Acertando as Contas com o Passado

17 Capítulo 17 - E a regra número 12.


Notas iniciais
Euzinha aqui estou com sérios bloqueios com o restante desta fic, então o certo seria segurar esse capítulo, até que eu tivesse, no mínimo, um esquema para o final. Mas é Natal, sei que já enrolei com um momento Jibbs. Então resolvi postar como um presente. PS.: Não escrevi este capítulo pensando em música nenhuma, mas quando fui corrigi-lo, meu aleatório me deu "I Miss You" da Adele. E uma música nunca se encaixou tão bem quanto essa, para esse momento. Quem quiser ler ouvindo-a, fique à vontade! Chega de enrolar e boa leitura.

O abraço foi desfeito, e Ducky, que ficara o tempo todo calado, foi o primeiro a se manifestar quanto a hora, na verdade, já estava quase amanhecendo quando cada um subiu as escadas do porão, logo depois de Gibbs dar o dia de folga para a equipe.

— Isso é privilégio. A Jenny mal chegou e já tá ganhado o dia de folga. – DiNozzo reclamou.

— Não se esqueça Tony, que eu estava do outro lado do mundo, então se for contar, estou a quase dois dias sem dormir. Acho que mereço um descanso! – Retruquei. Realmente se eu permanecesse nessa equipe, acho que não teríamos um minuto de sossego.

Quando ele e Ziva saíram, restamos eu e Jethro no porão, que agora parecia dez vezes maior sem todos ali.

Geralmente o silêncio não nos incomodava, era até natural, quantas vezes não ficamos em um cômodo, durante uma tocaia sem trocarmos uma única palavra? Mas aqui era diferente. Era um silêncio pesado, onde se podia sentir a tensão e a expectativa no ar.

Acontece que, eu não tinha coragem de quebrá-lo, e Jethro nunca foi de falar muito. Então a situação estranha permaneceria.

Há muito ele parara de lixar o barco, e estava preguiçosamente encostado em sua área de trabalho me fitando enquanto tomava um gole de seu Bourbon. E pela primeira vez em muito tempo, me senti corar com seu olhar. Eu conhecia aquele olhar, ele me estudava, e eu não pude deixar de fazer o mesmo. Droga, ele não mudara nada, Doze longos anos e a única diferença era a cor dos cabelos... Ah Jethro....

Sei que já tínhamos conversado antes, que eu já tinha me explicado, mas ele parecia querer uma outra coisa. Que eu não sabia qual era, ou sabia, só não queria admitir para mim mesma. E, para minha total surpresa, meu instinto me dizia para sair correndo dali.

Então, juntei minha coragem e o fitei, somente para dizer:

— Eu vou chamar um táxi, ir para um hotel. Preciso dormir e você também. – Covarde como estava me sentindo, minha intenção era falar e subir a escada em um átimo, mas minha bolsa estava justamente atrás dele... e eu não queria chegar perto dele, não agora.

Gibbs continuava na mesma posição. Desta vez, ele notou meu olhar para a bolsa e deu um sorriso. Ele sabia que eu queria fugir e que para isso eu precisaria da maldita bolsa. Ou seja, no fundo eu estava presa a duas soluções: ou saia sem nada e ia andando sem ter um local certo para ir, ou chegava perto dele para poder pegar o único meio de resgate que tinha.

— Merda – soltei em meio a minha respiração.

O porão estava tão silencioso que ele ouviu meu xingamento. E isso só o fez abrir o sorriso ainda mais. E esse sorriso fez meu coração pular uma batida e meu cérebro voltar no tempo.

— Acho que você vai precisar disso – ele disse colocando a minha bolsa na sua mão livre – se quiser sair agora, é claro – Sua voz era como o ronronar de um felino perigoso, cheia de segundas intenções.

Momentaneamente fiquei sem resposta e reação. Droga, eu não era assim, o que estava acontecendo...

Novamente a imagem de um quarto minúsculo, iluminado somente pelos postes da rua passou pela minha cabeça...

— Como alguém um dia disse para mim, tire sua cabeça de dentro daquele quarto...

Tomei coragem e ergui o olhar o encarando. Ele não venceria essa guerra hoje. Não mesmo. Eu só precisava da minha bolsa e nunca, jamais, em hipótese alguma, encarar aqueles olhos azuis...

Fácil de falar, difícil de fazer...

