Acampamento Secreto Divino .

18 Terceira Chave, Encontrada .


Notas iniciais
Tô sumida nér?

Meus olhos pesavam, meu corpo parecia que tinha sido atropelado por um carro, estava com um pouco de dor de cabeça.. Uma leve lembrança me veio de ontem a noite, abri um largo sorriso com as cenas maravilhosas.

Me virei e dei de cara com Anúbis, ele ainda dormia tranquilamente, saí da cama e peguei uma toalha para me cobrir, entrei no banheiro e lavei o rosto, abri uma escova nada e comecei a escovar os dentes, penteei meu cabelo enquanto colocava a água do chuveiro para esquentar.

Entrei no boxe e deixei a toalha do lado de fora, lavei meus cabelos e passei um sabonete muito cheiroso no meu corpo que tinha ali, ouvi a porta sendo aberta.

- Sadie, deixei já uma roupa pra você ali, tenho que sair para trabalhar numas coisas e depois eu volto. — Anúbis disse.
Coloquei a cabeça de fora e falei:

- Ok, até mais tarde Ann.

- Te amo. — falou.

- Too! — exclamei.

Fechei a cortina e continuei meu banho, depois saí e me sequei, fui até a cama e vi um vestido azul claro, ele tinha umas rendinhas na saia, era acima do joelho, bem fofinho com um laço preto no meio, um par de tênis pretos lindos estava do lado, e um conjunto de calcinha e sutiã brancos.

Peguei tudo e entrei no banheiro, coloquei a roupa, terminei de arrumar o meu cabelo e saí.
Tentei abrir a porta do quarto mais não dava, fui até a janela e não enxerguei nenhuma paisagem, não entendi o motivo de ser assim, fechei os olhos e tentei imaginar a cozinha do Duat, por fim apareci lá.

- Filha? — ouvi a voz do meu pai e me virei, o vi tomando café com meu namorado, e do outro lado estava minha mãe.

- Hã.. Só vim pegar algo pra comer. — falei.

- Ah, pode se sentar meu amor. — minha mãe falou e eu assenti.

- Sam! Traga mais uma xícara por favor. — meu pai gritou e rapidamente ela (a cozinheira do Duat) apareceu com uma xícara cheia de café.

Coloquei um pãozinho no prato, passei geleia e comi.

- Sabe, Anúbis veio falar de umas coisas comigo minha filha..

Deixei o pão cair no prato e fiquei gelada, olhei para Anúbis e ele deu um sorriso.

- O que ele falou? — perguntei quase gaguejando.

- Ahh, ele estava falando como estava feliz de vocês estarem juntos, e que pensava em talvez ter uma casa só para os dois, ou você ir morar no palácio dele..

- Você tem um palácio? — falei cortando a frase da minha mãe.

- Claro, todos os deuses tem um palácio.

Fiquei meio confusa com aquilo tudo, algo me dizia que eu devia ir, afinal eu o amo demais, mas tinha uma coisa que me prendia no mundo mortal, não iria ser fácil mudar assim de vida..

- Posso por ao menos ter um tempo só para pensar?

- Claro, a vontade. — Anúbis falou.

Ouvi meu celular fazendo um bip e o peguei, vi uma mensagem do Carter, era para eu voltar rapidamente pro acampamento.

- Tenho que ir, até mais tarde. — falei e me despedi de todos, e de Anúbis com um selinho.

Me imaginei no dormitório dos meninos e rapidamente encontrei meu irmão conversando com Zia.

- O que ouve? Está melhor? — perguntei pra ela.

- Ótima. — disse sorrindo.

- Então qualo motivo de me chamarem?

- Bem, Zia me disse algo sobre a profecia.

- Fala então.

- É simples, quando a frase diz para procurar a pessoa quem sabe tudo, não podia ser simplesmente um mortal, teria que ser um Deus, e o deus da sabedoria seria..?

- Tot. — falei.

- Exatamente. — explicou.

Fiquei pensando, seria difícil falar com ele, afinal nunca me dei bem com esse Deus em particular, era o melhor amigo de Anúbis, talvez ele pudesse me ajudar, mas envolver meu namorado nessa missão não seria legal, eu teria que dar conta sozinha mesmo.

- Vamos. — falei puxando os dois.

Corri até a casa grande e abri a porta, dei de cara com Set, perguntei sobre Tot e ele apontou para a biblioteca. Fui até lá acompanhada dos dois. O vi sentado lendo um livro, que se chamava "A ilha Misteriosa" da Clarisse Lispector.

- Que legal, eu já li esse! — Zia exclamou.

- Ele é ótimo, estou quase acabando. — respondeu contente.

- Bem Tot, precisamos da sua ajuda, por acaso você tem por ai uma chave de ouro que pode nos "emprestar"? — falei diretamente.

