Acasos

1 01. Ela estava de mãos dadas com o Trevor


Sozinho em seu apartamento, Grissom estava enfadado de estar ali sem receber nenhuma notícia de seus subordinados. Havia sido afastado de seu cargo por 15 dias por conta de sua insubordinação a Ecklie e ao xerife Walliams.

O caso envolvia a jurisdição do FBI e Grissom acabou perdendo a cabeça quando escondeu evidências dos federais. Seguindo uma linha de raciocínio completamente diferente dos agentes e devido a arrogância do agente Holden ele viu-se obrigado ocultar informações.

Olhou em seu relógio de pulso e viu que faltava menos de uma hora para o evento de gala do departamento. Detestava aquele tipo de ocasião. Diversos figurões da alta sociedade estavam presentes e todos com uma falsa cordialidade, que preferia evitar. Porém naquela ocasião ele não poderia se ausentar já que seria um dos homenageados.

Torceu o nariz quando soube que iria receber a homenagem mas todos os seus subordinados -sem exceção-, o obrigaram a comparecer a grande noite. Diferente dele, todos os outros CSI’s eram empolgados com esses eventos. Aquele era o momento de tirar o macacão e o colete e aproveitar a noite, menos Greg e Nick, que nessa ocasião estavam de sobreaviso caso acontecesse algo porém, estariam na festa com restrições.

Levantou-se do sofá e foi em direção ao seu quarto, seu celular que estava sobre a sua cama e emitia luzes chamando atenção dele. Pegou o aparelho recém comprado e viu o nome de Catherine no visor, arqueou a sobrancelha e lançou o celular na cama novamente. Já no banheiro tomou uma ducha gelada, o shampoo tinha suaves notas de mentol trazendo uma sensação de frescor. Por fim enrolado em sua impecável toalha branca resolveu aparar um pouco os pelos da barba.

Parado de frente para o seu espaçoso guarda roupa, escolheu o smoking preto com lapela fosca. Não era muito interessado em regras de moda mas, sabia que determinadas ocasiões pedem um certo porte. Trocou o seu usual relógio de pulso por um presente de sua mãe, um modelo social preto. Pegou a gravata borboleta e deixou em seu pescoço, nem mesmo com todos os seus conhecimentos conseguia fazer um nó decente.

Novamente o celular começou a tocar, largou a tarefa de ajeitar seu cabelo recém cortado com gel para atender.

Finalmente ! Achei que tivesse me evitando.

Estou terminando de me arrumar, Catherine.

Liguei justamente para confirmar se você iria ao evento. Você é um mestre na arte de inventar desculpas para essas ocasiões.

— Não são desculpas. Eu apenas não gosto.

Agora por favor não se atrase, estamos todos esperando por você.

Click

Celular arremessado na cama e ele pode ouvir o aparelho caindo no chão. Fechou os olhos e suspirou alto, pegou o objeto do chão e conferiu se ainda estava em seu perfeito funcionamento. Aliviado, colocou o objeto sob o colchão.

Seu ultimo celular havia molhado quando se viu obrigado a entrar em uma piscina para retirar uma evidência, na cena estava somente ele e Catherine , por uma questão óbvia ele ofereceu-se para entrar mas estava tão irado que não lembrou que o celular estava no bolso de sua calça.

Perda total.

Por último borrifou um pouco de perfume em seu pescoço, olhou-se no espelho e gostou do que viu. Saiu de casa e no elevador não pode deixar de rir do comentário da doce senhora alemã que morava em seu prédio.

“Peço licença ao meu falecido esposo para te admirar”.

Como um gesto para retribuir a “cantada” da senhora, beijou-lhe a face da mão antes de sair do elevador.

O salão do grande Palms Cassino estava lotado. Inicialmente reconheceu alguns rostos, o prefeito conversava animadamente com um dos juízes da cidade, ambos cumprimentaram Grissom com um aceno de mão. Indicado pela a jovem que estava na recepção ele avistou a mesa onde estava a sua equipe. Catherine quando o avistou tratou logo de ir ao seu encontro.

— Como você me aparece aqui com a gravata desfeita, Gil? — Catherine falou insatisfeita com seu amigo.

— Você sabe que eu não sei dar um nó correto nisso. — Ele retirou a peça do pescoço e entregou para Catherine. — Não sabia que tínhamos tantos agentes a disposição do Estado.

— Você podia ser um pouco menos ranzinza e aproveitar o momento. Venha, vamos até um lugar reservado para eu poder arrumar isso em você.

