Acidentes do Destino
33 Não sei o que fazer...
Saga segurava uma xícara de café gelado em suas mãos, estava sentado na cadeira da escrivaninha de seu quarto, os olhos verdes perdidos e cansados denunciavam sua fadiga, pois passou quase que a noite toda em claro após sua descoberta.
Estava na dúvida se deveria compartilhar com alguém, tinha receio de fazer algo precipitado e que pudesse afastá-lo mais uma vez de seu irmão, agora que se davam tão bem como na infância. Não precisava cometer mais erros em sua vida, portanto deveria agir com cautela.
Suspirou enquanto passava a mão nos cabelos loiros, de uma maneira nervosa. – O que eu faço, minha deusa?! – perguntou para si mesmo em um sussurro. Cansado de ficar em seu quarto, foi até a cozinha, precisava preparar mais um café bem forte.
Enquanto jogava a água fervente no pó do café, sua mente o direcionava na face apaixonada e alegre de seu irmão em relação a Koga. Ele mesmo adorava a companhia das outras meninas, elas deram ânimo ao Santuário e até na sua amada deusa que se sentia só. Quantas dúvidas e culpas aquele coração poderia carregar?
Ficou encarando o líquido escuro na xícara até que tomou a decisão de averiguar como estava a situação de Kanon, queria saber como ele estava em relação a namorada e como havia passado seu tempo no Templo de Poseidon. Talvez, conforme fosse o resultado daquela conversa, ele poderia tomar uma decisão mais assertiva.
x.x.x.x.x
Kanon estava próximo da arena principal conversando com Aiolos que treinava um jovem garoto que almejava a armadura de prata de Sagita. O gêmeo mais novo ao avistar Saga acenou para que ele se aproximasse e assim o fez.
— E aí xerox? — O moreno de olhos verdes levantou o braço para apertar a mão do melhor amigo num aperto de mão único. — Que passa? Essas horas por aqui? Não deveria estar faxinando a biblioteca?
— Muito engraçado jumento alado! — Saga cerrou os olhos fazendo Kanon rir da cara de falso assombro do sagitariano. — E aí como está a organização do casamento do teu irmão, soube que você vai ajudar.
— Putz, fiz essa bobagem de me colocar à disposição, ontem fiquei umas duas horas ouvindo a Marin falar tudo que ela gostaria para o dia. Agora é correr para providenciar, já que sou um dos padrinhos, aliás eu estava falando isso mesmo com Kanon, parece que ela quer que Koga e ele sejam também.
Saga sentiu seu estômago gelar, olhou para o mais novo que ficou sério de repente, conhecia melhor que ninguém para perceber que ainda o casal não tinha se acertado.
— Bom, meus caros xerox e fotocópia que amo tanto, tenho que cuidar aqui do meu pupilo e depois ir para Rodório com a Shina ver umas coisas para esse bendito casório, até mais ver! — o sagitariano com o assobio forte chamou o garoto que manipulava com destreza o arco e flecha, os dois seguiram mais adiante até os gêmeos os perder de vista.
— E aí Non, como estão as coisas? — Saga apoiou o corpo numa pilastra cruzando os braços logo em seguida. — Tudo certo com Poseidon?
Kanon sentou numa pedra próxima jogando o corpo para frente apoiando os cotovelos nos joelhos. — Lá foi tudo tranquilo, umas missões aqui, outras ali, mas no geral, tudo certo.
— Hummmm, que bom.. — disse analisando as mínimas expressões dos mais novo. — ...e Koga, já falou com ela?
Kanon o encarou, reparando na espantosa semelhança entre eles, virando a cabeça logo em seguida — Tsc — estalou a língua — troquei meia dúzia de palavras com ela na inauguração do bar, mas, — suspirou fracassado — ... ainda nada resolvido.
— Entendo… — o gêmeo respondeu ficando ainda confuso com o que deveria fazer — Você quer ficar com ela Kanon? — seria melhor ser mais objetivo.
Kanon pegou uma pequena pedra que tinha ao lado de seus pés e jogou longe, fazendo isso algumas vezes, Saga sabia que aquela atitude que o caçula estava tendo era para ganhar tempo, fazia isso desde criança trazendo até um sensação nostálgica.
— Eu desejo isso…. — disse por fim, colocando a mão no bolso da calça, se levantando e saindo dali, precisava de um tempo a sós.
