Notas iniciais

POV: Renesmee
Lá estava eu. Fala sério, por que a Claire tinha que me arrastar para aquela festa? Eu estava totalmente deslocada, não conhecia ninguém. Havia muitos garotos sarados que pareciam irmãos gêmeos — amigos de Quil e do primo dele, que, pelo que eu sabia, era o verdadeiro motivo da festa, mas até então não tinha dado as caras. Quil disse que ele estava lá em cima se arrumando, mas parecia mais uma noiva.
Procurei Claire com os olhos desde que cheguei, mas não a encontrei em lugar nenhum. Acabei me enfiando no meio de um grupinho de garotos que começaram a assoviar. Girei os olhos, virei-me e os fitei com seriedade.
— O que foi, gata? Quer um trato? — um moreno bonito, porém com cara de sacana, perguntou.
Resolvi levar na brincadeira e sorri de canto.
— Eu adoraria, mas só quero uma informação — disse, enfiando as mãos nos bolsos do moletom.
— Ih, se deu bem, Paul — um garoto mais baixinho bateu no ombro dele.
— Pode dizer — Paul respondeu.
— Onde é o banheiro? — perguntei.
Os outros começaram a rir, fazendo Paul contorcer o rosto em uma careta. Prendi a risada.
— Lá em cima, no final do corredor.
Assenti, virei as costas e deixei escapar um risinho. Fala sério, esses garotos de hoje em dia são tão sem noção.
Subi as escadas rapidamente, entrei no primeiro corredor que vi e comecei a admirar as fotos nas paredes. Quando passei por um quarto, ouvi um choro baixo. Franzi o cenho e voltei alguns passos. A porta estava entreaberta, e lá dentro estava escuro. Retirei a mão do bolso e empurrei a porta, acendendo a luz do celular.
Deparei-me com um rapaz sentado em um canto do quarto. Ele segurava algo que deduzi ser uma foto e chorava. Engoli em seco. Seria o primo do Quil? A cada soluço, o som parecia mais um grunhido ou rosnado, o que era assustador. Eu devia sair dali, mas caminhei lentamente em sua direção. Algo me dizia que eu precisava ficar.
— Você… está bem? — sussurrei, abaixando-me à sua frente.
Ele não levantou a cabeça.
— Eu… eu não sei o que está acontecendo comigo — respondeu, com uma voz assustadoramente grossa e a respiração tão forte que eu podia ouvi-la claramente.
— Você está sentindo algo? — perguntei, questionando mentalmente por que estava me metendo naquilo.
Ele se levantou.
— Eu sinto muita… muita raiva — resmungou, andando de um lado para o outro.
Engoli em seco. Será que ele era um assassino psicótico?
— Olha… eu não sei o que está acontecendo, mas… — não consegui terminar.
Ele deu um passo à frente, e seu rosto apareceu iluminado pela luz do meu celular. Prendi a respiração. Seus olhos estavam completamente pretos, como ônix.
— Quem é você? — perguntou, agora com a voz mais fraca.
— Uma… uma amiga — respondi, tentando recuperar o fôlego.
Ele deu um passo atrás, fechou os punhos e se sentou na cama, tentando controlar a respiração.
— Vá embora — ordenou, levando as mãos à cabeça.
Ignorei. Vi a foto caída no chão, me abaixei e a peguei. Era de uma garota ruiva muito bonita. No verso estava escrito: “Amor pra toda vida.” Sorri de canto.
— É sua namorada? — perguntei, sentando-me ao lado dele.
— Minha… ex-namorada — respondeu, de cabeça baixa.
— Muito bonita.
— Sim.
— Você ainda gosta dela?
— Eu a amo — ele suspirou profundamente.
Peguei sua mão, virei a palma para cima e coloquei a foto ali.
— Não sei por que vocês terminaram, mas guarde essa foto. Para lembrar do quanto ela é bonita… e do quanto vocês se amaram.
Ele levantou os olhos e me fitou. Estavam normais agora — castanhos escuros, muito bonitos. Fechou a mão em torno da foto e sorriu torto. Sua respiração havia se normalizado.
— Obrigada — disse, levantando-se.
— Foi nada — sorri, meio sem graça.
Ele guardou a foto no bolso da calça e voltou a me olhar.
— Então… qual é o seu nome?
— Renesmee Cullen — respondi, estendendo a mão.
Ele a apertou. Sua mão era incrivelmente quente.
— Jacob Black.
Ele acendeu a luz do quarto. Era ainda mais bonito do que eu tinha pensado: pele morena avermelhada, olhos castanhos brilhantes, traços fortes e marcantes, lábios grossos. Percebi que estava encarando demais e sorri sem jeito.
— Estão todos te esperando — murmurei.
— Festa parece um pouco demais pra mim — disse, dando de ombros, com cara de quem não dormia há dias.
— Estranho.
— Me acha estranho?
— Não… só acho estranho um adolescente não gostar de festas.
— Não estou no clima.
— A namorada?
— Ex.
— Terminar com ela?
— Me mudar de cidade sem nem saber o porquê.
— Deve estar sendo difícil.
— E você? — ele perguntou, aproximando-se. — Onde está seu namorado?
— Eu… não tenho namorado — respondi, gaguejando.
Ele ficou me encarando por alguns segundos, como se ouvisse algo, depois deu um passo atrás e riu de leve.
— Você é contraditória.
— Por quê?
— Sei que está dizendo a verdade… mas seu coração acelerou.
— Como sabe?
— De algum modo, você me faz esquecer da dor — disse, entregando-me um papel. — Preciso de uma amiga.
— O que é isso?
— Meu número.
— Pra eu te ligar?
— Sim.
— Você tem algo de… diferente.
— Nem eu sei — respondeu, olhando pela janela enquanto o vento gelado entrava.
— Isso foi sinistro.
— Já vai?
— Toque de recolher.
— São nove horas.
— Ordem do meu pai.
— Entendo.
Estiquei-me e dei um beijo em sua bochecha antes de sair. Eu sabia: havia algo guardado dentro dele, algo pronto para sair.
Decidi que não ligaria. Não pensaria. Nunca mais o veria.
Mas eu tinha um pressentimento forte… como se estivesse ligada a ele.
No meio da multidão dançante, encontrei Claire praticamente fundida a Quil.
— Onde você se meteu? Tenho amigos lindos pra te apresentar — ela disse, claramente alterada.
— Acho que já conheci — resmunguei.
Ela arrancou o papel da minha mão.
— O número do Jacob? — gritou.
— Devolve!
— Vocês estavam transando?
— Claire! — gritei. — Não!
— Vou pra casa — anunciei.
— Depois me manda um texto detalhado dos seus sonhos com o Jacob — provocou.
Entrei no carro e respirei fundo. Um segundo de silêncio… até um uivo alto e assustador cortar a noite.
Meu coração disparou.
Liguei o carro e acelerei.
Só coisa da minha cabeça.
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