Acidental

21 Capítulo 22


Aos poucos eu fui acordando, sentia uma coisa quente tocando meu rosto, a sensação era boa. Suspirei abrindo os olhos devagar, a coisa quente era a mão da minha mãe.

- Oi – disse ela.

- Oi – falei um pouco tonta.

- Tá sentindo alguma coisa¿ — perguntou ela.

- Não – falei.

Estávamos sozinhas no meu quarto, não o que eu dividia com o Tom, mais o meu mesmo.

- Por que estamos aqui¿ — perguntei me sentando devagar.

- Eu achei melhor trazer você pra cá – falou ela sorrindo – Quer vê o quarto dos bebês¿

- Pensei que a senhora só me deixaria ver quando fosse pra colocar um bebê lá dentro – falei espantada.

- Não reclama – disse brincando.

Mamãe ajudar a levantar, paramos em frente às portas duplas com ela fazendo um pouco de suspense e logo depois ela abriu as portas.

Olhei ao redor encantada, os berços, os brinquedos, era tudo lindo.

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- Gostou¿ — perguntou mamãe.

Eu não conseguia falar então só fiz assentir. Caminhei devagar pela quarto tocando tudo pra ver se era mesmo real.

- Sabe por que eu mostrei o quarto pra você Tessa¿ — perguntou mamãe séria ainda parada na porta.

- Não – respondi limpando as lágrimas que escorriam pelas minhas bochechas.

- Por que agora você tem as duas pessoinhas mais importantes do mundo que dependem de você, que precisam de você. Elas são mais importantes do que eu, ou seu pai, suas amigas, mais importantes que o Tom – falou ela o tempo todo olhando nos meus olhos.

Quando ela falou o nome dele, senti meu coração se retorcer em agonia, as lembranças de hoje à tarde invadiram minha mente como um turbilhão. As fotos dele agarrado aos beijos com uma morena numa festa.

Mamãe veio até mim e me abraçou e eu desabei no choro.

Eu me sentia em pedaços, alguma coisa se rasgava dentro de mim e a única coisa que podia fazer era sentir e agüentar.

- Por que ... ele teve que fazer isso ... comigo mamãe¿ — eu falava entre soluços – Por que¿

- Eu não sei filha – disse ela penteado meu cabelo com os dedos – mais lembra do que eu te disse¿ Você tem duas pessoas agora que são e sempre serão mais importantes do que ele.

Depois de chorar por longos minutos mamãe me ajudou a tomar um banho, me colocou na cama e foi buscar alguma coisa pra eu comer.

Liguei a TV e coloquei num filme qualquer. Alguns minutos depois mamãe voltou e papai vinha junto com ela. Papai me abraçou pelos ombros sorrindo.

Depois que acabei meu jantar eles ficaram comigo assistindo o filme até eu cair no sono.

...

Já tinha se passado quase um mês e eu não tinha nenhuma noticia do Tom, e eu também não queria ter. Era por causa dele que eu chorava toda noite antes de dormir, era por causa dele que eu tinha perdido peso apesar de eu me esforçar para dar todos os nutrientes que as minhas filhas precisavam para nascerem saudáveis, era por causa dele que eu quase não saia de casa pra não ter que agüentar as pessoas apontando e tirando fotos da grávida traída.

Apesar de eu não ter noticia dele, eu conversava com a dona Simone e o Bill regulamente, sem nunca tocar no nome dele.

- Nós já vamos indo filha – falou papai me beijando na testa – As garotas se atrasaram um pouco hoje mais elas disseram que no máximo 10 minutos elas chegam.

- Tudo bem papai – falei.

- Qualquer coisa a Ester está ai – disse mamãe – Tchau meu amor.

- Tchau – falei.

Eu tinha acabado de terminar meu café e estava indo para a sala quando três furacões irromperam na porta da frente.

- Bom dia pra vocês também – falei sarcástica.

- Tessa que gosto em ve-lá – disse Justine num tom muito educado, me dando dois beijinhos na bochecha.

- Tá possuída Justine¿ — perguntei desconfiada. Layla e Bianca caíram na gargalhada.

- Claro que não minha cara – disse ela ainda no tom educado.

- Hum – falei ainda olhando desconfiada pra ela esperando sair um ET de dentro da sua cabeça a qualquer momento que falava daquele jeito todo educadinho.

- Ela está treinando – falou Layla – Diz que quer fazer aulas de boas maneiras.

- Esse mundo tá perdido mesmo – falou Bianca se largando no sofá de qualquer.

- É claro que não minha cara amiga – disse Justine sentando no sofá numa postura que parecia muito incomoda e cruzando as pernas.

- Dá pra parar você tá me assustando – falei sorrindo.

- O que vamos fazer hoje¿ — perguntou Layla.

