Acid Rain

1 Capítulo 1 - Capitulo único


"E se quando o dia acabar você não estiver mais aqui?
E Se quando a noite chegar tudo o que dissemos for esquecido?
E Se eu nunca tiver a coragem de dizer “eu te amo”?
E Se cada abraço nunca tivesse acontecido?
E Se todas as palavras fossem uma grande mentira?
E Se cada olhar fosse forjado?
Seriam tantos momentos em vão;
Todas as palavras;
Todos os olhares;
Todas as mentiras...
Para no final não ter significado nada...
Para no final tudo ser esquecido por um simples ADEUS!"


W-W-W-W-W-W



O loiro foi até a estação, com um pequeno sorriso imperceptível.

Já havia se conformado que aquela não era a Twilight Town que conhecia.
O limbo não era todo aquele sofrimento que sempre imaginara ser.

Era, simplesmente, chato. Seguiu pelas ruas desertas até a torre da estação, e lá, sentou-se e ficou observando o crepúsculo. O pôr-do-sol não era mais tão bonito e mágico quanto se lembrava, era chato também. Sempre a mesma coisa.

Mas só o via por não ter nada mais útil a fazer.
E ficou lá, calado, abraçando os próprios ombros e esperando a noite chegar.

Aos poucos, o céu foi ficando azul escuro, que se fundia com o laranja da pequena ponta que restava do majestoso sol.

As poucas estrelas que iluminavam o céu e a enorme lua amarela e redonda surgiram, completando a magnitude daquele céu.
Era um céu tão bonito. Mas, tão triste.
É tudo tão... Melancólico... Quando se está sozinho, não há mais nada a se esperar além de tristeza, Roxas sabia muito bem disto.

Andar por uma TT escura e abandonada seria pior. Sabia, pois já havia o feito milhares de vezes.

Ao longe, vira algumas nuvens escuras, que logo cobriram toda a extensão do céu acima de TT.

Logo, a chuva começou a cair. Era engraçada. Por mais que visse suas mãos molhadas e seus cabelos escorrendo, não sentia a umidade. Só doía. Estava sendo apedrejado.

No ponto que chegara, não se importava mais com a dor. Abaixou a cabeça e voltou a abraçar os próprios ombros.
“Afinal, pra quê se importar com a dor?”

Era só um reflexo que o corpo tinha.

Franja nos olhos e pés balançando, parecia uma criança entediada.

Estava perdido em seus pensamentos. Ignorando a dor, a solidão... E, a eternidade que se seguiria.

Suas reflexões foram bruscamente interrompidas por uma risada divertida. Conhecia bem essa voz. Era Axel.
– Tão inocente aos olhos de quem não te conhece... Tão tentador aos meus... A vida é engraçada. – E a voz ecoou pelo vazio.



– Meu cérebro tentando me enganar novamente... Pff... – Sussurrou o Loirinho, balançando a cabeça de um lado para o outro, negativamente.
– Nem no canto mais pervertido da sua cabeça você iria conseguir imitar uma pessoa tão sexy quanto eu. Isto é um fato incontestável, Roxy.

Tinha motivos para não acreditar na presença de Axel. Afinal, aquele era seu inferno particular. Não tinha lugar para outras pessoas. Ou talvez tivesse. Não havia parado de pensar em Axel nenhum segundo a muito tempo.

O ruivo riu-se, tirando um pequeno sorriso de Roxas. Era seu amigo mesmo. O verdadeiro... O único.
Suspirou e olhou para a longa queda que se seguia, observando a chuva que tanto lhe machucava cair.

Silêncio.
O ruivo tirou a capa preta, e colocou sobre os ombros do mais jovem. Acariciou sua nuca e sentou-se ao seu lado.
Suspiraram. Olhares perdidos.

– Senti sua falta. – Indagou o loirinho.
– Eu também. – Respondeu-lhe o mais velho.

Pensava em várias coisas para falar á Axel, para que a conversa não tivesse fim, para que pudesse continuar ouvindo a voz dele.
Então, em um impulso, veio a pergunta chave:
– Porque me abandonou?

Silêncio. Axel parecia pensativo. Formulava uma resposta.
– Acho que eu devia ter perguntado isso. Não fui eu que esqueci de você. Foi o contrário.



Curto e grosso. Roxas corou violentamente.
Não havia sido culpa dele esquecer. Quer dizer, ele tinha sim uma parcela de culpa. Mas... Nunca quis ter esquecido.

– Sabe que eu jamais te abandonaria. – Continuou – Nós só seguimos caminhos diferentes.

O silêncio voltou.
Os dois suspiraram novamente.
– Nós sempre acabamos nos vendo de novo. – E o ruivo riu-se novamente. – Temos uma sorte danada.

Roxas riu. Fora bom, para os dois.
– Até no limbo... Tsc. – E, após dizer isso, o loiro alargou o sorriso.

Sem mais nada a dizer, voltaram a olhar para o nada.
Neste meio tempo, a intensidade da chuva dobrou. O brilho das estrelas se apagava, a lua parecia estar sumindo, e o azul dava lugar á um cinza-chumbo.

– Sabe, Axel, é doloroso- — Não pode completar a frase.
– A chuva? Sim. – Retrucou o ruivo.
– Não.
– Não?
– É. Não. – Respondeu, com pouca paciência. Suspirou novamente. Arrumou o sobretudo preto de Axel nas costas e voltou a falar. – Estava sendo... Extremamente... Doloroso.

Axel o fitou. Não fazia idéia do que o garoto se referia.
Roxas corou novamente. Os dois sorriram.
– ... Ter ficado sem você. – Completou.



O mais velho estava radiante. Sorrindo de orelha a orelha.

“Pervertido”
Axel era uma figura rara. Talvez por isso ele e o ruivo tenham ficado tão próximos.
Roxas ficou encabulado. Começou a cantarolar baixinho.

Axel deu um beijo em sua testa e deu um sorriso pervertido que só ele sabia fazer. Já Roxas, deu-lhe um beijo na bochecha.

Lógico que estavam pensando a mesma coisa. Tinham que aproveitar o quanto podiam o tempo que iria ficam juntos.
Axel abraçou o loirinho vermelho, que encaixou sua cabeça no pescoço do mais velho, fechou os olhos e passou a sorrir.




O limbo não seria mais um sofrimento.


Notas finais
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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!