Acidentalmente Amor - Segunda Temporada
7 Surpreendendo
Notas iniciais
Ponto de Vista Freddie
Acordei cedo naquele dia. Eram 6:30 da manhã. Mesmo que um ano tivesse se passado desde que eu deixara Washington, eu ainda acordava cedo todas as manhãs, inclusive nas férias.
A primeira coisa que fiz após escovar os dentes foi ligar para Sam. Eu já sabia seu número de cor, não era necessária uma agenda telefônica ou algo do tipo. Peguei meu celular novo e liguei imediatamente.
– Alô? – Ela atendeu com a voz rouca. Provavelmente tinha acabado de acordar com o toque do celular.
– Bom dia. – Dei um sorriso. – É o Freddie.
– Argh, seu idiota. Você me acordou, sabia? Espero que tenha um bom motivo para isso.
– E eu tenho. – Soltei uma leve risada. – O que você acha de sair comigo hoje? Prometo que te deixo em casa.
– Não precisa prometer me deixar em casa. O último lugar que eu quero estar é aqui.
– Por quê? Aconteceu alguma coisa?
– Digamos que o jantar não foi muito bom. – Ela riu. – Mas, a resposta é sim. Eu aceito sair com você hoje.
– Ótimo. – Sorri. – Se lembra de quando nós saímos em Washington? Quando você me levou ao centro da cidade e me disse que não era um encontro?
– Sim. O que isso tem a ver?
– Bom, hoje vai ser. E se prepare, eu vou te surpreender.
– Devo me animar com isso?
– Com certeza.
– Tudo bem então. Eu vou tomar um banho e colocar uma roupa decente. Aonde vamos?
– Segredo. E pode deixar que eu passo aí.
– Tá dando uma de misterioso agora? – Rimos juntos. – Tudo bem então, vou me arrumar logo.
– Daqui uns 15 minutos estou chegando aí. Beijos.
– Tchau. – Ela desligou o telefone.
Ponto de vista Sam
Assim que desliguei o celular fui correndo para o banho. Precisava estar pronta em quinze minutos! Peguei a minha roupa e fui diretamente para o banheiro.
Em dez minutos já estava pronta. Estava tão ansiosa para sair daquela casa que mal tinha percebido que Melanie estava no quarto me observando.
– Você vai sair? – Ela finalmente perguntou, depois de me olhar de cima á baixo.
– Isso por algum acaso te interessa? – Falei enquanto passava o pente nos cabelos.
– Na verdade, não. Só curiosidade. Nada da sua vida me interessa.
– Ótimo, então pare de perguntar. – Guardei o pente e calcei meu tênis.
– Não sei aonde você está indo mas, essa roupa provavelmente não vai combinar.
– Sabe o que não está combinando aqui? A sua cara de santa com sua mente de demônio. – Falei antes de sair do quarto e bater a porta com força. Melanie me deixava muito irritada, estava dando graças porque não iria vê-la durante aquela tarde.
Assim que saí do quarto, uma das empregadas do meu pai me avisou que tinha alguém me esperando do lado de fora da casa. Apressei meu passo para chegar logo ao encontro de Freddie e me surpreendi ao ver que ele estava dentro de um carro. Eu já sabia que ele podia dirigir, mas não que ele tinha um carro. Essa era nova para mim.
Contudo, entrei no seu carro e o cumprimentei com um abraço. Respirei aliviada quando já estávamos na outra rua. Aquela casa me dava nojo.
Ponto de vista Freddie
Estava dirigindo fazia uns quinze minutos. Sam estava inquieta, como se quisesse falar alguma coisa. Resolvi puxar assunto para ver se ela criava coragem para me dizer o que quer que fosse.
– Então... Está gostando de Nova York?
– Sinceramente? Não. Aquelas pessoas que moram na casa do meu pai são ridículas. Me dão nojo!
– Sinto muito por isso. Mas hoje você terá um dos melhores dias aqui. Eu prometo.
– Espero. – Ela sorriu.
– Ahn, me desculpe perguntar mas... Tem algo acontecendo?
– Como assim?
– Não sei, você está inquieta.
– Ah, eu só estou surpresa. Não sabia que você tinha um carro.
– E não tenho. Esse é da minha mãe. Ela não me deixa dirigir, morre de medo. Mas como ela está de plantão hoje, peguei o carro escondido. Eu já tenho carteira.
– Sério? Então você ainda é o bebezinho da mamãe?
– Cala a boca. – Revirei os olhos e ela riu. – Mas... Algo me diz que não é só isso que está mexendo com você.
