Accepting Love
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Notas iniciais
Daryl permanecia encarando o vazio, enquanto jantava com os demais.
O silêncio noite ou outra era preenchido pelo canto de Beth, a filha do fazendeiro, para trazer certa paz de espírito ao grupo.
O momento em que o coração de Daryl sempre se aquecia e seu estômago sempre se agitava, era quando Carol se juntava à ele.
Não havia explicação, não havia argumentos; Daryl se atrapalhava sempre que ela lhe lançava flertes, ou até mesmo quando a mesma sorria em sua direção.
O rubor sempre se mantinha visível, o que era muito irritante para o homem; Ele se sentia indefeso, exposto ou até mesmo ameaçado, quando Carol flagrava seu nervosismo.
Porém, o caipira se mostrava bastante mal humorado quando a mesma não estava presente. Sentia sua falta constantemente, apesar de se sentir esquisito todas as vezes que ela lhe dirigia a palavra.
A verdade era que Carol Peletier sempre se sentia bastante ferida após subliminarmente flertar com Daryl Dixon, e não obter a resposta esperada.
Não era nada fácil assumir a imagem de mulher forte; sua máscara de segurança era constantemente abalada pelas respostas brutas que Daryl quase sempre lhe dirigia.
Porém, mostrar a ele ou a qualquer outro sua fraqueza, só faria denegrir seu posto naquela prisão.
O amor gigantesco que ela nutria pelo Dixon era algo maciço e intenso.
Machucava-a saber que o mesmo não lhe correspondia.
Mas o que mais ela podia esperar do amor? Suas experiências passadas haviam sido desagradáveis e traumáticas demais para se arriscar novamente.
Seu destino estava traçado à uma solidão sem fim.
A mesma caminhou até o refeitório para o jantar, antes de assumir seu posto na torre de guarda.
Lá, se encontravam Maggie e Glenn em um canto, com um prato vazio em mãos, Lori na mesa principal, servida com uma grande porção de carne e feijão enlatados, e na outra extremidade do ambiente, um Daryl distraído.
Seus olhos estavam cobertos propositalmente pelos cabelos que já se mostravam compridos.
Carol sentiu seu coração se acelerar imediatamente, as mãos já molhadas de suor frio.
— Boa noite, pessoal. — Ela disse, chamando a atenção de todos para sua chegada.
Todos murmuraram um desanimado “Boa noite” e nada mais foi dito.
Carol se serviu de uma porção de comida, e sentou-se ao lado de Lori.
— Como está se sentindo? — Carol perguntou à mais jovem.
— Estou ótima. E você? — Lori sorri para a mesma.
Carol pensou sobre o assunto um minuto.
Como ela se sentia, realmente? O misto de emoções, sentimentos e dúvidas acumulados dentro de seu coração haviam a desgastado bastante.
— Bem. — Carol respondeu, finalmente, mentindo.
Todos continuaram em silêncio pelo resto do jantar.
Daryl não se manifestou para conversar com Carol, e isso a desanimou.
Lori trocou algumas palavras com Maggie, e a mais jovem se prontificou a ajudar a mesma, que já estava em seu nono mês de gestação, a se acomodar em sua cela.
Glenn não se demorou muito mais; Cumprimentou Daryl e Carol e se dirigiu às celas checar a situação de todos.
Por fim, sobraram Daryl e Carol no refeitório, apenas.
...
Eu queria fugir dela o máximo possível. Mas ao mesmo tempo não queria.
Esses olhos azuis, que olham para mim... Enfeitam seu belo rosto, e me deixam assim.
Esse olhar tão azul, que tanto seduz...
Não sei se esse olhar é minha liberdade ou a minha cruz.
Que diabos essa mulher fazia comigo, afinal?
Eu me sentia um moleque.
Mal sabia descrever meu próprio mundo; meus próprios sentimentos.
Sentimentos?
Desde quando um verdadeiro Dixon pensava em tal palavra?
Carol traz para mim sensações nunca sentidas. O mistério que nos cerca me tira o sono em incontáveis noites.
Os pensamentos de Daryl estavam em uma desordem total;
Enquanto Carol permanecia sentada em silêncio bem à sua frente, Daryl sentia suas vontades serem testadas.