Grissom e Catherine acharam um aparador com um luxuoso espelho pendurado. Ele fechou os botões da gola da camisa branca enquanto sua amiga ajustava a gravata. Pelo o espelho reparou quando Sara chegou, usando um vestido preto que deixava seus ombros desnudos, viu quando ela encontrou com os outros CSI’s.

— Pronto, Gil. Agora sim você está pronto para receber a homenagem e aproveitar a noite. — Catherine apertou os ombros de Grissom. Ele não tinha reparado em como a perita estava bonita naquela noite, com os longos cabelos loiros presos em um coque ela usava um vestido marinho com detalhes de renda nos braços.

— Você está bonita. — Concluiu Grissom enquanto terminava de ajeitar a gravata borboleta.

— Você não está de se jogar fora.- A loira piscou.- Agora vamos voltar para mesa.

Ao se deparar com os presentes na mesa, Grissom viu um rosto desconhecido sentado ao lado de Sara. Procurou o seu lugar e sentou-se ao lado do capitão Brass que bebia uma considerável dose de whisky. Greg chegou a mesa tirando Grissom de sua inspeção nada discreta ao homem ao lado de Sara.

— Vejo que Sara não está só hoje. — O loiro sentou-se ao lado de Nick, o texano ergueu o copo de água para ele. — Estou zero álcool hoje também, ordens do chefe.

— Não queremos dar motivos para o turno da manhã reclamar de fazer serviço do nosso turno

— Sim, senhor ! — Greg e Nick fizeram um sinal de continência para Grissom que revirou os olhos.

O rapaz ao lado de Sara falou algo em seu ouvido que a fez abrir um discreto sorriso, todos na mesa estavam curiosos para saber quem eram o “homem misterioso” com ela. Até onde era o conhecimento deles, ela nutria sentimentos por Grissom mas, eles sabiam que não era retribuído.

— Deixe eu apresentar vocês, esse é o Trevor. Estudamos juntos em Harvard e agora ele veio morar em Las Vegas para lecionar na UNLV.

— Prazer em conhecê-lo. Eu sou a Catherine, aquele rapaz loiro e falante é o Greg. — Greg deu um “tchauzinho” fazendo Trevor sorrir. — Ainda temos o Nick, Warrick, o capitão Brass. — O homem ergueu o copo de whisky e Trevor repetiu levantando o seu copo de rum. — E por último e não menos importante Gil Grissom, o homem que vai ser homenageado nesta noite mas insiste em ficar ranzinza.

Grissom quis repreender Catherine mas isso só confirmaria o seu estado de “ranzinza”.

Trevor aparentava ser idade de Sara, ostentava belos fios dourados modelados em uma pequena franja, a pele branca era coberta por pequenas sardas, os finos lábios pareciam ter sido desenhados e seus olhos cor de mel lançava olhares incisivos em cada um dos presentes na mesa. Ele tinha um rosto angelical.

— Boa noite, Dr. Grissom. — A mesma recepcionista que havia o orientado na entrada estava parada logo atrás dele com a mão em seu ombro. — Queira me acompanhar, o prefeito Ferris deseja trocar algumas palavras com você antes do início da cerimônia.

— Ossos do ofício. — Ele abotoou o terno e levantou-se. Esse era um dos maiores motivos pelo o qual ele detestava aquele tipo de evento. Pouco conhecia o prefeito mas naquelas ocasiões as autoridades faziam questão de inventar uma falsa intimidade.

No caminho até o encontro com Ferris ele ficou pensando no acompanhante de Sara, não tinha entendido ela estava fazendo. Quinze dias atrás eles tinham saído juntos, um tímido convite da parte dele e eles haviam jantado em um restaurante afastado do centro de Las Vegas, o momento a dois tinha sido agradável e de uma forma ele esperava repetir quando tivesse outra oportunidade.

Na mesa todos conversavam animadamente. Trevor sentia-se a vontade com os amigos de Sara, conversava com o capitão Brass a respeito de filhos, ele era pai do pequeno Eric de 8 anos, divorciado seu filho morava com a mãe em San Franscico.

— Gostando de Las Vegas, Trevor?

— É uma cidade muita boa mas eu nunca gostei de muita agitação.

— Vegas só é agitada nos pontos turísticos — Catherine bebericou o seu champagne — Nos outros locais é o mais puro deserto.

