Accomplished Woman
14 Capítulo 14
Quando acordei, levei um tempo para entender porque estava em um enorme e lindo quarto ao invés do meu próprio. A cama era tão macia que parecia que eu estava deitada em uma nuvem, ou em um campo de algodão. Cinco travesseiros me envolviam, com belas fronhas de cetim branco, e eu ainda usava o mesmo vestido que havia colocado na noite anterior.
Depois do jantar – no qual eu comi ovos mexidos especiais novamente – , James havia me mostrado a biblioteca. Ele abriu a porta devagar, revelando centenas de prateleiras, que iam do chão até o teto, cobertas de livros. Na parede ao fundo, estava uma enorme janela, pela qual eu conseguia ver todo o jardim de Darcy.
— Isso é lindo. — murmurei, em choque.
James sorriu.
— Foi um dos fatores que me convenceram a comprar Darcy. — ele disse — A maioria das outras mansões não tinha nada parecido.
Assenti.
— Uma biblioteca dessas me faria comprar uma mansão também. — eu disse, zombando dele.
Ele riu e me deu um empurrão com o ombro. Sorri e fomos até o confortável sofá próximo à janela.
— Leia alguma coisa para mim. — eu disse, me aconchegando no sofá.
Ele deu uma risadinha.
— O que você quer que eu leia? — ele disse, se levantando.
Dei de ombros.
— Surpreenda-me. — eu disse
Ele revirou os olhos e foi ate uma das prateleiras, retirando um livro de capa verde. Ele voltou a se sentar no sofá, um pouco mais próximo de mim do que eu estava antes.
— Esse é um dos meus livros favoritos. — ele disse — Minha mãe o lia para mim quando eu era criança.
— Do que se trata? — perguntei
Ele limpou a garganta.
— Bom, tem essa guerreira, uma assassina. Ela é contratada para matar o príncipe de seu reino. — ele disse — Mas eles se apaixonam.
Sorri e ele limpou a garganta novamente.
— Era uma vez…
Uma batida na porta me tirou das lembranças da noite anterior. Me levantei rapidamente e fui até a porta, abrindo apenas uma fresta.
O rosto de James se iluminou ao me ver.
— Bom dia. — ele disse
— Bom dia. — respondi
— Você dormiu no sofá, ontem. — ele disse — Espero que não se importe de eu ter te trazido para cá.
— Você poderia ter me acordado. — eu disse
— Não. — ele respondeu — Você estava tão calma dormindo. Foi a primeira vez que eu te vi assim.
— Aposto que foi tedioso. — provoquei
Ele riu.
— Eu sinto muito por ter dormido no meio da história. — eu disse
— No meio? — ele perguntou — Você não chegou nem no terceiro capítulo.
Dei uma gargalhada.
— A culpa não é minha! — protestei — Era você quem estava mexendo no meu cabelo.
Ele deu uma risadinha e, em seguida, deu de ombros.
— Talvez algum dia você resolva voltar, para ouvir o resto.
— Eu não posso pegar o livro emprestado? — perguntei
Ele negou com a cabeça.
— Infelizmente não.
Ri.
— Eu adoraria voltar. — respondi
Ele concordou com a cabeça.
— Eu vim te avisar que temos café da manhã! Eu esqueci! — ele exclamou — E eu trouxe suas roupas.
Ele me entregou a pequena pilha, agora seca, de roupas que eu estava usando quando tomei chuva.
— Obrigada. — eu disse — Eu te encontro na sala de jantar?
— Estamos na mesa da varanda, na verdade. — ele disse — O dia está bonito.
Assenti.
— Te vejo depois? — perguntei
— Felizmente.
…
O grande problema de Darcy era que ela não era uma mansão comum. Não que eu conhecesse muitas mansões, mas eu sabia que Darcy era diferente. Ela não era grande e vazia, como um esqueleto de uma grande baleia. Cada aposento era aconchegante, belo e acolhia quem quer que fosse que estivesse lá dentro. Não que isso fosse um problema, de fato, mas isso fazia com que eu nunca quisesse ir embora.
— Eu preciso ir. — eu disse, depois que havíamos tomado um delicioso café da manhã. Estávamos um do lado do outro, observando o horizonte.
Sirius havia murmurado que precisava ir para qualquer lugar e havia nos deixado sozinhos na varanda.
— Você pode ficar um pouco mais. — ele disse, sorrindo.
— Por quanto tempo? — zombei
Ele deu de ombros, sugestivamente, e deu um passo para perto de mim.
— Essa é a hora que a gente briga. — ele disse — E eu, como sempre, vou correndo atrás de você amanhã.