Resolutamente caminhei do pé da escada até a bancada, parando a alguns centímetros da sua mão esquerda que muito descuidadamente mantinha minha bolsa no ar. Em um movimento bem calculado, resolvi que, se ele pensava que poderia se divertir às minhas custas, eu também poderia fazer o mesmo, então, sem dar sinal nenhum, peguei o copo que estava em sua mão direita e bebi o restante do conteúdo, tomando todo o cuidado do mundo para não olhá-lo, e, após ter terminado, coloquei o copo em sua mão, peguei minha bolsa e sai o mais depressa possível de perto dele.

Quando foi que Jenny Shepard começou a agir como uma adolescente? Não faço a mínima ideia... mas, naquele momento era tudo o que eu poderia fazer. Não estava preparada para, depois de doze anos reviver aquelas noites... não hoje pelo menos. Contudo, tinha a certeza, que bastaria uma olhada, um pedido, um toque e minha força de vontade fraquejaria e eu não resistiria a ele.

Mas, eu não contava com a resolução dele.

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Desta vez ela não escaparia, Desta vez ela não iria embora. Eu escutei toda a sua explicação à equipe, vi, um a um eles darem as boas vindas a ela com um abraço. Abraço que eu ainda não tinha dado. Ela tinha voltado há menos de vinte e quatro horas e eu ainda não conseguira sequer chegar perto dela o suficiente para sentir o seu perfume.

Tinha prometido a mim mesmo que não me intrometeria em nenhum momento, até que ela falou que tinha um outro plano para a sua saída. Eu não resisti em perguntar qual era.

Mas nenhum momento me afetou mais do que quando ela disse que sempre teve a intenção de retornar. É claro, ela sempre retornaria, mas será que seria em definitivo desta vez?

Então Abby propôs o abraço em grupo e pela primeira vez pude chegar perto o suficiente dela. Como fui o último a me juntar, pude escolher o meu lugar, perto dela e de seu estranho perfume que sempre me fascinou. E durante aqueles breves momentos juntos, eu voltei a Paris, eu voltei para aquele quarto, e a voz dela dentro de minha cabeça brincou: “tire sua cabeça de dentro daquele quarto, Jethro”.

Foi então que eu tomei uma decisão. Ou era hoje ou não seria nunca mais. Ela estava de volta, SecNAv a colocara na minha equipe. E depois de doze anos, já passava da hora de resolvermos algo.

Um por um, minha equipe foi subindo os degraus da escada que levava para fora do porão, até que só restaram nós dois.

Foi como se nos víssemos pela primeira vez de novo. Eu reparei em cada traço dela, desde o cabelo vermelho, até a ponta dos pés que se equilibravam naqueles impraticáveis saltos. Demorei-me em seus olhos. E quando fiz isso ela ruborizou, exatamente como da primeira vez. E eu sabia... ela dissera a verdade durante nossa conversa pela manhã.

Vi a tensão no seu rosto e a decisão de ir passar por seus olhos, quando ela deu a desculpa de que estava cansada, vi também quando ela notou que sua bolsa estava em algum lugar atrás de mim. Ela não tinha escolha. Se ela quisesse sair da minha casa, ela teria que chegar até mim primeiro. Então, peguei a bolsa e simplesmente disse:

— Acho que você vai precisar disso, se quiser sair agora, é claro. E a sua falta de reação era tudo o que eu precisava. Eu vi naqueles olhos verdes onde ela estava. E continuei.

— Como alguém me disse uma vez, tire sua cabeça de dentro daquele quarto.

Foi como se ela levasse um choque. A incerteza se transformou de decisão e ela veio caminhando até mim, sem nunca me olhar nos olhos. Então era esse seu ponto fraco, Jen? Meus olhos? Bom saber.

Ela parou perto o suficiente e, ao invés de pegar a bolsa de grife direto e sair correndo do porão como ela ameaçou fazer, ela me surpreendeu quando tirou o copo da minha mão direita e bebeu todo o Bourbon que lá estava, só depois pegou a bolsa e virou as costas.

Só que isso não ficaria assim. Desta vez, Jennifer Sherpard, você não iria embora.

Ela mal tinha virado quando a peguei pelo braço e a trouxe para perto de mim, levantando seu rosto até que seus olhos fitassem os meus.

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Mas quem ele pensa que é para fazer isso? Eu mal tinha dado alguns passos quando senti que ele pegara o meu braço e virava de encontro a si.