Já Saga ao observar o irmão partir, passou a mão na testa levantando até um pouco a farta franja. — Minha deusa, o que eu faço? Preciso de uma luz…., olhou para o Décimo Terceiro Templo tendo uma idéia.
x.x.x.x.x
Em outro ponto do Santuário, Koga caminhava distraída, havia saído um pouco para refletir. Na noite anterior quando Kanon foi conversar com ela, sentiu todo o amor que nutria por ele vir à tona. Não sabia o que fazer, uma parte de si queria ir até ele e beijá-lo com ardor e outra dizia para não ceder, porque iria se magoar novamente. Absorta em seus pensamentos não percebeu que havia sido seguida.
— Ora, ora, parece que você resolveu seguir meu conselho.– Thetis falou, manhosa – Faz muito bem em se afastar dele. — em seus lábios rosados desenhava-se um sorriso triunfante.
A virginiana fechou os olhos, sua paciência com a comandante já estava no limite, por isso se voltou para ela, colocou o dedo indicador em riste na direção do rosto alvo da loira. – Escuta aqui seu peixe-boi, você tem é inveja porque Kanon me ama e não a você, que sempre correu atrás dele. — a loira não podia fingir que não se espantou com a atitude um tanto agressiva de Koga, pois seus olhos azuis ficaram arregalados olhando o dedo que lhe apontava — Eu falar ou não com ele é algo que só diz respeito a mim, então faça um favor a si mesma, pare de fazer papel de ridícula porque já tá ficando feio pra você!! – dito isso, Koga saiu a passos largos em direção às doze casas deixando uma Thetis completamente atônita para trás.
Logo que a virginiana sumiu de suas vistas, a loira deixou algumas lágrimas escaparem por sua face, porque sabia em seu íntimo que tudo o que Koga havia dito, era verdade, e por ser orgulhosa demais escondia isso até de si mesma. O que mais lhe doía era saber que Kanon não a amava e provavelmente nunca amaria.
— Parece que o tiro saiu pela culatra, não é mesmo Thetis? – a voz grave de Isaak de Kraken soou atrás da comandante, de uma forma jocosa – Você quis machucar alguém com as palavras e quem saiu machucada foi você, espero que agora você aprenda! — o finlandês desceu a escadaria até onde ela estava, encarando-a com seu único olho verde esmeralda, Thetis arrebitou o nariz fazendo um bico.
— Me deixe em paz, general! – respondeu a loira tentando esbanjar um ar de superioridade.
Já o General riu baixinho com aquela encenação da sereia segurando de leve a ponta do queixo delicado e erguendo ainda mais para que ela o encarasse de volta.
— Espero que você deixe o Kanon e Koga em paz e finalmente abra seu coração para quem realmente gosta de você de verdade! – o loiro roubou um beijo de Thétis e depois saiu andando, deixando para trás uma comandante confusa.
x.x.x.x.x
— Ei Debas, vim ver como a Lu está. – Calisto com seu jeito saltitante falou assim que o brasileiro apareceu no salão de lutas da segunda casa, onde ela o chamava.
— Que bom que você apareceu Cali, porém a Luisa não dormiu aqui. Afrodite me mandou mensagem por cosmo avisando que ela estava com ele e também me contou tudo o que aconteceu. – ele respondeu completamente sério, o que chamou atenção da canceriana porque era raro ver o taurino sem aquele sorrisão.
— O que está acontecendo? – Koga cortou a conversa chegando no segundo templo, perguntou ao ver os dois conversando e também porque estranhou o semblante sério do taurino.
— Ko, o Debas está contando que a Lu dormiu no Afrodite, você sabia?
— No Afrodite? – franziu o cenho negativando – Mas por que ela foi dormir lá?
— Boa pergunta – Calisto completou, agora séria também.
Aldebaran observando a preocupação genuína das duas moças pediu para que elas entrassem no Templo que ele iria preparar um café e contaria o término da noite fatídica da escorpiana. Koga e Calisto aceitaram e escutaram tudo o que as deixou ainda mais enfurecidas com o dourado de escorpião.
— Tudo por culpa daquele rabo torto! Ah, mas se coloco minhas mãos nele...– Calisto estava furiosa.
— Podem deixar que me entendo com Milo, aquele inseto é muito grande pra vocês, então se me derem licença.– o cavaleiro dizia pegando as xícaras de todos e levando até a bancada da cozinha e logo indo em direção da saída.
— Ihhhhh, quero nem ver no que isso vai dar – Calisto falou mordendo a unha do dedo mindinho.
Os olhos violetas de Koga se estreitaram e logo ela deu um tapão na mão da canceriana. — Tira o dedo da boca Calisto, você ficou anos pra perder essa mania.
