Acertando as Contas com o Passado
15 Capítulo 15 – Tentando voltar ao normal
Notas iniciais
Foi a conta certa, mal atravessamos a porta e o prédio explodiu. Foi como em câmera lenta. Vimos a sala dos agentes ser destruída, o fogo tomar conta de tudo, subir para onde era a Direção. Em poucos segundos todos os andares superiores eram apenas chamas.
Todos ficamos parados. Estarrecidos com o que víamos. Mas, da mesma forma que começou, o fogo se extinguiu, deixando uma parte do prédio intacta.
O trabalho de reconstrução seria enorme.
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— Estão todos bem?
— Abby?
— Aqui, Gibbs. – ela tinha os olhos marejados. – Estou bem, não precisa me olhar assim. Olha o prédio! – Abracei aquela que é, de muitas formas, minha filha.
— Tony?
— Aqui Chefe. Sem danos. – Ele estava levantando do chão e tirando a poeira da roupa.
— Tim?
— Aqui! Também estou bem. Só um pouco arranhado, Chefe! – Dei uma olhada nele, sim, ele estava bem. Pelo menos por fora.
— Ziva?
— Já passei por coisas piores, Gibbs. – ela me lançou um meio sorriso — Mas estou bem! — disse isso enquanto Tony a ajudava a se levantar.
— Ducky?
— Estou bem, Jethro! – Jenny o ajudava a se levantar e conferia se ele estava bem mesmo!
— Palmer?
— Aqui Gibbs. – ele mais do que nunca parecia assustado.
— Você vai ficar bem; — eu disse, mas eu só estava afirmando o óbvio. –vai demorar, mas você vai ficar bem.
— Obrigado, agente Gibbs.
— Jen?
Ela não me respondeu. Simplesmente fitava o prédio. Acho que, por alguns segundos ela achou que morreríamos todos lá.
— Shepard?!
— Bem. Estou bem. Será que sobreviveram? Nossos culpados?
— Não sei. Espero que sim. Quero envia-los para Guantánamo o mais rápido possível.
Ela estava assustada. Olhava para a equipe e os conferia, como se não acreditasse no milagre de temos saídos todos dali.
— E agora?
— Você avisou ao SecNav?
— Sim. E ele não gostou muito de me ver no comando... – ela tinha um meio sorriso irônico nos lábios. – Mas teve que aceitar, afinal não tinha mais ninguém para fazer isso. – ela disse dando de ombros e saindo para ficar perto da Abby.
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Enquanto todos tentávamos nos recompor, ouvimos as sirenes dos carros de resgate. Parecia que era tarde demais. Uma grande parte do prédio se fora.
Logo que nos localizaram vieram paramédicos e alguns dos agentes que saíram quando da primeira ordem.
Era impossível de não se olhar. Todos tinham a mesma feição que trazia um misto de tristeza, decepção, dúvida, alivio por todos estarem vivos e, em alguns, vingança.
Não seria fácil o caminho de volta. Não seria fácil reconstruir o prédio e muito menos a credibilidade da agência. Depois do que aconteceu, seria muito difícil que a imprensa não descobrisse sobre o lado corrupto de McCallister, como ele pensara em usar a NCIS como meio para que suas transações ilegais pudessem ser realizadas. A direção e SecNav terão muito trabalho pela frente.
Como se fosse a única atração de uma festival, nenhum de nós conseguimos sair de perto do estaleiro. Claro, fomos levados para longe do prédio enquanto o Corpo de Bombeiros apagava as chamas e faziam o rescaldo, mas ninguém saiu de perto. Ficamos nós oito, parados do outro lado acompanhando todo o trabalho.
A noite já ia alta quando liberaram a área tanto para pedestres quanto para os funcionários. Não tardou e uma procissão se formou enquanto todos se dirigiam à entrada. Um único objetivo, resgatar o que tivesse restado e começar a reconstrução o quanto antes, afinal, os agentes lotados no exterior e em outros países dependiam da segurança, informação e dados de inteligência que saiam daqui.
Como que para nos preparar para o pior, começamos nossa reentrada pelo laboratório de Abby, parecia um milagre que tudo estava em seu devido lugar, mesmo depois daquela explosão. Logicamente as janelas não resistiram e alguns itens estavam avariados, mas a maioria dos equipamentos e computadores tão amados pela analista estavam inteiros. Inclusive o hipopótamo de pelúcia...
— Bert!!! Você ficou inteiro!! – Abbs disse enquanto abraçava o bichinho que soltava o seu costumeiro barulho...
