Accidentally in Love
6 Desentendimentos
Notas iniciais
Emma continuava sorrindo, daquele jeito de quem vai aprontar algo, enquanto Regina ainda olhava em seus olhos.
— Quer dizer que a atividade física muito praticada na América, não é tão praticada assim? – Emma estava se segurando, para não gargalhar da cara de ofendida da morena. – Certo então. Posso te ajudar com algo?
— Poderia tirar esse sorriso presunçoso do seu rosto, já seria uma grande ajuda. E sim, faz um certo tempo que eu não tenho corrido. Alguém tem que trabalhar na minha família, para Killian poder vadiar mundo afora...
— Ele não estava vadiando. – Emma sente necessidade de defender o namorado. – A viagem era a trabalho, não era?
— O que não o impediu de trazer encomendas!
— Vamos voltar para as ofensas gratuitas?
— Você sempre se ofende com comentários aleatórios?
— Quando eles estão debochando da minha presença...
— Você é muito egocêntrica mesmo!
Regina levanta da pedra, o que faz Emma andar alguns passos para trás.
— E você é muito arrogante!
— Nunca falei que não era!
— Idiota!
Emma vira de costas, e começa a andar o caminho de volta para mansão. Regina suspira fundo, tem plena consciência que exagerou. Mas, mais uma pessoa para defender o jeito manso que Killian leva a vida, não é algo que a agrade. Seu irmão já é mimado demais, não é necessário mais incentivos. Decide seguir Emma em silêncio.
Quando ambas finalmente chegam a mansão, Emma sobe direto para seu quarto, sem dirigir nenhuma palavra para a morena. Que solta mais um grande suspiro, as coisas não deveriam ter saído deste jeito. Ela tinha que ter convidado Emma para trabalhar com eles no jornal, sabe que sua mãe estava esperando por isso. Regina também sobe para seu quarto, precisava urgentemente de um banho relaxante.
Já estava no fim da tarde, quando Regina vai procurar por Emma. Depois de andar pela casa toda em busca da cunhada, a encontra perto da piscina. A loira estava sentada embaixo da sua macieira, concentrada lendo um livro. Nem percebeu a chegada da morena.
— Pensei que estaria nadando!
Emma nem se dá ao trabalho de levantar a cabeça de seu livro, apenas responde calmamente.
— Sim, isso combina mais com a imagem que fez de mim. Sinto desaponta-la!
Regina revira os olhos, e se senta ao lado dela.
— Leitura interessante?
— Você vai realmente ficar puxando papo, como se nada tivesse acontecido?
— Nada aconteceu. Foi apenas um mal-entendido, não vejo motivos para prolongarmos isso.
— Esqueci, que me ofender não é nada demais para você. – Emma ergue o rosto e encara a cunhada. – Meu erro.
Regina vira o rosto em direção a piscina, a expressão de mágoa no rosto da loira, a incomodou, não deveria, mas realmente não gostou de a ver. Lembra que ainda precisa a convencer a trabalhar no jornal por um tempo, e tenta novamente.
— Eu poderia dar um monte de voltas, para falar isso, mas acho melhor pouparmos a nós mesmo de tanta enrolação. Aceita ser freelancer do The Mirror, por um tempo?
Emma a olha e pensa por alguns segundos.
— Defina um tempo.
Regina sorri, sabendo que já conseguiu o que queria.
— Três meses?
Emma fecha seu livro e levanta. Olha novamente para a morena e diz antes de ir para dentro da mansão.
— Vou pensar!
Regina observa incrédula, ela sumir do seu campo de visão. Não podia acreditar, que tinha recebido um “vou pensar” como resposta a sua proposta. Quantos anos essa criatura tinha mesmo? Ah sim, apenas 24 anos. Nada como a impulsividade burra da juventude. Nunca tinha recebido um não como resposta, as pessoas se matavam para trabalhar no The Mirror, quem essa loira petulante pensava ser? Sua mãe tinha que rever seus conceitos, Emma Swan não era material para seu precioso jornal.
De noite, como tinham combinado, Emma e Killian saíram para jantar. Cora estava na sala de estar, bebericando um Martini, quando Regina se juntou a ela.
—Minha querida, por essa sua cara de culpada, já posso prever que Emma não aceitou a proposta? O que você fez Regina?
— Que mania de achar que sempre sou o motivo das recusas alheias. E para o seu governo, ela falou que iria pensar.
Cora gargalhou com isso. Gostaria muito de ter visto a cara de Regina ao ouvir isso de Emma. No mínimo, estava extremamente ofendida e querendo ainda menos que a loira trabalhasse com eles.
— Ela vai aceitar!
— O que a faz ter tanta certeza disso?
— Aposto, que só já não o fez, para não dar o braço a torcer a você, minha querida!
Regina bufou, era só o que faltava, Emma ficar fazendo charminho para aceitar as coisas. Odiava ser ignorada, e não conseguir o que almejava. Emma Swan que se preparasse, pois iria tomar jeito na marra, pelo menos enquanto fosse sua subordinada no jornal.
No outro dia, Killian saiu cedo para o jornal. O que permitiu, que Regina pudesse se dar ao luxo de ir um pouco mais tarde para a redação. Enquanto tomavam café da manhã, Cora e Emma conversavam amenidades animadas. Regina se limitava a responder, se fosse questionada de algo por sua mãe, pois a loira continuava ignorando a sua presença.
— O que planeja fazer hoje, Emma? – Questionou Cora, olhando discretamente de canto de olho para Regina. – Acredito que Killian, só vai retornar de noite para casa.
— É o mínimo que ele tem que fazer, depois de um mês de férias. – Regina resmungou, atraindo o olhar de Emma para si.
— Regina Mills, cadê a educação que lhe dei? Isso é forma de falar do seu irmão? – Esbravejou Cora, visivelmente constrangida pelo comportamento de sua primogênita.
Regina suspirou fundo, deveria estar acostumada que não podia falar do seu querido irmão, sem ouvir um sermão.
— Foi apenas um comentário, Mamãe!
— Um de muito mau gosto por sinal!
Regina não respondeu. Era uma luta perdida, preferiu voltar ao seu silêncio.
Emma percebendo o quanto desconfortável Regina tinha ficado com a repreensão da mãe, decidiu falar com a morena pela primeira vez naquele dia.
— Eu pensei no que você me falou ontem!
Regina ergueu os olhos, esperando a loira continuar.
— Eu aceito, serei freelancer do The Mirror por três meses! Apenas três meses!
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