— Ai credo Ko, tô nervosa! — Calisto fazia uma massagem no lugar onde levou o safanão.
Koga fez cara de poucos amigos para a castanha e depois virou o rosto para a porta de saída
— É, mas vamos deixar que eles se resolvam porque isso é briga de cachorro grande mesmo!
x.x.x.x.x
Após a breve conversa com o irmão, Saga ainda estava confuso com o que fazer, ver que o irmão não havia se acertado com a namorada lhe dava uma brecha para levá-las de volta porém a esperança que via nos olhos do caçula lhe deixava ainda mais com peso na consciência. Era necessário ter mais uma opinião, por isso havia tomado aquela iniciativa que julgou ser a mais correta, a melhor pessoa para se abrir seria Shion. o Grande Mestre. Subiu as escadarias, pensativo, até chegar em frente a grande porta de madeira do salão, olhou para os guardas que entraram antes dele como era de praxe para pedir permissão de sua entrada, já que não havia marcado nenhuma reunião oficial, rezava para que o muviano não estivesse ocupado. Após Alguns instantes se passaram e os guardas voltaram dando permissão para que entrasse. Suspirou fundo aliviado e abriu a porta.
Shion vestia suas nobres vestes de Grande Mestre, porém assim que avistou o geminiano levantou de seu trono tirando o elmo dourado.
— Aconteceu algo, Saga? – o muviano perguntou preocupado – Estou sentindo sua aura carregada.
— E estou... – o geminiano respondeu assim que se ajoelhou diante do seu superior – Mestre? — ele ergueu a cabeça ainda ficando de joelhos. — ...eu tenho algo pra lhe contar muito sério.
Shion relaxou um pouco o queixo, sentia que Saga estava verdadeiramente aflito, fez uma menção para que ele se levantasse novamente. Olhou para os lados reparando nas pessoas que trabalhavam na organização do salão — Venha meu filho, vamos conversar em meu escritório. Saga assentiu e acompanhou o ariano que foi para trás das pesadas cortinas do trono.
Assim que chegaram no escritório particular de Shion, ele logo deixou o elmo em cima da mesa e tirou as pesadas jóias que adornavam a túnica para ficar mais relaxado. Conhecia Saga muito bem para saber que se ele recorreu a sua companhia e opinião era algo para se preocupar. Sentou-se cruzando os dedos das mãos e aguardou o mesmo se sentar à sua frente.
— Você quer me contar o que lhe aflige? — ergueu uma de suas pintas e esperou pacientemente.
Saga se sentia nas inúmeras vezes que encobria as traquinagens do irmão e era chamado para “conversar” com Shion que lhe elaborava um longo monólogo de repreensão.
— Shion. — sua voz saiu entrecortada devido ao nervosismo — ...depois de todos esses meses eu finalmente encontrei a forma de levar as garotas de volta para a dimensão delas.
Shion ficou um pouco espantado pois acreditava que aquela seria uma notícia boa, porém o semblante de Saga não lhe fazia sentir isso. — Mas por que vejo que isso não é uma coisa boa? — continuou tentando tirar mais informações.
— Porque não sei o que fazer… — falou baixo olhando para as próprias mãos repousadas em seu colo.
Shion arqueou mais uma vez as pintinhas, passou a mão na barba por fazer e encarou novamente o geminiano.– Explique melhor isso.
E assim Saga contou sobre sua descoberta em detalhes, todas as suas falhas e finalmente o caminho certo para gerar o tubo dimensional, Shion ficou orgulhoso de seu cavaleiro, o que ele havia feito era uma tacada de gênio e uma evolução ainda maior para as fileiras douradas, até que chegar no ponto em que expôs sua conversa com o irmão caçula, e também dizia estar preocupado, porque além dos irmãos de arma, Saori também havia se afeiçoado às moças.
— Consigo compreender... – o muviano murmurou – ...de fato, é uma decisão que não cabe somente a você. Imagino como você deve estar se sentindo.
Sem mais, Saga olhou esperançoso para o Grande Mestre – Você tem algum conselho? O que devo fazer?
— Se eu puder te sugerir algo é que dê tempo ao tempo, logo saberá o que fazer.
O cavaleiro respirou profundamente fechando os olhos por alguns instantes e logo depois que os abriu, sentiu um pouco mais aliviado por ter compartilhado aquilo com Shion mesmo não obtendo uma resposta mais objetiva.
