Acertando as Contas com o Passado
7 Capítulo 07 - Ligando os pontos
Notas iniciais
Eli David contou como entrou no caminho do NCIS em 1991. Contou como conheceu Vance e que sabia da operação que a agência realizava na capital da Holanda.
Disse que tentou ajudar, pois sabia que tinham enviado Vance para morrer. Quem eles queriam, um mafioso russo, não deixaria que um novato como Leon chegasse perto dele.
David nunca encontrou com o alvo em questão pessoalmente, mas sabia que ele havia escapado facilmente, como se tivesse tido uma dica do que acontecia atrás dele.
Deu-nos o endereço da casa segura onde ele e Vance mataram três capangas russos, mas disse que depois de tanto tempo, nada deveria ter sobrado por lá.
Finalizou dizendo que, se tivesse algum vazamento, esse vinha da NCIS, pois ele tinha certeza que do Mossad não era.
Não comprei esse final. Não confiava no israelense, não sei se por pura antipatia ou por instinto, mas nunca acreditei em uma palavra que ele disse.
Quando fui questioná-lo sobre mais detalhes desse alvo, fui interrompido por alguém que batia no vidro.
Me virei o encarando, mas a batida ressonou novamente. Realmente ela não aprendeu nada nos anos que conviveu comigo.
Quando a terceira batida ecoou, deixei David e rumei para a sala ao lado.
— Mas o que diabos você pensa que está fazendo, Shepard? Será que nos anos que você esteve fora você esqueceu...
— Da regra número 17 – Nunca te interrompa durante um interrogatório, ou seria a 22, nunca te incomode durante um interrogatório? – elas sempre soaram parecidas para mim. – Ela disse com um sorriso triunfante. – Mas não é isso que quero te falar, te interrompi porque acho que tem ligação.
— O que tem ligação? Olha aqui, você não vem querer....
— Tem ligação, Amsterdã, 1991, Paris 1999, e a missão que você viu no MTAC ontem, Gibbs. Tudo isso está interligado. Tudo tem a ver com Anatoly Zukov e sua organização!
— O quanto você sabe sobre isso?
— Tenho um computador com várias informações na minha bolsa lá em baixo. Creio que, assim que a Abby e o McGee quebrarem a criptografia, poderemos ter certeza se a minha intuição está correta. Até lá posso explicar para todos o que realmente aconteceu naquele restaurante.
Não tinha escolha, ou eu comprava a ideia dela, ou passava outra hora na frente do detestável Diretor do Mossad. Jenny ainda teria que explicar essa entranha conexão que ela achava ter encontrado, mas se fizesse sentido, se conseguíssemos prova-la, chegaríamos no mandante do atendado.
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Foi como se um raio atingisse a minha cabeça. Quando Eli David começou a contar como cruzou com o NCIS em 1991, pude ouvir claramente o estalo em minha mente.
Vance, por ser o meu contato direto de inteligência quando eu estava infiltrada, havia me garantido que Zukov era uma missão antiga. O sobrenome não era estranho, eu esbarrara com ele em Paris, Jethro matara seu irmão, e eu tive que deixar a sua cunhada viva para conseguirmos os dados que queríamos. Contudo, Leon não me disse que ele fora o primeiro enviado para matar Anatoly Zukov. Tinha uma parte da história que eu não sabia, e provavelmente nunca saberia se essa conferência não tivesse acontecido.
Entre a operação de 1991 e 1999, tinha um denominador comum. E esse denominador comum era o agente de ligação entre os infiltrados e a agência, ou seja, era o principal contato! E nos dois casos, era McAllister!
Foi aí que tive que interromper Gibbs. Eu sabia das malditas regras, sei o quanto ele detesta interromper o seu momento de perguntas e ameaças, mas não havia outro jeito. E se o que eu pensava estivesse certo, o computador de Zukov poderia nos dar a prova final.
Quando acabei de explicar por alto da minha ideia, nos dois descemos as escadas ao encontro da equipe que nos esperava ansiosamente. Não sei porquê, mas acho que eles apostaram que sairia vivo desse nosso reencontro.
Ao mesmo tempo em que eu pegava minha bolsa onde estava o computador de Dmitri, Gibbs dava ordens à equipe para acompanha-lo até ao laboratório de Abby.
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Sim, foi impossível não fazer uma pequena aposta sobre quem sobreviveria ao reencontro Shepard-Gibbs. Até porque a cara do Chefe não era das melhores e ela havia mentido durante quase três anos. Particularmente eu esperava mais, achei que os dois explodiriam em menos de um minuto quando ela o seguiu escada acima.
Mas nada aconteceu. Então apostamos que ela entraria na sala de interrogatório junto com Gibbs, ela não fez.
Algo de errado não está certo. Aquela era a mesma Jenny Shepard que saíra daqui, desta Agência, há três anos? Porque aquela mulher não perderia a oportunidade de importunar o Gibbs nem por um segundo. Por outro lado, o Chefe também não mostrou nenhuma reação compatível com um estado de guerra iminente...
Então foi com surpresa que vimos os dois descerem as escadas as pressas, juntos, trabalhando como equipe.
Pela primeira vez não houve vencedores na aposta. Até a Ziva, que parecia entender os motivos da ex-diretora, apostou que os dois brigariam de colocar o prédio abaixo, McNerd também apostou que Ducky seria chamado para recolher um dos corpos, ou os dois, dependendo da situação.
Assim que os dois chegaram entre nossas mesas, Gibbs nos mandou descer para o laboratório da Abby, enquanto Jenny pegava um notebook dentro de sua bolsa.
A coisa devia estar muito séria para que o Chefe voltasse a trabalhar tão em paz com ela depois de tudo.
Por um lado, eu não queria nem olhar na cara dela, o que ela fez em Los Angeles foi errado e egoísta, mas o meu lado agente me dizia que, o que ela fez poderia estar ligado com a solução dessa confusão que o NCIS se encontrava.
Como o Chefe ordenou, corremos todos para o elevador, e foram os 60 segundos mais constrangedores da vida de nós cinco.
Tínhamos tanto a dizer, tanto a perguntar, tanto para brigar, mas ao mesmo tempo, tínhamos um caso para resolver. As discussões e tentativas de explicação deveriam ficar para depois.
Eu só não sabia quando seria esse depois.
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