Nosso próximo passo foi a autópsia. Outro lugar que não fora afetado. Tudo estava onde deveria estar, inclusive as xícaras de porcelana de Ducky.
Quando fizemos nosso caminho para a sala dos agentes, vimos o primeiro dano sério. Sem elevador. Gibbs perdera seu escritório para conversas particulares. Alguns lances de escada e lá estava.
Não sobrara muita coisa. Cadeiras e mesas viradas, computadores, para a tristeza de McGee, completamente fritos. Anos de documentos perdidos transformados em cinzas. E um enorme buraco onde antes eram as janelas. Ou seja, o caos reinava. Começamos a revirar as mesas e tentar por um pouco de ordem no meio do caos quando ouvimos Tony exclamar:
— Mas eu não acredito! Ele sobreviveu a explosão! – E com um enorme sorriso no rosto ele mostrava o seu grampeador do Super Mouse, como se fosse o maior dos troféus.
Poucos minutos depois, é Ziva quem desenterra algo.
— Minha faca! Ainda bem!
— Sério Ziva?! Uma faca? Você tem centenas destas! – Tony zombou da amiga.
— Como se um grampeador fosse importante! – ela retrucou irritada.
— Isso aqui, Agente David, tem história!
— Minha faca também! Foi a primeira que ganhei quando entrei para o Exército de Israel aos dezesseis anos! Então não zombe de mim! — Ela disse, enquanto apontava a ponta da faca perigosamente perto da garganta do parceiro.
Por outro lado, não encontramos mais nada que pudesse ser considerado um tesouro de escavação. Porém McGee ainda tinha esperanças de que com alguns ajustes e novas peças, ele poderia dar um reboot no sistema da agência. Dos males o menor, mas ninguém ousou olhar para Jethro enquanto Tim falava sobre como ele iria fazer isso.
Com o inventário da sala dos agentes pronto subimos para o próximo andar.
Por sorte o MTAC possui uma porta e estruturas reforçadas, fora alguns pequenos danos, nada foi danificado dentro da sala. Mesmo com toda a bagunça do lado de fora, algumas operações poderiam ser monitoras dali. O mesmo não poderia ser dito da Direção. Onde uma vez fora minha sala não havia nada a não ser um enorme buraco. Com a explosão das bombas na sala dos agentes, o maior impacto acontecera ali. Um pequeno remendo não colocaria nada de pé. Teria que ser reconstruída do zero.
Foi quando lembramos de nossos culpados, porque após todo este estrago, de quase perdermos nossas vidas, eles já eram considerados culpados.
Para a nossa felicidade e infelicidade deles, ambos estavam bem. Tão bem quanto duas pessoas que passaram por um interrogatório controverso poderiam estar.
Era a hora de tirá-los dali entregá-los aos promotores da Marinha. Nosso trabalho terminara.
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Logo que terminamos nossa inspeção e começamos a pensar em todo trabalho que tínhamos pela frente, Secretário Davenport chega de surpresa na sede. Após uma olhada no que restou do prédio, seu primeiro questionamento foi sobre vítimas.
— Não tivemos nenhuma, Senhor, o prédio foi evacuado momentos antes. – Gibbs tomou a dianteira.
— Isso é bom, menos uma preocupação. – ele ainda parecia assustado com a destruição. – Mas vi que um protocolo de segurança foi usado em uma saída de emergência.
— Sim, Senhor Secretário, eu o usei. Não tinha outra saída para a equipe a não ser aquela. E por ser questão de vida ou morte, passamos por ali. – Respondi firmemente.
— Por que não me surpreende você ter feito isto, Shepard. Você sabia muito bem que era uma passagem secreta... – ele praticamente rosnou a última palavra.
— Sim, seu sabia, senhor. Porém, preferi arriscar a descoberta desta passagem a ter vítimas fatais da explosão. E posso garanti-lo, que ninguém que passou por lá comigo irá falar nada. – Retruquei no mesmo tom. Quem ele pensa que é para julgar o meu ato? Eu nunca os abandonaria!
— Vejo que a sua volta vai me trazer mais problemas do que quando fingimos a sua morte. Mas não pense, nem por um segundo, que enquanto Leon estiver afastado será você a assumir a direção. Eu estou tomando esta responsabilidade provisoriamente, e irei comandar as repercussões junto à mídia. E você, Shepard, ficará como Agente Especial na MCRT, por enquanto.