— Você tem razão Mestre, farei como o senhor disse, obrigado – o geminiano fez uma reverência e saiu do escritório voltando para o Terceiro Templo.
x.x.x.x.x
Após o desjejum com Afrodite, Luisa foi até o jardim onde ele cuidava de suas rosas com muito zelo, o que a encantou, porque lembrou-se que nas fics ele sempre era retratado assim e agora sabia que não eram apenas devaneios e sim, uma verdade! Caminhou tendo cuidado para não pisar nos jardins e foi até o centro onde tinha uma bela fonte que jorrava água pela boca de dois peixes, que estavam entrelaçados um no outro. A escorpiana ficou ali parada, contemplando a fonte e isso, chamou a atenção do pisciano.
— Gosta de fontes, Luisa? – perguntou ao se aproximar dela.
— Eu amo fontes, flores e plantas, aprendi a amar com minha mãe, que sempre gostou de jardins. – ao falar isso, a castanha fechou os olhos porque sentiu uma dorzinha em seu peito, a saudade dos seus pais e irmãos estava grande.
Afrodite percebeu isso, colocou a mão sobre o ombro da escorpiana e disse: – Luisa, sei que você está triste com tudo o que aconteceu, mas lembre-se: nada é permanente, o que acontece em nossas vidas não é por acaso — sorriu para ela que o escutava com atenção — ...e também parece meio clichê o que vou dizer, mas não é, as melhores batalhas são dadas para os melhores guerreiros. Acredite, ao fim de tudo isso, você estará mais forte que nunca.
Luisa escutou os conselhos do pisciano, tudo o que ele disse, já havia ouvido, e sabia que ele tinha razão, mas no momento só conseguia pensar na saudade e na cena do beijo do Milo com a tal mulher, se repetindo em sua mente várias e várias vezes. Suspirou profundamente, tentando controlar a tristeza, virou-se para ele e o abraçou, era uma resposta muda pela ajuda que ele vinha lhe dando.
— Ah, antes que eu esqueça – Afrodite disse após senti-la um pouco mais calma. – Já avisei Aldebaran que você está aqui.
Luisa mordeu o lábio inferior, num gesto claro de nervosismo, havia esquecido de avisar onde estava, deviam estar todos preocupados. – Obrigada – respondeu num sussurro. – Acho que vou retornar para a casa de touro, mas não queria ir sozinha, não quero encontrar Milo, pelo menos não agora.
Quando o sueco ia responder, recebeu uma mensagem de Athena via cosmo, pedindo para que Luisa fosse até o Décimo Terceiro Templo. O sueco deu o recado e a escorpiana já sabendo o que a deusa queria, se encaminhou até o local.
x.x.x.x.x
Aldebaran subiu as escadarias até escorpião, sério, o que fez todos seus irmãos de arma estranharem, mas resolveram não perguntar, afinal devia ter um motivo muito sério para que o taurino estivesse assim. Quando chegou no salão de lutas da oitava casa, pulsou o cosmo chamando por Milo, o que não demorou muito para responder.
O grego já imaginava o que tinha levado o brasileiro até sua casa, por isso se preparou porque não iria ser fácil. Assim que Aldebaran surgiu na porta, dito e feito, numa velocidade impressionante, o brasileiro segurou o grego pelo pescoço e o prensou contra a parede.
— Como você tem coragem de fazer uma coisa dessas com a Luisa? E ainda por cima colocou a vida dela em risco. Cadê o cavaleiro fiel, justo e bom nessas horas? – Aldebaran vociferava as palavras, estava muito bravo com o amigo.
— Calma Debas, deixa eu explicar, você entendeu errado! – Milo respondeu, tentando soltar a mão do outro do seu pescoço. Não queria revidar, afinal sabia que o amigo tinha motivo para estar fazendo aquilo e se fosse o contrário estaria tendo a mesma atitude.
— Explicar o quê? Vai dizer que Luisa viu tudo errado? Que sua boca de repente caiu na boca daquelazinha? Como pode pensar em trocar a Luisa por qualquer outra mulher Milo? Aquela menina é uma jóia! — ele apertou ainda mais o agarre, Milo já estava alguns metros do chão segurando os punhos do taurinho para não se enforcar de vez — ..e outra Escorpião, ela está sob MINHA responsabilidade e eu confiei em você para acompanhá-la enquanto estava lá no bar junto com Hyoga para os últimos preparativos para a inauguração, qual é a sua Milo? – afrouxou o agarre, permitindo assim que Milo se soltasse e caísse no chão como um gato.