Sim... não...
Era um assunto delicado; Daryl não queria isso para sua vida. Criar laços com alguém no fim do mundo era loucura.
Mas Carol despertava nele uma sensação nunca antes sentida; e o caçador estava bastante incerto se devia deixá-la saber sobre seu passado e trauma ou não.
Com um suspiro irritado, Daryl se levantou e caminhou para fora do refeitório lentamente.
Era como se ele quisesse... quisesse que ela o impedisse.
Mas desta vez, Carol não faria isso.
Estava cansada demais; cansada de sempre ser a pessoa quem dava o primeiro passo, que corria atrás.
O caipira já estava muito próximo à saída; vendo que não poderia mais atrasar ou Carol perceberia, ele lamentou internamente e seguiu pelo corredor rapidamente.
Após a saída de Daryl, Carol se demorou um pouco mais no refeitório vazio.
Parte dela se sentia arrependida por não ter puxado assunto com o amigo, mas a outra parte, a da razão, aconselhava-a de que tinha agido dignamente.
Ora, se ele realmente sente minha falta, que venha me procurar!
Com irritação, Carol deixou para trás o ambiente vazio e rumou para a torre de guarda lá fora.
“A coragem conduz às estrelas, e o medo à morte.”
A frase que lhe fora dita muitas vezes por sua mãe, veio subitamente à tona.
Carol não precisava ter medo; Precisava ter coragem e manter-se firme. Uma mudança muito importante estava passando por sua vida agora.
Ser submissa ao marido e a mulher frágil já estava no passado. Carol era uma nova mulher.
Seu novo ego lhe dizia que as rédeas da situação deveriam ser pegas por Daryl agora.
...
— Daryl! — Rick chama.
O caipira rondava os corredores do bloco com a crossbow, checando tudo desnecessariamente, sendo que Glenn já havia feito o ato.
Uma distração. Era isso que o caipira precisava.
Seus pensamentos estavam em desordem, e se ele parasse para ficar sozinho com eles, enlouqueceria de vez.
— Sim? — O caipira diz, parcialmente abatido.
— Hoje Carol assumirá a vigilância na torre principal, e Glenn vigiará os arredores do bloco. Você pode tirar a noite livre. — O xerife lhe disse, parando para ver sua expressão oculta de desespero interior que era um tanto visível agora. — Tudo bem?
— Mande o garoto descansar, eu vigio, eu... — O caipira retruca em voz baixa, olhando para o chão.
— Descanse, você tem assumido esse posto à uma semana, sem pausa. Não há necessidade. — O xerife lhe garante.
Daryl resmunga um ‘faça como quiser’ e dá as costas ao outro homem.
— Daryl, volte aqui. — Rick muda o tom de sua voz. Algo mais baixo, mais sereno.
O caipira para e se vira, sem paciência.
— O que é? — Ele responde, com impaciência.
— Você está bem? — Rick pergunta, preocupado.
Daryl pensou sobre o assunto um minuto.
Como ele se sentia, realmente? O misto de emoções, sentimentos e dúvidas acumulados dentro de seu coração o haviam desgastado bastante.
— Sim. Por que não estaria? — Daryl respondeu, finalmente, mentindo.
O xerife o encara atentamente.
— Tem certeza que não há algo errad...
— Já disse que estou bem. — Daryl o interrompe, lhe dando as costas, se retirando velozmente desta vez.
...
Sem absolutamente para fazer; Sem ninguém para ajudar; Sem nenhuma distração.
Daryl se viu obrigado a se isolar quieto num canto.
Sob a luz fraca das estrelas, o caipira caminhou para próximo da divisória onde os outros presidiários viviam.
Sentou-se no chão, largado, e encarou o céu.
Carol não havia trocado uma palavra para com ele durante o dia.
A solidão podia ser palpável no ar, sem ela.
Não havia o tão familiar formigamento em suas mãos; Não havia a chama que aquecia o coração de Daryl. Não esta noite. Daryl tinha medo de que os próximos dias daqueles tempos sombrios, se agravassem e ele se distanciasse mais de seu amor.
De onde estava, o caipira podia ver a guarita da torre principal. Carol com certeza estava lá.