— Ele alugou um apartamento próximo ao Four Season. — Sara sorriu, Trevor apoiou sua mão no encosto da cadeira dela. — Está no meio do fogo cruzado de Las Vegas.

Ele deu de ombros e puxou Sara para mais perto dele, ela encostou-se em seu peito e Catherine logo ligou o alerta. Ali não era simplesmente uma amizade.

— Vou te dar uma dica de ouro, fuja desse apartamento enquanto é tempo. O centro de Las Vegas nunca fica vazio e se você não gosta de lugares agitados está no lugar errado.- Warrick falou enquanto encarava Trevor. — Depois posso te passar boas indicações de lugares tranquilos.

— Eu vou aceitar e vai ser o mais rápido possível. Apesar de me distanciar da faculdade eu prezo pelo o meu bem estar.

O mestre de cerimônia interrompeu a conversa quando anunciou que as formalidades iriam começar. Grissom estava no palco sentado ao lado de Ecklie, era irônico estar ali recebendo algum tipo de condecoração sendo que nem na ativa ele estava.

— Irônico, não é Gil?

“Eu devia ter ficado em casa”.

Grissom limitou-se a encarar Ecklie, sabia que ele não perdia a oportunidade de oportuna-lo e liberar todo o seu veneno.

— Nós dois recebendo uma homenagem sendo que você está afastado do laboratório por insubordinação.

— Nossa diferença, Conrad. — Ele observou ao redor para saber se alguém escutava o assunto. — É que para mim isso tudo não faz diferença. Ao contrário de você que implora por atenção. Não fazemos mais que a nossa obrigação.

— Isso mostra o por que eu sou o diretor do laboratório. — Disse Ecklie vitorioso entre os dentes. Seu nome acabara de ser anunciado, sob uma salva de aplausos o prefeito tecia largos elogios a respeito do cargo dele.

Grissom fitou a plateia, vários CSI’s estavam presentes e um bom número de policiais, Apesar dele não gostar, sabia reconhecer que aquilo era um descanso merecido para toda a equipe, poucas oportunidades eram oferecidas pelo o Estado para reconhecer o mérito deles. Ele sabia que estava ali para representar todo o seu turno, tudo o que tinha conquistado não era em nome próprio e sim em nome de todos, se não fosse a capacidade de seus subordinados não estaria ali.

Observando Sara, admirou como ela estava bonita naquela noite. O vestido preto contrastava com a sua pele branca, a maquiagem marcava bem os os seus olhos castanhos e o cheiro do seu perfume era inconfundível. Vê-la com tanta intimidade com Trevor lhe causava estranheza.

Sara reparou os olhares de Grissom, reconhecia o peso do olhar dele em qualquer lugar. Ele era o tipo de homem que hipnotizava com os olhos azuis, ela conhecia quase todos os tipos de olhares, gostava de estuda-lo quando eles estavam juntos. Abriu um sorriso discreto quando seus olhares cruzaram e foi inevitável a lembrança do último jantar.

Chamado ao centro do palco, ele desconfortável com aqueles holofotes e aplausos fez um breve agradecimento em nome de toda a sua equipe do turno noturno. Não achava necessário estar ali e muito menos estender os agradecimentos. Apertou a mão do Xerife — que rosnava entre o sorriso — e o do prefeito.

— Grissom, teu sobrenome é indelicadeza.- Ironizou Brass enquanto o supervisor desabotoava o terno e sentava-se.

— Não é isso, Jim. — Interviu Greg. — Chefinho é rápido e preciso. — O loiro piscou para Grissom que o ignorou.

— Não sou pago para disfarçar minhas insatisfações.

— Pelo menos aproveite a noite agora. — Catherine disse e entregou uma taça de champagne ao amigo.- Temos duas noites livres e não precisamos nos preocupar com mais nada. Relaxe.

Grissom reparou em como o acompanhante de Sara dividia os olhares entre ele e a sua subordinada. Entre um gole e o outro do seu champagne, incomodava-se com o olhar insinuoso do rapaz.

Marcando território?

— Todas essas formalidades e a verdade é que estamos aqui só para beber. — Nick projetou o corpo no encosto da cadeira e descansou suas mãos na nuca. — Hoje é o dia que não existe rivalidade entre os departamentos da polícia.

— Policiais e peritos hoje estão unidos por um motivo maior. — Warrick ergueu seu copo com cerveja.

— Invejo vocês. Grissom está me punindo por alguma coisa e estou aqui somente no coquetel sem álcool.

