Achados no inferno

1 Capítulo 1 - Proposta Maldita


Dizem que quando alguém faz ou vê algo fora do normal, ela é louca, ela tem um dom ou ela apenas é estranha. Mas o meu caso é diferente, eu estou no verdadeiro inferno.

Meu nome é Elizabeth Lawson, mas me chame de Lisa. Meus melhores amigos são Molly Alen, Bastian Kingsley e Naomi Li. E eu tenho uma viúva negra como animal de estimação.

Eu comecei a falar de coisas estranhas e não conclui nada. Eu vivo literalmente no inferno. Minha mãe morreu a 5 anos atrás com câncer terminal no cérebro, meu pai entrou em depressão e cometeu suicídio, ou melhor, tentou. Eu cortei a corda antes que ela o mata-se, e bem, agora ele vive a base de antidepressivos e tarja preta. Quando minha mãe morreu, eu a via em toda a parte, mas isso está na classificação lixo. Com o tempo as coisas foram piorando, eu via de tudo, anjos, demônios, pessoas mortas, de tudo um pouco. Isso não é um dom e eu não sou louca. Então, o que há de errado comigo?

***

Eram 13h52min e eu ainda estava tomando café da manhã. Meu pai olhou para mim com aquela cara de reprovação e virou-se pra geladeira e revirou-a por inteiro. Carregou em seus braços leite, uma caixa de ovos, bacon e suco.

— Como foi aula hoje? — Meu pai perguntou.

— Saí mais cedo e tomei uma advertência por ter chamada a professora Andrea de vaca.

— E qual foi o motivo por tê-la chamado de vaca?

— Ela me chamou de louca. Eu não sou louca. Eu deveria ter soltado a Violet naquele cabelo a base de óleo de cozinha dela e vê-la morrer com o veneno da minha querida aranha, ou melhor, filha.

— Você levou ela na sua mochila?

— Não, ela ficou em casa. Ela disse que a minha mochila é abafada demais para ela e que talvez consiga pegar a mosca que ela quer.

Meu pai deu uma golada naquele café amargo. Os cabelos da minha nuca se arrepiaram por inteiro só de pensar no gosto daquilo.

Bastian e Molly entraram pela porta dos fundos da casa. Bastian tinha em suas mãos um pote com milhões de vagalumes.

— Trouxe comida para Violet? —perguntei— ela anda com muita fome.

— Projeto de ciências, mas em breve será comida de viúva negra. — Respondeu ele — Falando no diabo, como está a minha pequena garotinha?

— Bem, mas ela não me deixou entrar no quarto porque ela perdeu uma mosca de vista e estava tentando achar e eu a desconcentraria.

Molly abraçou meu pai e roubou uma fatia de bacon frito. Meu pai tratava meus amigos como se fossem seus filhos. Ele devia parar com isso. Aquela cena me dava ânsia de vômito. Levantei da mesa e fui até meu quarto.

O meu quarto tinha um ar de sofrimento, decepção e dor. Um karma bem forte. Muita gente pensa que só porque eu sou estranha e obscura o meu quarto deve ser um quarto gótico. Para os que pensam o mesmo, pegue sua hipocrisia e vá para o lugar mais fundo, quente e sofrido do inferno. Obrigado. Voltando ao meu quarto, ele é um tanto comum, como o quarto de qualquer adolescente da minha idade. Meu quarto é muito bem iluminado, a luz do sol e as lâmpadas nunca o deixam escuro. As paredes eram compostas por madeira e tijolos.

Quando olhei para o canto mais escuro do quarto encontrei uma mulher olhando fixamente o aquário onde a pobre Violet dava voltas em seu tronco. Seu vestido branco estava manchado de lama e sangue, ela não possuía calçados, seu cabelo estava molhado, mas nenhuma gota de água ousava cair no chão.

— Olá! — eu disse.

— Pessoas normais não possuem aranhas peçonhentas como animais de estimação, garotinha. — ela disse.

— Mas eu não uma pessoa normal. Identifique-se.

— Lara Blow, morta em 15 de abril de 1976. Assassinada pelo próprio irmão ambicioso. Está feliz, garotinha?

— Sim. Mas diga-me Lara, o que faz aqui?

— Sabe garotinha, quando eu morri não fui diretamente para o céu. Não fui uma boa menina antes de morrer. Matei algumas pessoas, não fui à igreja, não dei dinheiro para a caridade e não ajudei um necessitado. Tudo que me importava era o dinheiro. Sabe, mandar em toda a Inglaterra. Então, Deus não me aceitou no céu e me mandou direto para o inferno. Lá, o querido Lú me fez cair no sofrimento eterno. Mas depois de passar alguns anos naquele lugar infeliz, eu vi você naquele manicômio totalmente dominada pelo ódio e a raiva. O Lú queria você, e para que eu saísse daquela merda, eu teria que vir aqui e te pedir um favor.

— Que favor?

— Venha para o inferno comigo que eu lhe mostrarei, garotinha.

Notas finais
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo tanto quanto eu gostei. Deixe sua crítica. Obrigado!