Accomplished Woman
6 Capítulo 6
Eu estava andando na feira, numa manhã normal. Agora que James não estava mais terrivelmente machucado do pisão que eu lhe havia dado, as pessoas da cidade haviam voltado a me ignorar normalmente. Uma dádiva, devo admitir.
Ouvi música e risadas, coisas não muito comuns na feira. Segui o som e me deparei com um teatro de rua. Dois atores dançavam alegremente no pequeno palco. Coisas daquele tipo nunca vinham para Austen, mas acredito que o novo morador deve ter influenciado na decisão de incluir a cidade nas rotas das turnês.
Falando no próprio, vi James parado próximo de mim, assistindo o teatro atentamente. Pelo brilho nos seus olhos, vi que ele estava se divertindo. Talvez os teatros de Londres fossem muito sérios para um bom senso de humor.
Fui até ele.
— Eu estou finalmente começando a entender que você literalmente encontra todo mundo na rua quando mora em uma cidade pequena. — disse ele, sem virar os olhos para mim. — A não ser que você esteja me seguindo, é claro.
Ri.
— É bem provável. — murmurei
Ele sorriu.
— Eles são bons? — perguntei, gesticulando com a cabeça para o palco.
James me encarou.
— Não. — ele riu
Dei uma gargalhada.
— Mas isso os torna engraçados. — ele continuou
Abri a boca para fazer algum comentário sarcástico mas ele me interrompeu antes de qualquer coisa.
— Eu sei, eu sei. — ele disse — Eu frequento muito os teatros de Londres que pequenas peças de rua ficam horríveis por comparação.
Mordi o lábio.
— Eu não ia dizer isso. — dei de ombros
— Ia sim. — ele riu
Ri.
— Bom, de qualquer forma, eu preciso ir. — eu disse — As pessoas estão começando a perceber que eu estou falando com você. Terei sorte se ninguém vir correndo para segurar meus pés, me impedindo de te ferir gravemente de novo.
James de uma gargalhada.
— Isso seria desastroso. — ele concordou
Acenei com a cabeça e me virei para a rua, de onde tinha vindo.
— Lily… — ele chamou
O encarei.
— Posso te acompanhar até sua casa? — ele perguntou
Franzi a testa.
— Bom, eu não posso te impedir. — sorri
Ele sorriu e veio até mim, para juntos pegarmos o caminho.
Andamos por um tempo em silêncio. Eu não sabia como iniciar uma conversa com James, por incrível que pareça. Eu conseguiria iniciar uma discussão, se quisesse.
— Por que você mudou pra Austen? — perguntei, me lembrando do que Rose havia me dito.
James deu uma risadinha baixa.
— Sua hospitalidade é admirável. — ele grunhiu
— Eu estou falando sério! — ri — Quero dizer, a vida no campo pode ser um pouco tediosa para quem morou a vida inteira na cidade.
Ele deu de ombros.
— Eu estava entediado na cidade, na verdade. — ele disse — Meus pais não me compreendem direito. Eles estão muito bem acomodados na aristocracia. Eles queriam que eu ficasse em casa, sem fazer nada. Foi um escândalo quando eu decidi começar a trabalhar.
Ri.
— É sério. — James riu — Minha mãe só consegue pensar no dia em que eu me casar e começar a dar netos. É incrivelmente irritante.
— Sei bem como é. — murmurei — Você não quer? Se casar e ter filhos, digo.
— Não desse jeito. — ele disse — Não com uma noiva que minha mãe escolha, para ter filhos mimados.
— Você não se considera mimado? — perguntei
— Extremamente. — ele riu — Mas é uma coisa que eu estou tentando mudar.
— Jura? — perguntei
Ele assentiu.
— O primeiro passo foi mudar para longe da casa dos meus pais. — ele disse
— E comprar uma mansão gigantesca. — interrompi
James deu uma gargalhada.
— Com o meu dinheiro! — ele protestou — Quase todo, na verdade.
Ri.
— E você? — ele perguntou
— Eu nunca comprei uma mansão com o meu dinheiro. — respondi
Ele me deu um empurrão.
— Você pensa em se mudar daqui? — ele perguntou
— O tempo todo. — as palavras escorregaram facilmente de minha boca.
Era peculiar a forma com que eu conseguia conversar, de verdade, com James. Não éramos nem amigos e, ainda assim, eu estava conversando com ele sobre coisas que mal admitia para Remus e Rose, meus consideráveis melhores amigos.
— Eu tenho uma tia que mora em Londres. — murmurei — Eu estou tentando convencer meus pais a me deixarem passar um tempo com ela. Austen não é para mim.
James assentiu.
— Eu moro aqui há vinte anos e não tenho nenhum amigo. — dei risada — Você provavelmente percebeu isso.
Ele sorriu.
— Bom, você tem um agora. — ele disse
Bufei.
— Eu não sou sua amiga. — provoquei
— Eu estava falando de Sirius. — ele rebateu
Ri.
Havíamos chegado no portão de minha casa. As galinhas ciscavam no jardim, como era de costume. Eu conseguia sentir o cheiro da comida saindo pelas janelas da cozinha.
— Isso é uma miragem? — ouvi uma voz perguntar
Olhei para a varanda e vi Remus e Sirius sentados nas escadas.
— Vocês estão conversando? Se divertindo? — perguntou Remus
Revirei os olhos.
— Não se acostume. — murmurei
Sirius riu.
Fomos até eles.
— Encontrei com Lily na feira. — disse James
— Eu o salvei de um teatro de rua. — sorri
James riu.
— Foi exatamente assim.
Remus sorriu.
— O que você está fazendo aqui? — James perguntou a Sirius
Sirius riu.
— Eu tive que arranjar um novo amigo, considerando que o meu antigo fica indo para a feira o tempo todo. — ele respondeu — É quase como se ele quisesse encontrar alguém por lá.
Dei uma risada e James corou, ao mesmo tempo em que fazia um gesto obsceno para Sirius.
Sirius deu uma risada e se levantou.
— Vamos para casa? — ele perguntou a James
— É claro que não. — ouvimos uma voz dizer, vinda da porta.
Petúnia estava parada encostada no batente, com as bochechas mais maquiadas que o normal.
— Minha mãe faz questão de que vocês dois fiquem para o chá da tarde. — ela disse
Revirei os olhos.
— Sua irmão não me parece muito feliz com o convite. — Sirius riu.
— Lily é extremamente mal educada. — Petunia bufou.
James sorriu.
— Você se incomoda, Lily? — ele me perguntou — Se ficarmos para o chá.
O encarei. Os seus olhos castanhos eram quase que hipnotizantes, mas sacudi a cabeça e sorri.
— É claro que não. — murmurei — Vocês dois são muito bem vindos.
Sirius comemorou e seguimos para dentro de minha casa, onde um cheiro delicioso de laranjas nos aguardava.
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