Acervo

4 Despedida


E quando foi embora, e eu olhei ao redor, e não havia ninguém...

Quando me soltou, e eu fiquei só, contudo, porém... ainda estava lá.

O último toque, o último olhar.

A culpa na falta, a dor do pesar.

Mas o pior é o cheiro.

Quando desapareceu, é quando a minha alma entendeu que era o fim.

E as vezes, satisfazendo o masoquismo, eu procuro dentro de mim.

Enfio o rosto, suavemente, me jogo do abismo... finalmente.

Não sei se sinto ou imagino, por uma fração ínfima de segundo.

Não sei se auto minto, sorrindo, o esculpindo com as luzes do mundo.

E apenas esse delírio de imaginar a memória, por si só,

é suficiente para me esfriar a espinha.

Para me molhar as bochechas.

De luto por nossa história que morreu antes de nascer.

Prematura.

Com você eu deixei uma linda e forte semente.

Comigo ficou uma elegante flor.

Um acordo silencioso:

Que você jamais a plante;

E eu jamais a vista, meu amor.