Eu queria voar no pescoço dele! Não acredito no que ele estava fazendo! Claramente eu sabia o que deveria ser feito, mas ele não pensava assim. Muito contrariada, foi obrigada a concordar com ele, mas sua última decisão ainda deveria ser acatada pelo líder da equipe principal.
— Sim, senhor, entendo a sua posição. – Respondi com os dentes trincados. Cada palavra ali era uma mentira.
Pude ver pelo canto do olho que Gibbs sorria discretamente, ele me conhecia, sabia que eu não concordava com nada e que na verdade queria era esganar o Secretário. Foi quando, para me testar, ele respondeu ao SecNav da seguinte forma:
— Tem certeza que transferir a Agente Shepard para a MCRT é uma boa escolha, Senhor? Minha equipe já está completa, não preciso de mais ninguém.
Mas é de uma petulância que me dá vontade de matá-lo, se eu não o amasse tanto eu faria isso!
Na mesma hora em que Jethro disse isso, pude ouvir os silvos do restante da equipe, principalmente de Abby, que parecia não entender o que ele fazia.
— Mas Gibbs... – ela disse chorosa.
— A equipe é sua, mas eu preciso colocá-la em algum lugar, Gibbs, e temporariamente ele ficará aqui. Isso é uma ordem!
Eu não era um objeto, contudo tinha que ficar calada, afinal, ele era o superior naquele momento, e seu eu quisesse manter o meu emprego...
— E, por fim, a decisão sobre sua permanência em Washington, Shepard, será tomada conjuntamente com o Diretor Vance e o Secretário de Defesa, então, fique avisada desde já.
— Claro, Senhor. Ficarei no aguardo de novas instruções.
Ele nem esperou que eu fechasse a boca e foi logo saindo em direção as escadas.
— Tomara que você escorregue escada abaixo! – Sibilei tão baixo que pensava que ninguém pudesse ouvir, mas estava errada.
— Hahaha! Eu achando que você iria engolir essa fácil, Jenny! Aliás, mesmo sendo temporário, como vamos te chamar? Agente Especial Shepard, Jenny ou Novata? – Tony me perguntou com o sorriso mais moleque que ele podia dar.
— Shepard está de bom tamanho...
— Mas você é a mais nova na equipe agora...
— Não se esqueça, DiNozzo, que eu estou na NCIS há mais tempo que você, portanto, nada disso de me chamar de novata!!
— E tapa na cabeça, pode, Chefe? – ele parecia uma criança falando assim.
— Não ouse fazer isso! – Eu estava ficando vermelha de raiva. – Muito menos você, Gibbs, — apontei meu indicador na sua direção — não me venha com estes malditos tapas!!!
— Por enquanto não, DiNozzo. Por enquanto não...
Eu já estava começando a me arrepender de ter voltado.
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Nossa responsabilidade com a “Família Russo-Escocesa do Mal” – como Tony os denominara — chegou ao fim, finalmente pudemos ter um tempo para descansar. O problema era que, a esta altura, ninguém queria ficar propriamente sozinho, afinal, uma experiência de quase morte não é algo que se esquece facilmente.
Foi quando, muito delicadamente, Abby me perguntou se já era hora.
— Hora de? – Não entendi sua pergunta.
— Você tem que me contar tudo o que aconteceu, Jenny! Eu fiquei tão triste quando você “morreu” – ela disse fazendo aspas com as mãos.
— Bom, quanto mais cedo eu explicar, melhor, você não acha, Abbs? – Respondi-a com um sorriso.
— Ótimo, também quero ouvir, afinal, sei que tudo o que aconteceu aqui está ligado, mas quero saber o que te levou a não contar para nós! – Ziva completou.
— Creio que todos nós estamos felizes com sua volta, Jennifer, mas também merecemos explicações. Que tal um jantar para que tudo isso se resolva.
— Desde que alguém, que não seja eu, pague – Tony disse – eu topo!
— Eu também. – McGee concordou.
— Tudo bem, só tem um problema, minha casa foi queimada— lancei um olhar de puro ódio para Jethro – portanto vocês vão ter que escolher o lugar...
— Na casa do Gibbs! – Tony, Ziva, Abby e McGee responderam sem pestanejar.
— Minha casa?! – Gibbs foi pego de surpresa nessa.
— Acho justo! Você queima minha casa, e eu tento resolver meus problemas na sua! Fique tranquilo, não vamos derrubá-la. – Disse enquanto passava por ele dando um tapinha em seu ombro.
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