Contra sua vontade, ele a imaginou vindo em sua direção, sentando-se ao seu lado, e fazendo-o sentir-se completo.
Mas tudo que restava para ele esta noite, era o vazio, a solidão. A ausência dela.
A saudade enganara Daryl, criando visões que não aconteceriam.
Espinhos machucando seu coração.
Ela estaria brava com ele?
Se estaria, Daryl deveria mesmo se importar?
...
A noite parecia se arrastar preguiçosamente para Carol. Sozinha, ela não pôde deixar de pensar nele.
Mas quem poderia culpá-la? O laço que ela havia estabelecido com o homem era forte demais. Principalmente após a perda de Sophia.
Sua doce e ingênua Sophia.
A falta que sua menina lhe fazia era de queimar o coração.
Talvez, fosse melhor assim. Sua filha estava agora em paz, longe da morte e desgraça que rodeavam sua mãe.
Sem ninguém por perto, Carol se permitiu tirar toda a sufocante máscara de segurança que ela havia construído, e chorar.
Inerte da presença de Daryl lá embaixo, ela se permitiu se desligar do mundo, e relembrar os bons momentos que vivera com Sophia.
...
Após alguns minutos, Carol ouviu passos hesitantes no silêncio absoluto da noite.
Rapidamente, limpou o rosto molhado de lágrimas e endireitou a postura.
Seja quem quer que fosse, não a veria chorando novamente.
A porta foi entreaberta lentamente.
Daryl.
Carol se viu tomada de espanto ao vê-lo.
Por que? Como?
O caipira não disse nada, apenas se dirigiu à parte aberta da torre, para encarar novamente as estrelas.
— O que... — Ela começou, mas se arrependeu imediatamente de ter iniciado uma conversa. Sua voz estava completamente cheia de emoção, que ela se esquecera de filtrar para esconder os momentos anteriores de choro. Se sua voz estava embargada, o que poderia dizer de seus olhos?
Seu rosto ainda estava seguro pelas sombras da guarita da torre. O caipira não fora capaz de vê-las, ainda.
— Carol? — Daryl notou uma diferença alarmante na voz da mesma. — O que houve? — Ele pergunta, agora preocupado.
A mulher apenas assente com a cabeça, não querendo se entregar ainda mais.
— Saia do escuro. — Daryl pediu.
Carol achou estranho o pedido tão direto.
— Não. — Ela diz simplesmente, agora com a voz normal recuperada.
O caipira suspirou e se aproximou hesitantemente dela.
— Você é teimosa. — Ele diz, com a voz rouca. — O que está acontecendo com você?
Ele havia notado.
Notado que me afastei. — Carol pensou.
A mulher apenas dá de ombros, sem querer tocar no assunto.
— Carol. — O caipira a chama, irritado.
— Eu não quero conversar, está bem? — Ela responde, frustrada.
Percebendo tarde demais que foi mais rude do que pretendia, Carol saiu de seu canto escuro, e tocou o ombro esquerdo de Daryl, num gesto de desculpas.
O caipira visualiza a face corada e os olhos inchados e vermelhos de Carol, e se assusta.
Ele tinha medo.
Medo de ser um dos motivos das lágrimas que foram derramadas.
Suas grosserias para com ela o assombravam ao final de cada dia.
— Eu... — O caipira não sabia o que dizer.
Antes que ele percebesse ou sequer pensasse no que estava fazendo, ele a puxou para um abraço desajeitado, mas cheio de sinceridade.
Não era o momento para vergonha ou medo, era o momento de Carol. Ela precisava e merecia algum conforto.
Carol ficou surpresa com o ato, mas retribuiu o abraço, apertando seus braços em torno do caçador.
Permaneceram assim durante muito tempo, até finalmente Carol afrouxar o aperto do abraço.
Sem mais nenhuma palavra, ambos se separaram, cada um preso em sua própria torrente de pensamentos, enquanto eram vigiados pelas estrelas brilhantes da noite.
As garras da solidão e insegurança que frequentemente encobriam Daryl se dissiparam, e ele se permitiu ficar o restante da noite ao lado dela.
Não era preciso conversas com Carol.
E ele se sentia feliz e confortável com isso.
A comunicação dos dois era única e silenciosa naquele momento.
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