Accidentally in Love
53 Jantar na mansão
Notas iniciais
Killian estava visivelmente pobre de bêbado, Cora olhou para o filho e balançou a cabeça negativamente, não era assim que tinha planejado que a noite começasse. Regina fez menção de se levantar, mas Emma segurou sua mão e fez que não com a cabeça.
— Então? – Killian perguntou debochado. – Qual das duas vai me contar, como foi me fazer de idiota por tanto tempo embaixo do mesmo teto? Cada vez que eu ia dormir uma das duas fugia para o quarto da outra? Sabe Emma, eu estou curioso, você regulava sexo para a Regina também? Foi assim que fez ela se interessar mais por você? Negando o que ela tanto aprecia? – Killian sacudiu a cabeça e sorriu. – Não, claro que não. Que ideia essa minha. Era só comigo que você fazia a recatada. É óbvio que foi dando para a minha irmã que você conquistou ela, afinal uma coisa eu não posso negar, você é muito gostosa.
— Chega, Killian. Você está sendo inconveniente e mal-educado. – Cora se levantou e foi até o filho. – Não foi isso que combinamos. Eu mal posso acreditar que você chegou nesse estado lamentável para o jantar.
— E o que foi que os dois combinaram? – Regina questionou curiosa, sabia que sua mãe estava cheia de segundas intenções, mas seu irmão concordar com algo era no mínimo suspeito.
— Ah, você não faz nem ideia, Regina? – Killian olhou para a morena. – Mamãe precisa de você no The Mirror, por isso todo esse teatrinho de saudades e blá blá blá. Aparentemente eu não sirvo para comandar o legado da família, ela precisa da primogênita e queridinha do papai, afinal foi a você que ele ensinou tudo que sabia sobre o jornal. Papai queria você como sucessora dele.
— Killian, você está passando dos limites. Vá tomar um banho e se recompor. – Cora olhou para o filho e depois para a filha, que lhe olhava com decepção no olhar. – Teremos tempo para falar sobre a situação do jornal, mas preciso que vocês dois me ouçam com atenção sobre isso. Vem Killian, eu lhe acompanho até o seu quarto. – Cora passou o braço pela cintura do filho, que se apoiou nela, olhou para Regina e pediu. – Por favor não vá embora, precisamos conversar. E não é totalmente verdade o que seu irmão falou, eu realmente sinto a sua falta, minha filha.
Regina apenas concordou com a cabeça, enquanto via Cora e Killian saindo do ambiente. Emma delicadamente puxou a morena pelo queixo, fazendo ela fixar o olhar no seu.
— Vamos dar o benefício da dúvida para a sua mãe. – Emma fez um carinho na bochecha da namorada, que suspirou fundo. – Não aconteceu nada do que já não esperávamos, não é mesmo? – Regina apenas concordou com a cabeça. – Então meu amor, viemos até aqui com um objetivo e vamos focar nele.
— Eu não gosto que te ofendam. Por mais errado que tenhamos agido com ele, não dá o direito de ele falar o que quer nas nossas caras. – Regina suspirou novamente. – Eu pretendia pedir desculpas a ele, mas não acho que ele esteja aberto a isso no momento.
— Você pode tentar. Mesmo que ele ainda não possa te perdoar, eu acho que é um primeiro passo importante.
— Você tem razão, mas tem outra coisa que me preocupa no momento.
— O jornal? – Emma questionou calmamente, enquanto ainda fazia carinho no rosto da sua amada.
— Sim. Eu tenho medo da atual situação dele, deve ser feio, para a dona Cora Mills se esforçar tanto para me ter de volta. – Regina pegou a mão da loira que estava no seu rosto e deu um beijo carinhoso nela. – Obrigada por estar ao meu lado.
— E onde mais eu estaria? – Emma sorriu. – Não existe outro lugar no mundo que eu queira estar.
— Eu fico realmente feliz em ouvir isso. – Regina deu um selinho nos lábios cor de rosa. – Eu quis tanto dar outro soco na boca do insuportável do Killian, a forma que ele falou de você fez meu sangue ferver.
— Não são coisas agradáveis de se ouvir, isso você pode ter certeza, mas também não é nada que eu não possa suportar. – Emma sorriu de lado.
— Aí que está o verdadeiro problema, você não tem que suportar esse tipo de coisa, ainda mais vindo dele. Olha meu anjo, eu sei que você quer que eu faça as pazes com a minha família, só que existem limites que eu não estou disposta a cruzar. Não quero que você tenha que passar por situações constrangedoras e humilhantes ao meu lado. Esse não é o tipo de vida que quero para nós duas. Iremos terminar esse maldito jantar e dependendo de como ele transcorrer, talvez seja melhor não tentar reaproximação nenhuma com nenhum desses dois.
