Acidentalmente Amor - Segunda Temporada
3 Esclarecendo
Notas iniciais
– Sam? Querida? – Pude ouvir Kim me chamando. Não tinha percebido que ela já havia chegado com os lanches e que estava sentada na minha frente.
– Ah, me desculpa. Não tinha percebido que você chegou. – Falei e rapidamente voltei minha atenção para a mesa de Freddie.
– Pois é, eu percebi. – Pude ouvi-la dizer. – Mas o que está acontecendo? O que prende tanto a sua atenção assim?
– Você está vendo aquele garoto moreno ali, sentado junto de uma senhora e uma garota naquela mesa? – Apontei para a mesa de forma discreta.
– Sim, estou. Achou ele bonito? – Ela perguntou e eu não respondi. Continuei prestando atenção em Freddie. – Mas pelo o que me parece, ele tem uma namorada, não? Ele está segurando a mão daquela garota.
– Eu sei. – Falei quase trincando os dentes.
– Ah, não se preocupe docinho, tem vários meninos lindos em Nova York! Melanie podia te apresentar um dos amigos dela.
– Eu vou lá. – Falei sem dar ouvidos ao que Kim dissera antes e me levantando da cadeira.
– Mas, Sam, você não acha que... – Não escutei o resto da frase porque já estava longe. Estava quase chegando na mesa de Freddie e, a cada passo, a minha raiva aumentava.
Parei exatamente de frente para a mesa. Não sabia o que falar. Não sabia como agir. Tinha planejado tudo na minha mente, todos os xingamentos possíveis, mas tudo desapareceu quando Freddie me olhou nos olhos.
– Sam! – Marissa quebrou o silêncio. Freddie parecia estar em choque, ele não piscava, apenas me encarava. Senti uma leve vontade de chorar, mas engoli todo o choro. Eu não podia mostrar para ele que eu sentia a sua falta. Não depois de tê-lo encontrado com outra.
– Oi, Marissa. – Falei, tirando os olhos de Freddie e me virando para sua mãe. Cumprimentei-a normalmente e dei um sorriso depois, me virando para o novo casal. Resolvi que seria melhor usar meu lado irônico.
– Não sabia que tinha voltado! – Marissa comentou. – Vamos, sente conosco!
– Não vai dar. Eu tenho que voltar para a minha mesa. – Encarei Freddie novamente e depois passei meu olhar para a garota. – Parece que não nos conhecemos! Eu sou Samantha. – Estendi a mão.
– Ah, eu sou Charlotte, mas você pode me chamar de Char! – Ela riu de um jeito esquisito e apertou a minha mão.
– Charlotte? Que nome lindo. Seu namorado deve adorar esse nome. – Passei um olhar rápido para Freddie. – Bom, eu vou voltar para a minha mesa. Foi ótimo ter te conhecido, Charlotte e foi ótimo revê-la, Marissa. – Forcei um sorriso e virei as costas, apertando os olhos para que nenhuma lágrima caísse. Tentei apressar meus passos, mas eu não conseguia. Estava me sentindo horrível.
– Sam! – Senti uma mão no meu braço, fazendo-me virar para trás. – Nós precisamos conversar.
– Eu não tenho nada para falar com você. – Soltei meu braço e continuei andando, até que ele me puxou de novo, com um pouco mais de força.
– Mas eu tenho muita coisa para te falar. Por favor, não vai embora sem entender as coisas!
– Sem entender as coisas? Você me enganou Freddie, é isso o que eu estou entendendo! – Praticamente cuspi essas palavras e não liguei para o tom de voz que eu usei.
– Vamos conversar em outro lugar, por favor?
– E se eu não quiser ir?
– É melhor você ir, Sam. Eu vou te explicar tudo e se depois você não quiser acreditar, tudo bem. Mas eu preciso que você pelo menos me escute.
– E onde seria esse lugar?
– Vem comigo. – Ele tentou me puxar pela mão, mas eu a tirei rapidamente. Não queria nenhum contato com ele, nem visual e muito menos físico. – Por favor. – Ele pediu novamente.
Resolvi que iria segui-lo. Mesmo que estivesse morrendo de raiva e que a última pessoa que eu quisesse ver fosse ele, eu sabia que se eu não o escutasse, ficaria me lamentando depois por não ter deixado-o falar.
Freddie me levou para um lugar ao ar livre, fora do shopping. Parecia uma praça. Nos sentamos em um banco e eu apenas respirei fundo, indicando que ele poderia começar a falar.
– Em primeiro lugar, me desculpe. Eu sei que isso tudo deve estar sendo muito estranho para você. – Ele deu uma pausa e esperou que eu dissesse alguma coisa. Fiquei calada. – Bom, é uma longa história. Há dois meses, eu recebi a notícia que um tio meu que morava em Seattle estava muito mal no hospital. Ele tinha sofrido um acidente de carro. Não quis te falar isso porque eu e ele não éramos muito próximos e também porque não queria que você se preocupasse. Bom, os meses foram passando e eu não tinha recebido mais notícias. Até que antes de ontem fomos avisados que ele tinha falecido. Eu e minha mãe fizemos as malas correndo e fomos para lá. Quando chegamos no aeroporto, um ladrão nos assaltou e levou tudo. Malas, celulares, dinheiro. Tivemos que ir andando do aeroporto de Seattle até o cemitério, que por sorte não ficava muito longe.
– E o que isso tem a ver com o fato de você estar segurando a mão de uma garota no shopping? – Interferi.