— Poderia ser pior, Nick! Ele poderia ter mandar investigar um corpo em decomposição. — Sara alfinetou enquanto Trevor acariciava o seu ombro nu, o loiro passava apenas as pontas macias de seu dedo sobre a pele alva, um gesto discreto se eles não estivessem envolto por vários peritos.

— Fico contente em saber que vocês reconhecem meu requinte de crueldade.- Surpreso com o comentário, encarou Sara.- Vou anotar as reclamações de Nick e Sara.

— Que fique claro que eu e Warrick em momento algum reclamamos de suas decisões. — Greg estava em pé atrás de Grissom, apontou para Nick e Sara e fez o gesto de passar o polegar sobre o seu pescoço.

— Quanto menos você tentar me bajular, melhor será para você, Greg.

Todos riram da cara de assustado que o jovem fez. A verdade era que Greg já havia ganhado a confiança e respeito de Grissom mas mesmo assim ele ainda mantinha a mesma postura de quando era o técnico de análises no laboratório. Apesar de ter crescido profissionalmente, sempre sentia um frio na espinha quando sentia o peso do olhar furioso de Grissom sobre ele.

— Eu não sei vocês mas eu não vim até aqui para ficarmos discutindo sobre trabalho e muito menos segurando vela para ninguém. O que acha de irmos até o buffet e comermos alguma coisa? — Warrick levantou-se e Catherine levantou logo em seguida, Sara e Trevor trocaram um rápido olhar cúmplice e ele tratou de puxar a cadeira para Sara levantar. — Vamos?

Os quatro assentiram e ficaram na mesa apenas Grissom e Brass, os outros decidiram perambular pelo o local para reencontrar outros peritos e policiais. Os dois se acomodaram a mesa e puseram-se a observar o salão, havia uma banda que tocava alguma música que Grissom desconhecia mas o ritmo era agradável; nas outras mesas estavam alguns antigos amigos e conhecidos.

— Você como observador é muito indiscreto. — O supervisor levou um susto com a fala repentina do capitão e lançou um olhar furioso.

— Qual o motivo dessa afirmação? — Retornou a sua atenção aos movimentos do salão, Grissom aguardava a próxima alfinetada de Brass.

— Você e aquele jovem rapaz que está acompanhando Sara. — Ele deu uma risada irônica. — Eu poderia cortar facilmente a tensão entre vocês.

— Capitão, eu sugiro que você pare já com a bebida. Estamos no início da festa e não queremos maiores vexames.

— Você e a sua mania de sempre racionalizar demais sua vida. Até quando vai insistir em ser sozinho?- Brass colocou a mão no ombro de Grissom que virou a sua atenção para seu amigo. Ele observou o copo de whisky sobre a mesa e um gesto veloz tentou afastar o copo mas Jim fora mais rápido. — Qual foi a última vez que você fez sexo, Grissom? As vezes eu acho que o seu humor é ácido dessa forma por falta de transar.

— Interessado na minha vida sexual? — O tom de voz de Grissom era totalmente irônico e sarcástico. Incomodado e frustrado com aquele assunto, virou o resto do champanhe de uma vez só. Aproveitou o estalar da bebida deslizando por sua garganta para se recordar de sua última transa.

— Abra o seu olho para a vida. Deve ser bem frustrante ver a Sara com outro cara bem na sua frente. Só você não vê como essa garota gosta de você.

— Não exagere, tenho respeito por Sara como eu tenho por qualquer outra mulher que trabalhe comigo.

— Realmente não vale a pena querer abrir a sua mente. — Brass virou o resto do conteúdo de seu copo e levantou-se em um impulso só. Indicou com o polegar que iria até o bar mas Grissom recusou a oferta.

Conferiu seu relógio e decidiu ficar só mais hora ali, iria aproveitar a folga para descansar e tentar organizar alguns projetos pendentes, estava inclinado a aceitar a proposta de lecionar um semestre em uma faculdade próxima a Las Vegas, sentia que precisa de uma nova rotina além do laboratório.

Seu trabalho havia o consumido e não existia a distinção de casa e trabalho.

O garçom passou ao seu lado e serviu-lhe uma taça de martini, fez uma careta desgostosa com o primeiro contato com a bebida mas logo apurou o sabor na boca. Colocou a taça na mesa e capturou o seu celular no bolso da calça, o novo aparelho piscava incessantemente indicando uma nova mensagem.

LEVANTE DESSA MESA E VÁ SE DIVERTIR.