— Não é isso Debas, acontece que na inauguração eu encontrei a Lara, aquela que foi minha namorada, lembra? – o brasileiro assentiu que sim tentado escutá-lo com paciência o que estava sendo uma batalha em seu íntimo – Então, ela me viu e foi me cumprimentar, eu fiquei conversando com ela por educação, e foi num dado momento que ela pulou no meu pescoço e me beijou. — o taurino ergueu uma sobrancelha grossa verificando a veracidade naquela história, a sorte de Milo era que ele nunca foi de mentir. — Eu não correspondi, e logo tratei de tirar aquela maluca de cima de mim. – Milo terminou seu relato e respirou profundamente porque desembuchou tudo de uma vez que mal respirou.
— E claro que você ingênuo como é, não percebeu as intenções da Lara. – o brasileiro perguntou cruzando os braços aguardando a resposta do loiro que tinha ganas de esmagar com seu pé.
— É claro que percebi, mas não quis ser grosso com a moça e acabei me dando mal, que droga!!! ele socou a pilastra de sua casa fazendo um belo estrago — Eu não senti a Luisa próxima devido a confusão de emoções que eu estava naquele momento. Ele se virou de costas para o taurino olhando-o de soslaio depois — Ela deve estar pensando só o pior de mim, logo agora que estávamos bem. – o grego parou de falar ao sentir a voz embargar. — eu a perdi… — virou o rosto segurando a ponte do nariz para tentar controlar as lágrimas que teimavam em querer sair. — Milo se fazia de durão, mas em relação a mulheres, mais precisamente a Luísa ele não conseguia se controlar.
Aldebaran se condoeu do estado do amigo, podia imaginar como ele estava se sentindo se aquilo tudo mesmo era verdade, contudo, também entendia Luisa. Por mais que ela não tivesse visto tudo o que tinha acontecido, mesmo assim seria muito difícil ela acreditar. – Não querendo ser estraga prazeres, você tá mesmo encrencado!
— Achei que ia vir com um conselho! — Milo virou-se para o taurino, mais aliviado e feliz por ter um amigo com um coração cheio de compaixão.
— Eu? — Aldebaran apontou para si próprio — Eu não! Vocês que são escorpianos que se entendam! Vai que depois eu levo uma agulhada envenenada! Tô fora Zé Peçonha! — riu alto daquele jeito único e depois ficou sério de repente — Só te digo uma coisa — apontou para o dono da casa — Vá com calma. – Aldebaran sabia que como todo bom escorpiano Milo era extremamente intenso e podia querer avançar as coisas muito rápido.
— Vou tentar, eu juro! — o loiro engoliu em seco.
Os dois dourados ficaram mais um tempo conversando até que o taurino falou que ia até peixes para ver como Luísa estava, Milo tinha vontade de ir com ele, mas resolveu fazer o que ele havia pedido.
x.x.x.x.x
Após deixar a segunda casa, Calisto resolveu dar um passeio, assim como Koga também queria ficar um pouco só, ficou sem graça em acompanhar Aldebaran e subir para Aquário, fora que não estava a fim de dar de cara com o escorpiano! Seus pés, que aliás estavam com uma gladiadora lindíssima, caminhavam sozinhos enquanto tentava ferozmente ordenar os pensamentos e os sentimentos.
Saiu caminhando a esmo e por ironia do destino, acabou indo até a praia que Máscara havia lhe levado semanas atrás. Olhou em volta, tirou as sandálias e começou a caminhar para perto da água, como não enxergou nem o dourado, nem os caranguejos, resolveu sentar na areia e ficar olhando a praia. Mas o que ela não sabia era que o canceriano havia a seguido, ele queria muito abraçá-la, sentir o cheiro dela novamente. Por isso, com cautela foi até onde Calisto estava e assim que ela sentiu sua presença e avistou a sombra do cavaleiro atrás de si,, fechou o cenho, levantou-se e já ia saindo do local a passos largos, confusa do jeito que estava era melhor se afastar.
— Por favor Máscara, me deixa em paz… — falou falsamente decidida.
Já o italiano saudoso como estava, não iria deixá-la em paz, a agonia de viver longe de Calisto já estava o atormentando além da medida, tirando sua sanidade, então ele sem dizer nada correu atrás dela e a impediu segurando seu braço e girando seu corpo e a puxando de encontro a seu peito quando ela levantou o rosto para protestar foi surpreendida por um beijo quente e cinematográfico.
Continua…
Fale com o autor