— Vamos ver como o resto da noite vai ser. – Emma suspirou. – Mas e quanto ao The Mirror?
— Isso já é outra história. Pretendo retornar ao controle do jornal, independente do que venha acontecer, como o imbecil mesmo falou, papai queria que eu comandasse o jornal, que eu desse seguimento ao seu belo legado. E é exatamente isso que eu farei, não importa o quão disfuncional estejam nossas relações familiares, o jornal é mais importante. É todo o trabalho da vida de papai, era o sonho que ele realizou e projetou para as gerações futuras.
— Amo ver esse sorriso no seu rosto de quando você fala no seu pai, você se ilumina toda, é lindo de se ver. – Emma sorriu amplamente para a namorada. – E você está certa, baby. Fico contente que tenha decidido priorizar o jornal, pode contar comigo para o que precisar.
— Eu sei que posso. – Regina sorriu para a loira. – Estou ansiosa para ser sua chefa de novo. – A morena piscou para a namorada.
— É claro que está. – Emma riu. – Já até imagino os motivos dessa ansiedade.
— Imagina? – Regina sussurrou no ouvido da loira, e antes que pudesse falar mais alguma coisa, foi interrompida pela volta de Cora.
— Desculpem por toda essa cena que o Killian aprontou. – Cora olhou para as duas mulheres. – Mas como vocês devem saber, não é fácil para ele.
— Eu sei que não é fácil para ele, mas ele gosta de ser cruel em suas ofensas. – Regina se manifestou. – E eu quero que estejam avisados que eu não vou mais permitir esse tipo de coisa.
Cora concordou com a cabeça e olhou para Emma, antes de se pronunciar.
— Acredito que Emma tenha lhe contado sobre a minha visita.
— Claro que contou, nós não temos segredos uma com a outra. – Regina se irritou. – O que pensou? Que ela iria esconder isso de mim?
— Não, Regina, não precisa ficar na defensiva. Estou apenas introduzindo o assunto. – Cora suspirou. – Na realidade eu esperei que você entrasse em contato comigo depois daquele dia, mas isso não aconteceu. Fiquei bastante surpresa quando soube que vocês tinham voltado para a cidade.
— A senhora se certificou que eu não estaria em casa para emboscar Emma, e esperou que eu fosse correndo agradecer por isso? – Regina bufou impaciente. – Francamente não me surpreende que tenha esperado isso, mas deveria ter procurado falar comigo em primeiro lugar. Então não cabia a mim entrar em contato, se a senhora começou tudo errado.
— Mas é claro que é esse o problema, não é? – Cora negou com a cabeça. – Emma não foi emboscada. Pare de agir como se a garota precisasse de proteção constante, Regina. Ela não é nenhuma criança indefesa e eu não fui atacar a sua namorada. Apenas achei que seria mais prudente conversar com ela antes.
— Mais manipulador, isso sim. – Regina sorriu arrogante. – Estou bem ciente que Emma sabe se defender muito bem sozinha. A questão que me irritou não foi essa, foi o fato que a senhora mais uma vez só pensou nos seus interesses. Eu sou a sua filha e não precisava de toda aquela armação para entrar em contato comigo. Poderia fazer como uma mãe normal e simplesmente me ligar para marcar uma conversa pessoalmente.
— Eu não quero brigar com você. – Cora suspirou. – Eu realmente quero fazer parte da sua vida, por favor não dificulte as coisas.
— Dificultar as coisas? – Regina riu.
— Regina. – Emma colocou a mão na coxa da morena e lhe olhou com os olhos suplicantes.
Regina olhou para a namorada e respirou fundo, pensou que deveria tentar manter a calma, pois era muito fácil se irritar com Cora e toda sua condescendência. Ainda tinha que tratar dos assuntos do jornal, por isso resolveu que uma mudança de assunto seria o ideal, apertou a mão da loira que repousava em sua coxa e voltou seu olhar para Cora, que estava analisando o comportamento das duas namoradas.
— Certo, vamos tentar não complicar as coisas. – Regina falou resignada. – Como vai tudo em Storybrooke?
— O mesmo de sempre. – Cora levantou e serviu um copo de cidra. – Querem algo? – Perguntou indicando as bebidas na mesinha de canto da sala, ao ver Emma e Regina negarem com a cabeça voltou para o seu lugar, bebendo um gole da sua bebida antes de continuar. – Imagino que Zelena e Ruby tenham mantido vocês duas informadas de tudo por aqui. Eugênia me contou que Ruby viajava com frequência para Boston, e sei que Zelena fazia o mesmo.
— Sim, as duas nos visitavam sempre que podiam. – Emma respondeu. – São duas grandes amigas.
Cora concordou com a cabeça e bebeu mais da sua bebida.