CW

A mensagem com letras garrafais de Catherine fez ele dar uma risada sarcástica, sua amiga de longa data sabia que ele não era dado a esses tipos de evento. Ele olhou para trás em busca da perita e quando os seus olhares se cruzaram, ela apontou o dedo em riste em direção ao salão que estava abarrotado de pessoas.

Ele a ignorou,

Ela somente revirou os olhos.

Sozinho na mesa ele permitiu-se curtir a música que a banda tocava, diferente do início da festa, agora eles investiram em jazz com uma batida mais dançante; alguns peritos e policiais arriscavam alguns passos de danças, outros casais mais animados empolgavam os mais tímidos.

Estava distraído quando reparou que Sara e Trevor estavam dançando no salão, a banda que antes tocava fora substituída por um DJ de cabelos arrepiados, se não tivesse usando suas lentes de contato poderia jurar que era o Greg que estava remixando. As luzes foram apagadas e os estrobos ligados, cortando o ambiente com as luzes coloridas.

Levantou-se disposto em ir embora mas ficou em alertar quando viu Trevor entregando um copo de whisky para a Sara e pela suas contas aquele devia ser o terceiro. Grissom conhecia do histórico dela com bebidas e o que o preocupava mais ainda era o caso em que os CSI’s estavam envolvidos, um homem estava sendo acusado de matar esposa e filha para receber o dinheiro do seguro e fugir com sua amante.

Aquele era o calcanhar de Aquiles dela

e a bebida a sua válvula de escape.

Caminhou até o balcão do bar e pediu uma água gaseificada, seu limite de bebida alcoólica já tinha acabado. Estava dirigindo e nunca gostou de embebedar-se, sempre fora regrado em relação a isso. A jovem bartender lhe serviu e piscou antes de atender o outro cliente, ele balançou a cabeça em negativa.

Jovem demais.

Com os cotovelos apoiados no balcão, alguém que estava atrás dele colocou a mão em seu queixo e levantou. Novamente se assustou e virou-se para trás, Alana a analista de vídeo estava gargalhando enquanto tentava pedir desculpas.

— Não pude resistir, me desculpe. Você estava de queixo caído pela a moça.

— Você está enganada, Alana.

— Se você diz… — Ela levantou as mãos em um sinal de rendição e depois deu um abraço no supervisor. — Como você está? — Ela acomodou-se no banco ao lado e bateu no balcão pedindo uma cerveja para a mesma bartender. Olhou para Grissom com o olhar malicioso e mordeu os lábios segurando a risada.

— Não força a barra. — Grissom bebeu um pouco de sua água e virou o banco para o salão. De onde ele estava não conseguia ver Sara.

— Como você está, Gil? Desde que eu mudei para o turno da tarde poucas vezes eu te vejo no laboratório, desistiu da vida de turnos dobrados?

— Estou suspenso. — Encarou a mulher que estava sorrindo. Ele era encantado pela a forma de como ela sorria, apertando os olhos e projetando a língua contra os dentes.

— Não me surpreendo. — Alana tinha a mesma idade de Grissom, os olhos verdes perolados contrastavam com a pele alva e o forte batom vermelho. Alguns anos antes eles tiveram um breve relacionamento mas terminaram por falta de dedicação mútua — Vi o FBI perambulando pelo o laboratório e o xerife Walliams é um fodido.

Lembrar que ele ainda estava suspenso por capricho do xerife fez o seu sangue ferver. Colocou de lado a sua água e esticou a mão chamando a atenção da jovem bartender e pediu um negroni. Alana ao escutar o pedido levantou as duas sobrancelhas, o que conhecia de seu ex namorado sabia que não era comum ele pedir algo tão forte.

— Negroni? O que eu perdi nesses oito anos em que terminamos?

— Nada, só um brinde ao FBI e ao xerife Walliams. Eles merecem. — Voltou a atenção ao salão e viu Sara e Trevor trocando um beijo discreto enquanto dançavam, engoliu a seco e passou a mão em seu rosto deixando a marca vermelho no local onde seus dedos deslizaram.

Alana olhou para o salão mas a grande massa dançante não a deixou identificar o que tinha aborrecido o supervisor, suspeitou que fosse a batida da música eletrônica. A jovem bartender trouxe o drink de Grissom e descaradamente deslizou a mão no braço dele, para a surpresa da analista ele não esboçou nenhuma expressão negativa, parecia ter gostado.

