Acho que eu, Catarina e João Marcos quebramos um novo recorde de ser expulsos da mesma aula pela 10ª vez seguida do mês. Mas, nada me impressionava mais do que uma galinha gigante gritando na mesa do diretor... puts, era a Roberta!

Agora eu te pergunto: por que uma galinha se disfarçaria para atacar três alunos indefesos? Não foi para chegar do outro lado da rua!

Logo que vi aquilo dei um berro tão alto que a Catarina e o João viraram na hora.

– Uma Harpia – gritou Catarina correndo para o outro lado da sala.

A Roberta nos encurralou em um, e não sabíamos o que fazer. De repente a Catarina pegou um troféu e tacou na cara dela.

– Chega! – gritou a professora com uma voz estridente – Não aguento mais vocês, seus vermes. Mas não se preocupem, pois a morte de vocês será extremamente lenta e dolorosa.

Comecei a rir, não de nervosismo, mas de engraçado que aquilo era mesmo.

– Sara, qual é o seu problema? – me perguntou a Catarina, como se eu estivesse louca.

– Não sei, – respondi ainda rindo – mas imagina que cômico seria a Sra. Galinha tentando preparar uma canja com nós três!

João olhou pra minha cara, e depois pra Catarina e os dois começaram a dar gargalhadas. Mas acho que isso não melhorou muito o humor da Roberta.

– Besta – gritou o monstro – o tempo de vocês acabou. – logo depois disso a Harpia voou, literalmente, em nossa direção.

Fui rapidamente pra debaixo da mesa do diretor enquanto Catarina tentava abrir a porta e João começava a lutar com o monstro. Espera, João estava com um machado enorme nas mãos! De onde ele tirou aquilo?!

Comecei a rir de nervosismo e achei nos meus bolsos várias sobras de celulares que já desmontei e inconscientemente minhas mãos começaram a trabalhar.

Ouvi um grito da Catarina e percebi que ela tinha conseguido abrir a porta, porém, do lado de fora havia mais três criaturas iguais à Roberta. Quando eu finalmente foquei nos rostos delas percebi que era a Juliana, a Edilaine e a Letícia, as três alunas mais insuportáveis de todo o colégio. Elas eram da nossa sala de aula.

– Enfim achamos vocês – falou a Juliana.

– Fique longe delas! – berrou João.

– Você não vai conseguir heroizinho. Vai fracassar novamente, só que dessa vez você não volta vivo para seu acampamento. – falou Roberta.

– Do que você está falando? – perguntou Catarina.

Minhas mãos estavam juntando peças rapidamente. Não sei o que eu estava fazendo, mas precisava terminar rápido.

– Ainda não contou para elas, jovem herói? – perguntou Edilaine.

– Vocês não se metam nisso! Catarina e Sara, se protejam e assim que puderem fujam, encontro vocês depois.

– Não vou sair daqui sem saber o que QUATRO SERES MITOLÓGICOS FAZEM NA SALA DO DIRETOR TENTANDO ME MATAR – berrou Catarina.

– Simples – começou Letícia – vocês representam uma ameaça para nosso chefe, então somos obrigadas a matá-los.

– Adorei conversar com vocês, mas creio que a Letícia tenha um bico maior que a cara – falou Juliana. Olhei para Letícia e percebi que ela realmente tinha o bico maior que a cara. Quase falei isso, mas o nervosismo não deixou -, porém, temos que terminar logo isso.

– Concordo. – falou João – Já que você não vai sair daqui, pega isso – e jogou uma adaga para Catarina que, não sei como, conseguiu pegá-la no ar – Sara, continue aí, já vou resolver isso. – e correu para cima da Roberta enquanto Letícia e Edilaine o atacavam e Juliana atacava a Catarina.

Eu precisava de mais um fio, só mais um fio para carregar. Vi o microfone que o diretor usava, mas Catarina estava com Juliana lá, tentando apunhalá-la, porém ela era rápida. João estava com mais duas harpias a atacá-lo, parecia ser a Roberta e a Edilaine. A Letícia havia sumido, e tinha muita poeira no chão.

Olhei para o fio e depois para Catarina, ela incrivelmente pareceu me entender e foi golpeando o monstro para direção contrária. Corri em direção ao fio e, em frações de segundo, conectei tudo o que faltava. Assim que terminei, acionei o botão principal e o objeto, que possuía a forma de um losango, começou a brilhar cada vez mais forte, como se estivesse a carregar.

De repente, ouço um berro e vejo Catarina no chão. Parecia morta. João estava encurralado, o machado tinha voado para o outro lado da sala e as três harpias o haviam cercado.

Só faltava mais um pouco, só esse pouquinho. “Droga, não vai dar.”

Virei-me para as galinhas, tomei coragem e berrei:

– Ei! – as três esqueceram o João e se voltaram para mim – Tenho dúvidas em algumas coisas.

Elas me olharam com cara de indignação.

– Nos esquecemos desta – falou Roberta.

– Deixa, podemos cuidar dela rapidamente – afirmou Edilaine.

– Verdade! Ela nem sabe que é – concordou Juliana.

– Esperem – eu disse – vocês poderiam me responder apenas três perguntas?

– Será fácil matá-la – falou Juliana – podemos pelo menos fazer isso.

– Então tá – comecei – tipo, eu quero saber para que uma galinha atravessaria a rua; se foi o ovo que veio primeiro ou a galinha; e qual de vocês é mais burra.

Disparei tudo de uma vez só, mesmo assim acho que disse isso tão rápido que elas nem escutaram a última, e começaram a pensar. Bem, acho que foi pensar, pois fizeram umas caras muito estranhas.

O losango começou a brilhar mais e mais, já estava quase completo. “Só mais uns segundos” pensei. Mas, acho que a Roberta percebeu que eu estava tentando distraí-las e ordenou:

– Ataquem-na enquanto eu cuido desse aqui – e se virou para o João, que já estava do outro lado da sala recuperando seu machado.

As três iniciaram seus ataques quando o losango carregou completamente e começou a brilhar incessantemente. Tão forte que logo surgiu uma explosão de energia, liberando uma luz tão brilhante que quase nos cegou. Nunca havia sentido algo com tanto poder quanto aquilo.

Passaram-se segundos incontáveis e eternos, quando finalmente a luz se dissipou. Abri os olhos e vi que não havia sobrado nem mesmo uma pena das Sras. Galinhas. A sala permanecia intacta, como se tudo aquilo não tivesse passado de um sonho, a não ser pela Catarina, que ainda estava caída no meio da sala ao lado do João.

– Como você fez isso? – indagou ele.

– Não sei, só precisava ajudar vocês e me veio essa ideia. Minhas mãos começaram a trabalhar em modo automático enquanto você e a Catarina lutavam com aqueles bichos. Espera, e a Catarina, está bem?

Corri até eles e vi que Catarina ainda respirava, só estava inconsciente.

– Droga! Precisamos sair daqui urgente – falou João – Sara, me ajude. Vigie a Catarina enquanto vou correndo avisar ao Gabe.

– Aquele seu amigo estranho? – perguntei, mesmo achando que aquilo não faria sentido algum. Porém, não duvidava de mais nada.

– É. Esse mesmo.

João se levantou e foi correndo para chamar Gabe.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.