— Quais seus planos agora que voltaram para Storybrooke? – Cora questionou com curiosidade.
— Eu e Emma iremos morar no loft e adotar um cachorro. – Regina respondeu para provocar sua mãe, queria ver a reação dela.
Cora olhou de sua filha para Emma, que parecia surpresa pela namorada ter revelado essa novidade.
— Adotar um cachorro? – Cora olhava diretamente para Regina agora. – Então planejam se estabelecer definitivamente na cidade?
— Sim, um cachorro. Provavelmente um dálmata, mas ainda não procuramos por nenhum até agora. – Regina olhou e sorriu para Emma. – Temos que resolver isso, meu anjo. – A morena voltou a encarar sua mãe, que parecia estar se segurando para não falar tudo que estava pensando no momento e continuou com um sorriso arrogante no rosto – E viemos para ficar em Storybrooke sim. Planejo retomar meu cargo no jornal, já me ausentei demais do The Mirror. Ah, e Emma volta para o jornal comigo, é claro.
— Vejo que você já tem tudo planejado. – Cora mantinha a posse séria. – Iremos tratar dos assuntos do jornal quando seu irmão se juntar a nós. Mas eu já imaginava que Emma voltaria com você para o jornal, inclusive debati esse assunto com Killian.
— Vocês são contra? – Emma questionou olhando para a sua sogra.
— Eu te falei naquele dia, que estou disposta a aceitar que você faça parte da vida de minha filha. Mas não espere que Killian tenha o mesmo sentimento em relação a isso. – Cora bebeu mais um gole de sua bebida antes de continuar. – Ainda é tudo muito recente, cinco meses não curam um coração partido, como vocês devem saber. Ele foi duplamente traído nessa história, e a volta de vocês como um casal feliz é no mínimo constrangedor para ele.
— Constrangedor? É isso que tanto preocupa vocês dois? As aparências? As fofocas do povo da cidade? – Regina questionou incrédula. – Inacreditável. Mas eu deveria saber que o orgulho fala mais alto nessa família.
— Claro que deveria saber, sempre foi a mais orgulhosa entre todos nós. – Killian entrou na sala, havia acabado de sair do banho, vestia uma roupa limpa e estava com os cabelos molhados. Parecia melhor do que antes, apesar de ainda estar bêbado. – Ah, me esqueci. – Killian bateu com a mão na testa, fingindo lembrar de algo. – Você não é mais essa pessoa, pois claramente engoliu todo teu orgulho para ir atrás da minha ex-namorada traidora, e fazer ela te aceitar de volta em sua vida miserável.
— Killian. – Cora o repreendeu.
— Se você faz tanta questão de saber, Killian, eu posso saciar sua curiosidade. – Regina encarou seu irmão. — Eu deixei meu orgulho de lado sim, pois descobri que ele não era mais importante do que meu amor por Emma. E foi a melhor escolha que eu podia ter feito na minha vida. Espero que um dia você saiba que tipo de sentimentos você deve priorizar em sua vida.
— Vai para o inferno, Regina. – Killian esbravejou. – Amor? Emma foi mais um capricho seu. Você sempre teve inveja de mim, por causa da mamãe, e quis roubar minha namorada para provar algo.
Regina fechou os olhos, tentando com todas as suas forças não voar no pescoço do imbecil do seu irmão, sentiu Emma entrelaçar suas mãos e abriu os olhos, encarando os lindos olhos verdes da namorada, que fazia um sinal negativo com a cabeça, que não valia a pena responder as provocações de Killian. A morena olhou diretamente para sua mãe e falou com o tom de voz cortante.
— Vamos cortar o papo furado e ir direto ao assunto que interessa de verdade a todos aqui. Assim eu e Emma podemos ir embora de uma vez, porque eu não acredito que a senhora espera que iremos todos sentar e saborear uma refeição juntos.
— Essa era a minha verdadeira intenção, por isso convidei vocês, mas vejo que calculei errado a situação. Vocês ainda não estão prontos para terem uma conversa civilizada entre irmãos. – Cora suspirou.
— Ela deixou de ser minha irmã no momento que se enfiou no meio das pernas da minha namorada. – Killian falou com raiva.
— Chega, Killian. – Cora falou irritada. – Senta e fique quieto, quero que todos prestem bem a atenção no que eu vou falar.
Killian resmungou algo e sentou o mais longe possível de Emma e Regina. Cora esperou que os três olhassem para ela para iniciar sua fala.