Como tinha plena consciência de que se eu olhasse em seus olhos eu cairia em seus braços, me mantive firme olhando para o seu peitoral e sentindo o seu perfume único que misturava serragem, sua colônia e café. Eu tinha me esquecido do efeito que ele causa em mim. Meu Deus...

Contudo ele notara que eu evitava o seu olhar e, delicadamente levantou meu rosto até que ficássemos cara a cara, seus olhos fitando os meus. E eu notei que ele sabia o efeito que aquelas orbes tão azuis faziam em mim. Droga, agora seu já inflado ego ficaria ainda maior.

Ele sorria para mim, um sorriso que eu não via há muito tempo, um sorriso que chegava aos seus olhos.

— Deus! – foi tudo o que eu tive tempo de dizer antes que seus lábios capturassem os meus.

— Não, esse não é meu nome. – Ele disse entre o beijo. — Você sabe exatamente qual é, Jen. – ele sussurrou.

— Você, é muito convencido, Jethro! – sussurrei em sua orelha. E a última coisa da qual me lembro, é ele me pegando e me levando escada acima.

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Um barulho irritante ecoava na minha cabeça. Enquanto eu tentava não acordar do mais nítido sonho que tive em toda minha vida. Definitivamente minha volta a Washington reavivou minhas memórias de Paris, isso e o fato de ter passado algumas horas dentro daquele porão. Como eu sentia falta dele...

E o barulho continuava.

— Maldito despertador! — Xinguei enquanto rolava para o lado e tentava a todo custo achar meu celular para poder desligá-lo,

Foi quando eu me dei conta de que estava em um quarto desconhecido e tinha alguém junto comigo.

Não fora um sonho! Fora real. Eu, quer dizer nós realmente... Eu não pude conter o sorriso e o rubor que invadiram a minha face. Dizem que quando nós acordamos temos cinco segundo de pura paz e tranquilidade, quando nossos cérebros ainda não estão processando todas as informações. Mas meu momento de paz e tranquilidade estava durando muito mais do que cinco segundos. Ele estava realmente ali. Realmente do meu lado.

— Não vai mais desligar o “maldito desertador”? – ele começou falando em meus cabelos, e aquela sensação era boa...

— Não. – falei com preguiça enquanto me escorava em seu peito.

Então eu senti seu braço passar por mim e chegar até ao criado. Ele pegou meu telefone e o encarou.

— Algum problema?

— Desliga isso, eu ainda preciso dormir, ou eu jogo do outro lado do quarto. – ele rosnou.

Foi quando me dei conta da sua aversão à tecnologia.

— Sabe que de vez em quando essa sua aversão à tecnologia é até engraçada? — Eu brinquei com ele enquanto desligava o alarme do celular.

— Vejo que agora você encontrou sua voz, porque ontem mal podia pronunciar uma palavra... eu causo esse efeito todo em você, Jen? – ele beijou atrás do meu pescoço.

— Não seja tão convencido assim.... – retruquei enquanto me virava para olhá-lo.

— Mas você me chamou de Deus. – O sorriso brincava em seus lábios.

— Você não existe. – Dei um tapa em seu ombro descoberto. – Agora quem precisa dormir sou eu! – Me virei na cama de modo a ficar de costas para ele.

— E se eu não quiser deixar você dormir, Jen? O que você vai fazer? – De novo aquela voz.... e eu podia jurar que se me virasse para fitá-lo neste momento seus olhos estariam escuros de desejo.

— O que eu vou fazer? Eu acho que vou ter que te cansar um pouquinho mais se eu quiser ter algumas horas de sono ainda hoje. – Eu me virei e ataquei a sua boca.

Foi quando ele disse as cinco palavras que eu não esperava que ele dissesse. Entre um beijo e outro ele olhou diretamente em meus olhos, seus olhos em um tom de azul que eu nunca vira antes e simplesmente disse:

— Eu te amo, Jennifer Sherpard.

— Eu também te amo, Leroy Jethro Gibbs.

E, depois destas palavras, acho que posso esquecer as noites de Paris, porque o dia em Alexandria seria muito mais.... movimentado.

Notas finais
Regra nº 12 - Nunca namore um parceiro, Dizem as teorias dos fãs que esta regra foi criada pelo Gibbs exatamente depois de toda a história com a Jenny... se é verdade não sei, mas que encaixa na situação, ah encaixa. Muito obrigada por lerem! Espero que tenham gostado!