— Como quase sempre. — protestei
Ele assentiu.
— Como quase sempre. — repetiu.
O encarei.
— Trégua por hoje? — perguntei
Ele assentiu novamente e ficou me encarando.
— Eu realmente preciso ir. — suspirei — Minha mãe provavelmente deve estar achando que eu morri.
Ele riu.
— Você vai ficar em casa hoje a tarde toda? — ele perguntou
— Na verdade, não. — respondi — Rose pediu para que eu fosse com ela comprar um vestido. O próximo baile já está marcado e ela decidiu que nenhum dos nossos bastava.
— Divirta-se. — ele sorriu
Assenti e ele passou a mão pelo meu rosto. Fechei os olhos para sentir a maciez do seu toque.
— Te vejo amanhã? — perguntei
— Certamente. — ele disse, sorrindo.
— Bom… — murmurei
Seu olhar ficou um pouco pesado e eu me inclinei levemente em sua direção. Ouvimos um pigarreio e haviam trazido meu cavalo.
James limpou a garganta.
— Até logo, Srta. Evans. — ele disse, me dando uma piscadinha.
— Até, Sr. Potter. — sorri
…
Eu levei uma pequena bronca de minha mãe quando cheguei em casa. Remus e Rose haviam explicado que eu havia ido para Darcy, mas ela havia achado uma irresponsabilidade eu ter saído com o tempo fechado do jeito que estava.
Petúnia quase morreu ao saber que eu havia passado a noite em Darcy. Embora eu tenha dito trilhares de vezes que eu só havia ficado lá por causa do tempo, ela continuou achando que eu a havia traído. No entanto, eu não tinha muita paciência para lidar com Petúnia.
Fiquei boas horas resolvendo o vestido de Rose. Além de Rose ser, por natureza, extremamente indecisa, todos os vestidos eram incrivelmente lindos, o que dificultava a escolha. Além disso, ela também havia insistido para que eu escolhesse um vestido para mim.
— Talvez, dessa vez você consiga dançar com James sem pisar em seu pé. — ela murmurou, se divertido.
No final da tarde, pegamos o caminho de volta para casa. O sol ainda estava se pondo, lançando seu brilho laranja sobre as flores do caminho.
— Eu vou sentir sua falta. — ela disse
Franzi as sobrancelhas.
— Você pretende me assassinar? — perguntei
Ela riu.
— Quando você se mudar… — ela continuou
— De novo essa história, Rose! — exclamei
Ela deu de ombros, mas não continuou a conversa.
— Eu estou com medo. — murmurei
— Medo? — ela perguntou
— De admitir o que eu sinto por ele. — eu disse
Ela segurou minha mão.
— Você não precisa ter medo, Lily. — ela disse — Escute, James é gentil e corajoso, e está perdidamente apaixonado por você.
Suspirei.
— E se…
— Não. — ela me interrompeu — Nada vai dar errado.
A encarei.
— Vocês dois são perfeitos um para o outro. — ela disse — E eu sei que isso não foi o que você planejou para a sua vida, mas é o que você quer agora. Você não está traindo a si mesma escolhendo James.
Respirei fundo.
— Vá até ele. Diga o que você sente. — ela disse
— E se ele não sentir o mesmo? — perguntei
— Então, você arruma suas malas e se muda para Londres. — ela disse
— Não é fácil assim! — exclamei
— Pelo menos, você vai saber que deu uma chance para o que você está sentindo agora. — ela disse — Você ama James.
Paramos em frente ao portão de nossa casa. Assenti.
— Amo. — murmurei
Ela sorriu.
— Bom, então essa é a sua chance. — ela disse
— Eu falarei com ele amanhã. — eu disse, já sentindo uma vontade imensa de me esconder embaixo de minha cama e nunca mais sair.
— Hoje. — ela disse — Ele está aqui.
Me virei para trás rápidamente, mas só vi o cavalo de James amarrado em nosso quintal.
— Que susto! — exclamei
Rose deu uma gargalhada.
— Vá. — ela disse — Eu vou ver se mamãe precisa de alguma ajuda.
Assenti.
Ela me deu um beijo no nariz e se dirigiu para a porta da cozinha. Andei até a nossa varanda em silêncio e vi, pela janela, a silhueta de James encarando a vista pela janela dos fundos. Eu via seus ombros se movendo com sua respiração.
Suspirei. Ali estava o amor da minha vida.
Respirei fundo e dei um passo em direção à porta, mas outra silhueta foi até a de James. Petúnia, extremamente animada, correu até ele e o beijou.
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