Acluofobia
4 Capítulo IV
Notas iniciais
Acordei suada, desorientada, e só percebi que estava gritando quando minha mãe abriu violentamente a porta do quarto e, claramente preocupada, me segurou pelos ombros e perguntou:
— Hay! O que aconteceu?!
Demorei alguns minutos até conseguir dizer alguma coisa. Nunca havia experimentado um pesadelo tão real e tão assustador. Aliás, dificilmente tinha pesadelos. Engoli em seco, procurando alguma coisa para disfarçar aquele momento horrível.
— Foi só um pesadelo, mãe. Está tudo bem.
Minha mãe me fitou por alguns instantes e, em seguida, baixou a cabeça, como se buscando palavras certas para dizer alguma coisa. Ficamos ali, sentadas e caladas por um breve momento, até que ela se levantou e saiu, fechando a porta atrás de si, me deixando completamente confusa e com medo.
Foi então que percebi. No instante em que minha mãe fechou a porta do quarto, eu soube. Estava ali, escondido, silencioso e quase invisível. O medo. O medo estava consumindo nós duas. Estava claro para mim que, assim como eu escondera o fato de ter tido um sonho real e sombrio, ela também estava me escondendo alguma coisa.
E eu ia descobrir.
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