– O que você quer dizer?
– Quero dizer que aconteceu alguma coisa e você não quer me contar.
– Que coisa? – Ela pareceu sem graça.
– Não sei, Sam. Talvez naquele jantar. Enfim, você sabe que pode confiar em mim.
– Eu sei disso, Freddienub. Não aconteceu nada. Aquele jantar só não foi bom porque aquelas pessoas me olhavam de cima á baixo. E eu odeio me sentir assim.
– Não precisa se sentir mal por causa das pessoas. Você tem que se sentir feliz com quem você é.
– Já entendi, Clarice Lispector.
– Sem piadas, Sam. – Estacionei o carro. – Bom, vamos?
– Que lugar é esse?
– Um restaurante, meu favorito.
– Essa era a sua surpresa?
– Não, minha surpresa só chega de noite. – Sorri. – Antes disso, vou ter que te enrolar. Você não está com fome?
– Você realmente me perguntou isso? – Ela saiu do carro. – É claro que eu estou com fome.
...
Ponto de vista Sam
Eu e Freddie tínhamos andado por quase Nova York inteira. Ele fez questão de me levar em cada ponto turístico, eu já estava me sentindo exausta. A cidade era linda, mas minhas pernas não aguentavam mais andar. Freddie tinha me dito que era melhor nós irmos á pé do que de carro, afinal, algum conhecido seu podia passar e contar á sua mãe que ele tinha pegado o carro dela escondido. Claro que eu ri na mesma hora e fiz piada sobre isso a tarde inteira.
O dia já estava escurecendo e a noite chegando. Finalmente! Eu estava ansiosa para a surpresa que Freddie havia me prometido desde o início do dia.
Estávamos indo para o carro, depois de um dia bastante cansativo.
– Você consegue andar mais um pouco? – Ele me perguntou antes de abrir a porta.
– Você só pode estar de brincadeira com a minha cara. – Entrei no carro e, em seguida, ele fez o mesmo.
– É sério, Sam. Se minha mãe souber...
– Cala essa boca e dirige!
– Argh. O que eu não faço por você? – Ele bufou e ligou o carro em seguida.
Minhas pernas já estavam dormentes e eu me sentia muito cansada. Me aconcheguei no banco e acabei adormecendo por alguns minutos.
Ponto de vista Freddie
– Sam? – Cutuquei-a. – Sam, acorda! Nós chegamos!
Ela abriu os olhos lentamente, se espreguiçando e arrumando seu cabelo com as mãos.
– Você fica linda quando acorda. – Brinquei com ela.
– Sem essa, Freddork. Vamos ao que interessa. – Ela saiu do carro e olhou em volta. – Mato? Você me trouxe pro meio do mato? Essa era a sua surpresa?
– Não, bobona. Vem comigo. – Puxei-a pela mão e andamos por mais uns três minutos. Não dava para andar de carro naquele lugar, mas valia á pena todo esforço para conseguir chegar lá. – Chegamos. – Avisei a ela, que por um momento ficou paralisada.
– Meu Deus! – Ela finalmente falou. – Isso é lindo!
– Você gostou?
– É claro que eu gostei!
Tinha levado-a ao topo de um morro. O lugar era alto e de lá de cima dava para ver toda a cidade de Nova York, acesa por todas as luzes de todas as casas. Era algo mágico.
– Que bom que gostou. – Abracei-a por trás e dei um beijo em seu rosto.
– É uma vista privilegiada. – Ela sorriu. – É perfeito.
– Pra ficar perfeito, só falta isso. – Virei-me de frente para ela e beijei-a. Minhas mãos foram para sua cintura e ela envolveu os braços no meu pescoço, correspondendo meu beijo. Mordia de leve seu lábio inferior, fazendo-a sorrir entre o beijo. Depois de alguns longos segundos, fomos parando com alguns selinhos.
– Isso significa alguma coisa? – Ela sussurrou, encostando sua testa na minha. Nossas bocas estavam a centímetros de distância, eu podia sentir sua respiração.
– O que você acha que significa?
– Eu não sei. – Ela sorriu e fechou os olhos novamente. – Quero que você me diga.
– Significa que estamos juntos. – Fechei meus olhos também. – Tudo bem pra você?
– Finalmente. – Ela riu e me abraçou forte. Não pude evitar e sorri também, dando-lhe um beijo no topo da cabeça.
A partir daquele momento, as coisas mudaram. A partir daquele momento, nós estávamos oficialmente juntos.
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