Acidez
1 Act. 1
Ah, que lindas risadas. Só é uma pena que essa acidez faça-as parecer tão inúteis. Aquele período terrível, em que se deixa toda a bondade feita durante o tempo anterior e poder equilibrá-lo com negatividade. Ou seria uma causa justa? O que se tem, aliás?
Essa acidez que não deixa ninguém em paz, não perdoa ninguém e que faz escorrer rios de venenos das inocentes bocas. Esses sorrisosintrépidos que desafiam os muros espinhados da sociedade, subindo de sua coluna até a mente. Essa inspiração nojenta, composta nas fatídicas doenças humanas que do grosseiro se faz a beleza.
Uma acidez que dá desdém a qualquer mínima coisa, até de uma descoberta infantil, levantando risadas horrorosamente singulares e que não fazem sentido no meio desse mar profundo. A acidez é algo tão profundamente ridículo que chega a ser engraçado. Tanto que as pessoas que os são tendem a rir delas mesmas de tão perdidas que estão.
Essa segunda camada, ácida, que dissolve tudo ao redor, tira as graças, desmonta os ânimos com um mero sopro, que destrói coisas inteiras com simples palavras ou ainda mesmo com um único e simples olhar desdenhoso. Essa deliciosa camada ácida, viscosa, faz graça da própria sinceridade das pessoas por ser algo tão trivial. Desanima a si mesmo, anima a si mesmo e mata os outros por diversão.
A acidez é uma engenhosa arma humana.
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