- Tipo essa? — ele falou mostrando ela numa esfera de luz.

- Sim! Pode nos dar?

- Vão ter que me fazer um "favor"..

Olhei para meu irmão e ele disse:

- Pode falar.

Ouvimos atentamente o deus da sabedoria, o que ele estava pedindo seria algo bem difícil, mas precisávamos tentar conseguir, estávamos demorando demais na missão, e pra ser sincera, eu quero saber o que tem naquelas caixas.

Com a palavra final de Tot, ele nos teletransportou para onde seria a missão, mais um desafio estava para vir.

§

Entramos na casa, ela parecia sombria, achei um botão e o apertei, as luzes se acenderam, a casa era bem grande, e a sala mais ainda.

Parecia que tudo era de ouro, o bordado das almofadas, a mesinha, até a tv preta tinha pedras lindas em volta, o sofá era o que mais chamava atenção, um dourado com ouro branco misturado, deveria custar um olho da cara aquilo tudo..

- Não toquem em nada, vamos só ver o que tem e depois procurar e analisar tudo, que possa envolver algo sobre Tot. — Carter disse.

- Acho que devemos começar por lá. — Zia apontou para uma porta, onde duas estátuas de cães estavam, uma de cada lado.

- Ok. — falei e segui para a porta, quando coloquei a mão na maçaneta, Carter gritou:

- Calma Sad! Os cachorros! — ele disse e encarei o do meu lado direito, seus olhos brilharam e eles se tornaram reais, um avançou em cima de mim, com um salto para trás consegui me salvar, foi como se algo tivesse me puxado.

- Ufa. — Zia disse tirando as fitas que envolviam minha cintura.

- Obrigada. — falei.

Observei os dois cães, pareciam ser calmos, somente dois labradores, tentei chegar perto, me ajoelhei perto deles, um era fêmea e o outro macho, olhei atentamente para a fêmea, ela aparentava que tinha filhotes para nascer, pois não se movia rapidamente.

- Vamos. — falei.

Me levantei e andei normalmente pelos cães, acariciei a cabeça do macho e fui até a maçaneta, girei e abri a porta.

- Só isso? — Carter indagou quando estávamos a entrar no quarto.

- Sim, eles não iam fazer nada demais, o macho só estava protegendo a fêmea. — expliquei.

Dei um passo para frente e luzes se acenderam, olhei tudo, tinha somente umas prateleiras co livros, um cama, o guarda-roupa e uns quadros na parede, um deles era bem feio. Tinha somente a cabeça de um Íbis no centro.

- Deve ter algo nas pratilheiras. — falei e andei até lá, quando fui puxar um livro, senti meu corpo cair, olhei para baixo e me vi dentro de um buraco.

Olhei para cima e vi somente uma grande me prendendo ali.

- CARTER ME AJUDAA! — falei e o rosto do meu irmão apareceu lá de cima, ele tentou puxar mais não deu, acho que era forte demais.

- Calma, deve ser uma armadilha. — Zia falou.

Sentei-me no chão e fechei os olhos, a imagem de Anúbis me veio a mente, o que me fez sentir um pouco melhor.

§

Pov Carter .

Vi minha irmã caindo num buraco, não conseguia puxar a grade que a deixava lá embaixo, observei o chão, ele era todo xadrez, branco e alguns mais cinzas.

Por sorte eu estava numa branca, olhei o modelo, era fácil de entender, onde a Sad tinha caído era provavelmente uma cinza. Olhei para Zia, ela deu um passo para trás e a ultima coisa que vi foi ela caindo também.

- Droga! — berrei.

Observei mais o quarto, não poderia ser o algum livro o símbolo de Tot, se não me engano o símbolo dele é.. ÍBIS! Meus olhos se fixaram no quadro da parede, fui cuidado e consegui chegar lá, peguei o quadro e o segurei, quando me virei vi minha irmã e Zia de pé, os buracos tinham sumido.

- Boa irmãozinho. — Sadie disse.

- Sim. — assenti.

Ensinei a elas como sair, chegamos a porta e encontramos os cães na mesma posição, feito pedras, assim como quando chegamos. Uma luz dourada nos cercou e nos vimos diante de Tot.

- Isso foi bom.. — ele disse.

Entreguei o quadro e ele sem nem pensar, o explodiu.

- Não gosto muito dele, mas vocês cumpriram o favor, então aqui está. — falou e a chave apareceu nas minhas mãos.

Vi os olhos furiosos de Sad e logo Zia me ajudou a puxar ela para fora da biblioteca.

- EU MATO ESSA DESGRAÇA! — ela disse e rimos com isso.

- Vem, vamos logo primeiro até a árvore. — falei.