Acho que é amor

1 Acho que é amor.


Notas iniciais
Ei, gente! Estou de volta, e dessa vez com uma oneshot (pode ser chamado também de conto), sobre minha futura história chamada A Garota ao Lado!
Espero que gostem! Não esqueçam de deixar um review! :)

OBS.: Esse conto já mostra a história mais avançada, então as personalidades das personagens podem estar diferentes do que a sinopse diz.

Dizem que o Central Park tem o poder de tornar qualquer momento agradável. Talvez tenham razão, pondero. Há um cachorro muito obediente e desembestado, que pega o graveto jogado pelo dono; uma menininha que ri ao ser perseguida por um pai muito carinhoso, e um grupo de amigos falantes fazendo um piquenique. E há ela. E eu. Esforço-me bastante para não me imaginar em qualquer outra situação que não seja a que estou vivendo agora. Pois, sinto-me feliz.

Mas, neste momento, não é o simples espaço arborizado que faz com que todo o peso que carrego desapareça. É ela. Alison Murray. A garota do meu andar, que passou meses sem me perceber – nem mesmo uma olhada de soslaio.

Estou deitada no gramado, apoiando-me nos cotovelos, enquanto Allie procura a foto que acabara de tirar na minha velha máquina fotográfica. É engraçado, porque quando ela está muito concentrada, um vinco se forma na sua testa, enquanto despeja resmungos sem sentidos. Como se suas cômicas palavras e feições fizessem a foto aparecer.

Até que desiste, e finalmente percebe meus olhares recaindo sobre ela. O momento a seguir também é divertido, porque seu semblante franzido não desaparece, e se demonstra confusa. Talvez a culpa seja minha. Eu devo informá-la que é engraçado quando ela está concentrada, e quando apanha de algum aparelho que não sabe mexer, mas mesmo assim se convence de que sabe?

― Sua máquina de tirar fotos está com problema. – Allie me entrega meu objeto, arqueando as sobrancelhas, e esta expressão quer dizer que ela sabe que o placar está de dez a zero para a máquina.

Eu rio, balançando a cabeça negativamente. Então faço eu mesma o serviço dela: procuro a foto, mas já com uma suposição – é muito provável de que ela não tenha tirado a foto, como acha que o fez.

Dito e feito. Não há nenhuma foto. Tadinha, justo agora que ela achava ser uma ótima fotógrafa. Decidida, levanto, mas faço um gesto para que ela espere. Então, me coloco atrás de seu delgado corpo, onde me ajoelho. Assim que sente minha presença, seu corpo contrai, e repreendo um riso delicioso, tentando ignorar este detalhe que faria com que eu tomasse outro caminho – algo acompanhado de um beijo profundo em sua nuca. Sem sair da minha linha de raciocínio, penduro a máquina em seu pescoço, ajeitando os cabelos dourados.

E embora provavelmente saiba o que estou tentando fazer, ela fica inerte, para que eu comande sua próxima ação: faço-a segurar a máquina, e aproximá-la em seu rosto. Minha mão começa a passear em seu braço direito, até chegar aos dedos, que são tirados delicadamente do lugar. Seu outro braço também está dominado por mim, e então seguro, junto com ela, a máquina. Aperto o botão-que-bate-a-foto várias vezes, e depois coloco seu dedo no lugar, e o aperto.

O barulho engraçado e cliché da máquina não demora a mesclar com o riso dela – que é franco e doce. Até que Alison parece cansar-se, e vira sua cabeça na minha direção. Aos poucos, sua risada é cessada, pois sua boca se ocupa em beijar-me. Apesar de ter beijado-a por diversas vezes, sinto aquela como a primeira vez. Não encontro urgência ou excitação. Sequer sua língua. Meus lábios apenas são envolvidos nos seus, um gesto quase imaculado, mas com certeza dedicado. Alison dedica-se inteiramente a mim.

Contudo, os pensamentos ruins não demoram a chegar. Alison é uma atriz famosa agora, e eu sei disso. Eu tenho a completa ciência de que ela é uma pessoa pública, e, embora não goste de admitir, divido-a com diretores e atores. Também estou ciente de que o momento que estou vivendo, aliás, que nós estamos vivendo é uma ameaça a tudo que ela construiu com muito esforço. Não. Não adianta lembrar a mim mesma de suas palavras meigas no meu apartamento; de sua alegação de que não vai dar importância aos gritos preconceituosos da imprensa. Porque ela vai. No momento que sentir tudo desabar, vai mentir, vai se ofender, vai me esquecer, e por último, vai se arrepender das promessas subtendidas.

Enquanto o fatídico momento não chega, tento não banhar meu rosto com lágrimas, e forçar um sorriso, que mesmo sendo de essência falsa, porque estou levemente triste, consegue ser autêntico. Os beijos dela na lateral da minha face terminam, e aperto os olhos para espantar o choro, antes que ela se coloque frente a frente comigo, e fite-me.

Seus olhos estão verdes, e sua pupila dilatada, do modo que nunca imaginei ser possível. Apesar de nunca ter presenciado esse detalhe, sei que significa coisa boa. C’est bon, Lea. Automaticamente franzo a testa, procurando a palavra que possa nomear o conteúdo de seus olhos. Paixão? Não. Carinho? Talvez. Bom...

― Acho que é amor. – acabo pensando alto.

Um sorriso quase rasga sua boca, e mais uma vez sua risada invade meus ouvidos. Não ouço mais os gritinhos da pequena garotinha que brinca com o pai; ou os latidos do cachorro obediente; muito menos o grupo tagarela do piquenique. Apenas ouço Allie, e sua genuína felicidade é a única coisa que meus ouvidos captam. Nesse momento, meus sentimentos parecem ganhar verossimilhança e força.

É, acho que é amor.

Notas finais
Gostaram? Deixem seus reviews aqui! São muito importantes!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!