— Esses últimos quatro meses foram exaustivos, eu não estou ficando mais jovem aqui, não tenho mais a disposição e paciência para comandar um jornal. Henry sempre quis que Regina ficasse em seu lugar, e por isso eu quero que Regina volte ao lugar que sempre lhe pertenceu. Eu prometi ao pai de vocês que quando chegasse o dia, eu iria abrir mão do controle sobre o The Mirror. E esse dia chegou, Regina está mais do que pronta e capacitada para gerir o jornal sem a minha ajuda ou intervenção. Eu sei que as coisas entre vocês está longe de serem consertadas, por isso só peço que sejam profissionais dentro do jornal.
— A senhora está me falando que Regina vai ter total controle sobre o The Mirror? – Killian olhava indignado para sua mãe. – Eu vou ter que ser subordinado a ela? Isso só pode ser uma piada de mau gosto.
Regina olhou para Emma, ainda não podendo acreditar nas palavras de sua mãe, a loira apenas sorriu para ela.
— Você merece isso! Sempre mereceu. – Emma falou baixinho, para apenas Regina lhe ouvir.
— Killian, você está cansado de saber que eu não faço piadas, então por favor. – Cora olhou diretamente para Regina. – O que você tem a falar sobre isso, minha filha?
— Eu já tinha lhe dito que iria voltar para o jornal, mas isso é ainda melhor. Foi para o que eu me preparei a vida inteira. – Regina deu um sorriso singelo, não querendo dar o braço a torcer para Cora, mas por dentro estava pulando de felicidade. – Eu digo que aceito e que vou honrar a memória do papai da melhor forma possível.
— Eu não tenho dúvidas disso. – Cora sorriu para Regina.
— Isso é uma palhaçada, isso sim. – Killian se levantou furioso e saiu da sala.
— Creio que vocês precisam de um tempo para ajeitarem tudo da mudança de vocês, por isso vou ficar no jornal até o fim do mês. A partir do mês que vem o The Mirror é de sua total responsabilidade, certo Regina?
— Sim, assim fica ótimo. – Regina concordou com a cabeça. — Bom, se está tudo esclarecido. – Regina se levantou, sendo acompanhada por Emma.
— Eu lamento que vocês tenham que ir. – Cora falou suspirando. – Podemos marcar um almoço?
— Claro. – Regina respondeu meio sem jeito.
Cora acompanhou o casal até a saída. Mais uma vez ela tentou abraçar a filha, que se esquivou novamente. Regina ainda não estava pronta para trocar afetos com sua mãe. Emma entrou no carro no lado do carona e a morena no lado do motorista. Regina deu a partida no carro ainda em silêncio, tentando digerir tudo que tinha acontecido. Quando já estavam no meio do caminho para o loft, Emma comentou.
— Sua mãe me surpreendeu, eu não achei que ela fosse fazer isso.
— Eu também fiquei surpresa, aliás incrédula é a definição melhor de como eu fiquei com essa novidade. – Regina tirou os olhos da estrada e sorriu para a loira. – Mas estou extremamente feliz.
— Eu sei que está, baby. Estou orgulhosa de você, eu sei o quanto você trabalhou por isso, nada mais justo que Cora fizesse isso mesmo. – Emma apertou a coxa de Regina carinhosamente. – E eu vi que você tentou provocar a sua mãe com o assunto de adotar um cachorro.
— Ficou chateada que falei nisso?
— Chateada não, mas é algo importante para nós duas e não gostei de você usar como meio de cutucar a tua mãe.
— Desculpa, meu anjo, eu falei no impulso. – Regina olhou para a loira e mordeu o lábio. – Agora pensando bem, você tem razão, é algo muito importante para nós e eu não deveria ter mencionado da forma que fiz.
— Contanto que você me prometa, que no dia que decidirmos ter um filho você não fará nada do tipo, eu te desculpo. – Emma sorriu para a morena que retribuiu o sorriso. – E temos que começar a procurar o nosso filhote, antes de você assumir o jornal, para podermos aproveitar um tempo só com ele.
— Faremos isso. Ainda temos duas semanas e meia de folga, antes de eu te lotar de trabalho no jornal. – Regina piscou para a loira que riu alto.
— Se você fizer isso, baby. Eu posso ficar cansada e sem vontade de fazer mais nada quando chegar em casa. – Emma deu ênfase no nada.
— Ah, é mesmo? – Regina ergueu uma sobrancelha. – Eu posso te encontrar na sala da copiadora no meio do expediente, não tem problema nenhum, assim você não vai ter como escapar.
Emma gargalhou e negou com a cabeça.
— Regina Mills, o que eu faço com a senhorita?
— Eu tenho várias coisas em mente, mas você pode fazer tudo que desejar.
— Hum, tudo mesmo?
— Tudinho. – Regina sorriu para a loira, que tinha um sorriso malicioso no rosto.
— Então vamos para casa logo, eu tenho algo que quero fazer com você hoje mesmo!
— Não precisa falar duas vezes. – Regina voltou sua atenção para a estrada e acelerou o carro.
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