– Calma, eu vou chegar lá. – Ele pediu. – Enfim, depois do enterro, recebemos a notícia de que a filha dele tinha se tornado órfã. A mãe dela tinha falecido na hora do parto e a única pessoa que ela tinha, era o pai. Ela tem dezoito anos de idade, mas tem deficiência mental. Então, sua mente é como a de uma criança de dez anos. Ela não pode ficar em um orfanato ou nada do tipo e, por conta de sua doença, não poderia morar sozinha, apesar de já ser maior de idade. Foi então que minha mãe se ofereceu para tomar conta dela. No início, eu não gostei muito. Não queria ter uma irmã. Mas eu sabia que esse era o único jeito de cuidar dela e de fazer com que ela fosse parte de uma família. No dia seguinte do enterro e depois de minha mãe assinar todos os documentos para a adoção, ela veio para Nova York conosco. Agora você entendeu? Aquela mulher que eu estava segurando a mão, é a minha prima, Sam. Você viu o jeito como ela se apresentou á você. Ela tem uma doença e precisa ser tratada. Eu e minha mãe estávamos procurando algum centro psicológico ou algo do tipo. E eu estava segurando a mão dela porque ela está se sentindo mal com tudo o que aconteceu nos últimos dias. Ela não é a minha namorada, Sam. E eu não te enganei. Espero que você possa acreditar em mim.
Eu estava chocada. Tudo o que ele havia dito parecia ser realmente verdade. Eu não sabia o que dizer e confesso que até me senti meio culpada por tê-lo julgado tanto. Mas ainda sentia um pouco de raiva por ele não ter me ligado.
– Olha, Freddie... Eu entendo o que você falou. Entendo mesmo e até acredito nas coisas que você disse. Mas, mesmo assim, você podia ter me ligado. Eu sei que nós não somos namorados nem nada do tipo, e que você não me deve nenhuma satisfação. Mas nós prometemos manter contato. E você disse que estaria no aeroporto quando eu chegasse.
– Meu celular foi roubado, Sam. E quando cheguei aqui, tive que ajudar minha mãe com as coisas da adoção da Charlotte e tudo mais. Minha cabeça estava cheia. Quando você estava no aeroporto, eu nem tinha chegado em Nova York ainda. Minha mãe ainda tem algumas coisas para resolver no cartório e eu estou ajudando-a. Mas, mesmo assim, eu sei como você deve ter se sentido. Quero que você saiba que eu sinto muito, mesmo. Queria que tudo tivesse sido diferente.
– Bom, eu... Não sei o que dizer. – Olhei para baixo.
– Um ‘’eu te perdôo’’ seria bom. – Ele sorriu. Foi a primeira vez que eu o vi sorrindo desde que chegara ali.
– Você é um imbecil, um idiota. Você não tem noção do que me fez passar e da raiva que eu senti de você. – Falei sem olhá-lo nos olhos. – Mas... Eu te perdôo.
– Que susto, pensei que você fosse me cobrir de tapas!
– Não se sinta aliviado, eu ainda estou pensando á respeito disso. – Rimos.
– Eu senti a sua falta. Sei que nosso reencontro não foi um dos melhores, mas... Eu senti muito a sua falta. – Ele pegou na minha mão. Eu queria falar que também tinha sentido a falta dele, mas paralisei quando vi que seu rosto lentamente se aproximava do meu. E, depois de tantos meses longe dele, senti nossos lábios se encontrarem novamente.
Não pensei duas vezes e correspondi o beijo. Eu necessitava daquilo. Tinha esperado muitos meses por aquele momento. Tentei aproveitar o máximo que pude, pena que minha felicidade acabou tão rápido.
– Ahn... Sam? – Ouvi a voz de Kim e tive que parar o beijo. Senti um pouco de vergonha da minha parte e um pouco de raiva dela também. – Me desculpe se atrapalhei alguma coisa, mas já está quase na hora da janta e seu pai preparou um jantar especial! Chamou todos os amigos, ele quer que todos conheçam você. Está na hora de ir para casa. – Ela deu um sorriso sem graça.
– Ah. Tudo bem. – Olhei para baixo. – Eu já vou indo.
– Estou te esperando no carro. – Ela sorriu e depois foi embora em direção ao estacionamento. Eu apenas encarei Freddie. Não queria ir embora, não queria deixá-lo ali.
– Eu tenho que ir. – Falei, olhando para baixo. – Sinto muito por isso. Parece que meu pai faz questão que todos conheçam a outra filha.
– Ele está certo. Uma pessoa como você merece ser conhecida. – Se levantou e ficou na minha frente.
– Não acredito que você disse isso. – Soltei uma gargalhada.
– Por quê?
– Soou idiota.
– E será que isso soa idiota? – Ele perguntou e em seguida me deu um beijo rápido.
– Ainda soa idiota. Mas eu gostei. – Sorri. – Bom, eu vou indo. Como faço para falar com você?
– Eu vou dar um jeito de arrumar um celular novo até amanhã, prometo. Vou ver se compro hoje mesmo aqui no shopping. Amanhã eu te ligo. E se eu não ligar, você pode me estrangular. – Pegou minha mão e beijou-a.
– Eu vou ter o maior prazer em te estrangular. E, por favor, não tente bancar o cavalheiro comigo. Nós dois sabemos que você é nerd demais para isso.
– Ah, os insultos! Senti até falta deles.
– Pode deixar que enquanto eu estiver aqui, vou garantir para que a falta dos insultos seja compensada. – Rimos. – Bom, Kim está me esperando no carro. Amanhã nos falamos?
– Sem dúvida.
– Tchau. – Dei um beijo de leve na sua bochecha e fui embora. Até que enfim a minha viagem estava começando a valer á pena.
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