- Eu quero ir pra piscina – falou Justine agora normal.

- Eu tô precisando pegar uma corzinha – falei.

- Então vamos para a piscina – concordou Bianca.

Passamos a manhã na piscina, depois do almoço fomos pra sala assistir um filme e eu acabei pegando no sono.

Acordei com a minha mãe me chamando dizendo que era hora do jantar. Todos estavam estranhos, bem que eles tentavam disfarça mais não eram tão bons assim. Perguntei o meu pai qual era o problema mais ele disse que não era nada. Mais definitivamente era alguma coisa, mas não insisti, alguma hora eu ia descobri mesmo.

Eu estava no meu quarto olhando o anel no meu dedo. Eu não conseguia me livrar dele e acho que não queria também.

- Entra – falei quando ouvi batidas na porta.

- Oi meu bem – falou papai entrando e vindo sentar ao meu lado.

- Oi pai – falei suspirando.

- Tudo bem¿ — perguntou ele.

- Eu ... sinto falta dele – falei mordendo o lábio.

- Eu sei querida – falou ele.

- Será que ... – olhei para o meu pai sabendo que podia contar com ele – Será que ele senti minha falta¿

- Acredite amor, ele senti – falou papai como se soubesse de alguma coisa que eu não sabia.

- Então por que ele não tentou falar comigo para tentar se explicar¿ — perguntei sem conseguir segurar as lágrimas.

- Ele tentou filha, fomos nós que não deixamos – falou ele – Naquele tempo parecia à coisa certa a se fazer.

- Como assim naquele tempo¿ — falei me sentando.

- Depois daquela dia sua mãe e eu cortamos qualquer meio de comunicação que ele poderia usar para tentar falar com você, o doutor Willian nos aconselhou a manter ele o mais longe possível de você, sua gravidez já é um pouco complicada e o stress da situação poderia faze — lá piorar rapidamente. Nós só estávamos pensando em você e isso foi egoísmo da nossa parte – disse ele sombriamente.

- Por quê¿ — falei um pouco assustada.

- Por que alguns dias depois do acontecido o Tom me procurou no hotel, disse que foi tudo armação da garota, que ele não tinha feito nada, mais eu não quis escutar e mandei os seguranças o botarem pra fora – disse ele sem olhar pra mim – Ai ele encheu a cara e bateu o carro, mais não foi nada grave – acrescentou ele rapidamente – Bom há alguns dias o Bill me ligou pedindo pra deixar o Tom falar com você, se explicar. Ele está preocupado por que a única coisa que o Tom faz agora é beber.

- Isso não muda nada – falei rancorosa – Ele me traiu me machucou e ele tinha prometido nunca mais fazer isso de novo.

- Bom e ele não fez – falou papai – Não intencionalmente.

- Mais eu vi as fotos – falei – O mundo inteiro viu.

- Aquilo foi armação querida – falou ele calmamente.

Olhei pra ele chocada mal conseguindo pensar direito. Mais uma pequena esperança nascia dentro de mim.

- O-o-o quê¿ — falei atordoada.

- Bill me convenceu a procurar a verdade sobre as fotos por que ele sabia que o Tom nunca trairia você. Bom depois de conversar com você pelo telefone ele foi a uma boate com os garotos onde ele ficou muito bêbado. Bill me contou que Tom foi a banheiro e foi nessa hora que a garota o atacou e as fotos foram tiradas por um cúmplice dela. Ela armou tudo e vendeu as fotos por uma boa grana ao primeiro que ofereceu mais — disse ele.

- Eu ... e-e-eu ...– falei chocada – Como você descobriu isso tudo¿

- Eu fui atrás da garota e dei um bom dinheiro pra ela contar toda a verdade – falou ele suspirando – Amanhã vai está em todo lugar.

- Então ele não me traiu¿ — perguntei segurando o choro.

- Não filha ela não traiu você – falou papai sorrindo pequena.

- Eu preciso ... falar com ele – falei levantando da cama.

- Hoje não – falou papai – Amanhã cedo nos vamos para Leipzig ai você fala com ele.

- Mais papai eu não ... eu preciso dele agora – falei desesperada.

- Eu sinto muito mais só vamos poder resolver essa situação amanhã filha – falou papai.

Eu olhava ao redor tentando pensar, mais parecia que a minha cabeça estava trabalhando num ritmo que eu não conseguia acompanhar. Meu cérebro estava todo embaralhado, não tinha noção de nada ao meu redor só de que eu precisava ver o Tom.

Eu imaginei isso tantas vezes, aonde ele vinha se explicar que fora tudo uma armação, que ele foi enganado, drogado, sei lá. Mais quando ele não veio me procurar eu parei de tentar me convencer que ele era inocente, parei de acreditar que ele me amava.