Grissom degustava a bebida de forma lenta, ainda de costas para festa ele pensava em como sua vida havia estagnado, sua únicas relações eram profissionais e as outras áreas ele limitava-se ao próprio laboratório.

— Ei, bonitão. Não exagere na bebida, você está com um olhar que seria capaz de expulsar a alma do xerife a pontapés. — Alana segurava a mão de Grissom que estava o copo.

— Não vou descontar nada aqui. — Ele indicou com o queixo o bar. — Prometo que será o único drink.

A mulher lançou um olhar cúmplice ao supervisor, despediram-se com um breve abraço. Grissom terminou de beber e levantou-se disposto a ir embora quando Sofia o surpreendeu com uma taça de champagne.

“Hoje estão dispostos a me embebedar”.

— Parabéns pela premiação. Você merece.

Ele não tinha prestado atenção em nada que a Curtis havia falado, estava tentando se lembrar o quanto já tinha bebido. A ideia de retornar para casa de carro já havia sido descartada. Um copo de whisky, uma dose de negroni e agora a quarta taça de champagne.

— Ãhn?

— Te parabenizei pela premiação. — Sofia colocou a mão no peito dele em uma forma de chamar atenção dele para ela. Grissom quando colocou o olhar sobre ela não conseguiu evitar uma avaliação indiscreta da policial, o vestido vermelho e colado delineava bem as suas curvas.

— O..Obrigado. — Engoliu a seco ao perceber que fora pego no pulo.

— Estava indo até a varanda para sair um pouco dessa movimentação. Você me acompanha ?

Ele disse sim sem ao menos perceber. Gostava de Sofia mas não tinha nenhum assunto com ela além do laboratório. Sempre que estavam sozinhos era a loira que conduzia a conversa e por muitas vezes ele gostava mas, hoje ele não estava muito disposto a isso. Alguns de seus subordinados viram quando os dois atravessaram o salão até uma ampla varanda do hotel.

Sara trocou olhares com Catherine que dançava animada com Vartann, a loira tentou decifrar os olhares da perita mas não tinha certeza se estava desapontada ou curiosa. Sara por sua vez continuou a sua conversa animada com Trevor, o rapaz estava disposto a aproveitar a noite com a sua velha amiga e inclusive apostar em um fim de noite a dois.

A noite de Grissom prolongava-se além que ele imaginava, a perita parecia estar muito animada com o assunto e às vezes ele pensava que também dava indícios que queria continuar a conversa, durante o tempo que estiveram juntos ele aceitou mais duas doses de rum que o garçom ofereceu.

O seu guia angelical berrava em seus ouvidos para parar e assim o fez. Reconheceu que não estava mais sóbrio mas ainda estava pleno de suas faculdades mentais, o celular de Sofia tocou pondo o fim naquele assunto. Despediram-se com um abraço e logo em seguida ele fechou os olhos, precisava reunir um pouco de força e concentração para atravessar o local sem parecer estar bêbado.

Levantou-se e sentiu como a sua visão parecia um pouco debilitada, semi cerrou os olhos e encarou a multidão que dançava e pulava animadamente. Caminhou de forma calculada até a porta e suspirou aliviado, levou as mãos no bolso e reparou que a chave do seu apartamento havia ficado dentro de seu carro mas antes de ir buscar o objeto pediu para o recepcionista chamar um táxi.

Entrou em seu veículo e relaxou quando sentou no banco macio, fechou os olhos por alguns longos segundos e encostou a cabeça. Não sabe quanto tempo ele ficou naquela posição mas abriu os olhos quando viu Sara batendo em seu vidro.

— Parece que hoje você foi muito longe, Gilbert Grissom. — Sara tinha um sorriso brincalhão estampado, estava de mãos dadas com Trevor enquanto esperava uma reação de seu superior.

“Eu costumava pedir à vida para me matar devagar mas agora eu lhe imploro que você acabe com isso”

— Estou muito cansado. — Grissom desviou o olhar pegou suas chaves no porta acessório de seu luxuoso carro, desceu do veículo e trancou sob os olhares atentos de Trevor e Sara.

— O rapaz na recepção pediu para te avisar que o seu táxi já está te esperando por pelo menos uns cinco minutos. — Ela achava graça na forma que ele tentava manter a compostura, não tinha visto seu chefe naquele estado.

“Ela conheceu outro cara, outro cara bonito”

— Precisa de ajuda ? — Trevor esticou a mão mas logo tratou de refazer o movimento quando Grissom o “fuzilou” com o olhar.

— Eu posso me virar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.